Política

Transição

Equipe de Lula articula rever estrutura de ministérios, autarquias e secretaria

Muitas das estruturas estão concentradas hoje no robusto Ministério da Economia, mas outras discussões em andamento passam por outras pastas

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A cargo do gabinete de transição, a remodelagem do primeiro escalão do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abre debate sobre o futuro de estruturas governamentais.
Muitas delas estão concentradas hoje no robusto Ministério da Economia, mas outras discussões em andamento passam por pastas como Agricultura, Desenvolvimento, Cultura, Comunicações, Ambiente e Relações Exteriores.
A EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), a Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos) e o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) estão, tradicionalmente, entre as autarquias cobiçadas.
Seu destino dependerá de uma palavra final do presidente eleito.
Sob Lula, no entanto, surge um novo objeto de disputa: a Secretaria de Economia Solidária. Idealizado para promoção de políticas voltadas aos trabalhadores de plataformas de aplicativos, como motoristas e entregadores, o órgão deverá ter destaque no governo do PT.
No gabinete de transição, a EBC tem sido disputada por três diferentes grupos de trabalho: Cultura, Comunicações e Comunicação Social.
Um grupo defende que passe a ser vinculada ao Ministério da Cultura, proposta já debatida, e descartada, na montagem do primeiro governo Lula. Pela proposta, o modelo seria inspirado na BBC, de Londres. Controversa, a sugestão ainda não consta do primeiro relatório do setor de cultura.
Equipe destinada à Comunicação recomenda status de ministério à Secom, tendo a EBC sob seu guarda-chuva. Colaboradores de Lula propõem, porém, o fortalecimento do Ministério das Comunicações, incluindo EBC em sua estrutura.
Nessa configuração, mais robusta, o ministério poderia vir a ser comandado pelo prefeito de Araraquara, Edinho Silva, um dos coordenadores de comunicação da campanha de Lula.
Outro coordenador da campanha do petista, o deputado Rui Falcão é citado para a Secom. No gabinete de transição, há ainda que sugira o nome do jornalista Kennedy Alencar.
A Apex, por sua vez, poderá ser mantida no Ministério das Relações Exteriores ou ir para o Ministério do Desenvolvimento, dependendo do poder do titular de cada uma dessas pastas.
O BNDES poderia ser subordinado ao Planejamento ou ao Desenvolvimento, de acordo com a configuração a ser definida pelo governo.
Uma disputa prestes a vir à tona refere-se à criação de um ministério destinado ao combate à fome, que seria fruto do desdobramento do Ministério da Agricultura, incluindo o Incra e o setor destinado à agricultura familiar.
Integrante do grupo da Agricultura, a senadora Kátia Abreu afirma, por exemplo, que para definição de políticas públicas de agricultura não deveria haver dois ministérios. Essa não é a opinião de representantes de movimentos sociais, base de apoio a Lula.
A senadora diz também que "ninguém quer que a Pesca saia do Ministério da Agricultura". A declaração da senadora foi rebatida pelo ex-ministro da Pesca Altemir Gregolin.
"É uma opinião pessoal da ex-ministra Kátia Abreu, mas nós divergimos totalmente. Defendemos o ministério, eu fui ministro cinco anos. A gente conhece o setor, a complexidade, o potencial do setor de pesca e aquicultura e vê um ministério como estratégico para desenvolver o grande potencial que o Brasil tem", disse.
Segundo ele, caso a Pesca fosse mantida na estrutura da Agricultura, haveria dificuldade. "Lá, esse setor disputa com grandes cadeias, com cadeias poderosas, como bovino, suíno, soja, milho. Disputa orçamento, disputa prioridade."
"Existem algumas opiniões divergentes, por exemplo, do setor mais empresarial, que gostaria de estar no ministério da agricultura, que se identifica mais com o agro, porque ali é um espaço de regulação, mas não é uma posição hegemônica."
Outra autarquia em disputa entre grupos de trabalho na transição é a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), vinculada atualmente ao Ministério do Desenvolvimento Regional.
O grupo do Meio Ambiente, no entanto, pleiteia a autarquia. Ela também poderia ser incorporada ao organograma do Ministério das Cidades. Segundo integrantes do gabinete de transição, a palavra final caberá a Lula.
No caso da Secretaria de Economia Solidária, antes mesmo de oficializar sua candidatura, Lula vinha defendendo uma legislação que garanta direitos aos trabalhadores de plataforma de aplicativos.
Em janeiro, Lula falou na abertura e no encerramento de uma reunião na qual representantes do governo espanhol apresentaram uma "contrarreforma" em implantação naquele país.
Na Espanha, governo, empresários e trabalhadores discutem a revisão da reforma trabalhista de 2012, que, cinco anos depois, serviria de inspiração para o Brasil.
Aliado de primeira hora, o PC do B defende que a secretaria fique subordinada ao Ministério do Trabalho, pasta a ser recriada e para qual defendem um nome do partido. Integrantes do movimento sindical também propõem que seja vinculada ao Ministério do Trabalho.
No primeiro mandato do petista, a Secretaria de Economia Solidária foi criada e abrigada na estrutura do Ministério do Trabalho.
Agora, outra ala sugere que fique vinculada à Secretaria-Geral da Presidência, diretamente ligada ao Palácio do Planalto. Encorpada, a Secretaria-Geral poderia ser conduzida por um nome de confiança de Lula, como o tesoureiro da campanha, o deputado federal Márcio Macedo (PT-SE).
O nome de Macedo vinha sendo descartado para o Ministério de Lula diante da hipótese de que viesse a suceder Gleisi Hoffmann (PR) na presidência do PT. Mas ela continuará à frente do partido, como confirmou Lula na semana passada.
Com isso, o nome de Macedo ganha força para integrar o núcleo do governo petista. Outro nome cotado para o cargo é do advogado Marco Aurélio Carvalho, que tem apoio de representantes dos movimentos sociais.
Nesse organograma, a Secretaria-Geral seria encarregada da definição de políticas para esses trabalhadores.
Na semana passada, cresceu também a proposta de criação de um ministério exclusivamente destinado a esses trabalhadores, apontada como a maior categoria do país. Segundo aliados de Lula, sua criação poderia ser um marco do terceiro mandato do petista.
Nesta segunda (5), Gleisi se reuniu com representantes do Conselho de Participação Social, que pretende promover o diálogo e a interlocução com organizações da sociedade civil e representações de movimentos sindicais e populares durante a transição.
A parlamentar ouviu dos presentes a sugestão para que políticas públicas referentes à participação social fiquem no guarda-chuva da Secretaria-Geral da Presidência.
"Estamos atuando muito fortemente para que a participação popular seja uma prioridade do governo Lula. Daí a importância desse tema ficar sob a responsabilidade de uma pasta como a Secretária Geral da Presidência", afirma Raimundo Bonfim, líder da CMP (Central de Movimentos Populares).

PoderData/Aya

Flávio Bolsonaro amplia vantagem e vai a 53%; Lula tem 47%

No primeiro turno da disputa presidencial, com 100% das urnas apuradas, Flávio pontuou 47,03% e Lula 45,16% dos votos válidos

08/10/2026 08h55

O avanço de Flávio na pesquisa vem acompanhado da queda na sua taxa de rejeição, que reucou três pontos

O avanço de Flávio na pesquisa vem acompanhado da queda na sua taxa de rejeição, que reucou três pontos

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Pesquisa PoderData/Aya divulgada nesta quinta-feira (8) mostra que o candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, ampliou a vantagem que teve ao final do primeiro turno sobre o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva.

De acordo com a pesquisa, que é a primeira divulgada neste segundo turno, Flávio aparece com 53% dos votos válidos e Lula com 47%. No primeiro turno da disputa presidencial, com 100% das urnas apuradas, Flávio pontuou 47,03% e Lula 45,16%, uma vantagem para o senador de 1,87 p.p. Pela pesquisa divulgada hoje, a vantagem do candidato do PL é de 6 p.p.

De acordo com o PoderData/Aya, Lula preserva a preferência em segmentos estratégicos do eleitorado, como as mulheres, onde registra 50% das intenções de voto, contra 42% do senador do PL. Flávio vai melhor no Centro-Oeste (54%), no Sudeste (51%) e no Sul (58%) e entre os que cursaram o ensino médio (55%).

Expectativa de vitória

Os eleitores também foram questionados sobre quem tem mais chances de vencer a disputa pelo Palácio do Planalto neste segundo turno, medindo a expectativa de vitória, não de voto: 54% avaliam que Flávio tem mais chances de vencer a eleição, enquanto 37% consideram Lula o candidato com maior probabilidade de vitória. Outros 9% não souberam responder.

Em uma semana, a expectativa de vitória de Flávio Bolsonaro cresceu 9 pontos porcentuais, enquanto a de Lula recuou 11 pontos porcentuais. Na pesquisa anterior, 45% apostavam na vitória do senador, ante 48% que esperavam a reeleição de Lula.

Rejeição

O avanço de Flávio na pesquisa vem acompanhado da queda na sua taxa de rejeição. Nesta nova rodada do PoderData/Aya, 43% dos entrevistados dizem que não votariam "de jeito nenhum" no senador, um recuo de 3 pontos porcentuais em 7 dias. Entre os que rejeitam Lula, a taxa oscilou de 47% para 46%.

A pesquisa foi realizada entre os dias 5 a 7 de outubro, por meio de ligações para celulares e telefones fixos, com 3 mil eleitores de todo o País. A margem de erro é der 1,8 ponto porcentual para mais ou para menos, o nível de confiança é de 95% e a pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob protocolo BR-08134/2026.

MANDATO 2027-2030

Riedel e Barbosinha tomarão posse em 6 de janeiro

Diferentemente de outros anos, posse não ocorrerá mais em 1° de janeiro

08/10/2026 08h35

Barbosinha e Riedel em coletiva de imprensa

Barbosinha e Riedel em coletiva de imprensa GERSON OLIVEIRA

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Governador reeleito Eduardo Riedel e seu vice José Carlos Barbosa vão tomar posse novamente em 6 de janeiro de 2027, quarta-feira, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), localizada no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

Eles assumirão mais um mandato de quatro anos (2027-2030). Ao todo, ficarão oito anos no poder executivo estadual, de 2023 a 2030. Isto significa que nas eleições gerais de 2030, Riedel não poderá mais concorrer ao cargo de governador.

Diferentemente de outros anos, a posse não ocorrerá mais em 1° de janeiro. O motivo da mudança de data é evitar que o dia coincida com as festas de fim de ano (revéillon), quando muitas pessoas estão viajando ou comemorando com família e amigos.

Com isso, pela primeira vez, a posse de governadores e vice ocorrerá simultaneamente em 6 de janeiro em todos os estados brasileiros.

A posse do presidente da República acontecerá um dia antes, em 5 de janeiro, terça-feira. A diplomação dos candidatos eleitos ocorrerá em 18 de dezembro de 2026.

Em 26 de novembro de 2025, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou a mudança na data da posse para governador, com a justificativa de que a Casa de Leis deve adotar o princípio de simetria, que determina que estados e municípios adotem normas equivalentes às previstas na Constituição Federal.

O Projeto de Emenda Constitucional é de autoria do deputado Zé Teixeira e coautoria de Gerson Claro, Gleice Jane, Lia Nogueira, Caravina, Junior Mochi, Marcio Fernandes, Paulo Corrêa, Paulo Duarte, Pedro Kemp e Zeca do PT.

A posse dos deputados estaduais eleitos será em fevereiro de 2027.

ELEIÇÕES 2026

Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador de Mato Grosso do Sul, no primeiro turno, por mais quatro anos. Ele recebeu 914.323 votos (67,07%).

O ex-deputado federal Fábio Trad (PT) terminou a disputa em segundo lugar, com 322.807 votos (23,68%). O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) ficou em terceiro 98.677 votos (7,24%).

A vantagem de Riedel sobre o candidato petista foi de 43,39 pontos porcentuais e 591.516 votos.

Após a vitória, o governador agradeceu a confiança dos eleitores e o empenho da equipe. "Obrigado, Mato Grosso do Sul! Juntos, nós fizemos história", disse o chefe do executivo estadual em suas redes sociais.

 

 

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