Política

TRANSFERÊNCIA

Ex-diretor da Petrobras vai para presídio

Ex-diretor da Petrobras vai para presídio

g1

26/04/2014 - 07h15
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A Justiça Federal do Paraná determinou no início da noite de ontem (25) a transferência do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa (foto) para o Presídio Estadual de Piraquara II (PEP II), na Região Metropolitana de Curitiba. Ele deve deixar a carceragem da Polícia Federal, onde está preso desde março, para uma ala reservada a presos de nível superior e presos diferenciados. A transferência deve ser consumada assim que a PF e o Ministério Público Federal forem notificados, mas a defesa de Costa diz que irá pedir uma reconsideração do despacho.  

O ex-diretor da Petrobras, preso pela acusação de ser um dos chefes de uma quadrilha especializada em lavar dinheiro no exterior, escreveu uma carta dizendo que foi ameaçado por um agente da Polícia Federal (PF) na cela da carceragem da corporação em Curitiba, onde está preso. Um dos advogado de Paulo Roberto Costa, Cassio Quirino, teve acesso à carta na segunda-feira (21), mas o conteúdo só foi publicado ontem (25). Na carta, Paulo Roberto Costa afirma que o agente da Polícia Federal diz que ele, o ex-diretor da Petrobras, estava criando confusão junto com Cassio Quirino em relação ao pedido de tomar banho e de caminhar no feriado [de Páscoa e Tiradentes].

No despacho, o juiz Sergio Fernando Moro afirma que não foi notificado oficialmente da suposta ameaça, e ressalta que não há nenhum pedido de autoridade policial ou do MPF requerendo a transferência. "O que, por si só, coloca em dúvida a credibilidade da afirmação do preso", diz. Ele sustenta, porém, que a transferência deve ser realizada porque a carceragem é "cela de mera passagem para presos provisórios e não é, de fato, adequada para permanência do preso por longo período".

Sobre a ala reservada a presos de nível superior e presos diferenciados, o juiz afirmou que não se trata de privilégio. "As circunstâncias recomendam, para segurança dele, que fique separado de presos comuns", sentenciou.

Em nota, a defesa de Paulo Roberto Costa diz que irá contestar a decisão do juiz, e que irá peticionar um pedido de reconsideração. “Ao determinar essa transferência, o juiz torna real a ameaça da Polícia Federal, relatada no bilhete escrito por Paulo Roberto no último fim de semana”, afirma o advogado Fernando Fernandes. Ainda de acordo com a defesa, nenhuma providência foi tomada para assegurar direitos fundamentais do ex-diretor da Petrobras.

Também ontem, a Justiça Federal do Paraná aceitou denúncia do MPF contra Paulo Roberto Costa e outras nove pessoas, entre elas o doleiro Alberto Youssef. Ao todo, 18 pessoas já foram denunciadas pelo MPF no processo referente à Operação Lava Jato. No despacho do juiz Sergio Fernando Moro os crimes apontados são prática de lavagem de dinheiro e participação em grupo criminoso organizado.

Ameaça

A carta, escrita à mão, foi publicada ontem. “Com certeza isto foi um recado do delegado e que eu estava dando um tiro no meu pé e desta maneira seria transferido para Catanduvas [Penitenciária Federal de Catanduvas no oeste do Paraná, de segurança máxima]. Pode isto???”, diz trecho da carta escrita por Paulo Roberto Costa.

Ele indaga se vale a pena conversar com o juiz federal Sergio Fernando Moro, que aceitou as denúncias do MPF, sobre a situação.

O advogado de defesa Fernando Fernandes afirmou que Paulo Roberto Costa está sendo tratado de “maneira desumana”, sem a garantia de direitos elementares, como banho higiênico e de sol e exercícios físicos. “Nosso objetivo é soltar Paulo Roberto e garantir o direito como cidadão”, afirma o advogado.

Segundo Fernandes, o ex-diretor da Petrobras não teve direito ao banho higiênico e de sol e de fazer exercícios físicos durante o feriado prolongado. Ele ainda diz as conversas entre Paulo Roberto Costa com os advogados devem estar sendo interceptadas. “Acredito em grampo telefônico no local prisional”, ressalta.

Em nota, a Polícia Federal afirmou que vai abrir procedimentos administrativo e criminal para apurar os fatos relatados por Costa.

“Esclarecemos que, quanto a denúncia apresentada pelo ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, preso na Operação Lava Jato, e custodiado nesta unidade policial, por ordem do Senhor Superintendente Regional da Policia Federal no Estado do Paraná, estão sendo abertos procedimentos apuratórios, um de cunho administrativo e outro criminal, como medida apuratória aos fatos por ele relatados”, diz a nota na íntegra.

abstenção

Mais de 480 mil eleitores de MS que faltaram no 1º turno podem votar normalmente no segundo

Cada turno de votação é uma eleição independente e, caso o eleitor não compareça a nenhum, deve apresentar duas justificativas

05/10/2026 16h15

Cada turno é considerado eleição independente e eleitor faltante no 1º pode votar no segundo

Cada turno é considerado eleição independente e eleitor faltante no 1º pode votar no segundo Foto: Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Os 482.860 eleitores que deixaram de votar em Mato Grosso do Sul nesse domingo (4), o que representou uma abstenção de 23,88%. Com um segundo turno confirmado para o dia 25 de outubro, mesmo não tendo comparecido às urnas no primeiro turno, estes eleitores poderão vorar normalmente no segundo, desde que estejam com o título regular.

Em todo o Brasil, a abstenção foi de 21,08%, com 33.469.244 eleitores faltantes.

De acordo com Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cada turno de votação é uma eleição independente e, por este motivo, basta comparecer a seção no dia do segundo turno.

No entanto, os eleitores que não foram às urnas no primeiro turno, ainda são obrigados regularizar a situação eleitoral, mesmo que votem no segundo turno. 

A justificativa é necessária para cada turno em que a pessoa deixar de votar. Assim, quem não compareceu no 1º turno e também não puder votar no 2º deverá apresentar uma justificativa para cada ausência, dentro dos respectivos prazos. 

O prazo para quem não votou no primeiro turno vai até 3 de dezembro e a justificativa pode ser apresentada pelo e-Título, pelo serviço de autoatendimento do site do TSE ou presencialmente em qualquer cartório eleitoral.

É obrigatória a apresentação de um documento que comprove o motivo da ausência, como um atestado médico ou bilhete aéreo, entre outros. O pedido será analisado pela autoridade judiciária eleitoral competente. 

Eleitores em viagem no exterior têm até 30 dias após o retorno ao Brasil para apresentar a justificativa. Caso more em outro país e vote em uma zona eleitoral do exterior, só é necessário justificar ausência em eleições presidenciais.

Caso não justifique no prazo, além de regularizar a situação, o eleitor também terá que pagar multa de R$ 3,51 por turno.

O valor poderá ser pago pelo autoatendimento no site do TSE, pelo aplicativo e-Título ou no cartório eleitoral, por meio de Guia de Recolhimento da União (GRU), do Pix ou de cartão de crédito.

Enquanto não regularizar a situação, o eleitor fica com o título eleitoral em situação irregular sujeito a restrições previstas na legislação eleitoral.

Dentre as medidas, estão a impossibilidade de obter certidão de quitação eleitoral e, enquanto não estiver quite, de inscrever-se em concurso ou prova para cargo ou função pública, tomar posse em cargo público, renovar matrícula em estabelecimento de ensino oficial ou fiscalizado pelo governo e praticar atos que dependam da quitação eleitoral. 

A legislação também prevê restrições relacionadas à obtenção de passaporte ou carteira de identidade.

O título eleitoral é cancelado em caso de ausência sem justificativa e regularização em turnos consecutivos.

Poder Político

De Zeca a Riedel, todos os governadores de MS desde 1999 vencem nas urnas

Resultado das Eleições 2026 mantém no poder os quatro políticos que comandaram Mato Grosso do Sul nas últimas quase três décadas; dois estarão na Assembleia, um no Senado e outro seguirá no Governo.

05/10/2026 16h02

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Zeca do PT, Eduardo Riedel, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja: os quatro governadores que comandaram Mato Grosso do Sul desde 1999 venceram nas urnas em 2026.

Da esquerda para a direita e de cima para baixo, Zeca do PT, Eduardo Riedel, André Puccinelli e Reinaldo Azambuja: os quatro governadores que comandaram Mato Grosso do Sul desde 1999 venceram nas urnas em 2026. Foto: Reprodução/Instagram/Alems/Montagem: Correio do Estado

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As urnas deste domingo (4) produziram uma fotografia incomum da política de Mato Grosso do Sul. Os quatro políticos que ocuparam, de forma consecutiva, o comando do Estado desde 1999 saíram vitoriosos das Eleições 2026 e continuarão ocupando cargos eletivos a partir do próximo ano.

Zeca do PT, André Puccinelli (MDB), Reinaldo Azambuja (PL) e Eduardo Riedel (PP) representam, juntos, praticamente três décadas da história recente do Governo de Mato Grosso do Sul. Agora, estarão distribuídos entre Assembleia Legislativa, Senado Federal e o próprio Executivo estadual.

O resultado evidencia a capacidade de sobrevivência eleitoral de nomes que atravessaram diferentes momentos políticos, mudanças partidárias, disputas acirradas e transformações no eleitorado sul-mato-grossense.

Mesmo depois de deixarem o Parque dos Poderes, os ex-governadores mantiveram força suficiente para voltar, ou permanecer, no centro das decisões políticas do Estado.

Quatro governadores, quatro vitórias

O primeiro dessa sequência é José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, que governou Mato Grosso do Sul por dois mandatos consecutivos, entre 1999 e 2006.

Neste domingo, ele garantiu novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa ao receber 42.714 votos, ficando entre os deputados estaduais mais votados do Estado.

Zeca chegou ao Governo após construir trajetória iniciada no Legislativo. Antes de assumir o Executivo, foi vereador em Campo Grande, deputado estadual e deputado federal.

Depois de deixar o governo, também voltou a ocupar cargos legislativos e, em 2026, assegurou a continuidade de sua presença na Assembleia.

Quem sucedeu Zeca no comando estadual também venceu nas urnas. André Puccinelli (MDB), governador entre 2007 e 2014, foi eleito deputado estadual com 40.602 votos e retornará à Assembleia Legislativa a partir de 2027.

Médico, Puccinelli construiu uma das trajetórias políticas mais extensas do Estado. Foi deputado estadual, deputado federal, prefeito de Campo Grande por dois mandatos e, posteriormente, governador de Mato Grosso do Sul por oito anos.

A eleição deste domingo recoloca o emedebista em um cargo eletivo estadual depois de anos em que seu nome continuou presente nas articulações e disputas políticas.

Com Zeca e Puccinelli eleitos, a Assembleia Legislativa terá, portanto, dois ex-governadores dividindo o plenário durante a próxima legislatura, dois políticos que estiveram em lados diferentes de importantes disputas estaduais e que, juntos, comandaram Mato Grosso do Sul durante 16 anos consecutivos.

Azambuja troca Governo pelo Senado

O terceiro nome da sequência é Reinaldo Azambuja (PL). Sucessor de Puccinelli, ele governou Mato Grosso do Sul entre 2015 e 2022 e voltou às urnas neste ano para disputar uma das duas vagas destinadas ao Estado no Senado Federal.

Azambuja terminou a eleição como o candidato ao Senado mais votado em Mato Grosso do Sul, com 903.554 votos, o equivalente a 34,64% dos votos válidos, e garantiu mandato de oito anos em Brasília. A segunda vaga ficou com Capitão Contar, também do PL.

Antes de chegar ao Governo, Azambuja já havia passado pela Prefeitura de Maracaju, Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados. Agora, acrescentará o Senado à trajetória política e passará a representar Mato Grosso do Sul no Congresso Nacional a partir de fevereiro de 2027.

A vitória mantém Azambuja em posição de influência direta sobre a política estadual, mas agora a partir de Brasília, onde terá participação nas discussões sobre projetos nacionais, orçamento federal e articulação de recursos destinados a Mato Grosso do Sul.

Riedel completa sequência com reeleição

Atual ocupante do cargo, Eduardo Riedel (PP) fechou a sequência de vitórias ao conquistar mais quatro anos à frente do Governo estadual.

Com 100% das urnas apuradas, Riedel recebeu 914.323 votos, ou 67,07% dos votos válidos, e resolveu a disputa já no primeiro turno. Fábio Trad (PT), segundo colocado, terminou com 23,68%.

Riedel assumiu o Governo em janeiro de 2023 depois de vencer as eleições de 2022 no segundo turno. Antes disso, havia ocupado postos estratégicos na administração de Reinaldo Azambuja, entre eles as secretarias estaduais de Governo e de Infraestrutura.

A vitória deste domingo garante sua permanência no Parque dos Poderes até o fim de 2030 e completa um cenário no qual nenhum dos quatro políticos responsáveis pelo comando do Estado desde 1999 saiu derrotado das urnas em 2026.

Quase três décadas ainda presentes no poder

O resultado cria uma configuração simbólica na política de Mato Grosso do Sul. Entre janeiro de 1999 e dezembro de 2026, o Governo do Estado terá sido comandado apenas por Zeca do PT, André Puccinelli, Reinaldo Azambuja e Eduardo Riedel.

A partir de 2027, todos eles continuarão formalmente inseridos na estrutura política: Zeca e Puccinelli na Assembleia Legislativa, Azambuja no Senado e Riedel no Governo do Estado.

Ao mesmo tempo em que as eleições renovaram parte das bancadas estadual e federal, o desempenho dos ex-governadores mostra a permanência de lideranças já conhecidas pelo eleitorado e capazes de conservar capital político mesmo depois de anos e, em alguns casos, décadas, desde a primeira chegada aos principais cargos do Estado.

A composição que sairá das urnas também deverá colocar antigos aliados e adversários em novas posições a partir do próximo ano.

Enquanto Riedel inicia um segundo mandato no Executivo, precisará se relacionar com uma Assembleia que terá dois de seus antecessores e com uma bancada federal que contará com Azambuja no Senado.

Mais do que definir os ocupantes dos cargos pelos próximos anos, portanto, a eleição de 2026 mostrou que os nomes que comandaram Mato Grosso do Sul desde o fim da década de 1990 continuam encontrando espaço nas urnas.

Mudam os cargos, as siglas e as alianças, mas os quatro últimos governadores seguem no centro do poder político sul-mato-grossense.

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