Política

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Festas tradicionais de Corumbá – São João

Festas tradicionais de Corumbá – São João

Redação

05/06/2010 - 20h38
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... Todavia, a festa mais tradicional da cidade de Corumbá é a de São João, que acontece todo ano no porto geral, bastante descaracterizada pelo aparato tecnológico da modernidade, mas ainda tentando preservar a tradição.

Há muitos anos o São João passou a figurar como a festa mais típica da cidade, cuja originalidade está no banho que se dá na imagem do Santo nas águas do rio Paraguai e nas crendices e superstições a ele ligadas.

Diz a lenda que São João adormece no seu dia, pois se estivesse acordado, vendo o clarão das fogueiras acesas em sua honra, não resistiria ao desejo de descer do céu para acompanhar a oferenda e o mundo acabaria pelo fogo.

 

Se São João soubesse

Quando era seu dia

Descia do céu à terra

Com prazer e alegria.

- Minha mãe quando é meu dia?

- Meu filho, já passou!

- Minha mãe não me acordou?

- Acorda João!

- Acorda João!

João está dormindo,

Não acorda, não!

 

Mas se o santo tem o costume de dormir no seu dia, isso não acontece com o povo corumbaense, que guarda como uma de suas graças a festa de São João.

Antigamente a festa estava mais ligada à tradição. Pilhas de lenhas eram acesas em frente às residências e a noite se enchia de luz e labaredas amarelas que chicoteavam o ar frio, subindo para o céu.

Na Praça da Matriz, Dom Cirilo de Paula Freitas comandava a festança. Beatas faziam pés-de-moleque, chipas, doces... armavam barraquinhas, espichavam fios de arame com bandeirolas coloridas, fincavam o pau-de-sebo bem no centro da praça e, em cima dele, ao lado do retrato do santo, amarravam uma cédula de mil réis, que era para a gurizada apanhar.

Soltavam balões, foguetes, fogos de artifício, dançavam o cururu, o siriri, a quadrilha, faziam casamentos, jogos de prendas e adivinhações.

Depois das rezas, às 23 horas, as procissões começavam a descer a Ladeira Cunha e Cruz, para dar o banho no santo. Era aquela algazarra! Vários ranchos saindo das casas dos festeiros ao som de bandas, de sanfonas, de vilões, encontravam-se num dado momento e davam vivas: VIVA SÃO JOÃO! E gritavam, pulavam, dançavam; tal como hoje, todos os ranchos desciam a ladeira cantando o hino consagrado ao santo:

 

Deus te salve, João

Batista sagrado

O teu nascimento

Nos tem alegrado.

 

João batiza Cristo,

Cristo batiza João

E foram batizados

Nas águas do Jordão.

 

O refrão reforçava a animação dos ranchos, que seguiam as bandas com o povo cantando e pulando atrás do andor enfeitado.

As crendices eram muitas. Até hoje existe a crença que o rio Paraguai começa a baixar na noite de São João, e que se uma moça passar sete vezes debaixo do andor do Santo ela se casará no próximo ano.

O São João corumbaense, além de se revestir de curiosidades e peculiaridades, foi adotado como casamenteiro, recebe mais pedidos que o próprio Santo Antonio.

Naquela época, antes da chegada de 1920, os saraus em casas de família ou nos clubes recreativos já estavam na moda. Tertúlias literárias aconteciam frequentemente movidas a bailes nas sociedades italiana e portuguesa.

O carnaval era a festa popular mais animada na cidade e dele falaremos em outra oportunidade.

Cavalhadas e touradas preenchiam os momentos de diversão da população corumbaense.

Dizem que lá por volta de 1905, célebres ficaram as cavalhadas e as touradas que aconteciam na Rua Frei Mariano, no antigo Cinema Odeon e no Theatro Bijou, na Delamare. Exímios toureiros se exibiam tentando domar ou dominar os touros, aramados de lanças e usando a tradicional capa, eram ovacionados pelo povo, na melhor forma espanhola.

Em meio às cavalhadas existiam uma série de gincanas, de passatempos, de brincadeiras, que sempre fizeram parte do espírito alegre do corumbaense.

 

José Augusto Proença

DEBATE

Docentes de Direito de MS divergem sobre redução da maioridade penal

O ministro da Justiça, Wellington César Lima, sugeriu a possibilidade de o assunto ser colocado em plebiscito nas eleições deste ano

03/03/2026 16h36

Os professores de Direito André Borges e Sandro de Oliveira comentam sobre a possível redução da maioridade penal no Brasil

Os professores de Direito André Borges e Sandro de Oliveira comentam sobre a possível redução da maioridade penal no Brasil Montagem

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A recente declaração do novo ministro da Justiça, Wellington César Lima, sobre a possibilidade de um plebiscito para debater a redução da maioridade penal desencadeou uma onda de manifestações pelo País, principalmente depois que a Argentina aprovou a redução de 16 para 14 anos de idade.
 
Em Mato Grosso do Sul, o Correio do Estado ouviu o professor-doutor da Faculdade de Direito (Fadir), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandro de Oliveira, e o professor de Direito Constitucional da Faculdade Insted, André Borges, que divergem sobre a redução da maioridade penal no território brasileiro.
 
Favorável à redução da maioridade penal, o professor André Borges disse que os jovens de hoje são mais informados e nem se compara com o que existia no passado. “Chegou a hora de responsabilizar mais aqueles que, tendo praticado um crime, escondem-se debaixo da idade”, declarou.
 
Ele completou que a República é regime de responsabilidade. “Se alguém é livre para violar as leis do país, deve ser responsável direto pelos resultados. Plebiscito também é uma boa ideia: entregar ao povo a decisão é algo democrático e eficiente”, analisou.
 
Já o professor Sandro de Oliveira ressaltou que a proposta de redução da maioridade penal no Brasil reaparece ciclicamente como resposta simbólica ao aumento da violência. “Contudo, sob o prisma jurídico-constitucional e dos tratados internacionais, trata-se de iniciativa incompatível com o sistema de proteção integral inaugurado pela Constituição de 1988 e consolidado pelo Direito Internacional dos Direitos Humanos”, citou. 
 
Ele completou que a Constituição, ao estabelecer a inimputabilidade penal aos menores de dezoito anos (art. 228), não o fez como concessão política, mas como cláusula estruturante de um modelo que reconhece adolescentes como sujeitos de direitos em condição peculiar de desenvolvimento.
 
“No plano internacional, o Brasil é parte da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), que impõe aos Estados o dever de adotar medidas especiais de proteção à infância (art. 19)”, lembrou.
 
Esse dispositivo, de acordo com o professor, deve ser interpretado sistematicamente com a Convenção sobre os Direitos da Criança, que consagra a doutrina da proteção integral e exige que qualquer responsabilização juvenil observe a primazia de medidas socioeducativas, a excepcionalidade da privação de liberdade e a finalidade eminentemente pedagógica do sistema. 
 
“Reduzir a maioridade penal significa deslocar adolescentes para o sistema penal comum, rompendo com esse paradigma protetivo”, reforçou, lembrando que a jurisprudência da Corte Interamericana de Direitos Humanos é clara ao afirmar que crianças e adolescentes demandam um regime jurídico diferenciado, orientado pela dignidade, pelo desenvolvimento progressivo e pelo princípio do melhor interesse. 

Favorável

Conforme Sandro de Oliveira, em precedentes que se tornaram modelos, como o caso “Instituto de Reeducación del Menor vs. Paraguai”, a Corte condenou a submissão de adolescentes a condições prisionais incompatíveis com sua condição peculiar, reforçando que o sistema penal ordinário (aplicável aos maiores de idade) não é ambiente legítimo para a responsabilização juvenil. “A redução da maioridade penal, portanto, expõe o Brasil a risco concreto de responsabilização internacional”, comentou.
 
No âmbito interno, o Supremo Tribunal Federal (STF) tem reconhecido a centralidade dos tratados internacionais de direitos humanos na conformação do controle de convencionalidade, inclusive atribuindo-lhes status supralegal, acima das leis brasileiras, e quando aprovados sob o rito do art. 5º, §3º, status constitucional, como se fosse norma constitucional. 
 
“A Corte também já afirmou a força normativa do princípio da proteção integral e a necessidade de interpretação conforme os compromissos internacionais assumidos pelo Estado brasileiro. Qualquer emenda constitucional que fragilize esse núcleo protetivo pode incorrer em violação às chamadas cláusulas pétreas, por atingir direitos e garantias individuais”, apontou.
 
A inconstitucionalidade da redução da maioridade penal decorre, ainda, da vedação ao retrocesso em matéria de direitos fundamentais. “O sistema inaugurado pela Constituição de 1988 substituiu o paradigma tutelar-repressivo por um modelo garantista e socioeducativo. Retroceder para equiparar adolescentes a adultos no âmbito penal comum significa esvaziar a proteção diferenciada assegurada pelo constituinte originário. Não se trata de opção política neutra, mas de alteração que atinge o núcleo essencial da dignidade da pessoa humana e da prioridade absoluta conferida à infância”, disse.
 
Para o professor, sob a perspectiva da inconvencionalidade, a redução viola o dever estatal de adotar medidas progressivas de ampliação — e não de restrição — da proteção aos direitos humanos. 

“O controle de convencionalidade impõe que todas as autoridades públicas, inclusive o legislador constituinte derivado, atuem em conformidade com os tratados ratificados pelo Brasil e com a interpretação dada pelos órgãos internacionais competentes. Ignorar essa obrigação compromete a credibilidade internacional do país e fragiliza o sistema interamericano de proteção”, declarou.
 
O docente da Fadir da UFMS acrescentou que é igualmente equivocado invocar a maioridade eleitoral como argumento para a redução da maioridade penal. “O fato de o adolescente poder exercer o voto facultativo aos dezesseis anos não autoriza sua equiparação plena ao adulto para fins penais”, afirmou. 
 
No entendimento dele, os direitos políticos e responsabilidade criminal pertencem a esferas normativas distintas, com fundamentos e finalidades diversas. “A ampliação da participação democrática juvenil não implica reconhecimento de maturidade penal plena, nem afasta a necessidade de proteção especial assegurada constitucional e convencionalmente”, assegurou.
 
Para concluir, Sandro de Oliveira pontuou que a resposta à violência juvenil não está no recrudescimento penal, mas no fortalecimento das políticas públicas de educação, inclusão social e efetividade das medidas socioeducativas previstas no ordenamento. 
 
“A redução da maioridade penal, além de ineficaz sob o ponto de vista empírico, afronta a Constituição e os compromissos internacionais assumidos pelo Brasil. Defender sua rejeição não é ato de complacência com o crime, mas de fidelidade ao Estado Democrático de Direito e ao sistema de direitos humanos que escolhemos construir”, finalizou.

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ATENÇÃO, ELEITORES!

Eleições 2026: TRE-MS atende eleitores no bairro Lageado para regularizar situação

O atendimento acontecerá na Escola Estadual Thereza Noronha de Carvalho, das 8h às 15h, neste sábado (7)

03/03/2026 16h00

A proposta reduz o período em que um político condenado fica impedido de disputar uma eleição

A proposta reduz o período em que um político condenado fica impedido de disputar uma eleição Arquivo

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O Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) realizará, neste sábado (07), uma edição do atendimento itinerante em Campo Grande. A ação acontecerá das 8h às 15h, na Escola Estadual Thereza Noronha de Carvalho, localizada na Rua João Selingarde, 770, no bairro Parque Lageado.

A iniciativa serve para facilitar o acesso da população aos principais serviços relacionados ao título de eleitor. Na ocasião, serão oferecidos: emissão do primeiro título, transferência de domicílio eleitoral, regularização da situação eleitoral e atualização de dados cadastrais.

A ação integra o cronograma de atendimentos itinerantes realizados pelo TRE-MS, que tem percorrido diversas regiões do Estado e da Capital, estreitando a relação entre os serviços oferecidos pela Justiça Eleitoral às comunidades.

O eleitor pode consultar sua situação eleitoral no site do TSE, acessando a aba “Autoatendimento Eleitoral”. No portal, é possível verificar pendências, emitir certidões, atualizar dados e acompanhar informações sobre o título.

Prazo

O atendimento para regularização do título eleitoral segue até 6 de maio, das 8h às 18h, em todas as unidades da Justiça Eleitoral do Estado. Na Capital, o atendimento acontece na Rua Delegado José Alfredo Hardman, nº 180.

O cadastro será encerrado 150 dias antes do primeiro turno das Eleições Gerais de 2026, marcado para 4 de outubro, onde o eleitorado definirá os ocupantes dos cargos de presidente da República, governador de estado, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.

Até essa data-limite, os eleitores podem solicitar alistamento, revisão eleitoral, regularização do título, cadastro biométrico, atualização de dados, transferência de local de votação e esclarecer dúvidas sobre o processo eleitoral em qualquer unidade da Justiça Eleitoral.

Além do atendimento presencial, os serviços também estarão disponíveis pelo aplicativo e-Título e pelo sistema de autoatendimento eleitoral, acessível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

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