Política

Acirramento

Flávio e Lula empatam nas cidades com mais eleitores do que habitantes em MS

Retorno para cidades de origem foi determinante para o crescimento de Lula em Mato Grosso do Sul

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O acirramento da disputa eleitoral entre lulistas e bolsonaristas espalhados por todo o país fez com que milhares de pessoas voltassem para suas cidades de origem para exercer o direito ao voto no último domingo (25), ação que ocorreu em Taquarussu e Jateí, municípios sul-mato-grossenses com mais eleitores do que habitantes.

No geral, o retorno foi determinante para o crescimento de Lula em Mato Grosso do Sul e consequentemente para a virada da base petista em todo o país.

Apesar da ampla base nordestina, reduto histórico da base petista, Lula seduziu 112.118 mil sul-mato-grossenses entre os turnos e em três semanas, saltou de 516.855 votos para 628.973 no último domingo, crescimento percentual de 21% e ampliação do número de votos em todas as 79 cidades do Estado. 

No Estado, Flávio havia vencido em ambas as cidades no primeiro turno, contudo, Lula, que havia vencido em Miranda, Dois Irmãos de Buriti, Vicentina, Japorã, Tacuru, Paranhos, 'remontou' em Taquarussu e outros três municípios: Corumbá, Selvíria e Itaquiraí.

Conforme o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Jateí possui 4.351 eleitores, índice 21% maior do que sua população de 3.596 habitantes.

Por lá, Flavio Bolsonaro consquistou 1.368 no primeiro turno, e ampliou a vantagem para 1.468 (+100) no último domingo.

Em Taquarussu, o número de eleitores é 6% maior (3.948) do que o total de habitantes (3.740). Reduto bolsonarista no primeiro turno, o município atribuiu 1.381 votos a Lula na primeira ronda, índice que saltou para 1.522 (+141) e garantiu a virada petista no município. 

Acadêmico de psicologia da Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), Murilo Nunes é natural de Taquarussu e fez questão de viajar quase 200km para votar em sua cidade natal.

Segundo o jovem de 22 anos, retornar em período eleitoral, maneira de rever amigos e família,ganhou mais peso em 2026 em virtude do acirramento entre os candidatos.

"Votei no primeiro turno, ouvi de vários amigos que Lula ganharia, mas depois do cenário visto [Flávio à frente], votei com muito mais garra e força agora", destacou o lulista. 

Questionado sobre a movimentação da esquerda nacional, frisou que a ação encabeçada nas redes sociais pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), mobilização que reuniu 10,5 milhões de pessoas, foi determinante para o crescimento e consagração de Lula, algo característico dos taquarussuenses.

"A eleição municipal é mais acirrada do que a presidencial em Taquarussu, conheço gente de 30, 40 anos que mora em outros municípios e faz questão de votar lá", frisou. 

Virada

Além do amplo crescimento em Mato Grosso do Sul, os estados onde Lula mais cresceu em pontos percetuais entre os turnos foram Goiás (+9,28 p.p); São Paulo (+7,95 p.p) e Distrito Federal (+7,61 p.p). 

Os números destroem a compreensão massiva de que Lula venceu apenas em razão do apoio nordestino. "Esse estigma é pura xenofobia, se a esquerda nacional continuar se movimentando, manter esse impacto positivo, temos tudo para crescer novamente em Mato Grosso do Sul", finalisou Murilo.   

Nacional 

Entre os brasileiros que compareceram neste no segundo turno das Eleições de 2026, 64.256.232 escolheram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O total representa 10,3 milhões de votos a mais que os que Lula recebeu no primeiro turno, quando foram registrados quase 53,9 milhões. O crescimento de votos se deu em todos os 26 estados e no Distrito Federal, com destaque para Minas Gerais. 

Flávio Bolsonaro também cresceu na maior parte dos estados, mas com menor diferença entre os dois turnos. Em seis estados, o candidato recuou mais de 52,3 mil votos. São eles: Maranhão, Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Tocantins. 

Em termos absolutos, São Paulo foi o estado onde Lula abriu a maior margem de diferença entre os dois turnos, com crescimento de 2,6 milhões de votos.

O segundo foi Minas Gerais, com mais de 1,1 milhão conquistados em menos de um mês. Minas também foi o único estado em que Lula virou o resultado, uma vez que Flávio Bolsonaro tinha terminado o primeiro turno à frente, com 5,7 milhões de votos contra 5,1 milhões de votos para o petista. No segundo turno, Lula avançou para 6,3 milhões de votos no estado, contra 6,2 milhões de votos de Flávio. 

O crescimento de Lula no Rio de Janeiro, reduto político de Flávio Bolsonaro, também chama a atenção. Entre os dois turnos, o candidato do PT cresceu mais de 872 mil votos, enquanto Flávio Bolsonaro avançou pouco mais de 202 mil votos.

Os estados onde o petista cresceu menos, em números absolutos, foram Roraima, Acre e Amapá, onde o presidente somou, respectivamente, pouco mais de 9 mil votos, 9,7 mil e 10,4 mil.
 

Postura

Democratas condenam decisão de Trump de conceder visto a Flávio

"Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra do Sudão", diz comitê

28/10/2026 15h00

Senador Flávio Bolsonaro durante discurso após perder o pleito do último domingo (25)

Senador Flávio Bolsonaro durante discurso após perder o pleito do último domingo (25) Foto: Divulgação / Redes Sociais

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O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos criticou a decisão do governo de Donald Trump de conceder visto ao senador brasileiro Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Nas redes sociais, o comitê, ligado aos democratas fez um comparativo entre a atual política migratória estadunidense aplicada a pessoas que fogem de conflitos e o tratamento concedido a Flávio e à família Bolsonaro.

“Nenhum asilo para pessoas fugindo da guerra no Sudão ou de conflitos no Haiti, mas [o secretário de Estado Marco] Rubio está estendendo o tapete vermelho para Bolsonaro”, diz o post do comitê no X.

“Aparentemente, fugir da violência não qualifica [o migrante a entrar nos Estados Unidos]. Negar resultados eleitorais, sim”, continuou o post, ao citar que o Departamento de Estado planeja conceder vistos a Flávio e sua família.

Em perfil no Instagram, o parlamentar democrata Joaquin Castro afirmou que “perder as eleições não é motivo para asilo”, referindo-se à derrota de Flávio na candidatura ao cargo de presidente da República que teve resultado no último domingo (26).

“Ainda assim, o governo Trump está concedendo refúgio a Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. No Brasil, ele está sob investigação por suposta corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas e foi ordenado a entregar seus passaportes”, postou.

Para Castro, o governo Trump deve explicações ao Congresso norte-americano “por seu papel em ajudar [Flávio] Bolsonaro a fugir do Brasil, violando a legislação brasileira”.

Entenda

Flávio Bolsonaro, a esposa e as duas filhas chegaram nesta quarta-feira (28) à Miami depois de cruzarem a fronteira brasileira com a Argentina e pegarem voo rumo aos Estados Unidos. A aeronave privada chegou a fazer uma parada no Equador.

Na terça-feira (27), um aliado próximo de Flávio e uma fonte do governo norte-americano confirmaram à agência Reuters que o senador havia fugido para os Estados Unidos. Flávio descumpriu o prazo estabelecido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar os passaportes à Polícia Federal.

Na véspera, em vídeo publicado nas redes sociais após ser intimado pelo Judiciário, Flávio negou ter a intenção de deixar o Brasil e disse que ficaria no país para, segundo ele, organizar a oposição contra o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, reeleito no domingo ao derrotar o senador no segundo turno da eleição presidencial, por mais de 4,4 milhões de votos.

Lavagem de dinheiro

Alexandre de Moraes determinou a entrega dos passaportes de Flávio, no âmbito de um inquérito em que o senador é investigado por lavagem de dinheiro, juntamente com o advogado Willer Tomaz, amigo dele. Ambos negam qualquer irregularidade.

A decisão do ministro do STF foi tomada depois de o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, dizer, em uma transmissão nas redes sociais, que Flávio deveria deixar o país caso perdesse a eleição presidencial e liderar a oposição brasileira do exterior.

Pesar

Morre o escritor e professor Paulo Sérgio Nolasco, membro da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras

Nolasco participou da criação do Mestrado em Letras da UFMS e presidiu a comissão responsável pela implantação do mesmo curso na UFGD

28/10/2026 14h30

Professor Paulo Sérgio Nolasco dos Santos

Professor Paulo Sérgio Nolasco dos Santos Foto: Divulgação / ASL

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Morreu nesta quarta-feira (28), aos 68 anos, o escritor re professor Paulo Sérgio Nolasco dos Santos, titular da Cadeira nº 20 da Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL). 

Natural de Dourados, nasceu em 1º de junho de 1958, Paulo Nolasco construiu uma trajetória de destaque no ensino superior, na pesquisa e na crítica literária, dedicando sua vida ao estudo da literatura e à formação de novas gerações de pesquisadores e profissionais das Letras.

Graduado em Letras pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), mestre em Teoria da Literatura pela Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi professor universitário e teve atuação fundamental na consolidação da pós-graduação em Letras em Mato Grosso do Sul.

Participou da criação do Mestrado em Letras da UFMS e presidiu a comissão responsável pela implantação do mesmo curso na Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). 

Reconhecido por sua atuação no campo da Literatura Comparada e dos estudos culturais, integrou importantes instituições científicas e literárias, como a Associação Brasileira de Literatura Comparada (ABRALIC), da qual foi membro do Conselho, e a Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Letras e Linguística (ANPOLL), onde coordenou grupos de trabalho dedicados à área. Sua participação em congressos no Brasil e no exterior e o diálogo permanente com pesquisadores nacionais e estrangeiros ampliaram sua contribuição para os estudos literários.

Como escritor e crítico literário, deixou uma produção intelectual expressiva, com livros dedicados à literatura comparada, à crítica e às relações culturais do Brasil Central.

Entre suas obras estão Nas malhas da rede: uma leitura crítico-comparativa de Julio Cortázar e Virginia Woolf (1998), Literatura Comparada: Interfaces e transições (2001), Ensaios farpados: Arte e cultura no Pantanal e no Cerrado (2003/2004) e O Outdoor invisível: crítica reunida (2006). Seus estudos contribuíram para ampliar a reflexão sobre as literaturas de fronteira, os regionalismos culturais e as particularidades da produção intelectual de Mato Grosso do Sul.

Paulo Sérgio Nolasco dos Santos tomou posse na Academia Sul-Mato-Grossense de Letras em 27 de novembro de 2006. Também era membro da Academia Douradense de Letras, mantendo estreita ligação com sua cidade natal e com os intelectuais que contribuíram para a construção da identidade cultural sul-mato-grossense. 

A Academia Sul-Mato-Grossense de Letras manifesta sua solidariedade aos familiares, amigos, colegas, alunos e admiradores, ressaltando a importância de sua trajetória e o seu legado intelectual. Até a publicação desta matéria, não há mais detalhes sobre a causa da morte e locais de velório e sepultamento. 
 

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