Fernanda Brigatti
Equipe formada por procuradores, promotores e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) vai investigar as autoridades citadas pelo deputado estadual Ary Rigo (PSDB) em vídeos postados no You Tube. A instauração do inquérito civil é uma das medidas anunciadas ontem pelo procurador-geral em Mato Grosso do Sul, Paulo Alberto de Oliveira, em pronunciamento na sede do Ministério Público.
O chefe do MPE convocou ontem a imprensa para anunciar as quatro providências tomadas pelo órgão desde a divulgação dos vídeos em que Ary Rigo cita pagamentos a desembargadores e ao Ministério Público do Estado com a finalidade de abafar investigações. O tucano também fala do repasse de verbas a autoridades do Executivo e do Legislativo.
O ex-procurador-geral Miguel Vieira, citado na gravação, será alvo, além de uma investigação criminal, de uma sindicância presidida pelo corregedor-geral Silvio César Maluf. Oliveira também relatou o envio de todos os documentos reunidos pela Polícia Federal à Procuradoria Geral da República, em Brasília, a quem caberá a adoção de providências contra autoridades com foro privilegiado no Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Ainda ontem, Paulo Alberto de Oliveira recebeu o vice-presidente da seccional de Mato Grosso do Sul da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Júlio Cesar Souza Rodrigues, autorizado a acompanhar e fiscalizar os procedimentos em relação ao escândalo.
O procurador ressaltou “que não são verdadeiras as levianas insinuações feitas pelo deputado estadual Ary Rigo sobre a atual administração do Ministério Público”. Ele informou que o parlamentar será interpelado judicialmente para explicar as afirmações que faz sobre a atual gestão do MPE. O deputado disse, no vídeo, que a atual administração do MP poderia aceitar dinheiro. “Aceitar, aceita. Mas tem que ir devagarinho”, afirmou.
O chefe do MPE não falou com a imprensa. Um esquema de segurança chegou a ser montado para evitar a aproximação de repórteres ao fim do pronunciamento do procurador.
Antes do pronunciamento de Paulo Alberto de Oliveira, a procuradora Ariadne Fátima Cantú declarou que o Ministério Público respeita a liberdade de imprensa, mas “reserva esse momento para só se manifestar sobre os fatos”.


