Política

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GAGUEIRA

GAGUEIRA

Redação

15/04/2010 - 03h16
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OSCAR ROCHA

É difícil acreditar. Atores como Malvino Salvador, Murilo Benício, Bruce Willis e até o prêmio Nobel de Literatura, o escritor português José Saramago, sofreram,  em algum momento de suas vidas, de um distúrbio que muitos têm e que, em alguns casos, acarretam transtornos sociais graves. No caso deles, cada um a seu modo, conseguiram conviver com o transtorno. Todos apresentaram disfunção na fala, que pode ser traduzida popularmente como gagueira. Não foi algo momentâneo, fez parte da  rotina deles durante algum tempo, sendo que há aqueles que até hoje apresentam resquícios do período mais intenso.

“O meu problema foi, e continua a ser, a gagueira. Aqueles que gozam da sorte de uma palavra solta, de uma frase fluida, não podem imaginar o sofrimento dos outros; esses, que no mesmo instante em que abrem a boca para falar já sabem que irão ser objeto da estranheza ou, pior ainda, do riso do interlocutor. Com a passagem do tempo acabei por criar, sem ajuda, pequenos truques de elocução, usar os bloqueios leves como pausas propositadas, perceber com antecipação a sílaba na qual iria ter dificuldades e mudar a construção da frase, etc. Curiosamente, se tiver de falar para cinco mil pessoas estarei mais à vontade do que a falar com uma só. Salvo em situações de extremo cansaço nervoso, hoje sou capaz de controlar adequadamente o meu débito verbal. A gagueira, no meu caso, passou a ser uma pálida sombra do que foi na infância e na adolescência. Aprendi à minha própria custa”, lembrou numa entrevista, há alguns anos, o escritor José Saramago.

“A sociedade, de um modo geral, trata muito mal a pessoa que apresenta gagueira, faz isso o tempo todo, seja na escola ou no trabalho. Com isso, a vida social de quem apresenta o problema é muito complicada”, enfatiza a fonoaudióloga Ana Faride Camargo que, juntamente com a fonoaudióloga Joana Ribeiro, promoverá na última  terça-feira do mês, às 19h30min, na Igreja Sagrado Coração de Jesus (Avenida Mato Grosso, 3.280), a reunião temática “Discutindo a gagueira”, com participação gratuita.

No Brasil, segundo estimativa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Fluência, que busca esclarecer questões referentes ao assunto, e da qual Ana Faride é representante em Mato Grosso do Sul, a incidência da gagueira é de 5% da população brasileira, ou seja, mais de 9 milhões de brasileiros enfrentam o problema momentaneamente e 2 milhões de forma crônica.

Em Mato Grosso do Sul  não há levantamento sobre o assunto, mas os profissionais da área apontam o grande número de pessoas que têm dificuldade em falar com fluência e que procuram os consultórios. “Atendemos muitos nessa condição. A gagueira é muito subjetiva, não tem uma causa única, mas grande parte é de fundo emocional”, aponta a fonoaudióloga Klenia Lima Armoa de Deus.

Infância
Um momento decisivo, em muitos casos, para o surgimento ou agravamento do problema é a infância, principalmente no período dos 3 aos 5 anos. É a fase na qual, normalmente, a criança apresenta disfluência da fala. “Ela pensa mais rápido do que fala. Não consegue se expressar de forma correta. O problema é que, com a inexperiência de muitos pais e responsáveis, que acham necessário corrigir a criança e forçá-la a falar de forma correta, muitas vezes, aquela que tem certa tendência à gagueira acaba tendo seu problema agravado”, enfatiza Klenia.
As correções impostas às crianças podem ampliar o nervosismo e a ansiedade, elementos que integram a gagueira. Ana Faride aponta que grande parte das crianças consegue ultrapassar a fase da gagueira considerada normal nos primeiros anos de vida, mas cerca de 20% apresentam sintomas depois dessa fase, efetivando-se o problema.

Klenia explica que a gagueira não tem cura, mas que é possível “driblá-la”. Quanto antes o problema for detectado, o tratamento será mais eficiente. “Normalmente, os adultos que apresentam o problema trazem hábitos que são difíceis de tirar, como tiques nervosos ou bater os pés; o processo é mais complicado do que quando comparado com o de uma criança. Um aliado importante na etapa de detectar o problema é o professor, que tem contato direto com a criança. Este profissional pode auxiliar os pais indicando o aparecimento do problema não somente da gagueira, mas  da rouquidão”, aponta a fonoaudióloga.

A gagueira pode ter reflexo no desempenho do aluno em sala de aula. “O aluno com problema pode ter má fala e também escrever de forma errada”, prossegue a especialista.

Atualmente, pesquisas começam a demonstrar que a gagueira também pode ter outras origens, não somente de fundo emocional. “Como as causas são multifatoriais, muitas vezes é complexa a determinação de um fator. Por exemplo, há estudos mostrando aspectos genéticos como decisivos para a existência da gagueira”, aponta Ana Faride.

Dificuldade
Segundo material de divulgação do Instituto Brasileiro da Fluência, o problema central da gagueira consiste em uma dificuldade do cérebro de sinalizar o término de um som ou uma sílaba e passar para o próximo. Desta forma, a pessoa consegue iniciar a palavra, mas fica “presa” em algum som ou sílaba (geralmente o primeiro) até que o cérebro consiga gerar o comando necessário para dar prosseguimento com o restante da palavra.
Acredita-se que as estruturas cerebrais envolvidas com a gagueira sejam os núcleos da base, os quais estão envolvidos com a automatização de tarefas (dirigir, calcular, escrever, falar, etc.). Portanto, a dificuldade central na gagueira estaria em uma automatização deficiente dos movimentos de fala.
Ana Faride explica que as reuniões mensais do “Discutindo a gagueira” apresenta os principais estudos que estão sendo feitos no momento sobre a questão. “Não é uma reunião terapêutica. Repassamos informações e conversamos com as pessoas que apresentam o problema”. Mais informações sobre o projeto podem ser obtidas pelos telefones 3327-2923 e 3327-1480.

PEDIDO

Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber assessor do governo Trump na Papudinha

A defesa solicitou autorização excepcional ao ministro para que a visita ocorra no dia 16 de março

10/03/2026 19h00

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses Divulgação/UOL

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta terça, 10, ao ministro Alexandre de Moraes autorização para receber, na Papudinha, a visita de Darren Beattie, recém-empossado como assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil.

"O visitante cumprirá agenda oficial no Brasil e estará em Brasília por curto período, circunstância que acaba por inviabilizar a realização da visita nas datas ordinárias atualmente previstas para visitação (quartas-feiras e sábados)", alega a defesa do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A defesa solicitou autorização excepcional ao ministro para que a visita ocorra no dia 16 de março, no período da tarde, ou no dia 17 de março, pela manhã ou no início da tarde, "observadas todas as regras de segurança e controle do estabelecimento prisional".

"Diante do exposto, requer-se a autorização excepcional da visita do Sr. Darren Beattie nos períodos acima indicados, bem como a autorização para que o visitante esteja acompanhado de intérprete, a fim de viabilizar a adequada comunicação durante a visita, considerando que o Peticionário não possui plena fluência na língua inglesa", descreve o pedido dos advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser.

No dia 2 de março, ao negar o pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente, Moraes afirmou que Jair Bolsonaro "tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, o que comprova intensa atividade política e reforça os atestados médicos que apontam sua boa condição de saúde física e mental".

Segundo o perfil de Darren no site do Departamento de Estado dos EUA, o assessor é "apaixonado por promover ativamente a liberdade de expressão como ferramenta diplomática e por utilizar as conquistas culturais excepcionais dos Estados Unidos nas artes, música e academia para promover a segurança, a força e a prosperidade do povo americano".

Nomeado no mês passado para o cargo, Darren é responsável por conduzir as políticas e ações de Washington em relação a Brasília. O assessor é um crítico do governo Lula e da atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo sobre a trama golpista.

Além da função ligada ao Brasil, ele também é chefe interino do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais, e também é presidente do Instituto de Paz dos EUA, entidade nacional financiada pelo Congresso e encarregada de atuar na resolução de conflitos globais.

Em julho de 2025, Darren afirmou nas redes sociais que Moraes é "o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra Bolsonaro". Á época, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para explicar os comentários.

Alternativa da direita

"Mais louco do Brasil" articula candidatura em 2026 e renúncia entra no radar

Juliano Ferro não confirmou se renunciará ao mandato de prefeito de Ivinhema, mas confirmou que articula participação nas eleições de outubro

10/03/2026 16h56

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar Reprodução

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O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), pode embaralhar os planos de muitos pré-candidatos do campo da direita que estão se programando para disputar as eleições de outubro. Sem confirmar se vai renunciar ou não ao mandato, que tem validade até o fim de 2028, o autoproclamado “prefeito mais louco do Brasil” articula disputar as eleições, conforme disse ao Correio do Estado.

“Estou articulando”, disse o prefeito de Ivinhema ao ser perguntado pelo Correio do Estado se ele participaria das eleições de outubro. Pela manhã, uma carta de renúncia, com o timbre da Prefeitura de Ivinhema, vazou e provocou frisson em alguns grupos da direita.

Juliano Ferro, contudo, não diz que a carta é falsa; apenas foi direto: “Não publiquei e nem assinei”, comentou o prefeito “mais louco do Brasil”.

Várias possibilidades foram cogitadas sobre a participação de Juliano Ferro nas próximas eleições. A mais recente o colocou como eventual vice-governador em uma chapa liderada pelo deputado estadual João Henrique Catan, que recentemente deixou o PL e passou para o Partido Novo.

O Correio do Estado, contudo, apurou que Juliano Ferro deixar a prefeitura para ser vice é uma possibilidade remota. O prefeito de Ivinhema enxerga espaço mesmo é para ser candidato a deputado federal.

A seu favor, ele tem um “canhão” nas redes sociais. Atualmente, ele é o influencer que ostenta os maiores números de Mato Grosso do Sul. Tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e um alto engajamento, com alguns vídeos alcançando mais de 20 milhões de visualizações.

No ano passado, em entrevista ao Correio do Estado, Juliano Ferro não descartou nem mesmo se candidatar a governador. Na ocasião, só descartou concorrer para deputado estadual e senador para não atrapalhar seus padrinhos: Zé Teixeira e Reinaldo Azambuja, ambos do PL.

Nesta terça-feira (10), Ferro está em Brasília (DF), em périplo pelos gabinetes do Congresso Nacional em busca de emendas parlamentares e verbas para o município que administra.

A carta

Na carta, que vazou na manhã de hoje e é endereçada ao presidente da Câmara Municipal, o prefeito comunica sua saída “irretratável e irrevogável”.

O documento, timbrado pela prefeitura e assinado por Ferro, cita oficialmente que o ato é motivado por “razões de ordem estritamente pessoal e política”.

Ele agradeceu a todos os vereadores, servidores, população e colaboradores pelo apoio durante o período de mandato, que seria até 2028.

A carta termina com um agradecimento e uma reafirmação do compromisso de Ferro com o bem-estar do município, mesmo fora da função executiva. Ele se colocou à disposição para os procedimentos necessários à efetivação da renúncia, incluindo a prestação de contas.

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciarCarta de renúncia de Juliano Ferro, que vazou nesta terça-feira (10)

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