Política

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Gastronomia pantaneira

Gastronomia pantaneira

Redação

11/04/2010 - 05h12
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Sílvio Andrade, Corumbá

Pitadas de criatividade na elaboração de novos pratos pantaneiros, alguns com influência da vizinha Bolívia, estão enriquecendo a culinária regional e abrindo portas para mulheres e homens que vivem na periferia de Corumbá e não tinham qualificação para absorção no mercado. A ousadia vai além: um quebra torto transformado em café com prosa, incluindo delícias salgadas, como saltenha e paçoca.

As inovações gastronômicas – já experimentou linguiça com pequi e arroz ou coquetel de pintado? – são resultados do primeiro curso de culinária para as famílias de baixa renda que residem nos bairros contemplados com obras de saneamento e asfalto do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). A qualificação profissional para gerar renda faz parte do cronograma de ações sociais do programa federal.

O curso realizado na cozinha industrial da Vila do Conhecimento, núcleo da escola de artes Moinho Cultural Sul-Americano, com a participação de 40 pessoas, transformou-se em um novo experimento, estimulando a criação de novos pratos, alguns já enriquecendo o cardápio de restaurantes da cidade. Ao todo, foram 42 novas receitas, durante 40 dias de capacitação em manuseio de alimentos e bebidas.

Os pratos foram elaborados à base de carne de peixe, frango e boi, explorando ingredientes da culinária boliviana, como a batata dos Andes. O resultado foi surpreendente e alguns “chefs” estão entrando para a cooperativa gastronômica do Moinho Cultural, hoje formada por 15 mães de alunos da escola. O curso é também uma referência para os restaurantes que estão abrindo vagas e reformulando seus cardápios.

“Sou corumbaense, mas pouco sabia da nossa culinária. O curso abriu horizontes, revelou-me uma opção de renda”, afirma Isabela Lima, 23, que criou o filé de pintado grelhado com creme de bocaiuva e o pudim de bocaiuva. “Quero continuar me aprimorando”, completa, de olho em uma vaga na cooperativa do Moinho. Seu prato fez sucesso no final do curso, onde foram apresentadas 16 novas receitas.

Resgate
Para a cuiabana Ana Leoniza Oliveira, 37 anos, a capacitação foi a oportunidade que nunca teve – morando há 20 anos na cidade – para se reciclar. Ela vende marmita nas feiras livres e agora sonha em melhorar sua renda agregando pratos mais elaborados. A supervisora do curso, Lídia Leite, coordenadora de gastronomia da Vila do Conhecimento, deu dicas e asas à criatividade da turma e se surpreendeu com o resultado.

“Eu disse: vocês criam e eu experimento”, comentou Lidia, especialista em gastronomia regional. “O curso também busca resgatar a nossa identidade e cria novas opções no preparo da mesa. Temos o café com prosa, valorizando coisas da terra como a saltenha, o bolo de fubá com goiabada, o bolo de arroz e a sopa paraguaia, que pode ser um quebra torto diferente para paladares mais exigentes”, acrescentou.

Livro
Dentre os novos pratos, inclui-se o majadito (típico do oriente boliviano) reformulado com carne seca, e o frango picante (com batata andina). Vale a pena saborear também a moranga com carne seca, moqueca de peixe, crepe pantaneiro e o peixe ao molho branco com banana. As novas receitas serão reunidas em um livro a ser editado pelo Instituto Homem Pantaneiro (IHP), gestor do Moinho Cultural, ainda este ano.

Apuração

Presidente da CPMI do INSS diz que Mendonça ordenou a PF a filtrar informações do caso Master

Triagem é feita pela PF para fornecer aos parlamentares apenas informações que se enquadrem no escopo das investigações do colegiado

02/03/2026 19h00

Senador Carlos Viana

Senador Carlos Viana Foto: Divulgação

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O presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), afirmou nesta segunda-feira, 2, que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça determinou à Polícia Federal que filtre informações relativas ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro, antes de entregá-las à comissão.

A triagem feita pela PF é para fornecer aos parlamentares apenas informações que se enquadrem no escopo das investigações do colegiado, que apura esquema de descontos ilegais em benefícios de aposentados e pensionistas.

No último dia 20, Mendonça ordenou que a PF compartilhasse as provas decorrentes das quebras de sigilo, em meio físico ou digital, do dono Master com a comissão. Com a decisão, o ministro do STF revogou a determinação do relator anterior, ministro Dias Toffoli, de dezembro, para que a CPI não tivesse acesso aos materiais.

Viana, contudo, argumenta que essa determinação de triagem das provas não consta na decisão do magistrado. Também disse ter recebido a informação do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, com quem conversou sobre a demora na entrega das informações.

"De acordo com ele (Andrei Rodrigues), é uma orientação do gabinete do ministro que estaria inclusa na decisão. Nós não encontramos (essa orientação na decisão)", disse o presidente da CPMI do INSS.

A triagem que a Polícia Federal tem feito para atender ao pedido de Mendonça é o que tem causado a demora na entrega dos documentos, determinada há 10 dias, de acordo com o senador.

"A Polícia Federal está fazendo essa separação de arquivos. Eu sei que o ideal era que nós recebêssemos tudo, mas, por determinação do Supremo, nós só receberemos os arquivos ligados aos empréstimos consignados", afirmou Viana.

"Não está claro que a Polícia Federal deva fazer qualquer tipo de filtro. A nossa preocupação é receber os documentos para investigação, independentemente de posição, parentesco ou condição financeira. Se a pessoa está envolvida, tem que prestar contas", acrescentou.

Mendonça assumiu a relatoria do caso Banco Master no STF no último dia 12, após Toffoli abdicar do processo. Mendonça também é o relator das investigações de fraudes no INSS.

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Decisão

Senado ou Governo: Lula bate martelo sobre Simone Tebet nesta terça-feira

Ministra do Planejamento desponta como principal nome ao Senado por São Paulo

02/03/2026 17h15

Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cada vez mais próximo de assumir a candidatura ao Palácio dos Bandeirantes, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, desponta como principal nome ao Senado por São Paulo, movimento que deve ser definido em reunião decisiva junto ao presidente Lula nesta terça-feira (3).

O presidente convocou Haddad e o vice-presidente Geraldo Alckmin para discutir o desenho do palanque que enfrentará Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa pelo governo paulista em 2026. A definição envolve diretamente o futuro eleitoral de Tebet, ex-senadora por Mato Grosso do Sul.

A articulação ganhou força após jantar de Lula com Haddad e a esposa do ministro, Ana Estela, na quinta-feira (26), em Brasília, conforme revelou a Folha de S.Paulo. Segundo interlocutores, o tema eleitoral surgiu apenas no fim do encontro, quando o presidente perguntou quando Haddad retornaria à capital federal e sinalizou que chamaria Alckmin para uma conversa definitiva.

Aliados afirmam que Haddad está "a um passo" de aceitar disputar o governo de São Paulo. A pressão para que ele entre na corrida aumentou nas últimas semanas, em meio à deterioração do cenário político nacional e à queda na popularidade do presidente.

Números

Pesquisas recentes, incluindo levantamentos internos do governo, apontam crescimento do senador Flávio Bolsonaro em simulações de segundo turno presidencial. Sondagem do instituto Paraná Pesquisas divulgada nesta sexta-feira (27) indica empate técnico entre Lula (43,8%) e Flávio (44,4%), dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

Diante desse cenário, Lula intensificou movimentos para consolidar palanques em estados estratégicos, especialmente São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Durante viagem recente à Ásia, o presidente levou três ministros considerados peças-chave na montagem da chapa paulista: Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente) e Márcio França (Empreendedorismo).

Caso Haddad confirme a candidatura ao governo, o PT e aliados avaliam nomes para o Senado. Simone Tebet e Marina Silva aparecem como principais alternativas. Marina, inclusive, negocia a saída da Rede Sustentabilidade e um possível retorno ao PT.

No último mês, Tebet afirmou ao Correio do Estado que pretende conversar com Lula nos próximos dias para definir por qual estado e cargo disputará as eleições. "Estou resistindo ao máximo a disputar a eleição por São Paulo, porém será muito difícil negar caso o presidente realmente insista", declarou. Segundo ela, a preferência é disputar o Senado, e não o governo paulista.

Nos bastidores, Tebet tem reforçado que Haddad é o nome mais competitivo para enfrentar Tarcísio e defende que o ministro aceite a missão. "Hoje não tem como ficar fora da chapa. Não tem como dizer não ao presidente", afirmou.

Com isso, a reunião desta terça-feira deve selar o arranjo eleitoral em São Paulo e indicar os próximos passos da estratégia nacional de Lula para 2026, definindo o destino eleitoral de Simone no pleito eleitoral deste ano. 

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