Em entrevista ao Correio do Estado, o deputado federal Geraldo Resende (PSDB-MS) condenou a invasão da Fazenda Santa Eliza, que pertence à família da senadora Tereza Cristina (PP-MS) e está localizada no município de Terenos (MS).
“É condenável esta atitude. Pelo que eu tenho conhecimento é uma fazenda produtiva e que cumpre sua função social. Impressiona a capacidade do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de produzir inimigos e aglutinar forças do agronegócio contra seu objetivo que é lutar pena reforma agrária”, declarou o parlamentar.
Para Geraldo Resende, essa estratégia adotada pelos trabalhadores rurais sem-terra é errada. “Ainda mais na antevéspera da abertura de uma CPI que tem objetivos de investigar este movimento. A senadora Tereza Cristina é liderança nacional do setor do agronegócio e certamente terá apoio unânime de aliados”, pontuou.
Entenda o caso
A Fazenda Santa Eliza foi invadida por sem-terra na manhã deste domingo, conforme informam advogados e familiares da senadora Tereza Cristina. A propriedade, de aproximadamente 1,3 mil hectares, no município de Terenos, a 16 quilômetros de Campo Grande, está ocupada pelos sem-terra desde a madrugada de hoje, sendo que eles inclusive já montaram um acampamento no local.
Conforme o advogado da família da senadora e ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Brenner Lucas Dietrich Espíndola, o grupo que invadiu a fazenda diz ser do Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). “Eles adentraram à área de reserva legal da propriedade e lá fincaram uma bandeira do MST”, conta o advogado. “Estamos desde a manhã desta segunda nesta envolvidos nisso”, admitiu.
Ainda segundo Brenner Espíndola, a fazenda de 1,3 mil hectares é “extremamente produtiva”. Nela há uma área de confinamento arrendada para o Grupo JBS e também outras áreas arrendadas para produtores rurais de Mato Grosso do Sul, como por exemplo para a família Schlatter, de Chapadão do Sul, entre outros produtores.
O Correio do Estado apurou que o governador Eduardo Riedel (PSDB) já foi informado da ocupação. Equipes da Polícia Militar e da Polícia Militar Ambiental já estão no local. Uma mulher que participa da ocupação teria sido detida para prestar esclarecimentos.
Ainda não há a confirmação se o motivo seria esbulho possessório (quando se tenta invadir uma propriedade privada) ou por crime ambiental (há relatos que os sem-terra tiraram parte da reserva para montar o acampamento). O MST foi procurado pelo Correio do Estado, mas não retornou o contato até a publicação da reportagem.


