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Governo do Estado estabelece teto de gastos e pode frear investimentos se receita cair

Cronograma de execução mensal de desembolso por parte do Governo do Estado pode ser alterado pela Secretaria de Fazenda, se necessário

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Em decreto publicado nesta quarta-feira (4), o Governo do Estado estabeleceu um teto mensal de gastos para 2026 e deve "apertar os cintos" caso a arrecadação esperada para este ano não atinja o patamar esperado.

Assinado pelo governador Eduardo Riedel (PP), o documento (16.729/2026) estabelece que a programação financeira e o cronograma de execução mensal de desembolso por parte do Governo do Estado seja alterado pelo secretário de Fazenda Flávio Mendes de Oliveira, se necessário. 

"§ 1º Autoriza-se a Secretaria de Estado de Fazenda a efetuar as alterações na programação orçamentária e financeira para o exercício de 2026, diretamente no Sistema de Planejamento e Finanças (SPF), observando o fluxo da arrecadação da receita e os créditos adicionais abertos ao orçamento vigente", traz o decreto. 

A programação financeira e o cronograma de execução mensal podem ser modificados se a administração verificar que a receita estimada não comporta o cumprimento das metas de resultado primário ou nominal estabelecidos para o ano vigente. 

Com R$ 27,1 bilhão provisionados para os próximos 12 meses, a verba é distribuída entre é destinada à diversas pastas da administração, que por sua vez, administrarão não somente o gasto mensal, mas acompanharão a média mensal de gastos estabelecida pelo Governo do Estado, justamente  para que o limite de gastos não seja "furado" pela administração. 

Entre os setores, a Agência de Previdência Social (Ageprev) tem estabelecido um teto mensal médio de R$ 368 milhões, orçamento de R$ 4,4 bilhão/ ano. 

A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) tem um teto orçado em R$ 557 milhões, gasto médio mensal de R$ 46,4 milhões. 

Vinculada à Secretaria Estadual de Logística (Seilog), a Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul) tem orçamento previsto de R$ 1,1 bilhão, gasto médio mensal provisionado em R$ 92 milhões. 

Corte de gastos 

Oficialmente em regime de corte de gastos desde o começo de agosto do ano passado, o Governo do Estado de Mato Grosso do Sul prorrogou um pagamento de precatórios da ordem de R$ 430 milhões direcionados a 2.776 servidores públicos e outros beneficiários.

Eles esperavam receber seus precatórios de natureza alimentar até o fim do ano passado ou até 31 de dezembro de 2026. 

Conforme levantamento feito pelo pesquisador Paulo Marcos Esselin, professor PhD aposentado da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul e ex-secretário municipal de Educação de Campo Grande, no final de 2025 deveriam ter sido pagos R$ 219 milhões. 

Porém, conforme pedido protocolado pelo governador Eduardo Riedel no último dia do ano passado no Cadastro da Dívida Pública, este montante foi adiado em cinco anos, para o final de 2030, último ano de mandato do próximo governador. Riedel é candidato à reeleição e, caso vença, terá de quitar este valor que postergou agora. 

O adiamento, também feito por outros estados e municípios, foi feito com base em uma PEC (66/2023) aprovada pelo Senado e promulgada em setembro de 2025.

O levantamento do pesquisador revela também que ele adiou, para o final de 2033, outros R$ 211 milhões que deveriam ser pagos até o final de 2026, último ano do atual mandato. 

E as dívidas vencidas e não pagas são ainda maiores. Se forem considerados os procatórios de natureza comum, são mais R$ 290 milhões que ficaram para os próximos governadores pagarem. Somando tudo, são R$ 723.381.653,00 que deveriam ser quitados até o fim deste ano e que os credores terão de esperar sentados. 

Uma parcela destes credores, porém, nem mesmo vai esperar sentada por cinco ou sete anos para receber aquilo que já está transitado e julgado pela Justiça e nem cabe mais recurso. Isso porque na lista dos 2.776 precatórios de natureza alimentar estão inclusos vários credores que já faleceram.

É o caso, por exemplo, dos ex-servidores do Detran Elias de Almeida Guimarães e Mizael Vieira da Silva. O primeiro tinha direito a receber R$ 81,6 mil e  outro, R$ 82,6 mil.

Os pedidos judiciais de idenização deram entrada em 2019 e 2020 e a previsão era de que as dívidas fossem quitadas até o fim deste ano. Ao todo, 60 ex-servidores do Detran têm mais de R$ 10,7 milhões a receber. 

Mas, como faleceram antes do pagamento, seus herdeiros terão de comprovar à Justiça que fazem juz à indenização em meio a um provável demorado processo de inventário.

Mas há um grande risco de que este dinheiro seja destinado a um fundo do Tribunal de Justiça, conforme alerta o presidente do sindicato dos servidores da Sanesul, Lázaro de Godoy Neto. 

E, conforme o sindicalita, dos R$ 430,4 milhões referentes ao precatórios de natureza alimentar que foram adiados por até sete anos, pouco mais de R$ 63 milhões são relativos a um "calote" herdado ainda da gestão anterior, de Reinaldo Azambuja. 

Na lista dos mais de 2,7 mil credores dos precatórios de natureza alimentar, que é pública, a maior parte têm direito a indenizações de até R$ 100 mil. Porém, também existe uma série de casos com direito a indenizações milionárias. Boa parte destas é devida a escritórios de advocacia. 

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CRISE NO STF

Sem citar Fachin, Dino critica ideia de encerrar inquérito de fake news para 'receber aplausos'

O STF vive um impasse institucional após Mendonçaordenar a produção de um relatório sobre as relações do banqueiro Daniel Vorcaro com Alexandre de Moraes

06/09/2026 20h00

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante audiência sobre emendas

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante audiência sobre emendas Victor Piemonte/STF

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O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), publicou nas redes sociais que não é possível encerrar um inquérito criminal por motivo de "tramitação longa". Para tanto, segundo o magistrado, é necessária a propositura de "ações penais e arquivamentos cabíveis".

"É possível a um julgador, qualquer que seja ele, 'prometer' o final de um inquérito, como se fosse um candidato ou para receber aplausos?", afirmou Dino, sem citar nome do presidente da Corte, Edson Fachin, que defendeu o fim do inquérito das fake news como uma medida de distensão em meio à escalada da crise no Supremo.

"Antes do prazo prescricional, um inquérito deve ser arquivado por motivo de tramitação longa? E quem decide o que é 'tramitação longa'? Opiniões pessoais? Ou critérios legais e regimentais?", completou Dino.

Como exemplo, o ministro fez uma pergunta retórica: "Quais são os inquéritos mais antigos em tramitação no STF?". O painel Corte Aberta, no qual estão listados todos os processos do Supremo, aponta que, embora o inquérito das fake news tenha sido instaurado há sete anos, em 2019, não é o procedimento do tipo que está há mais tempo em aberto. O inquérito mais longevo foi aberto em 2011 e está sob relatoria de André Mendonça, que o herdou do acervo do antecessor, Marco Aurélio Mello.

Na publicação deste domingo, 6, Flávio Dino discorreu sobre o que identificou como vícios no debate sobre o Poder Judiciário. O ministro defendeu que decisões monocráticas não necessariamente fazem mal ao Supremo, sendo "essenciais em um sistema de precedentes vinculantes". "Se todas as questões com jurisprudência definida tiverem que ir aos Colegiados, o número de julgamentos vai desabar e a morosidade vai aumentar", argumentou Dino.

Para Dino, o debate sobre possíveis reformas no Poder Judiciário tem sido afetado por "ódios pessoais", "interesses eleitorais" e "mentiras". "A propósito, lembro o ensinamento cristão: O Diabo é o 'pai da mentira'", citou o magistrado.

Relembre a escalada da crise no STF

O STF vive um impasse institucional após Mendonça, relator do caso Master na Corte, ordenar a produção de um relatório sobre as relações do banqueiro Daniel Vorcaro com um interlocutor que acabou sendo identificado como Alexandre de Moraes. A íntegra do relatório foi publicada pelo Estadão.

Instada a se manifestar sobre o relatório, a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a nulidade do documento. Segundo Paulo Gonet, o relatório é nulo pois Mendonça mandou investigar Moraes sem pedir autorização ao plenário da Corte, como determina a lei do foro por prerrogativa de função, o foro privilegiado. O relatório sobre Moraes também inclui menções ao procurador-geral

Em retaliação a Mendonça, Moraes pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, para incluir o colega no inquérito das fake news. Para tanto, utilizou relatórios de inteligência da PF segundo os quais Mendonça acumularia indícios de parcialidade na condução dos casos Master e das fraudes no INSS. Porém, os próprios documentos atestam que não possuem "lastro probatório", ou seja, não apresentam provas para as observações ali incluídas.

Fachin negou a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news e pediu para que Moraes, Mendonça, a PGR e a PF manifestem-se sobre o caso. O prazo para que todos se pronunciem termina em 21 de setembro.

ELEIÇÕES 2026

Augusto Cury omitiu empresas nos Estados Unidos e no Brasil em declaração ao TSE

O candidato à presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, além de duas firmas no Brasil

06/09/2026 17h00

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República Foto: Felipe Machado/Correio do Estado

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O presidenciável Augusto Cury (Avante) omitiu empresas das quais é sócio na autodeclaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato a presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, nos Estados Unidos, além de duas firmas no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Em nota, a campanha de Cury informou que as participações omitidas são "inexpressivas" no patrimônio do candidato, que foi construído "de forma lícita". A equipe do empresário também disse que "eventuais inconsistências" serão corrigidas. O pedido de retificação não havia sido enviado até a manhã deste domingo, 6.

Ao TSE, Cury declarou ter participações societárias de sete empresas, entre firmas sediadas no Brasil e no exterior. Segundo a Folha, cinco companhias das quais ele é sócio ficaram de fora da declaração. Três delas estão sediadas na Flórida: a Cury Academia Comportamental, a Contemplare Investments e a Free Mind Publish.

No Brasil, Cury não declarou a sociedade na Contemplare e na Academia de Pensar e Brincar, ambas sediadas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Escritor de livros de autoajuda, Cury aparece em terceiro lugar na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. Com 10% das intenções de voto nos dois cenários avaliados pelo levantamento, o candidato cresceu oito pontos em relação à rodada anterior da pesquisa. Apesar da guinada, ele ainda está distante dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa.

Cury tem tido um reforço em suas redes sociais: o apoio de um exército de microinfluenciadores que não costumam publicar conteúdo sobre política nem demonstrar interesse pelo tema, além de profissionais ligados ao coach Pablo Marçal, também presidenciável pelo PRTB.

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