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Governo Lula não vê razão política para pedir reunião formal com Trump no G7

Segundo conselheiros do presidente brasileiro, até esta sexta, não houve um pedido de encontro por parte do Palácio do Planalto nem da Casa Branca, para que eles voltem a se reunir

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Integrantes do governo brasileiro afirmam que um eventual encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, somente ocorrerá no G7, na França, de maneira informal, sem espaço para discussões substantivas.

Segundo conselheiros do presidente brasileiro, até esta sexta-feira, dia 12, não houve um pedido de encontro por parte do Palácio do Planalto, tampouco da Casa Branca, para que eles voltem a se reunir.

O governo Lula não enxerga espaço para discutir temas conflitantes da agenda bilateral na reunião do G7, nem para reverter a classificação das organizações criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como terroristas ou bloquear a proposta dupla de novo tarifaço sobre exportações com base na Seção 301, um de 25% por supostas práticas desleais e outra de 12,5%, relacionada ao trabalho forçado.

O governo não vê sentido ou motivação política para uma nova interação agora e descarta que Trump possa mudar de rota de decisões de governo discutidas há meses e recentemente oficializadas, apenas por uma conversa dos dois líderes.

Segundo um conselheiro do presidente, não seria realista contar com essa mudança e não existe necessidade de uma reunião agora. Ele diz que seria uma desmoralização para Trump retirar a designação das facções e que Lula não pode agora "suplicar" por uma revisão, mas continuar a cooperação técnica entre polícias e estruturas de segurança pública.

Além disso, o prazo administrativo estabelecido pelo Representante Comercial da Casa Branca (USTR) para negociações vai até 15 de julho e continuam em andamento contatos comerciais em nível técnico. Por isso, o Palácio do Planalto entende que Trump responderia apenas que vai aguardar o fim das tratativas comerciais.

Uma nova reunião política de status ministerial, entre o ministro Márcio Elias Rosa (Mdic) e o embaixador Jamieson Greer (USTR), estava prevista para esta semana e deve ocorrer em breve para discutir setores e tarifas.

Segundo integrantes do governo, até agora não houve uma decisão de discutir tarifas específicas, como a do etanol, cujas lideranças se reuniram com Lula nesta semana. Nas reuniões anteriores, o governo indicou áreas em que poderia negociar a tarifa

O governo brasileiro nega, por isso, que tenha tomado providências para antecipar a viagem do presidente para o dia 14 a fim de encontrar Trump. O petista deve chegar à França na tarde do dia 15.

A Presidência da República diz que a chegada de Trump, estimada pela organização francesa, deve ser ocorrer após a do próprio Lula, no dia 15 à noite - o republicano celebra aniversário no dia 14.

O que pode ocorrer em Évian-les-Bains, cidade dos alpes que sedia o G7, é apenas uma espécie de "trombada" nos corredores ou na sala das reuniões de líderes, porque ambos devem compartilhar o mesmo ambiente, segundo diplomatas.

Seria algo como ocorreu na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), os "39 segundos" de "química" nos bastidores reservados aos chefes de Estado, e não uma reunião de trabalho com equipes ministeriais, como a recente visita do petista à Casa Branca, em Washington, ou ainda a reunião realizada em Kuala Lumpur, na Malásia, no ano passado.

Nesses dois encontros prévios, houve discussão detida sobre assuntos e inclusive troca de documentos e propostas dos dois lados, além de acerto de métodos e prazos para discussões de interesses da pauta bilateral.

Lula vai ter reuniões bilaterais com o presidente da França, Emmanuel Macron, e com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi.

Há mais quatro encontros em avaliação, entre eles, com o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, e com os líderes da União Europeia, Ursula von der Leyen (Comissão Europeia) e António Costa (Conselho Europeu).

Com os europeus, Lula vai falar sobre a preocupação e pressionar por uma revisão da exclusão do Brasil como exportador de carne e produtos de origem animal ao mercado do bloco.

Com Japão e Canadá, o governo pretende discutir assuntos comerciais ligados ao Mercosul. O objetivo é formalizar o lançamento de uma negociação de acordo de comércio Japão-Mercosul e manter contato com vistas à conclusão das negociações do acordo Canadá-Mercosul.

Lula também participará de um almoço, no âmbito do G7, com representantes das principais big techs e chefes de Estado e de governo. O petista vai falar da proposta de regulação no País e do Eca Digital.

Discurso oficial

O presidente se prepara para fazer ao menos dois discursos públicos, em sessões de debate dos líderes sobre desequilíbrios macroeconômicos globais e parcerias globais para o desenvolvimento.

Neles, Lula vai falar contra tarifas e decisões unilaterais, entre elas guerras e intervenções militares, e falar da necessidade de reforma das instituições internacionais.

O discurso está sendo calibrado, mas responderá a ações do governo Trump, para não demonstrar "fraqueza política". O governo entende que a resposta se justifica por causa da disputa pré-eleições e a campanha no exterior do pré-candidato e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Parte dos conselheiros do presidente recomendou que ele não use o mesmo tom mais agressivo que faz para o público interno no Brasil.

O presidente deve adotar a linguagem mais diplomática e falar contra o unilateralismo e o protecionismo.
 

Escolha

Eduardo Bolsonaro defende Júlia Zanatta para vice em chapa de Flávio

Nome da deputada foi sugerido por apoiadores bolsonaristas depois que Flávio declarou que sua vice será, preferencialmente, uma mulher

11/06/2026 22h00

Deputada federal Julia Zanatta

Deputada federal Julia Zanatta Foto: Divulgação

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O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) defendeu a viabilidade do nome da deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) como possível vice na chapa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para as eleições deste ano. Em publicação no X nesta quarta-feira, 10, ele afirmou que a parlamentar catarinense reúne atributos para a posição.

"Se os maus reclamam, este é o caminho. Certamente a deputada Júlia Zanatta está à altura do cargo, basta ver sua lealdade, pautas que muito bem defende no Congresso e, claro, o esperneio da esquerda", escreveu Eduardo. Em resposta, Zanatta comentou que "o negócio tá tomando corpo" e republicou a postagem em seu perfil.

O nome da deputada foi sugerido por apoiadores bolsonaristas depois que Flávio declarou na segunda-feira, 8, em evento voltado ao público feminino em São Paulo, que sua vice será, preferencialmente, uma mulher.

A ideia de uma mulher para compor a chapa já foi mencionada pelo pré-candidato à Presidência algumas vezes. Como mostrou a Coluna do Estadão, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) era considerada o nome mais forte para a posição. Ela se disse honrada em ser considerada, mas afirmou que a empreitada "não cabe em seus projetos".

Depois, foi aventado o nome da deputada federal Clarissa Tércio (PP-PE), que está em seu primeiro mandato e disse ser "grande defensora" do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio chegou a se reunir com a deputada Simone Marchetto (PP-SP), ligada ao Frei Gilson e tida como uma das principais representantes da Igreja Católica no Congresso.

Outra alternativa cogitada é a vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE), apontada como um possível elo entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta, 10, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu vantagem sobre Flávio Bolsonaro na simulação de segundo turno da eleição presidencial.

O levantamento aponta que o petista oscilou dois pontos porcentuais para cima desde a rodada passada, divulgada em maio, indo de 42% para 44%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu de 41% para 38%.

Antes, o presidente e o senador estavam em empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa, de dois pontos porcentuais. Agora, Lula lidera por seis pontos porcentuais de vantagem.

Ainda segundo o levantamento, seis em cada dez brasileiros ouvidos acham que o senador sabia que Daniel Vorcaro estava envolvido em corrupção, errou em pedir dinheiro a ele e pode estar escondendo também um "envolvimento ilegal" no Caso Master. O escândalo financeiro é apontado como um dos principais fatores para a queda de Flávio nas pesquisas.
 

Determinação

Moraes autoriza que Flávio, netas e nora visitem Bolsonaro

Ministro determinou que os visitantes serão vistoriados e os aparelhos eletrônicos ficarão com os policiais

11/06/2026 21h00

Alexandre de Moraes / Divulgação

Alexandre de Moraes / Divulgação Divulgação

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta quarta-feira, 10, que o ex-presidente Jair Bolsonaro receba a visita do filho Flávio Bolsonaro (PL), da nora Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro e das duas netas menores de idade. O encontro está marcado para sábado, 13, das 11h às 13h.

"O pedido formulado para autorização de visitas do filho, netas e nora do custodiado, revela-se compatível com as finalidades da prisão domiciliar e com as condições anteriormente fixadas, contribuindo para a manutenção do suporte familiar indispensável ao adequado cumprimento da pena, nas mesmas condições que seria concedida no estabelecimento penitenciário", afirmou o ministro na decisão.

Moraes determinou que os visitantes serão vistoriados e os aparelhos eletrônicos ficarão com os policiais.

A decisão atende ao pedido protocolado pela defesa na terça-feira, 8, que identificou as visitantes como "integrantes do núcleo familiar próximo" do ex-presidente. As netas são filhas do casal Flávio e Fernanda. Flávio Bolsonaro é pré-candidato à Presidência da República.

Jair Bolsonaro está em prisão domiciliar desde 24 de março, quando recebeu alta após duas semanas de internação em tratamento intensivo por pneumonia bacteriana. A medida humanitária, concedida pelo próprio Moraes, tem prazo de 90 dias a contar da alta e visa garantir a recuperação completa do ex-presidente.

Ele foi condenado pela Primeira Turma do STF, em setembro de 2025, a 27 anos e 3 meses de prisão por seu papel na tentativa de golpe de Estado. A pena inclui 24 anos e 9 meses de reclusão e 2 anos e 6 meses de detenção, em regime inicialmente fechado.

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