Política

dificuldades à vista

Governo terá obstáculo para aprovar na Assembleia a criação de nova secretaria

Além de integrantes da bancada do PSDB, deputados estaduais de outros partidos também não compartilham dessa ideia

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O governador Eduardo Riedel (PSDB) terá mais obstáculos para conseguir aprovar na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) a provável proposta de dividir a Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania (Setescc) para criar a Secretaria de Estado de Cidadania, a fim de ser cedida ao PT.

O Correio do Estado apurou que, além dos integrantes da bancada tucana na Casa de Leis capitaneados por Paulo Corrêa e Mara Caseiro, outros parlamentares da base aliada também são contrários à iniciativa e já declararam, inclusive, que não votarão a favor caso o Executivo estadual encaminhe essa alteração na estrutura administrativa.

Dessa forma, com exceção do PT, que será o único beneficiado com a alteração, as demais legendas da base aliada estão rachadas, e o governador terá muitas dificuldades para levar adiante a iniciativa.
Segundo fontes ouvidas pela reportagem, a contagem de votos favoráveis à medida do governo estadual de dividir a Setescc para criar uma nova secretaria não garantiria, no momento, a vitória, exigindo muita articulação política para alinhar a base aliada.

ENTENDA O CASO

O Correio do Estado verificou que o governador Eduardo Riedel pretende passar o comando da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul (FCMS) para a Secretaria de Estado de Governo e Gestão Estratégica (Segov), cujo titular é o deputado estadual licenciado Pedro Caravina (PSDB), bem como das fundações estaduais de Desporto e Lazer (Fundesporte) e de Turismo (Fundtur).

Porém, os deputados estaduais tucanos não concordam com isso, pois, além de entregar uma secretaria estadual com “porteira fechada” ao PT, passaria para as mãos de Caravina – com quem a relação não seria das melhores – o poder de definir a realização de shows artísticos, os aluguéis de equipamentos para eventos e as definições de convênios culturais na Capital e nas 78 cidades do interior.

Algo considerado temerário pelos parlamentares, já que caberia à Segov o poder de decidir as autorizações para shows nos municípios na véspera de ano eleitoral, pois muitos prefeitos se utilizam desse expediente para manter a popularidade em alta.

A divisão da Setescc para criar a Secretaria de Estado de Cidadania, que ficará sob o comando da atual adjunta Viviane Luiza, nome ligado ao deputado federal Vander Loubet (PT), também não foi bem-aceita pela cúpula do PP, que se sente desprestigiada pelo governador mesmo depois de todo o apoio dado pelo partido para a sua vitória na eleição do ano passado.

Afinal, conforme o partido, ter apenas a Vice-Governadoria não adianta muita coisa. Para a sigla, o ideal seria ter uma secretaria com “porteira fechada” para abrigar os aliados da legenda em Mato Grosso do Sul.
Outro ponto que causa desconforto para o PP é o fato de o PT assumir o controle das oito subsecretarias estaduais que integram a Setescc – as de Políticas Públicas para Mulheres, para a Promoção da Igualdade Racial, para Povos Originários, para Juventude, para Pessoas com Deficiência, para Pessoas Idosas, para Assuntos Comunitários e LGBTQIA+.

Portanto, além de perder a base tucana, Eduardo Riedel também pode perder a base do Progressistas, que, conforme apurado pelo Correio do Estado, em breve vai colocar 
o governador contra a parede para fazer valer seus direitos como partido integrante da base de sustentação da atual administração.

Contudo, o chefe do Executivo estatual já teria até comunicado sobre sua intenção aos deputados estaduais tucanos e, inclusive, ao atual titular da Setescc, Marcelo Ferreira Miranda, lhe oferecendo o comando da FCMS. Miranda, porém, teria recusado o convite e colocado o cargo à disposição.
Entretanto, nas mídias sociais do deputado estadual Zeca do PT, há uma postagem dele abraçado com Miranda. Para muitos, o encontro de ambos pode ser um sinal de que o atual secretário estaria repensando a ideia de deixar o governo.

SAIBA

Hoje, a base aliada do governador na Assembleia Legislativa é composta pelo PSDB (6 deputados), pelo MDB (3), pelo PT (3) e pelo PP (2). As demais siglas são independentes, porém, dois dos três deputados do PL votam a favor do governo, enquanto os únicos representantes do União Brasil, do PSD, do PDT, do Republicanos e do Patriota votam conforme suas ideologias. São oposição declarada um deputado do PL e outro do PRTB.

Revogação

Ministério Público Eleitoral pede impugnação de candidatura de Jamilson Name, réu na Omertà

Deputado foi condenado a oito anos de prisão; sentença está sob recurso

17/08/2026 16h00

Deputado Jamilson Name

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O Ministério Público Eleitoral (MPE) pediu a impugnação do registro de candidatura do deputado estadual Jamilson Name (PP), alvo da Operação Omertà e condenado em primeira instância a oito anos de prisão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. A sentença, proferida em janeiro de 2025 e está sob recurso.

A impugnação foi apresentada neste domingo (16) pelo procurador regional eleitoral Silvio Pettengil Filho e distribuída ao desembargador Sérgio Fernandes Martins, vice-presidente e corregedor-geral do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS). Name busca reeleição em 2026. 

O MPE sustenta que, embora a condenação não seja definitiva, as provas reunidas durante a Operação Omertà seriam suficientes, para fins eleitorais, para demonstrar sua vinculação com uma organização criminosa e justificar o impedimento de sua candidatura.

Jamilson foi alvo da sexta fase da Operação Omertà, deflagrada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul em dezembro de 2020. Segundo a acusação, ele teria exercido papel de liderança na estrutura ligada à exploração ilegal do jogo do bicho, especialmente na administração financeira da organização.

À época, Jamilson Name foi apontado como líder da organização com atividades ligadas à empresa Pantanal Cap, apontada pela acusação como instrumento utilizado para misturar recursos de origem lícita com valores provenientes do jogo do bicho. O MPE também sustenta que ele passou a exercer maior autonomia e influência após a prisão do pai, Jamil Name, e do irmão, Jamil Name Filho.

O patriarca morreu em 2021, vítima da Covid-19, enquanto cumpria pena no presídio federal de Mossoró (RN), prisão onde Jamil Name Filho, que também foi preso no âmbito das investigações da Omertà, segue detido.

Na ação eleitoral, o procurador adota como fundamento a necessidade de preservar a legitimidade do processo eleitoral diante de possíveis vínculos com organizações criminosas. Pettengil ressalva que o pedido não representa antecipação de uma condenação criminal.

“Necessário ressalvar que não se busca, no caso, antecipar o juízo de condenação criminal ou afastar a garantia constitucional da presunção de inocência.”

Na sequência, o procurador sustenta que o precedente utilizado pelo Ministério Público Eleitoral não exige uma condenação criminal definitiva, mas considera a “necessidade de proteção do processo eleitoral contra a influência de organizações criminosas.”

A acusação aponta ainda que, após as prisões de Jamil Name e Jamil Name Filho, ele teria ampliado sua atuação dentro da organização.

Jamilson foi condenado em primeira instância pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Como a decisão está sob recurso, não houve trânsito em julgado da condenação.

Para o Ministério Público Eleitoral, a análise do pedido de impugnação ocorre em âmbito eleitoral e, por isso, as provas produzidas na Operação Omertà poderiam ser consideradas suficientes para avaliar os riscos à legitimidade do processo eleitoral, independentemente da conclusão definitiva da ação penal.

O pedido será analisado pela Justiça Eleitoral de Mato Grosso do Sul, sob relatoria do desembargador Sérgio Fernandes Martins. Até a publicação desta matéria, a candidatura de Name segue em vigor.

A reportagem entrou em contato com o deputado estadual e não obteve retorno até o fechamento. O espaço segue aberto. 

Congresso

Disputa por vaga na bancada federal é a menor dos últimos 12 anos em MS

Em 2026, disputa é de aproximadamente 15 candidatos por vaga

17/08/2026 14h45

Foto: Montagem Correio do Estado

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Encerrado o prazo de registro de candidaturas, a disputa por uma vaga na bancada federal por Mato Grosso do Sul é a menor dos últimos 12 anos. 

Neste ano, 122 candidatos disputam as oito cadeiras sul-mato-grossenses no Congresso Nacional, queda de quase 22% ante 156 nomes da última disputa. A concorrência passou de aproximadamente 19 para 15 candidatos por vaga.

Em 2014 e 2018, foram registradas respectivamente 130 candidaturas, ao passo que em 2010, apenas 74 nomes disputaram o pleito geral, menor índice da série histórica.

Vander Loubet, Reinaldo Azambuja, Mandetta, Giroto, Geraldo Resende, Biffi, Fábio Trad e Marçal Filho em 2010 /  Fotos: Divulgacand

Na ocasião se elegeram: Edson Giroto (PR), Reinaldo Azambuja (PSDB), Vander Loubet (PT), Fábio Trad (PMDB), Geraldo Resende (PMDB), Luiz Henrique Mandetta (DEM), Marçal Filho (PMDB) e Antônio Carlos Biffi (PT). 

Passados 16 anos, apenas Geraldo Resende e Giroto disputam uma cadeira no Congresso. À época, após dois anos de mandato, Giroto venceu a disputa pela prefeitura de Campo Grande e deixou o Congresso, ao passo que Geraldo Resende cumpriu o mandato e foi reconduzido ao cargo em 2014. 

Eleição     Candidatos        Candidatos por vaga
2026           122                   15,25
2022           156                   19,50
2018           130                   16,25
2014           130                   16,25
2010            74                    9,25

Dois anos mais tarde, foi derrotado na disputa pela prefeitura de Dourados. Em 2018, buscou novamente a recondução, contudo não se elegeu e assumiu pelos três anos seguintes a Secretaria Estadual de Saúde (2019-2022) durante o segundo mandato de Azambuja como governador. Há quatro anos voltou ao Congresso. 

Antecessor de Riedel no Governo do Estado, Azambuja disputa uma vaga no Senado em 2026, disputa dividida com Vander Loubet, atualmente titular no Congresso. 

Sem mandato atualmente, Fábio Trad disputa a sede da governadoria estadual pela 1ª vez. Luiz Henrique Mandetta e e Antônio Carlos Biffi não disputam as eleições gerais deste ano, assim como Marçal Filho, atualmente prefeito de Dourados. 

Além de Geraldo Resende, Beto Pereira (Republicanos); Camila Jara (PT); Dagoberto Nogueira (PP)
Dr. Luiz Ovando (PP), Rodolfo Nogueira (PL) e Marcos Pollon buscam a reeleição.

 

 

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