Política

ECONOMIA

Guedes envia time para barrar desidratação

Guedes envia time para barrar desidratação

ESTADÃO CONTEÚDO

13/07/2019 - 19h00
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Envolvido na elaboração das medidas para estimular o crescimento na fase pós-Previdência, o ministro da Economia, Paulo Guedes, decidiu se recolher e só comentar o resultado da reforma após a votação final da proposta pelo plenário da Câmara

Depois da crise política provocada por críticas feitas pelo ministro na época da apresentação do parecer do relator Samuel Moreira (PSDB-SP), na fase da Comissão Especial, a tática traçada foi a de evitar ruídos desnecessários. Isso porque, no plenário, havia risco elevado de uma desidratação da economia na votação dos destaques com a mobilização da oposição e de lideranças dos partidos do Centrão, bloco informal independente ao governo que reúne DEM, PP, PL, Solidariedade e PRB. 

Teve início uma maratona de mais de 48 horas que levou ao plenário força-tarefa de técnicos da equipe econômica para barrar os destaques mais perigosos. 

A comemoração do ministro foi reservada no seu gabinete depois que um assessor interrompeu uma reunião de trabalho, na noite de quarta-feira (10), para informar que a proposta tinha sido aprovada por 379 votos. Na hora da comemoração, aplausos de todos os presentes. Guedes atribuiu a vitória ao trabalho de toda a equipe. Na segunda-feira (15), o ministro reunirá seus colaboradores para decidir se espera a votação do segundo turno após o recesso para anunciar as medidas ou se as lança imediatamente.

Mantido informado a todo momento dos detalhes da negociação pelo seu secretário de Previdência, Rogério Marinho, Guedes deu o sinal verde para a negociação de acordo com a oposição que acabou destravando a votação dos destaques (sugestões de mudança ao texto-base). A conclusão do primeiro turno revelou Alessandro Molon (PSB-RJ) como o líder de oposição. 

O governo cedeu e autorizou que o tempo mínimo de contribuição dos homens na reforma ficasse em 15 anos - a proposta aprovada na quarta-feira previa 20 anos. Articulador do acordo, Molon contou, em discurso no plenário, que Guedes soube entender a crueldade da regra e acabou aceitando o destaque. 

Durante toda a jornada de votação, Marinho e seu time na retaguarda não deixaram o plenário. O bunker da equipe econômica foi instalado no gabinete do líder da maioria, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). 

No plenário, o secretário fez um corpo a corpo com os parlamentares que ainda estavam em dúvida sobre como votar (sim ou não à reforma), explicando detalhes dos destaques que seriam votados. Para autoridades que telefonavam, a pedido dos deputados, transmitia segurança sobre itens da proposta que já tinham até mesmo sido vencidos na Comissão Especial. 

Em pelo menos duas ocasiões, passou o telefone para o seu adjunto, Bruno Bianco, para dar explicações sobre a aposentadoria para as pessoas com deficiência - uma preocupação que estava presente no plenário. Envolvidos nas negociações finais desde sábado, Marinho e Bianco não conseguiram dormir mais do que três horas por dia. 

Tensão

Assessores contam que um dos momentos de maior tensão foi na votação do destaque 44, que poderia retirar R$ 110 bilhões da economia da reforma. O destaque, apresentado pelo PDT, retirava o pedágio de 100% da regra de transição - que acabou rejeitado, para alívio do governo. O destaque foi apresentado pelo PDT, mas havia um acordo para que a mudança fosse rejeitada em troca de apoio à proposta da mesma sigla que abrandava as regras das professores. 

No entanto, no meio da votação, o PDT orientou sua bancada a se posicionar favorável à mudança. Foi um dos técnicos da equipe econômica que percebeu o que estava acontecendo. Nem Marinho nem Maia estavam nesse momento no plenário. Eles foram chamados e começou a movimentação para reverter a situação.

Moreira subiu à tribuna para explicar o destaque e alertar sobre o impacto que teria na economia. "São quase R$ 200 bilhões, vamos destruir a reforma da Previdência." 

Para o deputado, Darcisio Perondi (MDB-RS), os negociadores tiveram êxito ao se aproximarem do PSB, PDT e PCdo B, isolando o PT. "Um deputado ao meu lado comentou que quando viu o DEM orientando o mesmo voto do PSB e do PDT perguntou se tinha acordado de um sonho."

O QUE MUDOU

Mulheres 

Com a nova regra, é possível conseguir 100% da aposentadoria aos 35 anos de contribuição. 

Pensões

A pensão por morte do segurado, homem ou mulher, não poderá ser menor do que um salário mínimo, quando se tratar da única fonte de renda formal.

Policiais

Foi criada uma regra alternativa de transição para policiais federais da ativa com idades menores: 53 anos (homens) e 52 anos (mulheres), desde que cumpram pedágio de 100% do tempo que falta para se aposentar.

Homens

Foi reduzida de 20 anos para 15 anos o tempo mínimo de contribuição exigido para homens do regime geral (setor privado) poderem se aposentar.

Professores

Em uma das regras de transição, a idade dos professores caiu para 52 anos (mulheres) e 55 anos (homens), desde que cumpram pedágio de 100% sobre o tempo de contribuição que falta para ter direito à aposentadoria.



As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

ELEIÇÕES 2026

Flávio Bolsonaro lidera com folga corrida pela Presidência da República no Estado

Levantamento do Correio do Estado/IPR foi em 17 cidades, que representam 68% do total da população sul-mato-grossense

13/03/2026 08h10

Eleições 2026: Flávio Bolsonaro larga na frente no Mato Grosso do Sul

Eleições 2026: Flávio Bolsonaro larga na frente no Mato Grosso do Sul Agência Brasil

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL), lidera com folga a corrida pela Presidência da República em Mato Grosso do Sul, conforme pesquisa de intenções de voto, registrada sob os números BR-02995/2026 e MS-00334/2026, contratada pelo Correio do Estado e realizada pelo Instituto de Pesquisa Resultado (IPR).

Conforme o levantamento estimulado, quando são apresentadas aos entrevistados as opções com os nomes dos candidatos, Flávio Bolsonaro atingiu a marca de 39,80%, enquanto o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alcançou 25,51% e o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), somou 9,82%.

Mais atrás aparecem o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), com 2,55%, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), com 1,79%, e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), com 0,51%. Ainda segundo a pesquisa, 5,74% dos entrevistados disseram que vão votar em branco ou anular o voto e 14,29% não sabem ou não quiseram responder.

A pesquisa Correio do Estado/IPR ouviu 784 pessoas com 16 anos ou mais de idade, distribuídas pelos municípios de Amambai, Aquidauana, Campo Grande, Sidrolândia, São Gabriel do Oeste, Corumbá, Coxim, Dourados, Maracaju, Rio Brilhante, Bonito, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.

Essas 17 localidades representam 68% do total de 1,8 milhão de eleitores sul-mato-grossense, ou seja, 1,2 milhão de eleitores. Ao ser realizado nesses municípios do Estado, o levantamento cobre a maior parte da capacidade eleitoral de Mato Grosso do Sul, isto é, oferece uma fotografia extremamente fiel do cenário real, já que os pequenos municípios têm baixo peso estatístico.

ESPONTÂNEA 

Na pesquisa espontânea, quando é feita a pergunta aos entrevistados e não é dada nenhuma alternativa para resposta, a liderança também está com Flávio Bolsonaro, com 17,60%, seguido por Lula, com 14,29%, por Bolsonaro, com 2,30%, e pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 0,77%.

Mais atrás aparecem Ratinho Jr., com 0,64%, pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), com 0,13%, pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR), com 0,13%, pela senadora Tereza Cristina (PP-MS), com 0,13%, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com 0,13%. Dos entrevistados, 63,65% não sabem ou não quiseram responder.

Eleições 2026: Flávio Bolsonaro larga na frente no Mato Grosso do Sul Foram entrevistados 784 eleitores distribuídas pelos 17 maiores municípios do Estado - Fonte: Correio do Estado/IPR

REJEIÇÃO

A pesquisa Correio do Estado/IPR também levantou a rejeição dos pré-candidatos à Presidência da República em Mato Grosso do Sul e Lula aparece na frente, com 48,72% dos entrevistados, seguido por Flávio Bolsonaro, com 27,42%, Caiado, com 1,40% e Ratinho Jr., com 1,40%.

Logo depois aparecem Aldo Rebelo, com 0,77%, e Romeu Zema, com 0,51%. Na pesquisa, 6,12% dos entrevistados disseram não rejeitar ninguém, 7,27% afirmaram rejeitar todos e 1,91% disseram que votariam em branco ou anulariam o voto, enquanto 4,46% não sabem ou não quiseram responder.

Eleições 2026: Flávio Bolsonaro larga na frente no Mato Grosso do Sul Foram entrevistados 784 eleitores distribuídas pelos 17 maiores municípios do Estado - Fonte: Correio do Estado/IPR

ANÁLISE

Segundo o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, o resultado indica que Flávio Bolsonaro inicia a disputa com uma vantagem expressiva sobre Lula, abrindo mais de 14 pontos porcentuais de diferença no cenário estimulado. “Esse desempenho sugere forte identificação de parte significativa do eleitorado sul-mato-grossense com o campo político associado ao bolsonarismo”, disse.

Outro ponto relevante apontado por ele é que o campo da direita aparece fragmentado, com candidatos como Ratinho Jr., Caiado e Zema somando juntos cerca de 14%, o que demonstra um potencial de crescimento adicional para o principal candidato desse espectro caso haja convergência política.

“Já o eleitorado identificado com Lula apresenta um patamar consolidado, porém menor que o da liderança, indicando presença relevante da esquerda, mas sem hegemonia no Estado”, ressaltou.

Aruaque Barbosa pontuou que o porcentual de indecisos ou que não quiseram responder (14,29%), somado aos brancos e nulos (5,74%), representa aproximadamente um em cada cinco eleitores ainda fora de uma decisão definitiva, o que revela que o cenário eleitoral ainda possui margem de movimentação ao longo da campanha.

Com relação à rejeição, o diretor do IPR disse que os dados revelam um cenário de forte polarização política, no qual os dois principais polos eleitorais concentram também os maiores índices de rejeição.

“No caso de Lula, a rejeição próxima de metade do eleitorado indica uma barreira eleitoral significativa para crescimento no Estado, dificultando a ampliação de sua base além do eleitorado já consolidado”, argumentou.

Já Flávio Bolsonaro, conforme o diretor do IPR, embora lidere a intenção de voto, também apresenta rejeição relevante (27,42%), característica comum em disputas polarizadas. “Ainda assim, sua rejeição é 21 pontos percentuais menor que a de Lula, o que lhe garante maior espaço potencial de crescimento eleitoral”, falou Barbosa.

Para ele, esse cenário sugere que a disputa presidencial no Estado tende a ser marcada por um eleitorado majoritariamente inclinado ao campo da direita, mas com presença de um núcleo consistente de eleitores da esquerda, reforçando um ambiente político polarizado, porém com vantagem inicial para o candidato bolsonarista.

 “A combinação entre liderança na intenção de voto e menor rejeição relativa coloca Flávio Bolsonaro em posição estratégica favorável no estado neste momento do ciclo eleitoral. Por outro lado, o elevado índice de rejeição de Lula indica que sua estratégia eleitoral dependerá mais da mobilização de sua base consolidada do que da expansão para novos eleitores”, assegurou.

 O diretor do IPR concluiu, ressaltando que o volume de indecisos e votos não definidos mostra que o cenário ainda tem espaço para mudanças ao longo da campanha.

“Especialmente caso ocorram rearranjos entre candidatos do mesmo campo ideológico ou mudanças no ambiente político nacional”, comentou.
 

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PEDIDO NEGADO

Moraes nega visita de assessor de Trump a Bolsonaro na Papudinha

Ministro disse que visita não foi informada à diplomacia brasileira

12/03/2026 19h00

Ministro Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro

Ministro Alexandre de Moraes e o ex-presidente Jair Bolsonaro Foto: Reprodução

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta quinta-feira (12) o pedido do ex-presidente Jair Bolsonaro para receber a visita de Darren Beattie, assessor do governo dos Estados Unidos, na prisão.

Na decisão, Moraes disse que a visita do assessor do presidente Donald Trump não foi comunicada à diplomacia brasileira e não está inserida na agenda oficial que será cumprida no Brasil.

“A realização da visita de Darren Beattie, requerida nestes autos pela Defesa de Jair Messias Bolsonaro, não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto e seu ingresso no território brasileiro, além de não ter sido comunicada, previamente, às autoridades diplomáticas brasileiras, o que, inclusive poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, decidiu o ministro.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou a Moraes que a visita a Bolsonaro pode configurar “indevida ingerência” em assuntos internos do Brasil.

Segundo Vieira, a embaixada do Estados Unidos no Brasil informou ao governo brasileiro que Darren Beattie vem ao Brasil para participar do Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, que será realizado em São Paulo, na próxima quarta-feira (18).

O chanceler acrescentou ainda que a representação norte-americana não mencionou eventuais visitas fora da agenda oficial.

No início desta semana, a defesa de Bolsonaro pediu que a visita seja realizada na próxima segunda-feira (16), no período da manhã, ou na terça-feira (17), datas em que o assessor estará em visita oficial ao Brasil. A entrada de um tradutor na prisão também foi solicitada.

Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses prisão na ação penal da trama golpista e cumpre pena no 19° Batalhão da Polícia Militar, localizado dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília.

O local é conhecido como Papudinha e é destinado a presos especiais, como policiais, advogados e juízes. 

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