Política

sem destino

Hospital de Amor desmente Pollon e nega ter recebido emenda milionária

A emenda de R$ 1 milhão foi para a Academia Nacional de Cultura, produtora de "Dark Horse", filme sobre trajetória de Jair Bolsonaro

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O Hospital de Amor, em Barretos (SP), negou ter recebido a emenda de R$ 1 milhão que o deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) afirma ter solicitado o redirecionamento para a instituição de saúde paulista.
Em resposta ao Correio do Estado, o hospital encaminhou os relatórios anuais de 2023 e 2024, nos quais estão detalhados os recursos parlamentares efetivamente pagos à entidade.

O nome de Pollon não aparece entre os autores das emendas recebidas pelo hospital nos dois exercícios. 
Somente em 2024, a instituição contabilizou R$ 238,7 milhões em repasses parlamentares, com identificação nominal dos responsáveis pelas indicações e o deputado sul-mato-grossense não consta na relação.

Os documentos acrescentam um novo elemento ao rastreamento da emenda milionária, que permanece sem destino comprovado. 

Pollon sustenta que pediu ao governo de São Paulo a transferência do recurso para o Hospital de Amor depois que o projeto audiovisual originalmente beneficiado não avançou.

A versão foi apresentada pelo deputado em maio deste ano, quando o caso começou a ser analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). 

Até agora, entretanto, não foi divulgado nenhum documento que comprove a saída do dinheiro dos cofres paulistas ou o pagamento ao hospital de Barretos.

Os relatórios encaminhados pela instituição ao Correio do Estado registram os valores efetivamente recebidos e não há pagamento identificado em nome do parlamentar nos anos de 2023 e 2024, conforme informou a analista de marketing do Hospital de Amor, Paola Vantini.

VERBA PARADA

A União transferiu R$ 1 milhão ao governo de São Paulo no dia 13 de dezembro de 2024. Passados mais de 21 meses, a verba permanece sem execução e não foi aplicada no projeto para o qual havia sido inicialmente destinada.

A emenda deveria financiar a série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”, sob responsabilidade da Academia Nacional de Cultura (ANC), produtora de “Dark Horse”, filme que retrata a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Pollon afirma que indicou o recurso em 2023, com previsão de pagamento no início de 2024. Segundo ele, o projeto não saiu do papel porque a ANC não conseguiu cumprir os requisitos necessários à execução.

O termo de fomento entre o governo paulista e a entidade nunca foi assinado, e o plano de trabalho não recebeu aprovação. 

Relatório de gestão datado do dia 1º de junho deste ano apontava execução de R$ 0 e indicava que o valor integral continuava pendente.

Consulta feita ao Transferegov até o dia 9 deste mês também não apresentava mudança na finalidade da emenda, novo plano de trabalho, devolução do dinheiro à União ou transferência ao Hospital de Amor. 

Formalmente, o recurso permanecia vinculado ao projeto cultural e sob responsabilidade do governo de São Paulo.

REALOCAÇÃO

O deputado voltou a se manifestar depois que seu nome foi citado na decisão do ministro Flávio Dino, do STF, que autorizou a Operação Make Up. 

Deflagrada pela Polícia Federal no dia 10 deste mês, a ação investiga suspeitas de irregularidades na aplicação de emendas parlamentares.

Pollon declarou que nenhum valor foi repassado à entidade que produziria “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem” e reiterou ter solicitado a mudança da destinação. “Como o projeto não saiu do papel, solicitei ao governo do estado de São Paulo que o recurso separado para esse projeto fosse realocado e destinado ao Hospital de Amor de Barretos”, afirmou o parlamentar.

Ele argumenta que o hospital atende milhares de pacientes de Mato Grosso do Sul em tratamento contra o câncer. 

Também sustenta que a indicação para São Paulo ocorreu antes das restrições impostas pelo STF, em agosto de 2024, à destinação de determinados recursos parlamentares para estados diferentes daquele que elegeu o congressista.

Essa, no entanto, é a interpretação apresentada pela defesa de Pollon sobre as regras aplicáveis ao caso. Não há, nos dados oficiais consultados, comprovação de que o pedido de redirecionamento tenha sido concluído.

OPERAÇÃO MAKE UP

A emenda voltou ao centro das atenções com a deflagração da Operação Make Up. Na decisão que autorizou as diligências, Flávio Dino destacou que Pollon, eleito por MS, destinou R$ 1 milhão a um projeto que seria executado em São Paulo. 

O ministro apontou uma possível irregularidade relacionada à vinculação territorial dos recursos. 
A citação do parlamentar na decisão, contudo, não significa, por si só, que ele tenha participado de eventual desvio.

A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, no Rio de Janeiro, no Ceará e no Distrito Federal. 

Entre as entidades investigadas estão a ANC, o Instituto Conhecer Brasil e a Go Up Entertainment, organizações ligadas à empresária Karina Ferreira da Gama. Karina também está ligada à produção de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. 

A investigação pretende esclarecer a circulação de dinheiro público entre entidades e empresas, além de possíveis irregularidades na execução das emendas. 

* Saiba 

MPMS contesta ação de deputado contra jornal

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) contestou a tramitação, na Justiça Estadual, da queixa-crime apresentada pelo deputado federal Marcos Pollon (PL-MS) contra jornalistas do Correio do Estado. Para o órgão, as reportagens questionadas tratam de fatos relacionados ao exercício do mandato parlamentar e, por isso, a ação deve ser analisada pela Justiça Federal.

Pollon acionou os jornalistas Eduardo Miranda e Alicia Miyashiro, além do jornal, atribuindo-lhes supostos crimes de difamação e injúria pela publicação de duas reportagens sobre a destinação de emendas parlamentares e as entidades envolvidas no caso.

A controvérsia inclui a emenda de R$ 1 milhão destinada à produção da série documental “Heróis Nacionais – Filhos do Brasil que não se rendem”. O projeto seria executado pela Academia Nacional de Cultura, entidade ligada à produção de “Dark Horse”, filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Ao se manifestar no processo nº 0812381-50.2026.8.12.0110, o promotor de Justiça Júlio Bilemjian Ribeiro afirmou que os fatos abordados pelas reportagens estão vinculados à atuação de Pollon como deputado federal, e não à vida privada do parlamentar.

“Observa-se da própria narrativa constante da queixa-crime que as alegadas ofensas não dizem respeito a aspectos da vida privada do querelante, mas sim a fatos diretamente relacionados ao exercício de seu mandato parlamentar federal”, registrou o promotor.

O parecer não analisou se houve difamação ou injúria, nem julgou o mérito das reportagens. A manifestação ficou restrita à definição da competência para processar o caso. Diante da relação dos fatos com o mandato federal, o MPMS pediu que a Justiça Estadual reconheça a própria incompetência e encaminhe a ação à Justiça Federal.

Enquanto a disputa judicial permanece em análise, continua sem comprovação pública o efetivo repasse ao Hospital de Amor dos R$ 1 milhão inicialmente destinados ao projeto cultural. Os relatórios da instituição referentes a 2023 e 2024 não registram pagamento em nome de Pollon, e os dados oficiais mais recentes mantêm a execução zerada.

SUCESSÃO

Com apoio de Riedel, Caravina entra na disputa pela presidência da Assembleia

Deputado estadual do PSDB surge como nome da base governista para o comando da Casa e pode dificultar plano do PL

07/10/2026 08h05

O deputado estadual reeleito Pedro Caravina (PSDB) pretende disputar a presidência da Casa

O deputado estadual reeleito Pedro Caravina (PSDB) pretende disputar a presidência da Casa Foto: Luciana Nassar/Agência Alems

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Com o apoio do governador reeleito Eduardo Riedel (PP), o deputado estadual reeleito Pedro Caravina (PSDB) decidiu entrar nas articulações pela presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e surge como uma alternativa da base governista para impedir que o PL transforme a maior bancada da próxima legislatura em controle da Mesa Diretora.

Caravina confirmou ontem ao Correio do Estado que avalia formalizar sua candidatura ao comando da Casa de Leis. A movimentação ocorre justamente quando o PL tenta construir consenso em torno de um dos três deputados estaduais reeleitos que já demonstraram interesse no cargo: Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Coronel David.

“Estou avaliando colocar meu nome à disposição dos colegas, apostando na necessidade de equilíbrio na gestão da Alems, considerando o ambiente político polarizado”, afirmou Caravina.

A entrada do deputado estadual na disputa muda o cenário da sucessão porque coloca frente a frente a maior bancada da próxima legislatura e o grupo político do governador, que também terá força suficiente para influenciar diretamente a escolha do próximo presidente.

Reeleito no primeiro turno, Riedel terá uma base numerosa na Assembleia Legislativa. Além de Caravina, o PSDB reelegeu Paulo Duarte e conquistou uma cadeira com o ex-prefeito de Três Lagoas Angelo Guerreiro. 
Pelo PP, foram reeleitos Gerson Claro e Londres Machado e eleito Hélio Peluffo, ex-prefeito de Ponta Porã.

O decano da Alems, Londres Machado, inclusive também foi cotado para disputar a presidência da Casa de Leis, porém, ao ser questionado ontem pelo Correio do Estado, refutou essa afirmação.

O parlamentar descartou entrar na disputa pelo comando da Assembleia Legislativa. Com longa trajetória no parlamento estadual e experiência à frente do Legislativo, ele afirmou que não pretende voltar a ocupar o cargo de presidente no próximo biênio. “Não é o meu projeto”, resumiu.

A articulação governista ainda alcança parlamentares de outras legendas, tornando o apoio do governador um dos principais ativos na disputa pela presidência.

FORÇA DA BANCADA

O PL elegeu nove deputados estaduais e pretende usar a condição de maior bancada como argumento para reivindicar o comando da Alems. 
Antes, porém, terá de resolver uma disputa interna entre três nomes. 

O senador eleito Reinaldo Azambuja, presidente estadual do partido, afirmou ao Correio do Estado que Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Coronel David estão credenciados para participar da discussão, mas advertiu que a legenda terá de apresentar apenas um candidato.

“Temos de construir um consenso interno para lá na frente chegar com apenas um nome. Depois vamos precisar agregar os votos de outros partidos, pois só nove deputados não elegem ninguém, precisamos de pelo menos 14 votos”, declarou.

Azambuja reconheceu que uma divisão entre os próprios integrantes do PL pode inviabilizar o projeto de conquistar a presidência.

“Quem tem três não tem ninguém. Se você começa dividido dentro de casa, não ganha nada. Primeiro precisamos ter consenso dentro do PL. Porém, acredito que ainda temos tempo para tratar da eleição para a presidência da Assembleia Legislativa”, afirmou.

O plano inicial do partido era, depois de escolher seu candidato, procurar justamente os deputados ligados a Riedel para construir a maioria necessária. 

A disposição de Caravina de disputar o cargo com o respaldo do governador, porém, pode transformar os aliados do Executivo de possíveis eleitores do PL em adversários na sucessão.

APOIO DE RIEDEL

A influência do governador na eleição é reconhecida até mesmo entre os pré-candidatos do PL.
Zé Teixeira afirmou que uma candidatura dificilmente prosperará sem o aval de Riedel e defendeu que as negociações não fiquem restritas aos nove integrantes da bancada do partido.

“Outra coisa é que essa eleição depende muito do governador Eduardo Riedel, sem o apoio dele não será possível”, declarou.

Segundo o parlamentar, a disputa precisa envolver todos os integrantes da Assembleia.

“Para se eleger um presidente da Assembleia Legislativa precisa de no mínimo 13 votos. Não adianta conversar entre nove, pois nove não elegem um presidente”, disse.

Zé Teixeira acrescentou que nenhum partido poderá simplesmente reivindicar o posto sem construir uma maioria.

“Por isso, não discuto eleição para a presidência da Assembleia Legislativa com nove deputados estaduais, eu discuto com 24. Não existe você exigir ser candidato, você tem de colocar o nome à disposição e conquistar os votos necessários”, afirmou.
O deputado também colocou sua experiência na Mesa Diretora como credencial. Ele ocupou durante oito anos a primeira-secretaria da Assembleia e afirmou estar disposto a construir apoios.

“Tenho a experiência de oito anos atuando como primeiro-secretário da Casa, período em que acredito ter realizado um excelente trabalho. Entendo perfeitamente a ideia defendida pelo senador Reinaldo Azambuja, considerando que o PL tem a maior bancada eleita”.

DISPUTA INTERNA

Além de Zé Teixeira, Coronel David confirmou interesse no posto, embora tenha condicionado sua candidatura a um entendimento interno. “Tenho interesse, desde que haja um consenso dentro do partido”.

Paulo Corrêa também assumiu a condição de pré-candidato e afirmou que trabalhará para conquistar o apoio dos colegas de legenda.

“Primeiro temos de obedecer à decisão do presidente do partido e, como o Reinaldo falou, o PL, com a maior bancada, é normal que reivindique a presidência da Assembleia Legislativa. Diante disso, posso dizer que, neste momento, sou pré-candidato ao cargo e vou trabalhar dentro da legenda para ser o escolhido e, se Deus quiser, conseguir ser o próximo presidente da Casa de Leis”, declarou.

Azambuja, entretanto, pretende deixar a definição para depois do segundo turno da eleição presidencial. Segundo ele, a prioridade imediata da legenda é trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

“Primeiro, como presidente estadual do PL, é ajudar na eleição do Flávio como presidente do Brasil, depois vamos pensar no comando da Assembleia Legislativa. O mais importante agora é a eleição do Flávio no segundo turno, depois vamos discutir as outras eleições”, afirmou.

A entrada de Caravina antecipa uma disputa que tende a se intensificar após o segundo turno. 

O PL aposta no peso dos nove deputados eleitos para reivindicar a presidência, enquanto a base governista passa a ter um nome próprio, com respaldo de Riedel, para tentar manter o comando do Legislativo alinhado ao Palácio do Parque dos Poderes.

coronelismo

Com derrota de Roseana, família Sarney fica sem mandato pela 1ª vez em 72 anos

Roseana foi a terceira na disputa pelo Senado. André Fufuca (PP), com 21,43% dos votos, e Lahesio Bonfim (Novo), que conquistou 20,65% dos votos

07/10/2026 07h25

O pai de Rosenana Sarney, o ex-presidente José Sarney entrou na política ainda nos anos 50 do século passado

O pai de Rosenana Sarney, o ex-presidente José Sarney entrou na política ainda nos anos 50 do século passado

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A partir de 2027, a família Sarney ficará sem nenhum representante em mandato eletivo pela primeira vez em 72 anos. O cenário ocorre depois da derrota de Roseana Sarney (MDB-MA), filha do ex-presidente José Sarney, na disputa pelo Senado Federal.

Roseana foi eleita deputada federal pelo Maranhão em 2022, mas o mandato acaba em janeiro de 2027 e nenhum outro membro da família estará em algum mandato.

Roseana foi a terceira colocada na disputa pelo Senado Federal no Estado. André Fufuca (PP), com 21,43% dos votos, e Lahesio Bonfim (Novo), que conquistou 20,65% dos votos, conseguiram as duas vagas em disputa.

A derrota de Roseana encerra um ciclo político que remonta aos anos 50, quando seu pai assumiu o cargo de deputado federal. Sarney exerceu o cargo por três mandatos, até 1965.

Em 1966, foi eleito governador do Maranhão. Em seguida, foi para o Senado Federal pela primeira vez, onde ficou até 1985. Foi presidente entre 1985 e 1990. Depois, voltou ao Senado mais uma vez, onde ficou até 2015, cumprindo três mandatos consecutivos.

Roseana seguiu a trajetória política do pai e se elegeu como deputada federal, pela primeira vez em 1990, e ficou no cargo até 1994, quando foi eleita governadora do Maranhão.

Ela ficou no cargo por dois mandatos consecutivos, até 2002. Roseana também foi senadora da República, ficando no cargo até 2009 e mais uma vez voltou ao governo do estado, onde ficou até 2014.

Foi eleita novamente para deputada federal em 2022; seu mandato acaba em 2027.

Seu irmão, José Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney (PV) foi deputado estadual pelo Maranhão entre 1979 e 1983 e deputado federal pelo mesmo Estado por nove mandatos, entre 1983 e 2019. Ele também assumiu como ministro do Meio Ambiente nas gestões de Fernando Henrique Cardoso, de 1999 a 2002, e Michel Temer, de 2016 a 2018.

Adriano Sarney, neto de Sarney, é o membro da terceira geração a ocupar cargo político. Ele foi deputado estadual pelo Maranhão, por dois mandatos, entre 2015 e 2023. Ele tentou se reeleger nas eleições de 2022, mas não obteve votos o suficiente.

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