Política

entrevista

"Já foi revogado o contrato de uma empresa e também estamos analisando outros"

O presidente revelou ainda que o TCE-MS vai dar prioridade à análise das contas dos prefeitos que vão tentar a reeleição em 2024

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Após ser confirmado como presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) para o biênio 2023-2024, em sessão especial realizada na manhã desta sexta-feira, o conselheiro Jerson Domingos concedeu uma entrevista exclusiva ao Correio do Estado e falou sobre o afastamento dos conselheiros Iran Coelho das Neves, Ronaldo Chadid e Waldir Neves por suspeita de corrupção, os desafios à frente do cargo, o aprendizado trazido pela pandemia da Covid-19 e a prioridade da Corte de Contas em julgar os processos dos prefeitos que pretendem sair candidatos à reeleição em 2024.

“Nós já tomamos todas as medidas que seriam necessárias, até pelo fato da recomendação quando da decisão do afastamento dos conselheiros e empresas que prestavam serviço ao Tribunal. Então, essas medidas já foram tomadas – de conhecimento da própria imprensa e da sociedade –, com a extinção de algumas empresas que estão sendo investigadas, que supostamente possam ter qualquer irregularidade no seu comportamento”, reforçou o presidente.

Sobre julgar as contas dos prefeitos que tentarão a reeleição em 2024, Jerson Domingos ressaltou que isso é uma das prioridades do Tribunal de Contas.

“É uma insegurança muito grande quanto à pretensão de uma candidatura de um ex-prefeito ou a sua recondução ao cargo. Se ele tem alguma pendência jurídica com o TCE-MS, a insegurança com a sua disputa eleitoral também existirá, pois, caso ganhe as eleições, depois terá de enfrentar o julgamento por alguma irregularidade, e isso é muito ruim”, analisou.

Confira abaixo a entrevista completa.

 
Presidente, com o afastamento dos três conselheiros, a imagem do TCE-MS ficou arranhada junto à opinião pública. Como reverter essa situação?

Eu diria à opinião pública que não se preocupe em relação a isso. O resultado do afastamento dos três conselheiros foi em decorrência de uma decisão judicial.

O Tribunal tem esse respeito em compreender a maneira e a forma como a Justiça se comporta, e quero ver, com muita brevidade, os três colegas presentes novamente no cumprimento das suas obrigações.
 
No dia 15 de março, o STF vai julgar o pedido de suspensão do afastamento dos três conselheiros. Caso a decisão seja positiva para eles, como ficará esse trabalho de reconstrução da imagem da Corte de Contas?

Eu não quero me precipitar e nem tão pouco opinar em relação à decisão da Justiça. Aquilo que a Justiça determinar, eu, no papel, na condição ou no exercício de presidente, estarei obedecendo às determinações que o Poder Judiciário recomendar.
 
Caso os três conselheiros não obtenham autorização para retornar ao TCE-MS, como fica a situação da composição da Corte de Contas?

Na normalidade, até porque nós temos os conselheiros substitutos, nas figuras da Patrícia Sarmento dos Santos, do Célio Lima de Oliveira e do Leandro Lobo Pimentel.

Eles comporão normalmente a formatação da Corte de Contas, tanto para as sessões de pleno quanto das comissões. Transcorre normalmente, sem nenhuma alteração.

Para evitar futuros problemas, o senhor pretende contratar alguma auditoria externa para analisar todos os contratos mantidos pelo TCE-MS ou esta medida não será necessária?

Nós já tomamos todas as medidas que seriam necessárias, até pelo fato da recomendação quando da decisão do afastamento dos conselheiros e das empresas que prestavam serviço ao Tribunal.

Então, essas medidas já foram tomadas – de conhecimento da própria imprensa e da sociedade –, com a extinção de algumas empresas que estão sendo investigadas, que supostamente possam ter qualquer irregularidade no seu comportamento.

Não cabe a mim o julgamento disso, cabe a mim somente o cumprimento do que a Justiça, o ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça [STJ], me determinou, e já foi revogado o contrato de uma empresa e também estamos analisando outros não citados no despacho do ministro.

Com a confirmação do senhor como presidente do TCE-MS para o biênio, quais os principais desafios?

Olha, são muitos e o prazo é curto. Portanto, hoje [sexta-feira], quando conversava com os servidores após ter decidido a eleição da chapa, eu disse para eles que precisávamos trabalhar.

É trabalhar, trabalhar e trabalhar para alcançarmos a nossa principal meta. Essa é a resposta aos nossos jurisdicionados, pelo fato de que eles dependem muito das decisões do Tribunal.

Quero aproximar a Corte de Contas dos nossos jurisdicionados e fazer com que eles entendam que o Tribunal não é um bicho-papão, muito pelo contrário, tem de ser um órgão auxiliar na aplicação do dinheiro público.

Isso fica aqui por meio desta nossa entrevista, que chegará, com certeza, aos 79 municípios: [quero] dizer que o Tribunal está de portas abertas para diminuir cada vez mais as dúvidas em relação à maneira e à forma de aplicar o dinheiro público. 

Em razão da pandemia da Covid-19, o uso da tecnologia ganhou mais destaque em todas as atividades. Quais os ensinamentos que o TCE-MS tirou desse período para melhorar ainda mais sua atuação?

A pandemia foi uma experiência que, em um primeiro momento, causou a todos nós uma preocupação muito grande, porém, o Tribunal de Contas não podia parar as suas atividades.

Já a experiência no sentido administrativo foi positiva, porque todos incorporaram a responsabilidade que tínhamos, pois a Corte de Contas não deixou de responder aos seus jurisdicionados.

Isso também nos obrigou a avançar nessa nova tecnologia, temos um quadro hoje dentro do TCE altamente eficiente na aplicação dessa nova modalidade, de maneira a trazer a nós, conselheiros, resultados mais práticos, mais objetivos e com um conteúdo muito melhor por conta desta nova experiência. E nisso eu parabenizo o meu servidor.

No próximo ano teremos eleições municipais, a Corte de Contas pretende acelerar alguns processos para evitar que prefeitos com pendências possam tentar a reeleição?

Isso é uma das prioridades do Tribunal de Contas, até porque eu sou oriundo da política, tendo sido deputado estadual por 20 anos.

É uma insegurança muito grande quanto à pretensão de uma candidatura de um ex-prefeito ou a sua recondução ao cargo.

Se ele tem alguma pendência jurídica com o TCE, a insegurança com a sua disputa eleitoral também existirá, pois, caso ganhe as eleições, depois terá de enfrentar o julgamento por alguma irregularidade, e isso é muito ruim.

Portanto, todos os candidatos e os pretensos candidatos na próxima eleição, que serão as eleições municipais, que passarem pelo crivo do Tribunal de Contas, com certeza, não terão problemas jurídicos posteriores. 

Na sua opinião, o que precisa ser feito para tornar o TCE-MS uma referência para as demais cortes de contas do Brasil?

O nosso Tribunal de Contas muito me orgulha. Se algum fato talvez tenha causado para as pessoas uma imagem negativa da Corte de Contas, eu digo que não precisam ter, que continuem acreditando no nosso TCE-MS.

Nosso Tribunal tem uma formação de pessoas que é muito maior do que uma simples decisão que nos causou uma má impressão e que é momentânea. Isso será reparado com brevidade. Eu vejo que Mato Grosso do Sul está inserido dentro dos melhores tribunais de contas do Brasil.

Nós temos trocado muita informação, eu tenho recebido visitas aqui de presidentes e vice-presidentes de outros tribunais. Nós temos trocado muitas ideias e informações e nós temos procurado harmonizar a forma e a maneira de compreender a nossa responsabilidade quanto aos nossos jurisdicionados.

Por isso eu digo, não é o primeiro, não é o segundo, não é o último, há uma integração quanto à troca de informações, e isso é aplicado em todo o Brasil.

Você considera que os tribunais de contas em geral ainda estão distantes do cidadão comum? Se sim, como aproximá-los? 

Nesse ponto, sim, eu concordo com você, com a pergunta que você me faz, que é uma necessidade muito grande dos tribunais de se aproximarem da sociedade.

Então, nós teremos aqui algumas propostas que nós estaremos procurando integrar, em especial com essa juventude. Os jovens precisam compreender e conhecer melhor a atividade do Tribunal de Contas.

Há muitos na nossa sociedade para quem o TCE-MS é um ponto de interrogação. Então, nós estaremos propondo essa aproximação da Corte de Contas com a sociedade no seu todo. É um dos projetos que nós temos e que é uma das prioridades quanto à questão social.

Mudando de assunto, sendo ex-deputado estadual pelo MDB, como o senhor analisa a situação do partido no Estado, onde perdeu força, e nacionalmente, com o fortalecimento de Simone Tebet?

Veja bem, a política é um negócio dinâmico. É como o vento, uma hora é norte, outra hora é sul. Ainda mais neste momento que nós estamos vivenciando, com temperaturas alternadas. Eu vejo a política mais ou menos desse jeito.

Eu só torço e creio e sou bastante confiante quanto ao desempenho da nossa ex-senadora Simone Tebet. Ela hoje passa a ter uma representatividade muito grande e uma responsabilidade maior ainda com o Brasil, e não pode perder as origens.

Quem a fez ministra foi Mato Grosso do Sul. Então, independentemente da sigla partidária, hoje, como conselheiro, isso me foge, não me pertence. Portanto, me pertence a política, me pertence o meu Estado, me pertence a qualidade de vida da população sul-mato-grossense.

Isso a gente traz de herança lá da Assembleia Legislativa, que era a minha grande preocupação, e ela não deixa de ser minha preocupação. Eu confio muito no trabalho da Simone e creio que o coração dela sempre será um coração sul-mato-grossense. É essa a torcida que faço.

Perfil

Jerson Domingos - Natural de Campo Grande, Jerson Domingos, 72 anos, foi empossado no cargo de conselheiro do TCE-MS em 28 de janeiro de 2015, na parcela de vagas destinadas à Assembleia Legislativa, após indicação no dia 5 de novembro de 2014.

Ele ocupou a vaga aberta depois da aposentadoria do conselheiro Cícero Antônio de Souza. No Tribunal de Contas, ele foi vice-presidente no biênio 2021-2022 e, provisoriamente, assumiu a presidência em dezembro do ano passado.

O novo presidente do TCE-MS também foi deputado estadual por cinco mandatos, de 1995 a 2015, presidiu a Assembleia Legislativa por quatro vezes, de 2007 a 2014, e, com o afastamento do vice-governador Murilo Zauith, assumiu o cargo de governador durante as viagens do titular André Puccinelli.

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Postura

Senado não pode se omitir diante dos fatos que envolvem STF, diz Tereza Cristina

Ex-ministra de Bolsonaro é tida como uma das principais líderes da oposição no Legislativo

06/09/2026 13h45

Tereza Cristina

Tereza Cristina Andressa Anholete/Agência Senado

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Líder do PP, a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina defendeu que o Senado não se omita diante do fatos que envolvem o Supremo Tribunal Federal.

"O Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. A ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não podemos ignorar suspeitas gravíssimas. Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição", escreveu a senadora em publicação no Instagram.

Sem mencionar diretamente as revelações da última semana em que a Polícia Federal (PF) mostrou diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes, Tereza Cristina disse que a população está "estarrecida".

"A população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o STF. E com razão. A sociedade não pode perder a confiança nas nossas instituições. Nenhuma autoridade está acima da lei", continuou a senadora que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado.

Após a revelação da PF, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e pressionam a presidência da Casa pela abertura dos processos.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), há 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal. O Senado tem a competência constitucional de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.

Lider da oposição

Tereza Cristina foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2).

Além dela, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogerio Marinho (PL-RN) também foram contrários ao texto aprovado. 

Em sua justificativa, destacou não ser contrária à redução trabalhista e sim a pressa sobre a aprovação do texto sem a construção do debate necessário por parte dos senadores. 

"Eu acho muito complicada a definição de um texto constitucional de uma escala fixa, para que todos os tipos de atividades, sem considerar as diversas realidades do mercado de trabalho. Seria preciso uma nova Pec. O tema é de extrema importancia, mas a pressa da votação é o que me traz preocupação, ninguem pode fazer uma lei para um pais tão continental quanto o nosso, tão diverso quanto o nosso, tantas cadeias produtivas quanto o nosso sem uma discussão aprofundada", declarou a senadora. 

Na sequência, destacou que o papel dos senadores acerca da proposta não deveria ser somente de "carimbar" proposições advindas da Câmara dos Deputados. O nome da senadora é especulado para presidir o Senado no próximo ciclo, substituindo Davi Alcolumbre (União-AP)

Encaminhamento

Caso o texto seja aprovado pelos senadores sem alterações, poderá seguir para promulgação. Se houver mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.

Se a PEC for aprovada pelo Plenário e posteriormente promulgada, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 40 horas, mantido o limite de oito horas diárias.

A Constituição também passará a garantir dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.

A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, o que inclui os pisos das categorias.

A mudança será implantada em duas etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois do encerramento dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas.

A negociação coletiva continuará permitida para definir mecanismos de compensação de horários e regimes de descanso, desde que sejam respeitados os novos limites constitucionais.

Com informações de Estadão Conteúdo 

Ultima Ratio

CNJ marca a retomada de julgamento sobre volta de Alexandre Bastos ao TJMS

Sob a relatoria do conselheiro Carlos Vinícius Alves Ribeiro, o processo será analisado virtualmente entre os dias 11 e 18 deste mês

05/09/2026 08h10

O desembargador Alexandre Bastos está afastado das funções desde o dia 24 de outubro de 2024

O desembargador Alexandre Bastos está afastado das funções desde o dia 24 de outubro de 2024 Foto: Arquivo

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O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) marcou para o período de 11 a 18 deste mês a retomada do julgamento que poderá definir se o desembargador Alexandre Bastos continuará afastado ou será autorizado a retornar às funções no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). 

O magistrado está fora do cargo desde outubro de 2024, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Ultima Ratio. O Processo Administrativo Disciplinar (PAD) nº 0000093-79.2026.2.00.0000 foi incluído como primeiro item da pauta da 13ª sessão do plenário virtual deste ano, publicada pelo CNJ na quinta-feira .

Além de estabelecer uma data para a continuidade da análise, a publicação confirma uma mudança importante na condução do procedimento. O conselheiro Carlos Vinícius Alves Ribeiro aparece como novo relator do PAD. Anteriormente, o processo estava sob responsabilidade de João Paulo Schoucair, que deixou o CNJ após o encerramento de seu mandato.

A mudança de relatoria acrescenta uma nova variável ao julgamento. A pauta não antecipa qual será o entendimento de Carlos Vinícius Alves Ribeiro nem esclarece se o novo relator manterá integralmente a posição apresentada anteriormente por Schoucair.

Até que o julgamento seja concluído pelo colegiado, permanece válida a determinação que mantém Alexandre Bastos afastado do TJMS.

INVESTIGAÇÃO

O ponto central do julgamento está na possibilidade de o CNJ adotar duas medidas aparentemente distintas: prorrogar a investigação administrativa por mais 140 dias e, ao mesmo tempo, permitir que Alexandre Bastos volte ao cargo.

Antes de deixar o CNJ, João Paulo Schoucair votou pela continuidade do PAD, mas considerou que o afastamento cautelar do desembargador não seria mais necessário. Com isso, defendeu que Bastos pudesse retomar suas atividades no TJMS enquanto a apuração disciplinar prosseguisse.

O voto não encerra nem arquiva o processo administrativo. Caso essa posição prevaleça, o desembargador continuará sendo investigado pelo CNJ, mas poderá exercer novamente suas funções até a conclusão do procedimento.

A medida cautelar e o mérito do PAD são questões diferentes. O afastamento tem caráter preventivo e pode ser mantido ou revogado antes do encerramento da investigação. 

Já o processo disciplinar deverá apurar se houve infração funcional e, ao fim, poderá resultar em absolvição ou em alguma penalidade prevista nas normas da magistratura.

QUATRO VOTOS

O entendimento de Schoucair foi acompanhado pelos conselheiros Daiane Nogueira de Lira, Marcello Terto e Paulo Régis Machado Botelho. Dessa forma, ficaram registrados quatro votos favoráveis à prorrogação do PAD e ao retorno de Alexandre Bastos ao TJMS.

O julgamento, porém, foi interrompido por um pedido de vista apresentado pelo presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. 

O pedido de vista permite que o conselheiro examine o processo com mais tempo antes de apresentar sua posição.

Como a análise foi suspensa antes da formação de maioria, ainda não existe uma decisão colegiada autorizando a volta do desembargador. 

Os quatro votos representam uma tendência inicial do julgamento, mas não são suficientes, por enquanto, para modificar a situação funcional de Bastos.

A conselheira Jaceguara Dantas declarou impedimento para participar da votação por também integrar o TJMS. Com o impedimento, o universo máximo passa a ser de 14 integrantes aptos a votar.

Em um cenário no qual todos os 14 conselheiros aptos participem do julgamento, seriam necessários oito votos para a formação de maioria. Como já foram apresentados quatro votos pelo retorno, a proposta precisaria de outros quatro votos.

Essa contagem, entretanto, depende do quórum efetivo da sessão e de eventuais alterações processuais. Também será necessário verificar se, com a mudança de relatoria, o voto anteriormente apresentado por Schoucair permanecerá registrado ou se haverá nova manifestação sobre o caso.

AFASTADO

Alexandre Bastos está afastado das funções desde 24 de outubro de 2024, data em que a Polícia Federal deflagrou a Operação Ultima Ratio. A investigação apura suspeitas de corrupção, venda de decisões judiciais e tráfico de influência no Judiciário de Mato Grosso do Sul.

O afastamento foi determinado como medida cautelar durante o avanço das investigações. Por essa razão, não representa condenação antecipada nem conclusão sobre a responsabilidade do magistrado.

Além das apurações conduzidas na esfera criminal, o CNJ instaurou um procedimento próprio para examinar a conduta funcional do desembargador. O PAD tramita de forma independente e segue regras específicas aplicáveis aos integrantes da magistratura.

A prorrogação por mais 140 dias, proposta no voto do antigo relator, daria prazo adicional para a realização de diligências e para a conclusão da apuração administrativa. A divergência a ser resolvida pelo plenário está na necessidade de manter Bastos afastado durante esse período.

Os quatro primeiros votos consideram possível dar continuidade à investigação sem impedir o desembargador de exercer suas funções. Os demais conselheiros ainda poderão entender que o afastamento deve ser preservado para proteger a apuração ou evitar eventuais interferências.

* Saiba 

O processo será analisado no plenário virtual do CNJ, ambiente eletrônico em que os conselheiros apresentam seus votos durante o período estabelecido para a sessão. A votação será aberta no dia 11 e deverá terminar no dia 18.

Até o encerramento, os integrantes do Conselho poderão acompanhar o voto do relator, apresentar divergência, formular pedido de vista ou pedir destaque para que o procedimento seja levado a uma sessão presencial.

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