Política

SUB JUDICE

Jamilson usa resultado das urnas para tentar mudar voto de ministro do TSE

O deputado estadual recebeu 35.211 votos nas eleições de 2026 e foi o segundo mais votado na federação União Progressistas, a qual tem direito a quatro vagas na Assembleia Legislativa

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A defesa de Jamilson Name (PP) enviou um recurso ao ministro Sebastião Alves dos Reis Júnior, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para tentar sua reeleição como deputado estadual. No pedido enviado, o requerimento é pelo restabelecimento da situação decorrente do acórdão do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Groso do Sul (TRE-MS), com o registro "deferido sub judice", o cômputo dos 35.211 votos nas Eleições de 2026 e a preservação dos efeitos eleitorais correspondentes até o julgamento.

Além disso, também solicitam a submissão imediata do agravo interno ao Plenário e, ao final, o provimento do recurso para restabelecer o acórdão do TRE-MS, o qual julgou improcedente a impugnação e deferiu o registro de candidatura, com as providências necessárias à retotalização, diplomação e exercício do mandato.

A defesa, representada por Alexandre Ávalo Santana, José Rizkallah Júnior, Talita Fernandes de Oliveira e João Paulo Sales, utilizou como argumento o resultado das urnas no último domingo (4), onde Jamilson Name recebeu 35.211 votos, sendo a quantidade suficiente para ocupar uma das quatro cadeiras que a Federação União Progressistas tem direito na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).

Dentro da própria Federação, o deputado teve a segunda maior votação nominal, ficando atrás apenas de Gerson Claro (PP) e à frente de Londres Machado (PP), Hélio Peluffo (PP) e Rinaldo Modesto (União Brasil), candidatos aos quais o sistema atribuiu as quatro vagas.

Segundo a defesa, o rótulo “anulado sub judice” decorre exclusivamente da decisão recorrida e não altera o dado eleitoral objetivo. Argumentam que, reconhecida a validade dos votos, o recorrente ocupa posição suficiente para uma das quatro cadeiras conquistadas pela Federação e não se trata de resultado hipotético, mas de mandato conferido pelas urnas cuja eficácia depende diretamente do julgamento do recurso.

Para os advogados, o resultado eleitoral não substitui o exame jurídico do registro, mas torna necessária a apreciação colegiada e urgente da matéria. Eles apontam que a manutenção provisória dos votos como anulados sub judice impede que a representação parlamentar corresponda à ordem manifestada nas urnas e produz repercussões imediatas sobre a totalização, a diplomação e o exercício do mandato.

Por fim, a defesa de Jamilson Name aponta que a sentença criminal afastou a majorante do emprego de arma de fogo e distinguiu expressamente a organização econômica atribuída ao agravante da estrutura armada examinada em outro processo. "A própria manifestação ministerial reconheceu que o recorrente não integrava diretamente o núcleo relacionado a crimes violentos".

"Não existe demonstração de utilização eleitoral da estrutura. Os autos não comprovam financiamento da candidatura por grupo armado, domínio territorial, intimidação de eleitores, restrição à propaganda adversária, compra de votos ou qualquer interferência concreta nas Eleições de 2026. Sem essa ponte probatória, não se configura a hipótese excepcional do art. 17, § 4º, da Constituição.

A situação criminal não configura inelegibilidade legal. A condenação mencionada é de primeiro grau e permanece submetida a apelação, enquanto a acusação de obstrução foi definitivamente afastada por absolvição transitada em julgado. Não incide, portanto, causa de inelegibilidade criminal prevista na LC nº 64/1990", diz a defesa no recurso eviado ao TSE.

Caso a Justiça Eleitoral valide os 35.211 votos obtidos pelo candidato Jamilson Name, a composição da ALEMS pode sofrer alteração antes mesmo da posse dos vitoriosos. Se isso ocorrer, quem deve perder a vaga é o deputado Márcio Fernandes (PL).

Na apuração deste domingo, o PL conseguiu nove das 24 vagas. Mas, se os votos de Jamilson forem computados, o partido perde uma vaga e a federação União Brasil/PP fica com ela.

Candidatura barrada

Na última sexta-feira (2), o ministro Sebastião Reis Júnior,  o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrou a candidatura de Jamilson, atendendo pedido da Procuradoria-Regional Eleitoral e reverteu decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MS) que havia autorizado o registro por 5 a 1. 

Ele acatou argumento de que Jamilson tem envolvimento com o grupo criminoso investigado na Operação Omertà, na qual o deputado foi condenado em primeiro grau a oito anos de reclusão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, com o reconhecimento expresso de que exercia “função de comando ou liderança” na estrutura delitiva.

A representação do Ministério Público Eleitoral (MPE), que se baseou em decisões judiciais da Justiça Estadual, indica que, após a prisão das lideranças originárias do grupo, seu pai, Jamil Name (que morreu em 27 de junho de 2021 no presídio federal de Mossoró, RN), e seu irmão, Jamil Name Filho, o parlamentar assumiu “posição de maior proeminência no núcleo responsável pela exploração do jogo do bicho”. 

A partir desse momento, segundo a representação, o deputado passou a chefiar o segmento encarregado da geração de receitas ilícitas, gestão de caixa e dissimulação patrimonial, garantindo a estabilidade e a continuidade econômica do grupo.

Mandatos

Jamilson Name foi eleito pela primeira vez em 2018 e está concluindo seu segundo mandato consecutivo de deputado estadual. Inicialmente foi eleito pelo PDT e na sequência, pelo PSDB. Na primeira disputa, obteve 33.870 votos, ficando em terceiro lugar entre os mais bem colocados. Quatro anos depois, obteve 43.435 votos, o que lhe garantiu a quarta colocação.  Agora, com os 35,2 mil votos, ficou em 12º lugar.

MANDATO 2027-2030

Riedel e Barbosinha tomarão posse em 6 de janeiro

Diferentemente de outros anos, posse não ocorrerá mais em 1° de janeiro

08/10/2026 08h35

Barbosinha e Riedel em coletiva de imprensa

Barbosinha e Riedel em coletiva de imprensa GERSON OLIVEIRA

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Governador reeleito Eduardo Riedel e seu vice José Carlos Barbosa vão tomar posse novamente em 6 de janeiro de 2027, quarta-feira, na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), localizada no Parque dos Poderes, em Campo Grande.

Eles assumirão mais um mandato de quatro anos (2027-2030). Ao todo, ficarão oito anos no poder executivo estadual, de 2023 a 2030. Isto significa que nas eleições gerais de 2030, Riedel não poderá mais concorrer ao cargo de governador.

Diferentemente de outros anos, a posse não ocorrerá mais em 1° de janeiro. O motivo da mudança de data é evitar que o dia coincida com as festas de fim de ano (revéillon), quando muitas pessoas estão viajando ou comemorando com família e amigos.

Com isso, pela primeira vez, a posse de governadores e vice ocorrerá simultaneamente em 6 de janeiro em todos os estados brasileiros.

A posse do presidente da República acontecerá um dia antes, em 5 de janeiro, terça-feira. A diplomação dos candidatos eleitos ocorrerá em 18 de dezembro de 2026.

Em 26 de novembro de 2025, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul aprovou a mudança na data da posse para governador, com a justificativa de que a Casa de Leis deve adotar o princípio de simetria, que determina que estados e municípios adotem normas equivalentes às previstas na Constituição Federal.

O Projeto de Emenda Constitucional é de autoria do deputado Zé Teixeira e coautoria de Gerson Claro, Gleice Jane, Lia Nogueira, Caravina, Junior Mochi, Marcio Fernandes, Paulo Corrêa, Paulo Duarte, Pedro Kemp e Zeca do PT.

A posse dos deputados estaduais eleitos será em fevereiro de 2027.

ELEIÇÕES 2026

Eduardo Riedel (PP) foi reeleito governador de Mato Grosso do Sul, no primeiro turno, por mais quatro anos. Ele recebeu 914.323 votos (67,07%).

O ex-deputado federal Fábio Trad (PT) terminou a disputa em segundo lugar, com 322.807 votos (23,68%). O deputado estadual João Henrique Catan (Novo) ficou em terceiro 98.677 votos (7,24%).

A vantagem de Riedel sobre o candidato petista foi de 43,39 pontos porcentuais e 591.516 votos.

Após a vitória, o governador agradeceu a confiança dos eleitores e o empenho da equipe. "Obrigado, Mato Grosso do Sul! Juntos, nós fizemos história", disse o chefe do executivo estadual em suas redes sociais.

 

 

ANÁLISE ELEITORAL

Resultado das urnas no 1º turno validou pesquisa IPR/Correio do Estado

Para o diretor do Instituto, o levantamento acertou os resultados para o governo do Estado e para o Senado

08/10/2026 08h00

O diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, destacou o acerto da pesquisa em relação às urnas

O diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, destacou o acerto da pesquisa em relação às urnas Foto: Gerson Oliveira

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O resultado das urnas no primeiro turno das eleições gerais em Mato Grosso do Sul validou as tendências apontadas pela última pesquisa do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR), contratada pelo Correio do Estado, publicada no dia 2, antevéspera do pleito, para o governo do Estado e para as duas cadeiras no Senado.

Segundo Aruaque Fressato Barbosa, diretor do IPR, o levantamento indicou a reeleição do governador Eduardo Riedel (PP) e as vitórias do ex-governador Reinaldo Azambuja e do ex-deputado estadual Capitão Contar, ambos do PL, para as duas cadeiras do Estado na Câmara Alta.

Ao comparar os levantamentos do IPR/Correio do Estado com os resultados eleitorais, ele apontou a disputa pelo governo como a principal confirmação das tendências identificadas durante a campanha.

Na última pesquisa, Riedel apareceu com 66,84% dos votos válidos e, conforme os números apresentados pelo diretor do instituto, terminou a eleição com 67,1%.

“Riedel chegou à reta final já consolidado. Esteve perto de metade do eleitorado em todas as ondas do IPR desde março, liderava em todas as regiões do Estado e tinha a menor rejeição da disputa, 4,3%”, recordou.

Já com relação à eleição para o Senado, o diretor do IPR lembrou que a ordem apontada pelos levantamentos também foi confirmada pelas urnas, com Azambuja à frente de Capitão Contar.

“Na pesquisa publicada no dia 2 de outubro, eles apareceram, respectivamente, com 35,35% e 31,19%, considerando apenas os votos válidos, enquanto nas urnas o ex-governador fez 34,64% e o ex-deputado estadual obteve 32,82%”, citou.

DIREITA FORTALECIDA

Para o diretor do IPR, o perfil conservador do eleitor sul-mato-grossense antecede o fortalecimento do PL, pois o levantamento mostrou que 33,4% dos entrevistados se declararam de direita ou centro-direita, proporção equivalente ao dobro daqueles que se identificaram com a esquerda.

“O que mudou foi o veículo. O PL passou a reunir as principais lideranças desse campo, elegeu os dois senadores e a maior bancada da Assembleia [Legislativa de Mato Grosso do Sul]. Se essa força vai durar depende de o partido manter essas lideranças e entregar resultados”, afirmou.

Aruaque também distingue a identificação com a direita do apoio direto ao bolsonarismo. Na pesquisa citada pelo entrevistado, 13,3% se disseram bolsonaristas, enquanto 24,6% afirmaram não ser bolsonaristas, mas preferir as ideias da direita.

Na avaliação dele, essa parcela tem ligação com o agronegócio, o interior e a avaliação de gestão, o que ajuda a explicar o desempenho de Riedel e Azambuja. “A liderança nacional mobiliza, mas a base da direita no Estado tem vida própria”, falou.

Ainda de acordo com o diretor do IPR, a capacidade de alcançar eleitores de diferentes posições políticas favoreceu o governador. Os levantamentos indicavam que, entre os eleitores de Riedel, 61% declaravam voto em Flávio Bolsonaro (PL) e 22% em Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Para ele, isso explica por que a vitória expressiva do governador, apoiado por uma aliança ampla, ocorreu ao mesmo tempo que o crescimento de candidatos mais identificados com a direita.

“Riedel funcionou como ponte e o PL como identidade. Ele somou a direita a uma parte do centro e da esquerda que aprova a gestão. Os candidatos mais ideológicos mobilizaram a base engajada”, analisou.

Aruaque também avaliou que o elevado número de pessoas que não mencionavam candidatos na pesquisa espontânea não representava, necessariamente, ausência de preferência.

“Cerca de 70% não citavam nenhum nome para governador, mas a votação acompanhou o cenário apresentado na pesquisa estimulada”, pontuou.

Na visão dele, o resultado demonstrou baixo envolvimento de parte do eleitorado com a campanha e concentração dos votos nas candidaturas consolidadas.

No campo da oposição ao governo do Estado, Aruaque destacou a votação do ex-deputado federal Fábio Trad (PT) e o esvaziamento das alternativas intermediárias.

Em sua análise, o resultado das urnas combina aprovação da gestão do governador, fortalecimento de lideranças estaduais e crescimento do PL.

Aruaque afirmou que a reeleição de Riedel, a conquista das duas vagas do Senado por Azambuja e Contar, a formação da maior bancada da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) pelo PL, bem como o fato de o partido obter três vagas na Câmara dos Deputados, ampliaram a concentração de poder desse campo político.

“É uma intensificação que muda de escala. A novidade é a concentração: o mesmo campo venceu para presidente no Estado, governo, as duas vagas do Senado e a maior bancada da Assembleia. Isso abre um ciclo em que a disputa principal deixa de ser entre direita e esquerda e passa a acontecer dentro do próprio campo da direita”, analisou.

FORÇA DO PL

Apesar da mesma filiação partidária, ele identifica diferenças entre os eleitorados. Contar teria recebido um voto mais ideológico, concentrado entre apoiadores de Flávio Bolsonaro, enquanto Azambuja alcançou um público mais amplo, inclusive eleitores de Lula.

Na Alems, a bancada de nove deputados do PL deverá ter papel central na relação com o Executivo a partir de 2027. Aruaque considera que Riedel terá condições favoráveis para aprovar a sua agenda, mas precisará negociar com uma força partidária maior que a de sua sigla.

“A tendência é de parceria com mais cobrança, e de um debate que acontece dentro da própria base, já de olho em 2030”, projetou.

O diretor do IPR avalia que o partido tentará transformar o desempenho estadual em conquistas municipais em 2028. Para a sucessão de Riedel, em 2030, a tendência apontada por ele é de uma disputa entre diferentes lideranças da direita.

“A pergunta não é se a direita será competitiva, e sim qual direita”, afirmou, ressaltando que os resultados permitem identificar tendências, mas não antecipar o desfecho do próximo pleito.

SEGUNDO TURNO

Na disputa presidencial, a principal surpresa para o instituto foi a intensidade do crescimento de Flávio Bolsonaro na reta final em MS.

Segundo Aruaque, o candidato passou de 52,5% dos votos válidos na última pesquisa para 58,6% nas urnas.
Ele atribui o movimento ao voto útil, à decisão dos indecisos e à abstenção de 23,8%.

Na análise do entrevistado, a ausência foi maior entre eleitores de menor renda, segmento em que Lula apresentava mais força. “A pesquisa mostrou a direção; a urna mostrou a intensidade”, declarou.

Para o segundo turno, Aruaque considera que a rejeição e a capacidade de levar os eleitores às urnas terão peso decisivo. 

Ele adverte que os votos dos candidatos eliminados não são transferidos automaticamente aos dois finalistas.
“No segundo turno o eleitor passa a escolher entre duas opções, muitas vezes por quem rejeita menos. Os eliminados somaram cerca de 8% dos válidos no País, e esse eleitor vai se dividir, anular ou não comparecer”, explicou.

Em MS, os índices de rejeição apresentados pelo diretor do IPR eram de 41,3% para Lula e 29,2% para Flávio. 

Para Aruaque, reduzir a resistência ao próprio nome será fundamental para ampliar a votação. Os independentes também devem ocupar o centro das estratégias. 

Segundo ele, 26,3% dos entrevistados se declararam independentes, grupo que tende a decidir com base na economia, no cotidiano e na rejeição aos candidatos.

Aruaque avalia que as campanhas precisarão combinar mobilização das bases com propostas capazes de alcançar o centro, especialmente em temas como custo de vida, segurança e serviços públicos.

Nesse cenário, o apoio de governadores, senadores e deputados tem alcance limitado para transferir votos, mas pode contribuir para reduzir a abstenção.

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