Política

PENA BRANDA

Justiça Federal condena pecuarista e delator da Lama Asfáltica

Ivanildo Miranda foi sentenciado por comprar avião nos EUA com dinheiro de propina paga por JBS

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O pecuarista Ivanildo da Cunha Miranda, por ter agido como delator na Lama Asfáltica, uma das maiores operações da Polícia Federal que investigou esquema de corrupção com envolvimento do governo de Mato Grosso do Sul, período administrado pelo ex-governador André Puccinelli, do MDB (2007-2014), teve uma pena branda, leve, aplicada pelo juiz Bruno Cezar da Cunha Teixeira, da 3ª Vara Federal de Campo Grande. Miranda foi sentenciado a um ano de reclusão, em regime aberto, por evasão divisas. 

De acordo com a condenação, o pecuarista, com dinheiro da propina paga ao governo pelo frigorífico JBS, comprou um avião nos Estados Unidos da América. A empresa dava dinheiro ao governo e, em troca disso, recebia benefícios fiscais, ou seja, não pagava impostos estaduais. 

De acordo com a decisão anunciada pelo judiciário federal, nesta quinta-feira (31), a soma da propina, US$ 110 mil (hoje, em torno de R$ 544 mil), negociada por Miranda com o JBS, é parte do preço cobrado pelo avião no EUA, que teria custado U$ 200 mil ou, em torno de R$ 1 milhão. A compra foi fechada em julho de 2012, 11 anos atrás. 

De acordo com as investigações acerca da Lama Asfáltica, Ivanildo Miranda era quem recebia as propinas. Parte do negócio, como uma espécie de comissão, ia para o bolso dele. 

“Em seu depoimento à Polícia Federal, Ivanildo teria confirmado que pediu a Demilton [então executivo da JBS] que enviasse U$ 110 mil para a Fliers como parte do pagamento do avião Cessna PRI-MJ, importado dos EUA para o Brasil, com um custo total de U&S 210 mil”, diz trecho da decisão publicada nesta quinta. 

A justiça justifica a baixa pena aplicada contra o réu: “aduz que os crimes objeto da ação penal não foram relatados em sua plenitude pelo acusado em seu acordo com de colaboração premiada, de modo que não faz jus à concessão do perdão judicial. Por outro lado, considera relevante a eficácia da colaboração premiada para o descortinamento de crimes outros investigados no bojo da operação Lama Asfáltica, de modo que entende cabível a redução de metade da pena privativa de liberdade eventualmente aplicada”. 

HISTÓRICO 

A Lama Asfáltica, operação da Polícia Federal (PF) deflagrada em julho de 2015, foi suspensa em dezembro de 2021, seis anos e meio depois, ressurgiu em junho do ano passado, por determinação da Justiça Federal.   

A ofensiva policial havia desarticulado uma organização criminosa, segundo a PF, que teria desviado recursos públicos por meio de licitações supostamente fraudadas e superfaturamento em obras tocadas pelo governo de Mato Grosso do Sul nas gestões de André Puccinelli (MDB), que foram de 2007 a 2014. 

A Lama Asfáltica, inclusive, pôs na cadeia, em julho de 2018, o ex-governador, que, ano passado, concorreu, mas perdeu a disputa por um terceiro mandato. Investigadores do caso, para justificarem o pedido de prisão, afirmaram que Puccinelli chefiava um esquema de corrupção. O ex-governador e o filho André Júnior ficaram encarcerados por cinco meses. 

Ocorre que, em dezembro de 2021, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou o afastamento do juiz da 3ª Vara Federal de Campo Grande Bruno Cezar da Cunha Teixeira, que condenou Ivanildo, então magistrado que tocava as ações penais e os inquéritos da Lama Asfáltica.   

A corte entendeu que Teixeira estaria agindo de maneira parcial no processo. Ou seja, com a decisão do TRF-3, caíram a zero as investigações contra o ex-governador e o filho. No entanto, o tribunal mandou substituir o “juiz suspeito”, segundo sua interpretação. 

SAIBA 

Quando foi preso, em julho de 2018, Puccinelli estava em pré-campanha para concorrer novamente ao governo do Estado. À época, o partido chegou a manter a pré-candidatura, mas teve de recuar diante das recusas da Justiça aos pedidos de soltura.  

A convenção partidária que o coroaria candidato estava marcada para duas semanas depois da data da prisão. Seu nome chegou a ser substituído pelo da senadora Simone Tebet (MDB), mas ela voltou atrás.  

Às pressas, quem encabeçou a chapa emedebista foi o então presidente da Assembleia Legislativa, deputado Junior Mochi, que acabou por não chegar ao segundo turno. 

 

 

Amparo político

Prefeito de Porto Murtinho fecha apoio com Vander Loubet, sobrinho de rival histórico

Cintra está em seu quarto mandato à frente do município e carrega um histórico de duelos acirrados com Heitor Miranda, tio de Vander

24/08/2026 14h30

Cintra ao lado de Vander Loubet / Foto: Reprodução

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O prefeito de Porto Murtinho, Nelson Cintra (PSDB), anunciou oficialmente o apoio à pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) ao Senado para as Eleições 2026.

O movimento sela uma aliança entre o tucano com o sobrinho de seu maior rival histórico na política local, Heitor Miranda, irmão do deputado Zeca do PT.

A articulação faz parte de uma estratégia de Vander que já atraiu mais de 40 prefeitos bolsonaristas e de centro em Mato Grosso do Sul, consolidando a adesão de Vander em bases aliadas à direita no estado. A declaração foi firmada pelo prefeito neste fim de semana, após visita de Vander ao município.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Nelson Cintra justificou a decisão com base na identificação regional do parlamentar petista e na longa convivência entre os dois.

“Temos uma história de 49 anos juntos, Vander trabalhou no banco, é deputado e é filho dessa terra. Nós desejamos boa sorte e queremos você como nosso Senador”, declarou o prefeito tucano.

Cintra está em seu quarto mandato à frente do município e carrega um histórico de duelos acirrados com Heitor Miranda (irmão de Zeca do PT e tio de Vander), que governou a cidade entre 1989 e 1992.

O ápice do embate ocorreu na eleição municipal de 2008, quando Cintra venceu Heitor por uma margem de apenas 12 votos, feito que culminou uma batalha jurídica com dezenas de ações por compra de voto e uso da máquina pública.

No pleito seguinte, Cintra apoiou Rosângela Baptista, que venceu Heitor por 83 votos, mas acabou cassada pela Justiça Eleitoral, permitindo o retorno do rival petista ao cargo em 2013. Heitor Miranda seguiu à frente do município até 2016 e faleceu em 2022 em virtude de problemas cardíacos. 

A adesão tucana expõe a eficácia da tática de Vander Loubet para capturar o segundo voto ao Senado junto aos gestores municipais em 2026.

O petista avança sobre prefeitos da base do governador Eduardo Riedel (PP) e do ex-governador Reinaldo Azambuja (PL). 

A estratégia ganhou força após o recuo de Nelsinho Trad (PSD), que abriu mão da disputa para figurar como primeiro-suplente na chapa de Azambuja.

Além de Cintra, o prefeito de Ivinhema Juliano Ferro (PL), mesmo no partido de Azambuja e do ex-candidato Capitão Contar, anunciou voto casado em Azambuja e Vander Loubet.

Julio Buguelo (PSD), de Glória de Dourados e correligionário de Nelsinho Trad, declarou apoio à reeleição de Riedel e dividirá seus votos para o Senado entre Azambuja e Vander.

O petista também somou apoios expressivos em Jateí, por meio do vice-prefeito Tiquinho, e do vereador Marquinhos Trad em Campo Grande.

HORÁRIO ELEITORAL

Eduardo Riedel exalta gestão e Fábio Trad prega avanços em MS

Governador levará indicadores econômicos, sociais e fiscais à TV, enquanto petista priorizará saúde, educação e segurança pública

24/08/2026 07h45

Governador Eduardo Riedel (PP) e o ex-deputado Fábio Trad (PT)

Governador Eduardo Riedel (PP) e o ex-deputado Fábio Trad (PT) Foto: Montagem

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A disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul ganhará espaço no rádio e na televisão a partir desta sexta-feira, com o início do horário eleitoral gratuito. 

O Correio do Estado apurou que, de um lado, o governador Eduardo Riedel (PP), candidato à reeleição, pretende transformar os indicadores econômicos, sociais e fiscais em uma vitrine de sua administração. 

Do outro, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) apostará nas deficiências dos serviços públicos e na mensagem de que Mato Grosso do Sul “pode muito mais”.

As estratégias revelam caminhos distintos para a abertura do horário eleitoral, pois, enquanto Riedel buscará transformar a eleição em um julgamento positivo de sua gestão, Fábio tentará levar o debate à qualidade dos serviços públicos e à distribuição dos resultados econômicos entre a população.

TRÊS EIXOS

A estratégia de Riedel será dividida em três eixos. O primeiro, chamado de “progresso”, apresentará dados sobre crescimento econômico, atração de investimentos privados, qualificação profissional, expansão da indústria e competitividade tributária.

Entre os números que serão utilizados pela campanha está o crescimento de 5,3% do Produto Interno Bruto (PIB) de Mato Grosso do Sul em 2025, pois, conforme o material preparado para a propaganda, o resultado colocou o Estado na terceira posição nacional e ficou acima do dobro da média brasileira.

No campo social, a campanha adotará o conceito “sem deixar ninguém para trás”. A intenção é de sustentar que o avanço econômico registrado no Estado chegou às famílias de menor renda e abriu oportunidades para diferentes camadas da população.

Riedel destacará que Mato Grosso do Sul ocupa a primeira posição nacional em mobilidade social, indicador relacionado às possibilidades de os filhos alcançarem condições de vida melhores que as dos pais.

A propaganda ainda deve mencionar a garantia de alimentação regular para mais de 67 mil famílias e os resultados alcançados na vacinação infantil, área na qual Mato Grosso do Sul recebeu avaliação máxima e passou a ser apresentado como referência nacional.

O terceiro eixo será dedicado à gestão administrativa. A campanha pretende ressaltar que o Estado conquistou nota A do Tesouro Nacional em qualidade fiscal pelo quarto ano consecutivo, sendo o único do País a manter essa avaliação durante todo o período.

Também serão explorados o Selo Diamante em Transparência Pública, concedido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), e a presença de Mato Grosso do Sul entre os 10 estados mais digitais do País.

ADVERSÁRIO

Na oposição, Fábio Trad pretende concentrar os primeiros programas nos problemas enfrentados pela população em áreas consideradas essenciais.

Saúde, educação, segurança pública, emprego e renda, infraestrutura e desenvolvimento dos municípios do interior estarão entre os principais assuntos da campanha petista.

A ideia central será discutir formas de melhorar a qualidade dos serviços públicos e ampliar as oportunidades para quem vive e trabalha em Mato Grosso do Sul.

Fábio tentará defender que o crescimento econômico do Estado precisa ser percebido de maneira mais concreta na vida da população.

Com a mensagem de que “Mato Grosso do Sul pode muito mais”, o candidato deve questionar se os indicadores apresentados pelo governo correspondem à realidade enfrentada diariamente pelos moradores nos postos de saúde, nas escolas, nas ruas e na busca por emprego.

Os primeiros programas também terão a missão de apresentar Fábio a uma parcela do eleitorado. A campanha contará sua trajetória pessoal, a carreira como advogado e a experiência adquirida nos mandatos na Câmara dos Deputados.

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