Política

Tribunal de contas

Kayatt é nome de consenso para evitar disputa entre Jerson e Chadid

Novo presidente será escolhido em sessão especial marcada para ocorrer no dia 16 de dezembro

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No dia 16 de dezembro, a partir das 10 horas, no Plenário Celina Martins Jallad, o Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) terá uma sessão especial para definir o novo presidente da Corte de Contas para o biênio 2023/2024 em substituição do conselheiro Iran Coelho das Neves, que está no comando da Corte de Contas desde 2019, ou seja, por dois mandatos.

Conforme fontes ouvidas pela reportagem do Correio do Estado, o nome de consenso seria do conselheiro Flávio Kayatt, para evitar uma disputa entre os conselheiros Jerson Domingos e Ronaldo Chadid.

Ex-prefeito e ex-vereador de Ponta Porã, Flávio Kayatt, que também foi deputado estadual por três mandatos, está no TCE-MS desde 2017 e, nesses cinco anos, já chegou à vice-presidência da Corte de Contas.

Em conversa com o Correio do Estado, o conselheiro garantiu que, no momento, a Corte de Contas está trabalhando para que o consenso prevaleça. 

“Temos praticamente nove dias para a formação de uma chapa de consenso, quando procuraremos, de uma forma coletiva, a continuidade da harmonia dentro da nossa instituição”, reforçou, informando que nesta quarta-feira (07) foi realizada uma reunião com os sete conselheiros que compõem o TCE-MS, porém o quadro não mudou, ou seja, continua sem consenso.

“Temos apenas nove dias para definir a questão do novo presidente do TCE-MS, pois as tratativas só começaram com o lançamento do edital publicado no dia 29 de novembro. Acredito que da próxima semana não passa”, brincou o conselheiro, referindo-se ao fato de que a eleição está marcada para o dia 16 de dezembro.

Questionado pela reportagem se aceitaria ser o nome de consenso para apaziguar os ânimos dentro da Corte de Contas, Flávio Kayatt afirmou que só assumiria a presidência se for o desejo de todos. “Não sou candidato de mim mesmo. Quero escutar todos os conselheiros primeiro para depois tomar uma decisão. Não quero o tribunal dividido”, assegurou.

Jerson Domingos

Com sete anos no TCE-MS, o conselheiro Jerson Domingos, atual vice-presidente, leva uma certa vantagem sobre Ronaldo Chadid para assumir a presidência da Corte de Contas em razão da larga experiência adquirida nos anos em que atuou na Assembleia Legislativa, onde chegou a presidir a Casa de Leis.

Além disso, em razão de já ter 72 anos de idade, essa será a sua última chance de presidir o tribunal, pois, conforme a Emenda Constitucional nº 88, resultante da chamada PEC da Bengala, 75 anos é a idade limite para a aposentadoria compulsória, impossibilitando que ele tente o cargo novamente no fim de 2024.

Procurado pela reportagem, Jerson Domingos confirmou que é candidato a presidente do TCE e até chegou a brincar com o fato de já estar perto de se aposentar em decorrência da PEC da Bengala. 

“Mais um motivo para que eu seja o escolhido para que possa encerrar meu mandato na Corte de Contas tendo no currículo a presidência. Estou à disposição para contribuir com o crescimento do tribunal, respeitando a sociedade sul-mato-grossense, que cobra um comprometimento de quem ocupa um cargo público”, declarou.

Na avaliação dele, os sete conselheiros do TCE estão aptos a presidir a Corte de Contas, pois todos reúnem as condições necessárias para a função, porém, antes de externar esse desejo, seria bom olhar para o lado de fora, entender o momento atual em que a sociedade cobra e pede um bom serviço. 

“A vaidade tem de ficar de lado, e o respeito ao cidadão tem de ser prioridade”, pontuou, concluindo que é candidato e espera que até segunda-feira (12) tudo esteja esclarecido sobre o nome de consenso para presidir o TCE-MS. “O importante é a preservação da imagem do Tribunal”, garantiu.

Ronaldo Chadid

O outro postulante ao cargo de presidente do TCE-MS é o conselheiro Ronaldo Chadid, que está no 4º mandato de corregedor-geral e já foi duas vezes vice-presidente. 

Fontes ouvidas pela reportagem informaram que ele também tenta obter o apoio dos outros seis conselheiros para assumir o cargo, mas, por enquanto, seria a terceira via. Os demais integrantes da Corte de Contas de Mato Grosso do Sul são os conselheiros Waldir Neves, Osmar Jeronymo, Marcio Monteiro e Waldir Neves, que já foi presidente por dois mandatos.

A reportagem também ouviu o conselheiro Waldir Neves, mas ele disse ao Correio do Estado que não é nem pretende ser candidato a presidente do TCE-MS. 

“Não sou candidato, estou apenas acompanhando o desenrolar do processo. Sou apenas um eleitor dentro desse contexto”, assegurou, deixando transparecer que os 13 anos na Corte de Contas e o fato de ter sido presidente por dois mandatos, de 2015 a 2018, já foram suficientes.

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análise

Especialistas dizem que veto a Messias ao STF vai impactar as eleições em MS

O advogado-geral da União precisava de ao menos 41 votos favoráveis para ser aprovado, mas recebeu 42 contra e apenas 34 a favor

01/05/2026 08h01

Jorge Rodrigo Araújo Messias na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado

Jorge Rodrigo Araújo Messias na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado Reprodução/Agência Senado/Carlos Moura

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A rejeição do nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) pelo Senado deve intensificar a polarização política e provocar reflexos nas eleições gerais deste ano em Mato Grosso do Sul.

Na avaliação dos cientistas políticos Tércio Albuquerque e Daniel Miranda, o episódio tende a ser explorado nos discursos dos pré-candidatos e também nas narrativas ideológicas.

Entretanto, eles reforçaram que, como o fato está distante do cotidiano da maioria dos eleitores sul-mato-grossenses, deve ter um impacto moderado no cenário eleitoral de MS.

Para Tércio Albuquerque, a rejeição de Messias deve intensificar a polarização política e gerar reflexos no cenário eleitoral estadual, embora sem impacto decisivo sobre o voto do eleitor. 

Segundo ele, o episódio será interpretado principalmente sob uma ótica ideológica. “O eleitor de Mato Grosso do Sul tende a enxergar essa rejeição muito mais dentro de uma lógica de polarização. A crise entre esquerda e direita acaba sendo alimentada por situações como essa, reforçando esse ambiente político já dividido”, disse.

O cientista político destaca ainda que o episódio será explorado por pré-candidatos nas eleições deste ano. De um lado, aliados do governo devem sustentar o argumento de que a decisão do Senado demonstra o funcionamento das instituições democráticas. Já a oposição tende a tratar o caso como resultado de articulações políticas, buscando desgastar o governo federal.

“Vai haver uma repercussão significativa no discurso político. Tanto situação quanto oposição vão utilizar esse fato para fortalecer suas posições”, pontuou. 

LIMITADO

Daniel Miranda também analisou que o fato tende a ter efeitos mais institucionais que eleitorais, com impacto limitado sobre o comportamento do eleitor em MS.

De acordo com ele, o episódio não altera de forma significativa o cenário das eleições. “A rejeição de Messias pelo Senado é histórica, mas, a princípio, não tem impacto direto nas eleições ou nos posicionamentos dos pré-candidatos, pois essas posições já eram conhecidas de antemão”, afirmou.

"Vai haver uma repercussão significativa no discurso político. Tanto situação quanto oposição vão utilizar esse fato para fortalecer suas posições" - Tércio Albuquerque, analisando a repercussão 

 

O professor acrescentou que o tema também está distante da maioria do eleitorado. “Grande parte das pessoas não está acompanhando esse processo de perto, até porque ele é distante do cotidiano da população”, disse.

Apesar do baixo impacto eleitoral, o cientista político destaca que a decisão agrava o ambiente político em Brasília. “O episódio aprofunda a tensão institucional. As relações entre o Congresso e o governo de Lula já vinham marcadas por distanciamento e, em alguns momentos, conflitos”, falou.

Miranda observou que a dinâmica política no Legislativo contribuiu para esse cenário. Ele citou a atuação do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), como um agente de fortalecimento da Casa de Leis, frequentemente em desacordo com o Executivo. 

“A Câmara, majoritariamente composta por forças de centro e direita, tem adotado posições contrárias às preferências do governo, sem que este tenha tido muita capacidade de reação”, explicou. 

No Senado, conforme Miranda, o governo encontrava um ambiente mais favorável, situação que mudou com a recente derrota. 

“O Senado funcionava como um espaço de suporte institucional para o governo, capaz de barrar ou amenizar derrotas vindas da Câmara. Isso acabou”, afirmou.

 

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Senado

Michelle Bolsonaro comemora rejeição de Messias no Senado: 'Justiça de Deus foi feita'

Messias foi o nome com maior resistência aberta nos últimos 120 anos para tentar chegar ao STF

30/04/2026 21h00

Michelle Bolsonaro, ex-primeira dama

Michelle Bolsonaro, ex-primeira dama Foto: Reprodução X

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A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro comemorou na quarta-feira, 29, a rejeição da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Em rede social, a presidente nacional do PL Mulher compartilhou uma publicação do senador Marcio Bittar (PL-AC) sobre o resultado da votação e comentou que a "justiça de Deus foi feita".

O indicado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve 34 votos a favor e 42 votos contrários no plenário do Senado Federal. Eram necessários pelo menos 41 votos dos 81 senadores para que ele fosse aprovado. Com a rejeição, a indicação foi arquivada.

Messias foi o nome com maior resistência aberta nos últimos 120 anos para tentar chegar ao STF. A formalização da indicação ocorreu em abril deste ano, mais de quatro meses após Lula ter anunciado a escolha, em novembro de 2025.

Os bolsonaristas acreditam que a rejeição do advogado-geral da União é uma demonstração de fragilidade do governo do presidente Lula.

"A oposição se uniu, enfrentou a pressão e mostrou que ainda existe quem vote com convicção e não se curve", escreveu o senador Marcio Bittar na publicação compartilhada pela ex-primeira-dama.

Enteado de Michelle, o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que essa foi uma vitória da oposição, mas evitou relacionar o resultado às eleições de 2026.

"Não estou comemorando nada, mas é uma vitória da oposição. É histórico e é um bom sinal de que a democracia pode voltar a respirar. Ninguém nunca tentou dar golpe de nada, a gente só queria que as instituições respeitassem os seus limites", disse após a votação.

A candidatura de Messias, que é evangélico, foi apoiada publicamente por pastores e outros religiosos e conservadores de diversas denominações. O ministro do STF André Mendonça declarou apoio a ele e escreveu nesta quarta-feira após a rejeição que o País perdeu um grande ministro.

Messias se tornou alvo da descontentamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), com a decisão de Lula de não indicar o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para a vaga do Supremo.

Lula anunciou Messias como seu escolhido em novembro do ano passado, mas só oficializou o envio do nome a Senado em abril deste ano por causa da "guerra fria" com Alcolumbre, que ameaçava nos bastidores rejeitar o nome do Palácio do Planalto. Após a votação no Senado, Messias indicou ressentimento pelo resultado.

"Passei por cinco meses de um processo de desconstrução da minha imagem. Toda sorte de mentira para me desconstruir ocorreu. Nós sabemos quem promoveu tudo isso", afirmou, sem citar diretamente o nome de Alcolumbre.

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