Política

Protesto

Lei que isenta governo de pagar direito autoral gera protesto de artistas

O PL 3968/97 propõe que entidades filantrópicas e órgãos públicos possam usar obras musicais em eventos sem precisar pagar direitos autorais, como acontece atualmente

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Um projeto de lei de mais de 20 anos que propõe mudanças na lei de direitos autorais brasileira voltou à pauta da Câmara nesta semana, levando a uma reação de artistas e entidades dos setores de música, audiovisual e editorial.


O PL 3968/97 propõe que entidades filantrópicas e órgãos públicos possam usar obras musicais em eventos sem precisar pagar direitos autorais, como acontece atualmente. A proposta, apresentada em dezembro de 1997 pelo ex-deputado Serafim Venzon, traz a justificativa de que órgãos públicos e entidades filantrópicas possuem missão social e não têm fins lucrativos e que a dispensa de pagamento de direitos autorais por eles "representa um diminuto retorno dos autores à proteção vitalícia que recebem do Estado".


A votação do projeto estava prevista para a última terça-feira (22), após um pedido de que fosse apreciado em regime de urgência, o que permite que a proposta vá imediatamente para o plenário, sem passar pelas comissões temáticas permanentes.


O deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que requereu a retirada do PL da pauta, afirma que o tema precisa de mais debate. Ele defende um regime especial de pagamento de direitos autorais por órgãos públicos que fortaleça os grandes eventos, mas preserve os direitos dos artistas. "Um projeto dessa natureza tem que ser discutido com a classe artística. O regime de urgência não é adequado", disse à reportagem.


Na carta enviada à Câmara, as entidades do setor afirmam que, caso aprovado, o projeto causaria prejuízo a milhares de compositores e artistas.


O grupo, que inclui a ANJ (Associação Nacional de Jornais), o Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), a Associação Brasileira de Cineastas, a Abpi (Associação Brasileira da Propriedade Intelectual) e outras 30 organizações, afirma ser contrário à deliberação "de forma açodada" das mudanças na lei, "sem o devido debate com as os setores representativos baseados em direitos autorais".


"A adoção do regime de urgência, aprovado em 2022, para um PL que vem tramitando na Casa desde 1997 já denota a singularidade da questão, que mereceria contribuições especializadas", diz o texto.


O documento lembra que estão em andamento duas outras propostas de reforma da Lei de Direitos Autorais –uma no Congresso Nacional e outra no âmbito do Poder Executivo– e pede que essas propostas também sejam discutidas com os setores representativos.


Artistas como Anitta, Caetano Veloso e Ivete Sangalo já se manifestaram publicamente contra o PL 3968/97 em outros momentos em que ele voltou à pauta. Em agosto de 2020, um grupo que incluía Milton Nascimento, Gilberto Gil, Djavan e Paula Fernandes gravou um vídeo protestando contra a proposta.

eleições 2026

Coligação de Lula aciona TSE contra Flávio por uso de perfis para impulsionar campanha

Equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis

20/09/2026 19h00

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A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) protocolou uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em que pede uma investigação judicial eleitoral sobre o suposto uso, pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), de collabs nas redes sociais para burlar às regras de recomendação de propaganda eleitoral e monetizar conteúdos.

Segundo a petição, a equipe de monitoramento de redes da campanha de Lula mapeou 1.826 publicações no Instagram em coautoria entre 492 perfis. A maior parte delas ocorreu em um espaço de dez dias e repetiu o mesmo conjunto de coautores.

Parte das páginas utilizaria links para venda de produtos relacionados à campanha. Um dos casos é o de um boné com número 22. Segundo o documento, doze perfis com mais de 10 milhões de seguidores somados direcionam o público a mesma loja na Shoppe com o produto.

A coligação de Lula argumenta que a situação caracteriza uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder econômico e político. Além de Flávio, a petição cita o deputado federal Alfredo Gaspar (PL), vice na chapa.

A petição pede liminar para que os registros sejam preservados pela Meta e da Shopee e que os responsáveis pelos perfis sejam identificados. Também solicita que os links de vendas sejam suspensos. Requer ainda a cassação do registro da chapa e a inelegibilidade dos investigados por oito anos.

Caixinha gorda

Lucas de Lima, Dione Hashioka e Gleice Jane lideram arrecadação de campanha por vaga na Alems

Grande parte da verba dos candidatos foi destinada pelo fundo eleitoral de seus respectivos partidos

20/09/2026 17h00

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka

Lucas de Lima, Gleice Jane e Dione Hashioka Fotos: Alems

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Lucas de Lima (PL), Dione Hashioka (União Brasil) e Gleice Jane (PT) concentram as maiores arrecadações entre os candidatos a deputado estadual de Mato Grosso do Sul nas eleições de 2026.

Conforme a Justiça eleitoral, o trio é quem mais recebeu dinheiro para gastar na corrida pelas 24 cadeiras na Assembleia Legislativa do Estado.

Lucas declarou R$ 1.102.830,00 em recursos para a campanha, seguido por Dione, com R$ 1.093.660,00, e Gleice, que soma R$ 1.081.986,33.

Candidatos que mais receberam dinheiro para campanha deste ano

Lucas de Lima do Amor Sem Fim: R$ 1.102.830,00 PL
Dione Hashioka: R$ 1.093.660,00 UNIÃO
Professora Gleice Jane: R$ 1.081.986,33 PT
Barbara Resende: R$ 1.063.260,00 UNIÃO
Professor Marcelo Miranda: R$ 1.050.000,00 PP
Zé Teixeira: R$ 1.027.720,00 PL
Coronel David: R$ 1.007.120,00 PL
Marcio Fernandes: R$ 1.000.620,00 PL
Renato Câmara: R$ 986.079,29 Republicanos
Pedrossian Neto: R$ 979.400,00 Republicanos

Cabe destacar que os valores correspondem aos recursos declarados pelas campanhas neste domingo (4) e podem sofrer alterações conforme novas prestações de contas, ou doações sejam informadas à Justiça Eleitoral.

Lucas de Lima disputa a reeleição para a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e está em seu segundo mandato. Em 2022, foi eleito com 26.575 votos, mais que o dobro dos 12.391 votos obtidos na eleição de 2018.

Do total arrecadado por Lucas, R$ 1 milhão foi destinado pelo fundo de campanha do PL. O restante corresponde a doações de campanha. 

Dione Hashioka também retorna à disputa pela Alems após já ter exercido dois mandatos como deputada estadual. Em janeiro de 2023, reassumiu uma cadeira na Assembleia após a saída de Barbosinha, que deixou o Legislativo para assumir o cargo de vice-governador de Mato Grosso do Sul.

Dos recursos declarados por Dione, R$ 1,063 milhão é proveniente do fundo de campanha destinado pelo União Brasil.

Terceira colocada no levantamento, Gleice Jane foi eleita como primeira suplente do PT e assumiu uma cadeira na Assembleia em 2023, após o falecimento do deputado estadual Amarildo Cruz.

No caso de Gleice, R$ 1,035 milhão da arrecadação declarada é oriundo do fundo partidário destinado à campanha.

Barbara Resende, quarta colocada entre as maiores arrecadações, é filha do deputado federal Geraldo Resende. Os dois se filiaram ao União Brasil em março deste ano, após deixarem o PSDB. Assim como a filha, Geraldo Resende compõe o top-3 dos candidatos a deputado federal que mais receberam verba para utilizar na campanha deste ano. 

Ao todo, foram registradas 253 candidaturas para deputado estadual em Mato Grosso do Sul. Desse total, 31 candidatos disputam a eleição sem qualquer valor arrecadado, enquanto outros 104 declararam até R$ 50 mil em recursos para a campanha.

Cada candidato a deputado estadual pode gastar até R$ 1.270.629,01, conforme o limite informado para o cargo. O prazo para a realização da votação é 4 de outubro.

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