Política

Derrota do governo

Maioria dos parlamentares de MS ajudou a derrubar veto de Lula ao marco temporal

Apenas Camila Jara (PT), Vander Loubet (PT) e Dagoberto (PSDB) mantiveram o veto do presidente ao marco para a demarcação de terras indígenas

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Na bancada de Mato Grosso do Sul, cinco deputados federais votaram favoravelmente à derrubada do veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à lei federal que estabelecia o marco temporal das terras indígenas. 

Os deputados federais que foram favoráveis à manutenção do veto de Lula ao marco temporal foram seus correlionários Vander Loubet e Camila Jara, além de Dagoberto Nogueira. Os demais votaram pela derrubada: Beto Pereira (PSDB), Geraldo Resende (PSDB), Rodolfo Nogueira (PL), Marcos Pollon (PL) e Dr. Luiz Ovando (PP). 

Dentre os senadores, Nelsinho Trad (PSD), Tereza Cristina (PP) e Soraya Thronicke (Podemos) votaram pela derrubada do veto de Lula e estabelecimento do marco temporal. 

Câmara e Senado haviam aprovado projeto que definindo que só poderiam ser demarcas terras ocupadas por indígenas até a promulgação da Constituição em outubro de 1988. Lula vetou o texto.
Em setembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou inconstitucional a tese do marco temporal. O critério para demarcação de terras indígenas limitado a 1988 é defendido pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), a mais numerosa do Congresso, com mais de 300 parlamentares.

Dias depois da decisão do STF, o Senado aprovou o projeto para estabelecer o marco temporal. O texto já havia passado pela Câmara e foi para a sanção de Lula, que vetou o principal trecho do texto. Lula, seguindo orientação da Advocacia-Geral da União (AGU), também rejeitou a possibilidade de indenização aos proprietários de terras que eventualmente sejam declaradas como de direito dos indígenas e a proibição de ampliação das terras já demarcadas.

Paralisação

Em Mato Grosso do Sul, o estabelecimento de um marco temporal pode afetar terras indígenas em processo de demarcação. 

Entre as 16 áreas do Estado a terem o processo possivelmente paralisado, estão terras reivindicadas em Ponta Porã, Dourados, Caarapó, Japorã, Sete Quedas, Amambai, Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Iguatemi, Paranhos, Tacuru, Eldorado, Miranda, Rio Brilhante e Naviraí. Algumas dessas áreas reivindicadas têm território compreendido em mais de um município.

Crise entre poderes

O julgamento do marco temporal no STF foi o estopim para uma crise entre os Poderes. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), tido até então como aliado do Supremo, passou a defender publicamente a definição de mandatos com prazo fixo para os integrantes do Tribunal. O Senado chegou a aprovar uma PEC que limita as decisões monocráticas de magistrados da Corte.

O pano de fundo do atrito entre Judiciário e Legislativo ainda teve também o avanço, no STF, de julgamentos para descriminalizar o aborto até 12 semanas de gestação e legalizar o uso recreativo da maconha, com uma diferenciação entre usuário e traficante com base na quantidade da droga. Essas pautas foram aceleradas pela ex-ministra Rosa Weber, que se aposentou em setembro.

Os vetos de Lula, em geral, provocaram desconforto no Congresso. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), reclamou diretamente com Lula do descumprimento de acordos feitos entre Legislativo e Executivo durante a tramitação dos projetos.

STF ainda pode dar a última palavra

Apesar da derrubada do veto de Lula pelo Congresso, o STF ainda pode ser provocado para julgar o tema. Como o assunto foi objeto de decisão anterior da Corte, entidades de âmbito nacional e partidos políticos podem recorrer à Corte pedindo para que analise se a derrubada do veto fere a Constituição, dando ao STF o poder de dar a última palavra sobre o tema.

O que é marco temporal?

A tese do marco temporal é uma proposta de interpretação do artigo 231 da Constituição Federal e trata-se de uma espécie de linha de corte. A partir desse entendimento, que é defendido por ruralistas, uma terra indígena só poderia ser demarcada com a comprovação de que os indígenas estavam no local requerido na data da promulgação da Constituição, ou seja, no dia 5 de outubro de 1988. Quem estivesse fora da área nessa data ou chegasse depois desse dia, não teria direito a pedir sua demarcação.

ELEIÇÕES

'Mais Louco' ignora Contar e declara apoio ao petista Vander ao Senado

Juliano Ferro, prefeito de Ivinhema, anunciou que irá apoiar Vander Loubet e Reinaldo Azambuja para ocuparem as duas vagas do Senado Federal

13/08/2026 11h30

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Em vídeo publicado em sua rede social, nesta quarta-feira (12), o prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), o "Mais Louco do Brasil", declarou seu apoio político para dois candidatos ao Senado Federal em Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PL) e Vander Loubet (PT).

Apesar de ser de direita e apoiar um candidato da esquerda, mais especificamente do PT que é adversário direto do Partido Liberal, o qual faz parte, o prefeito explicou que a opção por Vander Loubet é por uma questão de proximidade.

"Nosso primeiro voto para o Senado é Reinaldo Azambuja, que fez um trabalho brilhante como governador do Estado, fazendo o sistema municipalista e ajudando os 79 municípios. Meu segundo apoio é para Vander Loubet, todo mundo sabe da minha proximidade com o Vander, já fiz três campanhas para ele e, ao longo desses seis anos como prefeito, foi um grande companheiro que nós tivemos aqui na Câmara dos Deputados Federal. E eu sempre falo aqui nas minhas redes sociais que queria ajudar quem ajudou a fazer Ivinhema melhor, quem ajudou a manter o nosso mandato no patamar que se encontra".

Além de anunciar seu apoio para as duas vagas ao Senado Federal, Juliano Ferro também disse que fará campanha para Flávio Bolsonaro (PL) ser o Presidente da República e para Eduardo Riedel (PL) continuar como governador do Estado.

"Também estarei junto com nosso governador Eduardo Riedel, estarei junto com nosso deputado estadual Zé Teixeira, a Mara Caseiro para deputada federal e também estarei fazendo a campanha para o nosso presidente Flávio Bolsonaro"

O apoio de Juliano Ferro ao candidato do Partido dos Trabalhadores também passa pela desistência de Nelsinho Trad a reeleição ao cargo de senador, no início do mês. Trad e Mais Louco possuem uma boa relação, tanto que o prefeito chegou a anunciar, em novembro de 2025, que apoiaria o parlamentar para as eleições deste ano.

A decisão do prefeito bolsonarista pode causar um abalo no cenário político em Mato Grosso do Sul. Nos comentários do vídeo, há seguidores do "Mais Louco" que se manifestaram contra a decisão de apoiar um petista.

ESTRATÉGIA ELEITORAL

Azambuja se aproxima de Michelle para conquistar voto da direita radical em MS

Ex-governador recebeu o apoio da ex-primeira-dama à chapa do PL e busca reforçar vínculo com eleitorado bolsonarista

13/08/2026 07h40

Reinaldo Azambuja e Michelle Bolsonaro no encontro em Brasília

Reinaldo Azambuja e Michelle Bolsonaro no encontro em Brasília Divulgação

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Focado no eleitorado da direita radical de Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja, candidato do PL ao Senado, avançou na aproximação com a ex-primeira-dama do Brasil Michelle Bolsonaro e recebeu dela uma sinalização pública de apoio à chapa do partido no Estado.

O movimento busca fortalecer a identificação dele com o bolsonarismo e encerrar as dúvidas provocadas pela antiga defesa da candidatura do deputado federal Marcos Pollon ao Senado.

Azambuja esteve em Brasília (DF) na terça-feira, onde participou da gravação de material para a campanha eleitoral ao lado do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República.

O encontro reuniu cerca de 20 candidatos ao Senado e teve a participação de Michelle, que vai concorrer pelo partido a uma das duas vagas de senadora pelo Distrito Federal.

Durante a conversa, Michelle demonstrou apoio à composição definida pelo PL em Mato Grosso do Sul e afirmou que a escolha também agradou ao ex-presidente da República Jair Messias Bolsonaro (PL). “Estou feliz com a chapa de vocês. O Bolsonaro também ficou satisfeito pela escolha”, afirmou.

Para Azambuja, a declaração ajuda a afastar qualquer dúvida sobre o posicionamento da família Bolsonaro em relação à disputa pelo Senado no Estado.

“A Michelle Bolsonaro me disse que torce pela nossa candidatura, pois entendeu que a nossa chapa é forte e tem plenas condições de ficar com as duas vagas ao Senado”, declarou.

O ex-governador também afirmou que a disputa interna envolvendo os nomes que representariam o partido na eleição está encerrada. “As duas candidaturas do PL ao Senado em Mato Grosso do Sul já estão pacificadas”, disse.

A presença de Azambuja ao lado de Michelle ocorre em um momento em que o ex-governador procura ampliar sua inserção entre os eleitores mais identificados com Jair Bolsonaro.

Embora tenha construído sua trajetória política principalmente no PSDB antes de ingressar no PL, Azambuja agora busca reforçar os vínculos com as principais lideranças nacionais da legenda e com o eleitorado conservador.

O discurso adotado pelo candidato também procura aproximá-lo da retórica utilizada pelo grupo político de Bolsonaro. Em Brasília, Azambuja colocou o enfrentamento ao PT como elemento de união entre as diferentes alas do partido.

“Todo mundo unido para enfrentar o nosso adversário em comum, que é o PT. Esse partido está destruindo o Brasil”, afirmou.

A estratégia ganha importância especialmente porque Capitão Contar e Marcos Pollon têm histórico de identificação direta com o bolsonarismo em Mato Grosso do Sul.

Ao aparecer ao lado de Michelle e Flávio Bolsonaro e receber o aval da ex-primeira-dama do Brasil, Azambuja busca consolidar sua presença nesse mesmo segmento do eleitorado.

Afinal, estar ao lado de Michelle oferece a Azambuja um ativo adicional na tentativa de conquistar o eleitorado mais fiel ao ex-presidente Jair Bolsonaro e, ao mesmo tempo, permite ao PL apresentar uma imagem de unidade depois de meses de disputa sobre quem representaria o grupo na corrida pelas duas vagas de Mato Grosso do Sul no Senado.

O encontro em Brasília também serviu para reforçar a tentativa de pacificação das divergências envolvendo integrantes da família Bolsonaro, pois Michelle relatou a Azambuja que o desentendimento com Flávio foi superado e que o grupo pretende concentrar esforços na eleição presidencial e na ampliação da bancada aliada no Senado.

A gravação realizada na Capital Federal integra essa estratégia, já que o material produzido com Flávio, Michelle e os candidatos ao Senado poderá ser utilizado tanto pela campanha presidencial quanto nas propagandas estaduais.

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