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Minirreforma trava e senadores de MS aprovam decisão de não valer para 2024

A decisão foi tomada com anuência do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, por falta de tempo hábil para apreciação

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Com anuência do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), por falta de tempo hábil para apreciação, o senador Marcelo Castro (MDB-PI) comunicou, na noite de ontem, que a Casa de Leis não votará a chamada minirreforma eleitoral a tempo de ela ter validade para as eleições de 2024.

A possibilidade de as regras da minirreforma eleitoral aprovada a toque de caixa pela Câmara dos Deputados no mês passado valerem para as eleições do próximo ano já estava praticamente descartada.

Segundo fontes ouvidas pelo Correio do Estado, os líderes dos partidos no Senado ainda não tinham tratado desse assunto porque Rodrigo Pacheco já teria informado que não considerava a matéria uma prioridade.

Nesse sentido, eles já estavam trabalhando com a hipótese da manutenção das regras atuais para o pleito de 2024, pois o prazo legal para que o Senado aprovasse a minirreforma eleitoral para ser sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), terminava nesta sexta-feira.

Os três senadores de Mato Grosso do Sul – Soraya Thronicke (Podemos-MS), Nelsinho Trad (PSD-MS) e Tereza Cristina (PP-MS) – são favoráveis ao adiamento da apreciação da matéria pelo Senado por se tratar de uma questão de fundamental importância para o Brasil e, portanto, requerer uma análise mais detalhada.

Para Soraya Thronicke, a aprovação da chamada minirreforma eleitoral pode ser considerada um grande retrocesso para o Brasil, pois enfraquece a Lei da Ficha Limpa, uma vitória da população brasileira, que foi a responsável pela iniciativa desta lei, em vigor desde 2012. 

“A Lei da Ficha Limpa impede a candidatura de políticos com condenações criminais em órgãos colegiados, que renunciaram ao mandato para escapar da cassação ou ainda tiveram prestação de contas rejeitadas. 

“A aprovação dessa minirreforma, derrubando uma conquista tão importante contra a impunidade de corruptos, é um escárnio e um tapa na cara da população honesta do País”, disse a senadora ao Correio do Estado.

A parlamentar afirmou ainda que acredita que o Senado Federal deve analisar esse projeto com a cautela necessária, sem atropelos e com total transparência do que está sendo debatido, para que a população não seja enganada.

“Vamos ficar atentos e serei combativa para não deixar esse retrocesso avançar”, argumentou.

Já Nelsinho Trad tem um posicionamento semelhante sobre a questão de que a minirreforma eleitoral não seria mesmo votada nesta semana.

“Todos nós sabemos que, de acordo com a constitucionalidade, uma reforma política tem de ser aprovada não só pela Câmara dos Deputados, mas também pelo Senado, um ano antes do processo eleitoral. De tal sorte, a gente só tinha até sexta-feira, mais precisamente dia 6 de outubro, para esgotar essa matéria, um tempo insuficiente”, declarou.

Na opinião dele, como se trata de uma matéria complexa, porque envolve vários artigos, várias situações de particularidade, é necessário mais tempo.

“Existia um esforço concentrado de um grupo formado no Senado para poder esgotar todos os pontos dessa matéria, a fim de que ela pudesse ser debatida e apreciada até o fim desta semana, entretanto, eu penso que isso seria algo muito difícil”, assegurou.

Como líder do PP no Senado, Tereza Cristina frisou que, como o tema ainda não havia sido colocado pela presidência da Casa de Leis para análise dos líderes dos partidos, dificilmente entraria em votação até sexta-feira. 

“Também não me mobilizei ou defendi urgência para a apreciação desse assunto, pois estava aguardando o encaminhamento da mesa diretora”, declarou, completando que se trata de uma matéria muito importante e que requer mais atenção por parte dos senadores na hora de ser apreciada.

O senador Marcelo Castro disse ontem que não haveria tempo para votar a minirreforma agora, para valer em 2024.

“Houve uma decisão do Senado de que não haveria tempo para votar tantas matérias a um só tempo, para ser aprovada aqui no Senado Federal, depois voltar para a Câmara, para ir para sanção e ser publicada antes de 6 de outubro”, pontuou.

O Senado preferiu se dedicar com mais profundidade ao Código Eleitoral – proposta de reforma que já está sob sua relatoria e que, conforme defendeu, seria mais ampla e consistente.

ELEIÇÕES 2026

Augusto Cury omitiu empresas nos Estados Unidos e no Brasil em declaração ao TSE

O candidato à presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, além de duas firmas no Brasil

06/09/2026 17h00

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República

Augusto Cury, escritor e candidato à Presidência da República Foto: Felipe Machado/Correio do Estado

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O presidenciável Augusto Cury (Avante) omitiu empresas das quais é sócio na autodeclaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O candidato a presidente declarou um patrimônio de R$ 242,2 milhões à Justiça Eleitoral, mas não informou suas participações em três empresas sediadas na Flórida, nos Estados Unidos, além de duas firmas no Brasil. A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo e confirmada pelo Estadão.

Em nota, a campanha de Cury informou que as participações omitidas são "inexpressivas" no patrimônio do candidato, que foi construído "de forma lícita". A equipe do empresário também disse que "eventuais inconsistências" serão corrigidas. O pedido de retificação não havia sido enviado até a manhã deste domingo, 6.

Ao TSE, Cury declarou ter participações societárias de sete empresas, entre firmas sediadas no Brasil e no exterior. Segundo a Folha, cinco companhias das quais ele é sócio ficaram de fora da declaração. Três delas estão sediadas na Flórida: a Cury Academia Comportamental, a Contemplare Investments e a Free Mind Publish.

No Brasil, Cury não declarou a sociedade na Contemplare e na Academia de Pensar e Brincar, ambas sediadas em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

Escritor de livros de autoajuda, Cury aparece em terceiro lugar na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, 2. Com 10% das intenções de voto nos dois cenários avaliados pelo levantamento, o candidato cresceu oito pontos em relação à rodada anterior da pesquisa. Apesar da guinada, ele ainda está distante dos candidatos Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), que polarizam a disputa.

Cury tem tido um reforço em suas redes sociais: o apoio de um exército de microinfluenciadores que não costumam publicar conteúdo sobre política nem demonstrar interesse pelo tema, além de profissionais ligados ao coach Pablo Marçal, também presidenciável pelo PRTB.

Postura

Senado não pode se omitir diante dos fatos que envolvem STF, diz Tereza Cristina

Ex-ministra de Bolsonaro é tida como uma das principais líderes da oposição no Legislativo

06/09/2026 13h45

Tereza Cristina

Tereza Cristina Andressa Anholete/Agência Senado

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Líder do PP, a senadora sul-mato-grossense Tereza Cristina defendeu que o Senado não se omita diante do fatos que envolvem o Supremo Tribunal Federal.

"O Senado Federal tem responsabilidades constitucionais e não pode se omitir. A ampla defesa deve ser garantida a todos, mas não podemos ignorar suspeitas gravíssimas. Temos de buscar a verdade. Sempre com independência, transparência e respeito à Constituição", escreveu a senadora em publicação no Instagram.

Sem mencionar diretamente as revelações da última semana em que a Polícia Federal (PF) mostrou diálogos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do STF Alexandre de Moraes, Tereza Cristina disse que a população está "estarrecida".

"A população brasileira está estarrecida com os fatos que envolvem hoje o STF. E com razão. A sociedade não pode perder a confiança nas nossas instituições. Nenhuma autoridade está acima da lei", continuou a senadora que também é vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária no Senado.

Após a revelação da PF, senadores protocolaram novos pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes e pressionam a presidência da Casa pela abertura dos processos.

Segundo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), há 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal. O Senado tem a competência constitucional de processar e julgar ministros do STF por crimes de responsabilidade.

Lider da oposição

Tereza Cristina foi contra a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional que põe fim à escala 6x1, aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) na última quarta-feira (2).

Além dela, os senadores Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS), Rogerio Marinho (PL-RN) também foram contrários ao texto aprovado. 

Em sua justificativa, destacou não ser contrária à redução trabalhista e sim a pressa sobre a aprovação do texto sem a construção do debate necessário por parte dos senadores. 

"Eu acho muito complicada a definição de um texto constitucional de uma escala fixa, para que todos os tipos de atividades, sem considerar as diversas realidades do mercado de trabalho. Seria preciso uma nova Pec. O tema é de extrema importancia, mas a pressa da votação é o que me traz preocupação, ninguem pode fazer uma lei para um pais tão continental quanto o nosso, tão diverso quanto o nosso, tantas cadeias produtivas quanto o nosso sem uma discussão aprofundada", declarou a senadora. 

Na sequência, destacou que o papel dos senadores acerca da proposta não deveria ser somente de "carimbar" proposições advindas da Câmara dos Deputados. O nome da senadora é especulado para presidir o Senado no próximo ciclo, substituindo Davi Alcolumbre (União-AP)

Encaminhamento

Caso o texto seja aprovado pelos senadores sem alterações, poderá seguir para promulgação. Se houver mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara, a proposta terá de retornar aos deputados para nova análise.

Se a PEC for aprovada pelo Plenário e posteriormente promulgada, a jornada máxima semanal será reduzida de 44 para 40 horas, mantido o limite de oito horas diárias.

A Constituição também passará a garantir dois dias de repouso semanal remunerado, com preferência para que um deles seja aos domingos.

A redução da jornada não poderá resultar em diminuição dos salários, o que inclui os pisos das categorias.

A mudança será implantada em duas etapas. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais. Um ano depois do encerramento dessa primeira etapa, o limite passará para 40 horas.

A negociação coletiva continuará permitida para definir mecanismos de compensação de horários e regimes de descanso, desde que sejam respeitados os novos limites constitucionais.

Com informações de Estadão Conteúdo 

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