Política

VOTO LIVRE

Ministério Público faz ofensiva contra a compra de votos em MS

Coordenador do Núcleo Eleitoral do MPMS, Moisés Casarotto afirma que candidatos podem ser cassados após eleitos

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Mais de 70 promotores vão atuar na fiscalização das eleições em Mato Grosso do Sul neste domingo, com atenção à compra de votos, ao assédio eleitoral, ao transporte irregular de eleitores e à boca de urna. 
A mobilização terá integração com a Justiça Eleitoral e as forças de segurança para permitir respostas rápidas às denúncias, inclusive com a prisão em flagrante dos responsáveis por crimes eleitorais.

Em entrevista ao Correio do Estado, o promotor de Justiça Moisés Casarotto, coordenador do Núcleo Eleitoral do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), afirmou que a prioridade será assegurar que o eleitor chegue à seção e vote sem pressão, constrangimento ou promessa de vantagem.

“Eu diria que a nossa maior preocupação para domingo é garantir a liberdade do voto e a tranquilidade do eleitor. O cidadão precisa chegar à seção eleitoral, votar livremente, sem pressão, sem promessa de vantagem e sem qualquer tentativa de constrangimento”, declarou.

Todos os promotores eleitorais trabalharão nas respectivas zonas, com apoio de outros membros do MPMS designados para auxiliar na fiscalização. 

A estrutura também contará com suporte da Ouvidoria e do Núcleo Eleitoral, além da atuação conjunta com as polícias Federal, Militar e Civil.

“Não adianta identificar uma boca de urna ou uma compra de votos várias horas depois se havia possibilidade de interromper aquela prática no momento em que estava ocorrendo, inclusive com a prisão em flagrante dos responsáveis, se possível”, ressaltou.

Casarotto, que também é vice-coordenador do Grupo Nacional de Coordenadores Eleitorais (GNACE) do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).

Confira abaixo as demais declarações do coordenador do Núcleo Eleitoral do MPMS.

Como o eleitor pode identificar uma tentativa de compra de votos?

A regra é bastante simples. Ninguém pode dar, oferecer ou prometer uma vantagem pessoal ao eleitor em troca do voto. Isto é crime e ilícito cível eleitoral. Dinheiro é o exemplo mais evidente, mas pode haver compra de votos mediante combustível, cesta básica, alimentos, medicamentos, pagamento de conta de água ou energia, material de construção, promessa de emprego ou qualquer outra vantagem pessoal. 

O artigo 41-A da Lei das Eleições considera captação ilícita de sufrágio a conduta de doar, oferecer, prometer ou entregar vantagem pessoal ao eleitor com a finalidade de obter seu voto. Para o candidato, isso pode resultar em multa e cassação do registro ou do diploma. 

Já o artigo 299 do Código Eleitoral considera crime a compra de votos e alcança tanto aquele que oferece ou promete a vantagem quanto o eleitor que solicita ou recebe vantagem em troca do voto. Agora, se o eleitor não aceita, somente quem ofereceu comete o crime.

O voto não é mercadoria. Quando alguém compra voto, não está apenas violando a liberdade do eleitor, está interferindo na igualdade da disputa e na legitimidade da eleição, obtendo o cargo por meios ilícitos, ou seja, já é corrupto antes mesmo de entrar no cargo.

Como deve agir o trabalhador ou servidor público que sofrer pressão para votar em determinado candidato? 

O voto é livre e secreto para todos. Empregador, chefe, superior hierárquico ou agente público não pode utilizar sua posição para constranger alguém a votar ou não votar em determinado candidato. 

Ameaçar demissão, perda de função, retirada de benefício, alteração prejudicial das condições de trabalho ou qualquer outra retaliação para direcionar o voto pode caracterizar assédio eleitoral e produzir consequências nas esferas trabalhista, criminal e eleitoral. 

No serviço público, o uso da estrutura administrativa para pressionar servidores ainda pode envolver abuso de poder político e outras infrações eleitorais. A pessoa que estiver sendo pressionada deve procurar preservar as provas e deve denunciar no Ministério Público Eleitoral [MPE] ou no Ministério Público do Trabalho [MPT], pois ambos trabalham integrados neste tema.

É possível requerer sigilo dos dados de identificação, observadas as regras legais.

O encerramento da votação também encerra a possibilidade de responsabilizar quem cometeu irregularidades? 

Não. A eleição não termina juridicamente quando as urnas são fechadas. Depois da votação, o Ministério Público continua atuando na investigação de crimes eleitorais, abuso de poder, compra de votos, irregularidades na arrecadação e aplicação de recursos, condutas vedadas e outros ilícitos. 

Existem várias ações eleitorais específicas que podem ser propostas depois da votação. A Ação de Investigação Judicial Eleitoral, por exemplo, pode ser utilizada para apurar abuso de poder econômico, abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação, podendo resultar, conforme o caso, na cassação do registro ou diploma e na declaração de inelegibilidade. Esta ação pode ser proposta até a diplomação. 

A compra de votos também pode levar à cassação do candidato beneficiado e pode ser protocolada até a diplomação, nos termos do artigo 41-A da Lei das Eleições.

Outras ações, como a Ação de Impugnação do Mandato Eletivo e a Representação por arrecadação e gastos ilícitos, podem ser protocoladas até 15 dias depois da diplomação e também podem levar à cassação do registro ou diploma do candidato, se houver gravidade dos atos praticados. 

Portanto, o encerramento da votação ou mesmo ser eleito não cria uma imunidade para o candidato. Pelo contrário, as investigações e os processos continuam normalmente, pois a vontade popular deve ser respeitada, mas ela precisa ter sido formada dentro de uma disputa livre, legítima e de acordo com a lei.

Se o eleitor presenciar uma irregularidade neste domingo, a quem deve recorrer e quais informações precisa apresentar?

A primeira orientação é que o eleitor nunca deve se colocar em risco para produzir uma prova. Se estiver diante de uma situação de violência, ameaça, tumulto, compra de votos ocorrendo naquele momento ou outro possível crime em andamento, pode acionar imediatamente a polícia para realizar o flagrante. 

Se não der tempo para a polícia chegar, a orientação é tentar fotografar ou filmar a situação, anotar testemunhas, local, veículos e tudo que seja possível identificar para uma posterior investigação. 

Nestes casos, a denúncia pode ser encaminhada ao MPE ou à polícia. Para o MPMS, a denúncia pode ser entregue presencialmente em uma das promotorias do nosso Estado ou virtualmente pelo link da nossa Ouvidoria, disponível no site oficial do MPMS. 

No dia do pleito, embora seja possível, a denúncia pelo aplicativo Pardal não é o ideal pela urgência da situação, mas posteriormente ela será apurada. É importante ressaltar que uma boa denúncia deve informar, sempre que possível, o que ocorreu, onde, quando, quem estava envolvido e outros elementos mínimos para a apuração do fato. 

Mas repito: nenhuma prova vale colocar a integridade física do eleitor em risco. 
Registre o que for possível com segurança e comunique imediatamente às autoridades competentes.

pesquisa

Flávio tem 48% e Lula 45%, em empate técnico, aponta BTG/Nexus

Considerados apenas os votos válidos, com exclusão dessas respostas, Flávio registra 52% e Lula, 48%

13/10/2026 06h56

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, Flávio tem 46% e Lula, 44%,

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, Flávio tem 46% e Lula, 44%,

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O senador e candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, tem 48% das intenções de voto e o presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, tem 45%, segundo a primeira pesquisa BTG/Nexus deste segundo turno, divulgada nesta terça-feira, 13. Os candidatos estão tecnicamente empatados, considerada a margem de erro de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos.

No resultado oficial do primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio recebeu 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na BTG/Nexus divulgada nesta terça, os que dizem que não irão votar em nenhum dos dois candidatos, ou votarão branco/nulo somam 5%. Os que não sabem ou não responderam são 2%.

Considerados apenas os votos válidos, com exclusão dessas respostas, Flávio registra 52% e Lula, 48%.

Espontânea

Na pesquisa espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados, Flávio tem 46% e Lula, 44%, também em empate técnico. Nenhum, branco e nulo somam 5%, e 4% não sabem ou não responderam.

A Nexus entrevistou 2.002 eleitores por telefone, entre 10 e 12 de outubro, a pedido do banco BTG Pactual. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais, com nível de confiança de 95%.

O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-07997/2026.

senadora por ms

Tereza Cristina: Se eleito, Flávio Bolsonaro terá de equilibrar relação com China e EUA

Senadora de MS disse que as responsabilidades de um eventual governo exigirão uma postura pragmática nas negociações internacionais

12/10/2026 20h00

Foto: Senado

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A senadora Tereza Cristina (PP-MS) afirmou à GloboNews que, caso Flávio Bolsonaro (PL) assuma a Presidência da República, terá de equilibrar as relações comerciais do Brasil com a China e os Estados Unidos, diante dos interesses concorrentes das duas potências no agronegócio. Segundo ela, as responsabilidades de um eventual governo exigirão uma postura pragmática nas negociações internacionais.

"Quando a pessoa senta naquela cadeira, as responsabilidades mudam", afirmou a senadora, em entrevista ao comentar como poderá ser a política de comércio exterior em um eventual governo de Flávio Bolsonaro. "Ele vai ter que ver as questões do Brasil, o que é importante para o Brasil", acrescentou.

Tereza Cristina disse que não conversou com Flávio sobre como ele pretende conduzir a política externa e comercial. Ressaltou, porém, que o agronegócio brasileiro mantém uma relação comercial importante com a China, principal compradora dos produtos do setor, enquanto os Estados Unidos são um concorrente do Brasil no abastecimento desse mercado em várias commodities.

"O agro que exporta tem uma relação com a China muito forte, porque ela é a nossa maior compradora, e competimos com os Estados Unidos com essa relação", disse.

Na avaliação da senadora, a relação com Washington também exigirá equilíbrio, considerando a importância dos investimentos norte-americanos no Brasil. Ela afirmou que os Estados Unidos são o maior investidor estrangeiro no País e um parceiro importante para a economia brasileira.

Tereza Cristina afirmou que espera uma condução equilibrada das relações comerciais com os dois países. Segundo ela, o Brasil conseguiu manter parcerias tanto com os chineses quanto com os norte-americanos mesmo diante de divergências. "Eu tenho certeza que o equilíbrio vai ser colocado à mesa nessas discussões", disse.

A senadora também atribuiu as tensões comerciais recentes à política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que, segundo ela, não se restringe ao Brasil. "O presidente Donald Trump resolveu rever tarifas e discutir no seu governo com todos os países, não só com o Brasil", afirmou.

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