Cidades

JUSTIÇA

TJMS derruba liminar que barrava 'tarifaço' da Cassems

Decisão publicada nesta quinta-feira considerou estudos atuariais apresentados pela Caixa e apontou risco ao equilíbrio financeiro do plano

Continue lendo...

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) derrubou decisão que havia impedido a Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso do Sul (Cassems) de aplicar o reajuste da contribuição de dependente cônjuge, que saltou de R$ 35 para R$ 450 neste ano. O julgamento consta no Diário da Justiça desta quinta-feira (1º).

Por maioria, a 2ª Câmara Cível deu provimento ao recurso apresentado pela Cassems e revogou a tutela de urgência concedida em primeira instância a uma beneficiária de Paranaíba. O relator, desembargador José Eduardo Neder Meneghelli, ficou vencido, prevalecendo o entendimento apresentado pela primeira vogal.

A decisão representa mais um capítulo da disputa judicial iniciada após a Cassems anunciar, em maio, a elevação da contribuição fixa cobrada de cônjuges. O valor passou de R$ 35 para R$ 450, aumento de aproximadamente 1.185%.

No caso julgado agora, a beneficiária havia conseguido uma decisão provisória para manter a contribuição em R$ 35. A Cassems recorreu e apresentou estudos atuariais para sustentar que o valor anterior estava distante do custo assistencial gerado por esse grupo.

Segundo informações consideradas no julgamento, o custo mensal per capita dos cônjuges seria de R$ 524,20, superior, portanto, aos R$ 450 cobrados após o reajuste. Os documentos apresentados pela operadora apontam ainda sinistralidade de aproximadamente 413% e déficit anual estimado em cerca de R$ 191 milhões entre os dependentes cônjuges.

Reajuste

A mudança foi anunciada pela Cassems em 14 de maio e começou a valer na competência daquele mês. Na ocasião, a Caixa informou que os cônjuges haviam gerado aproximadamente R$ 61 milhões em arrecadação nos 12 meses anteriores, enquanto as despesas assistenciais ultrapassaram R$ 250 milhões, deixando déficit próximo de R$ 189 milhões.

A entidade argumentou que a revisão era necessária para preservar a sustentabilidade do plano. O reajuste não atingiu, naquela ocasião, as contribuições dos titulares nem dos filhos dependentes.

A elevação de R$ 35 para R$ 450 provocou reação de servidores e entidades representativas e levou a discussão para a Justiça.

No processo de Paranaíba, a Cassems argumentou que o Conselho de Administração tinha competência estatutária para definir o reajuste e que a alteração estava fundamentada em estudos técnicos.

Esse entendimento foi acolhido pela maioria da 2ª Câmara Cível.

O acórdão afirma que, por se tratar de plano de saúde administrado em regime de autogestão, não se aplica o Código de Defesa do Consumidor, conforme entendimento consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Os desembargadores ressaltaram, porém, que isso não impede o controle judicial da cobrança com base no Código Civil e no Estatuto Social da própria entidade.

A Câmara também considerou que o simples percentual do aumento não é suficiente, isoladamente, para demonstrar abusividade. Para o colegiado, é necessário analisar se existe fundamento técnico e atuarial para justificar a nova contribuição.

Os pareceres apresentados pela Cassems indicaram, além do déficit entre os cônjuges, resultado global negativo próximo de R$ 24 milhões em 2025.

Outro ponto considerado foi o chamado “perigo de dano inverso”. Conforme o acórdão, manter provisoriamente a contribuição em R$ 35, diante de um custo assistencial muito superior, poderia transferir o déficit desse grupo para os demais beneficiários e afetar o equilíbrio econômico-financeiro do sistema.

A decisão também menciona que a Cassems está sob acompanhamento regulatório da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), por meio de Termo de Assunção de Obrigações Econômico-Financeiras desde outubro de 2024.

Sinpol

O reajuste também é alvo de uma ação coletiva movida pelo Sindicato dos Policiais Civis de Mato Grosso do Sul (Sinpol/MS), mas trata-se de outro processo.

Em julho, o desembargador Odemilson Roberto Castro Fassa negou pedido de urgência apresentado pelo sindicato para suspender imediatamente a cobrança de R$ 450 dos cônjuges e companheiros dos policiais civis representados pela entidade.

Naquela decisão, o magistrado considerou, em análise preliminar, que o Estatuto da Cassems confere ao Conselho de Administração competência para deliberar sobre as contribuições e que a discussão sobre a legalidade do reajuste e os estudos apresentados pela entidade exigiria análise mais aprofundada.

A negativa da liminar não encerrou a ação coletiva, que prosseguiu para análise do mérito.

No processo julgado agora pela 2ª Câmara Cível, por sua vez, a discussão envolve uma beneficiária específica e uma decisão anteriormente concedida pela 2ª Vara Cível de Paranaíba.

MAUS-TRATOS

Justiça leiloa 18 mil ha de fazendeiro que deixou gado morrer de fome

O proprietário foi preso em 2024 após a PMA flagrar 268 bovinos mortos e mais de mil animais desnutridos na Fazenda Alvorada, em Rio Verde do Mato Grosso

01/10/2026 11h00

Bovinos foram abandonados, sem água e comida na Fazenda Alvorada, em 2024

Bovinos foram abandonados, sem água e comida na Fazenda Alvorada, em 2024 Divulgação: MPMS

Continue Lendo...

O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) publicou, nesta quinta-feira (1º), em seu Diário Oficial, um edital para leiloar dois lotes da Fazenda Alvorada, pertecente a Milton Andrade Hildebrand, que já foi preso após bovinos serem flagrados agonizando e morrendo às margens do rio Taquari, na região do Pantanal, que passava por um período de seca intensa em 2024.

O imóvel rural fica no município de Rio Verde do Mato Grosso e contém uma área total de 18.379,10 hectares. Juntos, os dois lotes, que serão leiloados, foram avaliados em R$ 232,6 milhões.

Em setembro de 2024, o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) investigou casos de maus-tratos a bovinos na Fazenda Alvorada, de propriedade de Milton de Andrade Hildebrand. A Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente da Comarca de Rio Verde instaurou um inquérito civil. A propriedade apresentava características de abandono, e não havia pastagem, alimentos ou água para o rebanho. 

Na ação, a Polícia Militar Ambiental (PMA) encontrou mais de 268 bovinos mortos e em torno de 1000 vivos, porém debilitados e incapazes de se locomover. 

Conforme registros da PMA de Coxim, Milton Andrade Hildebrand foi preso no dia 8 de setembro daquele ano, em Campo Grande.

Leilão

O leilão será realizado na forma eletrônica, no endereço eletrônico www. marcaleiloes.com.br, devendo os lances serem feitos pela internet no 1º leilão, a partir das 15h (horário de Brasília), do dia 3 de novembro, com término às 15h do dia 10 de novembro, onde será entregue o bem a quem der o maior lance, em valor igual ou superior ao da avaliação. 

O lote 1 possui uma área total de 9.261 hectares e foi avaliado em R$ 119.407.145,05 no dia 17 de agosto de 2026.  O lote 2 tem área de 8.705 hectares e foi avaliado em R$ 112.238.332,55, na mesma data do primeiro.

O 2º leilão está marcado para ocorrer no dia 30 de novembro, às 15h e será realizado apenas se os lances ofertados não atinjam o valor do bem no primeiro. Com isso, o bem será arrematado em favor daquele que maior ofertar. Além disso, não serão aceitos lances inferiores ao preço considerado vil, que corresponde a 60% do valor da avaliação.

MATO GROSSO DO SUL

TJ convoca habilitados em concurso de Juiz Substituto para exames

Com 23 concorrentes, candidatos devem passar por verificações clínicas, psicotécnicas e psiquiátricas para alcançar uma das 15 vagas ofertadas

01/10/2026 10h45

Candidatos que não comparecerem a qualquer um desses exames irão caracterizar sua desistência, sendo consequentemente eliminados desse 34° Concurso Público

Candidatos que não comparecerem a qualquer um desses exames irão caracterizar sua desistência, sendo consequentemente eliminados desse 34° Concurso Público Marcelo Victor/Correio do Estado

Continue Lendo...

Com 23 nomes na disputa pelas 15 vagas do 34° Concurso Público para provimento do cargo de Juiz Substituto, o Tribunal de Justiça do Estado de Mato Grosso do Sul (TJMS) publicou hoje (1° de outubro) a convocação para que esses habilitados dêem sequência no processo através agora da realização de exames. 

Pela convocação, os exames psicotécnico e de saúde física e mental ficam agendados de 26 a 29 de outubro de 2026. Esses procedimentos precisam ser agendados com o "clínico" sendo o único gratuito, a ser realizado no gabinete médico do TJMS, que fica localizado na Avenida Mato Grosso, na altura do Parque dos Poderes em Campo Grande. O telefone para contato é o (67) 3314-1445. 

Além desse, há ainda os exames psicotécnico e psiquiátrico, que custam R$780 e R$300 respectivamente, com os agendamentos feitos nos seguintes endereços e telefones: 

  • Psicotécnico | Clínica Vinculum e Co.
    Endereço: Travessa Dona Sabina, nº 188 / Tel.: (67) 99981-4465 (via Whatsapp)
     
  • Psiquiátrico | Clínica Vivara
    Endereço: Av. Calógeras, nº 1593 / Tel.: (67) 3341-4356 ou (67) 99685-7556 (via Whatsapp)

Entre os 23 nomes há um candidato (Lucas Lopes Saling) que ainda precisa se submeter à avaliação da Comissão Multiprofissional, no gabinete médico do TJMS, para verificação quanto à existência e compatibilidade da deficiência alegada. 

Importante frisar que aqueles candidatos que não comparecerem a qualquer um desses exames irão caracterizar sua desistência, sendo consequentemente eliminados desse 34° Concurso Público, que visa ainda a formação de cadastro reserva. 

Fique atento

Com objetivo de preencher 15 vagas para o cargo de Juiz Substituto, que conta com subsídio de R$32.289,54, esse concurso possui cinco etapas totais. 

Porém, para finalmente chegar ao magistério, o candidato precisa ser bacharel em Direito com, no mínimo, três anos de atividade jurídica comprovada, atendendo também o que estabelecem os determinados editais. 

Das vagas totais, uma é voltada para candidatos com deficiência, três para negros e uma para indígenas, com as 10 restantes colocadas para ampla concorrência. 

Há um total de cinco etapas, com as duas primeiras sendo aplicadas pela Fundação Getúlio Vargas, enquanto as demais ficarão a cargo da comissão organizadora do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul. 

Modelos de requerimento, declarações, etc, estarão disponíveis em formulário eletrônico na aba concursos magistratura do TJMS (acesse CLICANDO AQUI). 

Depois dessa etapa de avaliações médicas, está prevista a realização da prova oral que têm caráter eliminatório e também classificatório, onde os candidatos devem passar pela banca examinadora. O certame termina na fase da avaliação de títulos apresentados pelos concorrentes.

Esse concurso têm validade de dois anos, que passam a contar a partir de quando houver a homologação do resultado final, havendo a possibilidade de prorrogação uma única vez por igual período.
 

Assine o Correio do Estado

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).