Política

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Moraes libera compartilhamento de provas da trama golpista para investigação da PRF

O material será encaminhado à Polícia Rodoviária Federal (PRF), que solicitou acesso aos documentos para subsidiar um procedimento administrativo disciplinar interno

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O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou o compartilhamento de provas produzidas na ação penal sobre o "núcleo 2", ou núcleo de gerência, da trama golpista. O material será encaminhado à Polícia Rodoviária Federal (PRF), que solicitou acesso aos documentos para subsidiar um procedimento administrativo disciplinar interno.

Segundo informado pela PRF ao STF, o processo apura a possível atuação de três policiais rodoviários federais para dirigentes da empresa de segurança privada Combat Armor Defense, em atividade considerada incompatível com o cargo. Eles teriam sido contratados pela empresa Arbitrium Empreendimentos e Soluções Ltda.

A corporação busca documentos relacionados à movimentação financeira dos envolvidos, incluindo extratos bancários, relatórios de inteligência financeira e outros registros que possam demonstrar eventuais pagamentos feitos pelas empresas aos servidores investigados.

A PRF justifica que o relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) instaurada para apurar os atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 menciona as duas organizações.

"O relatório da CPMI traz alusão de suposto 'esquema' de lavagem de dinheiro para repasse de propina oriunda do contrato de aquisição de veículos blindados apelidados como 'caveirões', sendo possível apreciar contas bancárias das empresas e seus sócios, RIFs ou outros documentos que possam provar a real destinação desses valores", afirmou a PRF.

Ao autorizar o compartilhamento, Moraes observou que o Supremo tem entendimento consolidado segundo o qual provas produzidas em investigações e processos criminais podem ser utilizadas para instruir outros procedimentos envolvendo os mesmos investigados.

O ministro ressaltou que devem ser observadas "a garantia constitucional do contraditório e a impossibilidade de utilização da prova emprestada como único elemento de convicção do julgador" para eventual decisão no processo.

Núcleo 2 da trama golpista

O relatório da CPMI integra o inquérito da ação penal do núcleo 2 da trama golpista, do qual faz parte o ex-diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques. A investigação apurou condutas dele à frente da corporação. A ação resultou, em dezembro do ano passado, na condenação de cinco dos seis denunciados como integrantes do núcleo de gerência da tentativa de golpe de Estado.

A Primeira Turma do STF condenou Silvinei, Filipe Martins, Mário Fernandes e Marcelo Costa Câmara pelos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, deterioração de patrimônio tombado e dano qualificado pela violência e grave ameaça contra o patrimônio da União.

A ex-diretora de Inteligência do Ministério da Justiça e Segurança Pública Marília Ferreira de Alencar foi condenada por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e organização criminosa armada.

Segundo a denúncia, Silvinei Vasques e Marília Alencar usaram a PRF e a estrutura do Ministério da Justiça para beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro nas eleições de 2022. Eles requisitaram relatórios de inteligência para montar operações que dificultassem o voto de eleitores do Nordeste, reduto histórico do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Justiça Eleitoral

Rejeição de contas pelo TSE pode provocar vários obstáculos para reeleição de Soraya

Parecer que recomenda devolução de R$ 4,8 milhões deve afetar obtenção da quitação eleitoral para registro de candidatura

15/06/2026 08h00

A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSB)

A senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (PSB) Andressa Anholete/Agência Senado

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A possível desaprovação das contas da campanha presidencial de 2022 da senadora Soraya Thronicke (PSB) pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode trazer reflexos políticos e jurídicos para eventual tentativa de reeleição da parlamentar no pleito deste ano.

Embora especialistas em Direito Eleitoral ressaltem que a rejeição das contas, por si só, não gera inelegibilidade, a obrigação de devolver recursos públicos utilizados na campanha pode se transformar em um fator de risco para o registro de candidatura da senadora.

O alerta foi feito por integrante da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS) e por especialistas em Direito Eleitoral. 

O caso ganhou relevância após um parecer do Ministério Público Eleitoral publicado com exclusividade pelo Correio do Estado na edição do fim de semana recomendar ao TSE a desaprovação das contas da campanha presidencial da parlamentar e a devolução de valores milionários considerados irregulares – R$ 4,8 milhões.

A vice-presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MS, Andressa Nayara Basmage, destacou que a legislação e a jurisprudência eleitoral são claras ao estabelecer que a desaprovação das contas não impede automaticamente uma futura candidatura.

Segundo Andressa, a eventual rejeição das contas não afeta a capacidade eleitoral passiva da senadora nem impede, por si só, o registro de candidatura.

“A decisão final, entretanto, ainda depende de julgamento do TSE, que analisará o parecer do Ministério Público e toda a documentação”, disse.

Apesar disso, o advogado eleitoralista Valeriano Fontoura avaliou que o processo contém pontos considerados relevantes para a análise das contas.

“Entre eles estão questionamentos sobre movimentações financeiras apontadas em relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que ainda aguardam definição sobre eventual acesso da Procuradoria aos documentos, além de falhas no cumprimento do prazo legal para informar recursos recebidos pela campanha”, enumerou. 

Outro aspecto considerado sensível pelo jurista envolve despesas relacionadas à produção e veiculação de programas de rádio e televisão.

“Conforme o parecer técnico do Ministério Público Eleitoral, não teria sido comprovada de forma suficiente a efetiva prestação de parte dos serviços contratados, situação que motivou a recomendação de devolução dos recursos públicos usados nos pagamentos”, ressaltou.

Ele explicou ainda que, caso o plenário do TSE acompanhe o parecer do Ministério Público Eleitoral e determine o ressarcimento dos valores, a principal consequência imediata será financeira. No entanto, alertou para um cenário que poderia afetar a candidatura dela.

De acordo com o especialista, após o trânsito em julgado da decisão, a eventual dívida com a Justiça Eleitoral precisaria ser quitada ou parcelada. Se isso não ocorrer, a senadora poderá enfrentar dificuldades para obter a certidão de quitação eleitoral, documento obrigatório para o registro de candidatura.

“A rejeição das contas não gera inelegibilidade. A inelegibilidade ocorre quando não há prestação de contas. Mas, se houver determinação de devolução de recursos e a dívida permanecer pendente, pode ter impedimento à emissão da certidão de quitação eleitoral, requisito indispensável ao registro de candidatura”, falou.

Dessa forma, o maior risco para uma eventual campanha de reeleição não estaria diretamente na desaprovação das contas, mas nas consequências decorrentes de eventual condenação ao ressarcimento dos recursos apontados como irregulares. 

Caso a obrigação financeira seja confirmada e não haja regularizada dentro das exigências da Justiça Eleitoral, a situação poderá se transformar em um obstáculo jurídico à participação da parlamentar nesta eleição.

Enquanto isso, o processo segue em tramitação no TSE, que deverá decidir se acolhe ou não o parecer do Ministério Público Eleitoral e as conclusões da área técnica responsável pela análise das contas da campanha presidencial de 2022.

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Política

Lula embarca para a França para Cúpula do G7 e Alckmin assume Presidência

É a décima vez que o petista representa o Brasil no evento

14/06/2026 23h00

Foto: Ricardo Stuckert

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Por volta das 15h deste domingo, dia 14, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarcou para a França, para participar da Cúpula do G7. É a décima vez que o petista representa o Brasil no evento.

Pelas redes sociais, Lula publicou uma foto com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), na base aérea de Brasília Alckmin exercerá a Presidência interina durante a viagem presidencial.

O avião presidencial fará uma parada na Ilha do Sal, em Cabo Verde, às 22h50, para abastecimento. De lá, seguirá para Évian-les-Bains, cidade que vai receber o evento e onde deverá desembarcar nesta segunda-feira, 15. A agenda internacional se estende até quarta-feira, 17.

Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), acompanharão Lula na viagem o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que já está em Évian, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, que viaja com o presidente.

Enquanto estiver no G7, Lula vai participar de sessões abertas entre os chefes de Estado. Na terça-feira, 16, o tema serão as parcerias internacionais e, na quarta, o crescimento econômico equilibrado. Também na quarta, Lula vai participar de um almoço com os outros líderes do G7, momento no qual se tratará da inteligência artificial.

O Ministério das Relações Exteriores (MRE) confirmou encontros de Lula com a primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, e com o anfitrião do evento, o presidente francês, Emmanuel Macron.

Embora não haja nenhuma reunião formalmente prevista, há expectativa de encontro com o presidente dos Estados Unidos - que integra o G7 ao lado de Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão -, Donald Trump, em meio à nova crise entre Brasília e Washington em razão das novas ameaças de tarifas sobre produtos brasileiros.

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