Política

CHARGE DA DISCÓRDIA

MPF arquiva denúncia de 'gordinho do Bolsonaro' contra o petista Tiago Botelho

Deputado acusou o professor universitário por publicação de charge no período da Páscoa, que caracterizaria intolerância religiosa

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O procurador da República do MPF (Ministério Público Federal) que atua em Dourados, Eduardo Gonçalves, arquivou a denúncia proposta pelo deputado federal de Mato Grosso do Sul, Rodolfo Nogueira, do PL, o conhecido "gordinho do Bolsonaro" contra o professor universitário Tiago Botelho, que disputou vaga no Senado nas eleições do ano passado pelo PT.

Amigo do ex-mandatário, Rodolfo acusou Tiago pelo que chamou de "intolerância religiosa", isto é, por possível prática do crime de escárnio com a fé alheia 

De acordo com a promoção de arquivamento do procurador, ele narra que o deputado afirmou na denúncia que Tiago Botelho publicou em sua conta pessoal da rede social Instagram, no feriado da Paixão de Cristo [9 de abril passado], imagens [charges] vilipendiando a figura de Jesus Cristo e a fé cristã.

É citado, ainda, que em uma das postagens havia o seguinte dizer "bandido bom é bandido morto" e em uma segunda um dos interlocutores teria chamado Jesus Cristo de "vagabundo".

Daí, o procurador diz na decisão ter notificado o professor universitário.

Na análise, o Gonçalves afirma:

"De fato, ainda que na visão do subscritor as postagens sejam inadequadas, especialmente quando publicadas em um dos mais relevantes feriados cristãos, vê-se claramente que a finalidade não era zombar da fé alheia, mas sim fazer certa crítica social alinhada às ideologias defendidas e carregadas pelo professor".

Seguiu o representante do MPF:

"Pode-se dizer, portanto, que está ausente o dolo de cometer o crime do art. 208 do Código Penal, mas sim buscava-se uma crítica social alinhada aos pensamentos políticos do responsável pela publicação do conteúdo".

Continou::

"Veja-se, que na primeira imagem que diz "bandido bom é bandido morto", a frase é dita por soldados romanos, o que pode autorizar a leitura feita pelo professor de crítica ao punitivismo penal e até mesmo a uma certa seletividade de direitos humanos defendida por certos grupos sociais e políticos".

Eduardo Gonçalves, o procurador, escreveu também:

"Já na segunda charge, um dos interlocutores diz 'o problema de Roma é que as penas são muito amenas' e um segundo interlocutor replica 'o cara crucifixa hoje , dois, três dias depois o vagabundo tá ressucitado'.

Aqui, uma vez mais, segue o procurador, "ainda que de questionável, a imagem pode gerar reflexão sobre problemas da sociedade atual, como os excessos do direito penal, como argumenta o professor".

O procurador acrescenta:

"Nesse contexto, há que se prestigiar a liberdade de expressão de Tiago Botelho, pois esse é um direito angular em uma sociedade democrática e há de prevalecer quando em conflito com outros valores de igual envergadura, inclusive quando se busca por meio de charges fazer crítica social, mesmo quando desagrade parcela da população".

O procurador interpretou ainda:

"... frisa-se que a Constituição garante a liberdade de expressão às ideias majoritárias e a minoritárias, progressistas e conservadoras, políticas e ideias religiosas, quer seja na forma de sátira ou não. A crença alheia, nesse sentido, não está imune à liberdade de expressão, especialmente em casos como tal onde não há vítima específica, não tendo as falas sido dirigidas diretamente a qualquer pessoa com o intuito de menosprezá-la ou diminui-la.".

Diante disso, escreveu Gonçalves: "determino o arquivamento da notícia de fato em referência por entender que não há indícios da prática do crime do art. 208 do Código Penal, não sendo ainda o parquet o locus adequado para tratamento de divergências políticas publicamente existente entre as partes representada e representante".

CONSULTA

Nas postagens, Tiago apresentou-se como professor universitário da UFGD (Universidade Federal de Dourados) e, por isso, foi repreendido pelo MPF:

"Contudo, determino o envio de cópia dos autos a UFGD para que analise se as publicações configuram ou não falta funcional, o que somente aquela Instituição pode fazer no limite de sua autonomia administrativa.

Determino, ainda, a autuação de procedimento específico para verificar se a UFGD possui normativo disciplinando o uso das redes sociais por seus servidores e professores, o que é altamente recomendado a fim de evitar abusos por parte de seu corpo de servidores e que podem afetar a imagem da própria instituição.

Ciência a UFGD, ao noticiante e ao noticiado. Ciência ao noticiante do direito recursal.

Autue-se novo procedimento, conforme determinado acima. Não havendo recurso, arquive-se na unidade".

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ELEIÇÕES 2026

Lula lança campanha de chapéu e com vídeo para Lula de 1979

Presidente Lula deu início à sua campanha eleitoral no Estádio Municipal 1º de Maio, conhecido como Vila Euclides, em São Bernardo do Campo (SP)

16/08/2026 13h00

Presidente Lula deu início à sua campanha eleitoral em São Bernardo do Campo (SP)

Presidente Lula deu início à sua campanha eleitoral em São Bernardo do Campo (SP) Foto: Ricardo Stuckert

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, começou seu primeiro discurso em comício como candidato oficial à reeleição dizendo que estava de chapéu porque fez radioterapia para cuidar de um câncer de pele e, por isso, não poderia tomar sol na cabeça. "Mas quero dizer para vocês que vou tirar o chapéu para todos vocês", disse.

Lula agradeceu à sua mãe, dona Lindú, dizendo que ela é responsável por tudo que ele é na vida. E, referendou o discurso que a primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, sobre a importância e participação das mulheres na sociedade. Nesse contexto frisou a necessidade de lutar contra a violência feminina.

"Mulheres desse país, não baixem a cabeça nunca, porque os homens têm que aprender a respeitar vocês. Deus fez a gente igual. Não é possível que não termine com essa violência", disse.

Antes do discurso, foi apresentado um vídeo em que Lula leu uma carta para ele mesmo, mas 1979, quando participava do movimento sindical. "Após 47 anos e ganhar três eleições para a presidência da República, nem imaginava que poderia reconstruir o Brasil". No entanto, disse que ainda não está satisfeito porque o "Brasil está pronto para muito mais".

Alckmin

O vice-presidente e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSB) afirmou neste domingo, 16, que a política industrial do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) permitiu a retomada da produção de veículos em fábricas fechadas durante a gestão de Jair Bolsonaro (PL). Alckmin também exerceu o cargo de Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

"No governo passado, só para citar a indústria automobilística, fecharam a Mercedes-Benz em Iracemápolis, a Ford na Bahia e a Troller no Ceará. Com o presidente Lula, onde estava a Mercedes, hoje está a GWM produzindo veículos; onde estava a Ford, hoje está a BYD", declarou.

Alckmin disse ainda que houve crescimento das exportações. O vice-presidente também mencionou os acordos comerciais firmados pelo Mercosul com Singapura e com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA), além do tratado com a União Europeia.

Em tom eleitoral, Alckmin disse que a reeleição de Lula fortalecerá a democracia e permitirá ampliar as conquistas do governo. Segundo ele, o atual mandato registrou crescimento do emprego, da renda, do Produto Interno Bruto (PIB) e dos investimentos em educação, saúde e proteção ambiental.

As declarações foram dadas durante o lançamento da campanha petista no Estádio Municipal 1º de Maio, conhecido como Vila Euclides, em São Bernardo do Campo. Alckmin recorreu a metáforas futebolísticas para lembrar as greves dos metalúrgicos lideradas por Lula no fim da década de 1970. "Aqui, quem faz o gol é a democracia", afirmou.

ELEIÇÕES 2026

Riedel e Azambuja prestigiam largada de Viviane Luiza na abertura oficial da campanha

Ex-secretária estadual de Cidadania recebeu governador e ex-governador em ato deste domingo

16/08/2026 11h13

A primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, o governador Eduardo Riedel (PP), a candidata a deputado federal Viviane Luiza (PSDB) e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) durante a largada oficial da campanha eleitoral

A primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, o governador Eduardo Riedel (PP), a candidata a deputado federal Viviane Luiza (PSDB) e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) durante a largada oficial da campanha eleitoral Divulgação

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A abertura oficial da campanha eleitoral em Mato Grosso do Sul colocou a candidata a deputada federal Viviane Luiza (PSDB) entre os nomes prestigiados pelo governador Eduardo Riedel (PP) e pelo ex-governador e candidato ao Senado Reinaldo Azambuja (PL). 

Os dois participaram da agenda de lançamento da ex-secretária estadual de Cidadania neste domingo (16), dentro de uma série de compromissos com candidatos proporcionais da coligação.

A presença das duas principais lideranças do grupo político no ato de Viviane reforçou a candidatura da ex-secretária logo na largada da disputa. Ela destacou que a relação política e administrativa com Riedel e Azambuja começou ainda em 2015 e atribuiu o apoio ao trabalho desenvolvido durante sua passagem pelo Governo do Estado.

“Fortalece aquela construção que nós temos desde 2015. Acredito no trabalho que fiz enquanto gestora pública. Fui testada e fizemos um trabalho nos 79 municípios, segmentado para juventude, indígenas, quilombolas e mulheres”, afirmou.

Segundo Viviane, a participação de Riedel e Azambuja no lançamento também representa uma demonstração de confiança em sua candidatura e na ampliação da presença feminina nos espaços de poder.

“Ter os dois aqui é realmente a confirmação de que foram eles que me colocaram nesse espaço para a disputa, por acreditarem que mulheres nos espaços de decisão e poder são importantes”, declarou.

Riedel explicou que decidiu concentrar o primeiro dia oficial de campanha nos atos promovidos pelos candidatos a deputado federal da coligação. Antes de participar da agenda de Viviane, esteve em outro lançamento e, na sequência, seguiria para compromissos com outros nomes da chapa.

“Começou com os federais que estão fazendo atos hoje. Como a gente não tem como estar em todas as agendas, optamos por não fazer uma nossa e deixar que todos fizessem as suas. Eu hoje vou ao máximo possível de agendas dos nossos federais”, explicou o governador.

Riedel ressaltou que a campanha majoritária será dividida entre compromissos eleitorais e sua rotina administrativa à frente do Governo do Estado. Neste domingo, por exemplo, ele tinha compromisso oficial em Furnas do Dionísio e participação à noite no Bon Odori, em Campo Grande.

“A gente vai ter que se virar nos 30 entre as agendas de campanha e as agendas de governo”, afirmou. Para os próximos 45 dias, Riedel disse que pretende priorizar o contato direto com os eleitores, por meio de reuniões, carreatas, encontros e agendas de imprensa.

A primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, o governador Eduardo Riedel (PP), a candidata a deputado federal Viviane Luiza (PSDB) e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) durante a largada oficial da campanha eleitoral

“Acho que é andar, conversar com as pessoas, seja em forma de reunião, seja em carreata, levar nossa mensagem”, disse.

Reinaldo Azambuja também participou da movimentação de abertura da campanha dos candidatos proporcionais. Ele afirmou que pretende percorrer o maior número possível de lançamentos e ações eleitorais, lembrando que a coligação reúne mais de 200 candidaturas.

“Política ninguém faz sozinho, faz em grupo. As proporcionais levam o nome do governador e da campanha do Senado, então todas as candidaturas são importantes”, afirmou.

Azambuja disse que iniciou as atividades eleitorais ainda na noite anterior, em Paranaíba, e que neste domingo teria uma sequência de compromissos em Campo Grande e Maracaju. Para ele, a campanha deve manter um caráter propositivo, evitando ataques aos adversários.

“Acho que a gente não tem que fazer campanha atacando ninguém. Vamos falar das possibilidades e dos avanços de Mato Grosso do Sul”, declarou.

Participação feminina

Ex-secretária estadual de Cidadania, Viviane Luiza afirmou que pretende fazer da defesa de direitos, da equidade, da promoção social, do desenvolvimento humano e da educação os principais eixos de sua campanha para a Câmara dos Deputados.

“O foco é a pauta que eu trabalho há mais de duas décadas, que é a garantia de direitos, a promoção da equidade, a promoção social, o desenvolvimento humano, desde a cidadania e as mulheres e, claro, sem deixar de passar pela educação”, explicou.

Ela também destacou a possibilidade de Mato Grosso do Sul ampliar significativamente a representação feminina na Câmara Federal. Para Viviane, a presença de mais mulheres no Legislativo fortalece a pluralidade política.

“São mulheres fortes, capacitadas. Quando colocamos a equidade dentro da Câmara Federal, estamos dizendo que acreditamos que as mulheres também precisam e devem estar nesses espaços. Isso é pluralidade e representatividade”, afirmou.

A primeira-dama do Estado, Mônica Riedel, o governador Eduardo Riedel (PP), a candidata a deputado federal Viviane Luiza (PSDB) e o ex-governador Reinaldo Azambuja (PL) durante a largada oficial da campanha eleitoral

Ao explicar a decisão de disputar uma eleição pela primeira vez, Viviane afirmou que passou anos avaliando a possibilidade de entrar para a política eleitoral e que decidiu concorrer por acreditar na necessidade de renovação.

“Foram anos repensando e acreditando que nós precisamos ocupar esses espaços da política quando acreditamos na boa política. De tempos em tempos, em todos os espaços, precisa haver renovação”, disse.

Viviane também pretende explorar durante a campanha sua trajetória pessoal e profissional. Ela lembrou que veio da periferia, foi mãe solo e chegou à gestão pública antes de decidir disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados.

“Venho de uma história improvável, da periferia, mãe solo. Quero mostrar que é possível que mais pessoas que vêm desses espaços também estejam nos lugares de poder e decisão”, afirmou.
 

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