Política

DISPUTA

MS quer fatia do bolo bilionário dos royalties de petróleo

STF retoma julgamento que pode redistribuir recursos hoje concentrados em estados produtores; Mato Grosso do Sul defende divisão mais ampla entre entes federativos

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Mato Grosso do Sul entrou na disputa por uma fatia do bilionário montante dos royalties do petróleo, cujo modelo de distribuição será reavaliado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir desta quarta-feira (6). O julgamento, que se arrasta há mais de uma década, pode alterar consideravelmente a divisão dos recursos hoje concentrados nos estados produtores, como Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo.

Na prática, o que está em jogo é o destino de bilhões de reais pagos mensalmente por empresas que exploram petróleo e gás natural no país. Esses valores, conhecidos como royalties, funcionam como uma compensação financeira pela exploração de um recurso natural não renovável, mas a própria natureza desse repasse é o centro da disputa jurídica.

De um lado, estados produtores defendem que os recursos têm caráter compensatório, já que são diretamente impactados pela atividade petrolífera. Do outro, unidades não produtoras, como Mato Grosso do Sul, argumentam que se trata de uma riqueza nacional que deve ser compartilhada de forma mais equilibrada.

A tese defendida pelo governo sul-mato-grossense será apresentada no STF pela procuradora do Estado Ana Carolina Ali Garcia. Segundo ela, os royalties devem ser entendidos como participação no resultado econômico da exploração.

“Os royalties do petróleo devem ser enquadrados como distribuição de riqueza nacional gerada pela exploração dos recursos naturais, e não como compensação por impactos locais”, afirmou.

O argumento central é que o cálculo desses valores está ligado ao faturamento da atividade petrolífera, e não aos eventuais danos causados pela exploração.

O julgamento trata da validade da Lei nº 12.734/2012, aprovada pelo Congresso Nacional com o objetivo de ampliar a distribuição dos royalties entre todos os estados e municípios. A norma, no entanto, foi suspensa em 2013 por decisão liminar da ministra Cármen Lúcia, interrompendo a mudança nas regras.

Desde então, permanece em vigor o modelo que concentra a maior parte dos recursos aos entes produtores.

Impacto bilionário

Os números envolvidos ajudam a explicar a intensidade da disputa. De acordo com Sindicato de Auditores Fiscais da Receita Estadual do Rio de Janeiro, uma eventual redistribuição pode provocar perdas anuais de até R$ 21 bilhões para o estado e seus municípios.

Por outro lado, estados não produtores poderiam ampliar significativamente suas receitas. Segundo dados do InfoMoney, caso a lei de 2012 seja validada, a fatia destinada aos estados produtores cairia de 61% para 26%, enquanto o percentual direcionado ao fundo especial, que atende às demais unidades federativas, saltaria de 8,75% para 54%. Já a participação da União recuaria de 30% para 20%.

Para Mato Grosso do Sul, a mudança representa a possibilidade de acesso a uma nova fonte relevante de recursos públicos, em um cenário de disputa federativa por receitas.

Segundo a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), a demora na decisão do STF contribuiu para aprofundar desigualdades entre os entes federativos e enfraquecer o chamado federalismo cooperativo, que prevê maior equilíbrio na divisão de receitas.

O Estado também sustenta que os argumentos utilizados para manter a concentração dos royalties não estão alinhados aos critérios constitucionais de repartição de receitas.

Além da procuradora Ana Carolina Ali Garcia, acompanham o julgamento o procurador-geral do Estado, Márcio Arruda, e o procurador Ulisses Schwarz Viana, responsável pela representação da PGE em Brasília.

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Com verba pública

Além de Daniel Vorcaro, deputado de MS também ajudou a "bancar" filme sobre Bolsonaro

Marcos Pollon e outros dois parlamentares do PL usaram emendas parlamentares para financiar Dark Horse; PF tem áudio de Flávio Bolsonaro cobrando financiamento de dono do Banco Master

13/05/2026 17h45

Jim Caviezel, no papel de Jair Bolsonaro

Jim Caviezel, no papel de Jair Bolsonaro Divulgação

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O deputado federal por Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon - atualmente com o mandato suspenso - assim como o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, também ajudou a financiar o filme “Dark Horse”, que conta a história do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A diferença é que o deputado sul-mato-grossense usou dinheiro público, de emenda parlamentar, na iniciativa. 

Pollon é um dos parlamentares que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, pediu explicações sobre o direcionamento de emendas para o filme. Além dele, os deputados federais Mário Frias (PL-SP), Bia Kicis (PL-DF) também direcionaram emendas para o longametragem, estrelado pelo ator norte-americano Jim Caviezel. 

Jim Caviezel, no papel de Jair BolsonaroDeputado federal Marcos Pollon/ Divulgação PL

Os três parlamentares destinaram, ao todo, R$ 2,6 milhões em emendas Pix em 2024 a uma ONG presidida pela sócia da produtora que fez o filme “Dark Horse”, que conta a história de Bolsonaro. O objetivo do despacho do ministro é apurar se o repasse teve como destinação final o financiamento do filme.

Nesta quarta-feira (13), o site Intercept Brasil divulvou áudio do senador e pré-candidato à presidência da República do PL, Flávio Bolsonaro, cobrando mais repasses do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cobrando dinheiro para patrocinar o filme. 

Mensagens por escrito e áudio dos contados de Flávio com o dono do Banco Master foram reveladas, elas integram o inquérito da Polícia Federal, que estão no bojo da operação Compliance Zero.

Segundo informou o Intercept e consta do áudio de Flávio Bolsonaro em poder da Polícia Federal, , teria havido uma negociação para que Vorcaro ajudasse com uma contribuição equivalente a US$ 24 milhões e que já teriam sido feitos pagamentos até 2025 no valor de US$ 10 milhões. 

Esses valores estão referidos nos documentos contidos na investigação do caso Master

A extração integral desse conteúdo foi compartilhada com a defesa de Vorcaro em fevereiro, por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF). Até o momento, a PF não realizou nenhuma diligência ou abriu investigação para apurar esses fatos específicos envolvendo Flávio.

No final da manhã desta quarta, o senador foi questionado por repórter do Intercept quando o político deixava o STF após encontro com o presidente da Corte, Edson Fachin. O parlamentar disse ser “mentira” que o filme Dark Horse, que conta a história de Jair Bolsonaro, tenha tido o financiamento do banqueiro Daniel Vorcaro.

“É mentira, de onde você tirou isso?”, afirmou, dando uma gargalhada e se afastando do local onde respondia perguntas de jornalistas. Depois, o jornalista diz que o Intercept divulgaria mensagens de Flávio Bolsonaro pedindo dinheiro a Vorcaro. Ele chama o repórter de militante e diz: “É mentira, pelo amor de Deus, de onde você tirou isso? É dinheiro privado, dinheiro privado, dinheiro privado”.

O áudio

O Intercept Brasil divulgou nesta quarta-feira áudio em que o senador pede dinheiro para o dono do Banco Master para pagar despesas com o filme Dark Horse.

“Fico sem graça de ficar te cobrando, mas é que está em um momento muito decisivo do filme e como tem muita parcela para trás, está todo mundo tenso, preocupado”, diz Flávio no áudio divulgado.

Nas mensagens obtidas pelo Intercept, Flávio Bolsonaro escreve ainda a Vorcaro: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs”.

A mensagem teria sido enviada no dia 16 de novembro de 2025. No dia seguinte, Vorcaro foi preso por suspeita de operações fraudulentas envolvendo o banco. O Master foi liquidado no dia 18 de novembro de 2025.

O pôster do filme Dark Horse foi divulgado em abril e tem data de estreia marcada: 11 de setembro deste ano, em meio ao calendário eleitoral brasileiro.

O ator Jim Caviezel interpreta o ex-presidente no longa. A produção, que envolve gravações no Brasil e nos Estados Unidos, promete contar a história recente da carreira política do ex-presidente até ser eleito em 2018. O roteiro é do deputado federal Mario Frias (PL-SP) e produção da Go Up Entertainment.

Segundo o Intercept, as negociações para que Vorcaro bancasse o filme foram feitas por Flávio e outros intermediários, como Mario Frias e o deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro.
Frias, Pollon e Bia Kicis enviaram os valores, por meio de emendas parlamentares a uma organização não governamental (ONG) da produtora do longa-metragem. 

Em 2024, Frias destinou recursos do Orçamento da União ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama. Karina é dona da Go Up Entertainment, responsável pela produção de The Dark Horse.
 

Política

"É um tapa na cara dos brasileiros", diz Zema sobre Flávio Bolsonaro cobrar dinheiro de Vorcaro

Flávio e Zema disputam o eleitorado bolsonarista, mas o ex-governador mineiro vinha adotando cautela ao marcar diferenças em relação ao filho do ex-presidente

13/05/2026 17h17

Zema é pré candidato para Presidente da República

Zema é pré candidato para Presidente da República Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

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O ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), reagiu nas redes sociais à revelação de que o também presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) trocou mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro pedindo dinheiro para ajudar a financiar a produção de um filme sobre a vida do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

"Flávio Bolsonaro, ver você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável. É um tapa na cara dos brasileiros de bem. Não adianta criticar as práticas de Lula e do PT e fazer a mesma coisa. Para mudar o Brasil, é preciso credibilidade."

Flávio e Zema disputam o eleitorado bolsonarista, mas o ex-governador mineiro vinha adotando cautela ao marcar diferenças em relação ao filho do ex-presidente.

Na semana passada, Zema descartou a possibilidade de ser vice na chapa de Flávio.

Na pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira, Flávio apareceu com 33% das intenções de voto no primeiro turno da eleição presidencial de 2026, enquanto Zema registrou 4%.

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