O líder da bancada federal de Mato Grosso do Sul em Brasília, deputado Vander Loubet (PT), afirmou não concordar com alguns posicionamentos, mas defendeu a indicação do ministro Cristiano Zanin, indicado pelo presidente Lula (PT) para o Supremo Tribunal Federal (STF).
Zanin tem acumulado críticas de grupos da esquerda, especialmente após voto contra a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal, além de outros votos polêmicos.
"Nós temos que entender que o Lula indicou Zanin para ministro e, a partir do momento que ele é ministro, não é um ministro do PT",disse Vander.
"Nós podemos questionar, não concordar, mas ele tem os princípios que ele acredita, aquela coisa toda. Eu acho que com toda essa posição dele, foi correto a nomeação dele", acrescentou.
O deputado disse ainda que esperava uma posição mais progressista do ministro e que o partido tem sido muito questionado, mas que é necessário dar um voto de confiança.
"O importante, que eu acredito, é que ele é um cara que defende esse campo, é um democrata, tem que respeitar ele e aqueles princípios que ele acredita", concluiu Vander.
As afirmações foram feitas durante o lançamento da Caravana da Sudeco, em Campo Grande.
Polêmicas
O ministro Cristiano Zanin acumulou críticas de aliados do petista e elogios de opositores.
Na ocasião do voto contra a descriminalização do porte de drogas para uso pessoal, militantes petistas também estenderam críticas a Lula, afirmando que, na indicação, o presidente não pesou as opiniões do ministro sobre temas caros para a base do PT, como as questões sociais.
Já políticos de centro-direita e de direita felicitaram o voto do ex-advogado de Lula.
Menos de um mês após sua posse no STF, Zanin também tem acumulado outros posicionamentos em julgamentos contrários à expectativa de parte dos apoiadores de Lula.
Na última semana, o ministro apresentou relatório para manter a condenação de dois homens acusados de furtar um macaco de carros, dois galões com combustível e uma garrafa enchida pela metade com óleo diesel --itens que, juntos, foram avaliados em R$ 100.
A defesa da dupla pedia o reconhecimento do princípio de insignificância, argumentando que os produtos furtados tinham baixo valor e foram recuperados pela vítima. Zanin, porém, decidiu manter a condenação.
Zanin ainda foi criticado por apoiadores de Lula por ter sido o único ministro do Supremo a votar contra a tipificação da homotransfobia como crime de injúria racial.
O ministro também integrou a maioria do STF que decidiu mudar regra e permitir que juízes atuem em processo de clientes de escritórios de advocacia que tenham parentes dos próprios magistrados em seus quadros.
A regra examinada no Supremo afeta o próprio Zanin, que era sócio da esposa, a advogada Valeska Teixeira Zanin Martins, e outros ministros que têm esposas e filhos na advocacia, casos de Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Luiz Fux, Luís Roberto Barroso e Edson Fachin.
Ex-advogado de Lula, Zanin foi indicado pelo presidente para uma das cadeiras do Supremo Tribunal Federal após a aposentadoria de Ricardo Lewandowski.
Zanin teve sua indicação ao STF aprovada pelo Senado por 58 votos a 18.





