Política

crise institucional

Nelsinho sai em defesa de Pacheco em razão das críticas de ministros do STF

Bancada do PSD no Senado se uniu para defender o correligionário e divulgou nota de indignação contra a alta Corte

Continue lendo...

O senador sul-mato-grossense Nelsinho Trad e os demais senadores da bancada do PSD no Senado Federal uniram-se para defender o correligionário e presidente da Casa de Leis, senador Rodrigo Pacheco (MG), com a divulgação de nota em que manifestam indignação com as críticas de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) à aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que limita decisões monocráticas e pedidos de vista na alta Corte.

Na nota da bancada do PSD no Senado, os senadores disseram que o Congresso Nacional exerce o seu papel quando coloca para apreciação temas do mais alto interesse da população brasileira, como tem sido com as decisões monocráticas de alguns ministros do STF nos últimos anos.

Além disso, os parlamentares da Câmara Alta do Brasil reclamaram da agressividade dos magistrados da alta Corte brasileira ao criticarem de forma pública a decisão do Senado em aprovar a PEC do STF, cobrando moderação e respeito à Constituição Federal.

Em entrevista concedida com exclusividade ao Correio do Estado, Nelsinho Trad disse que, diante da votação da PEC 8/2021 e da agressividade de algumas declarações dos ministros da alta Corte, a bancada do PSD optou por redigir a nota oficial de desagravo ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

“Neste momento, a moderação e o respeito à Constituição Federal devem prevalecer, visando à pacificação do Brasil e ao fortalecimento das instituições. Eu e os demais colegas assinamos esse documento, pois entendemos que a tripartição dos Poderes é fundamental para a democracia brasileira”, ressaltou o parlamentar sul-mato-grossense.

Nelsinho Trad completou que a proteção ao Estado Democrático de Direito garante a independência e a harmonia entre eles, especialmente ancorada na Constituição Federal. “Tribunais independentes, ao se submeterem à Constituição, seguem os mecanismos de reforma nela previstos”, disse.

O senador argumentou ainda que não cabe o julgamento do Poder Legislativo quando este exerce seu dever de legislar em estrito respeito ao processo legislativo. “O Senado, como instituição, nunca confrontou ou desrespeitou os ministros do Supremo, mesmo diante de votos questionáveis. Devemos, sim, acima de tudo respeitar a democracia em nosso país”, assegurou.

DESPROPORCIONAL

Na noite de sexta-feira, o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), disse que a reação do STF à aprovação da PEC que limita poderes da alta Corte foi desproporcional. 

“Eu considero que foi um tom um pouco acima do que se esperava, considero que a reação em relação a essa proposta de emenda à Constituição foi uma reação um tanto desproporcional, considerando o mérito dela. O que ela significa”, declarou.

O congressista voltou a dizer que não aceita nenhum tipo de intimidação. Falou que a aprovação do texto não é uma “intimidação” contra o STF. 

“Primeiro, cabe ressaltar que não há a mínima hipótese de haver qualquer tipo de intimidação, assim como nós também não aceitamos nenhum tipo de intimidação, porque o Senado é composto por pessoas com a mesma coragem cívica e imunes de medos dessa natureza”, argumentou.

Pacheco disse que a proposta só faz valer o que já está previsto na Constituição Federal. “Quem faz a lei é o Congresso Nacional. Quem sanciona é o presidente da República e só pode ser declarado inconstitucionalidade pela maioria do colegiado do Supremo Tribunal Federal. O que nessa dimensão política significa dizer que há um equilíbrio. Então, é uma harmonia entre os Poderes a partir desses mecanismos. A emenda constitucional é absolutamente razoável e pertinente”, declarou.

O presidente do Senado afirmou que continuará defendendo o STF e o Judiciário. “É que em todos os instantes, de momentos críticos da vida nacional, nós afirmamos e reafirmamos a nossa confiança no Poder Judiciário em todas as suas instâncias. Então, é muito importante que nós estamos tratando aqui de algo bom para o Brasil”, disse.

Pacheco voltou a afirmar que é a favor da proposta que quer estabelecer um mandato fixo para ministros do STF. O congressista também é a favor de elevar a idade mínima para poder ser ministro da Corte.

Questionado sobre o momento, já que há uma tensão entre Judiciário e Senado depois da aprovação da PEC, o presidente disse ser “apropriado”.

“Sou a favor de mandato de ministro do Supremo Tribunal Federal, assim como acontece em diversos outros países. Sou a favor da elevação da idade mínima para ingresso no Supremo Tribunal Federal, então, são modificações que eu sempre defendi e continuarei defendendo. E acho que é o momento propício para se discutir. Nós não podemos ter inibição em razão de se criar uma crise que não existe por conta de um tema que é absolutamente honesto de se discutir”, concluiu.

Reforço

Em meio a crise, STF reforça esquema de segurança para o Sete de Setembro

Esquema será o mesmo utilizado em anos anteriores

04/09/2026 23h00

Foto: Divulgação / STF

Continue Lendo...

Em meio à crise interna protagonizada por André Mendonça e Alexandre de Moraes, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai reforçar a segurança em torno da sede, em Brasília, para o Sete de Setembro. O esquema será o mesmo utilizado em anos anteriores e em grandes eventos que possam colocar as instalações da Corte em risco.

O planejamento de segurança está sendo realizado de forma integrada entre o tribunal, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal, o Comando Militar do Planalto, as Forças Armadas, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do Palácio do Planalto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), as forças de segurança do DF e outros órgãos.

Segundo informações do STF, a atuação conjunta contempla compartilhamento de inteligência, avaliação de riscos e definição coordenada de efetivos, áreas de responsabilidade, revistas, bloqueios, restrições do espaço aéreo e monitoramento de drones. Ainda de acordo com o tribunal, serão adotadas "as medidas de reforço necessárias" nas áreas de atuação do tribunal

O esquema de segurança coordenado com outros órgãos de segurança vem sendo adotado pelo STF nos últimos anos e se intensificou a partir do 8 de janeiro de 2023, quando as sedes dos Três Poderes, em Brasília, foram invadidas na tentativa de golpe de Estado. Para este ano, o aparato já tinha sido pensado antes da crise se instalar no tribunal.

No início da semana, Mendonça enviou para o presidente, Edson Fachin, um relatório da Polícia Federal com indícios de uma ligação pouco republicana entre Moraes e Daniel Vorcaro. Em resposta, Moraes pediu para Fachin a abertura de uma investigação contra Mendonça por ter supostamente adotado procedimentos irregulares na condução do caso.

Brasília

Fachin diz que gravidade dos fatos não autoriza atalhos

Lula critica vazamentos seletivos e alerta para riscos à democracia

04/09/2026 21h00

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

Continue Lendo...

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, garantiu, nesta sexta-feira (4), em Brasília, que será dentro da legalidade a resposta do Judiciário brasileiro aos fatos relacionados a supostas irregularidades na condução do caso do Banco Master e ao vazamento de trocas de mensagens entre o também ministro do STF Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

“A gravidade dos fatos não autoriza atalhos. Ao contrário! Quanto maior o desafio, maior deve ser o compromisso com a legalidade, o devido processo [legal] e as garantias constitucionais”, afirmou o ministro Edson Fachin.

Diante da crise no Poder Judiciário acentuada nesta semana, o presidente da Suprema Corte prometeu que a apuração dos fatos seguirá os procedimentos estabelecidos pela Constituição Federal e pelo ordenamento jurídico.

“Faremos o que é certo, no tempo e pela forma que a ordem jurídica exige”, declarou o presidente do STF.

O ministro Edson Fachin também reiterou a necessidade de as instituições da República serem preservadas, sobretudo em momentos de maior tensão. Ele frisou que nenhuma autoridade e nenhum Poder da República estão acima da Constituição Federal, pois “nenhum interesse circunstancial pode se sobrepor à integridade do Estado Democrático de Direito”.

As declarações foram dadas no Palácio do Planalto, durante o evento de sanção de leis que criam fundos para aperfeiçoamento da Justiça Federal, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), da Defensoria Pública da União (DPU) e do Ministério Público da União (MPU), para aumentar as fontes de recursos, com o objetivo de modernizar as instituições e ampliar o acesso da população à Justiça.

Igualdade

No mesmo evento no Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou que a aplicação da legislação brasileira deve ser a mesma para todos os cidadãos.

“Ninguém, em nome da Democracia, pode utilizar o cargo que tem em benefício pessoal. Ninguém! Isso vale para o presidente da República, vale para um catador de material reciclável, vale para uma parteira, vale para uma médica”, afirmou o presidente Lula. 

Para Lula, todos devem estar subordinados aos mesmos trâmites da legislação. "Afinal de contas, ela [a lei] vale para todos”, afirmou.

Vazamentos seletivos

Dirigindo-se ao presidente do STF, Edson Fachin, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, o presidente da República cobrou transparência para contornar a crise, sob pena de o Poder Judiciário perder a credibilidade da opinião pública. 

“O que nós não podemos, neste país, é oficializar a indústria da fake news, a indústria dos vazamentos seletivos por interesses políticos e econômicos. Não é possível”, lamentou Lula.

O presidente Lula apontou que esses vazamentos colocam em risco a democracia brasileira. 

“Estamos vivendo uma época muito perigosa. O denuncismo, as fake news, os vazamentos [de dados de investigações] não contribuem com a democracia”.

Entenda a crise

Nesta semana, o ministro do STF André Mendonça enviou ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, o pedido de abertura de inquérito contra o ministro do Supremo Alexandre Moraes, após relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, atualmente preso por fraudes no Banco Master.

Em resposta, nesta quarta-feira (3), Moraes encaminhou a Fachin um pedido de investigação contra a atuação do Mendonça na relatoria de processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero, da Polícia Federal.

Horas antes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação da investigação sobre conversas de Moraes e Vorcaro.

Nesta sexta-feira, o presidente do Supremo estabeleceu o prazo de cinco dias para que o ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, se manifestem sobre o caso.

NEWSLETTER

Fique sempre bem informado com as notícias mais importantes do MS, do Brasil e do mundo.

Fique Ligado

Para evitar que a nossa resposta seja recebida como SPAM, adicione endereço de

e-mail [email protected] na lista de remetentes confiáveis do seu e-mail (whitelist).