Política

campeões de voto

Nikolas e Pavanato são os deputados mais votados da história

Ambos obtiveram mais de três milhões de votos, superando Eduardo Bolsonaro e Eneas Carneiro, recordistas anteriores

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O deputado federal por Minas Gerais Nikolas Ferreira e o vereador de São Paulo Lucas Pavanato, ambos do PL, tornaram-se os candidatos a deputado federal mais votados da história do País, com mais de 3 milhões de votos. Até 22 horas do domingo, nos momentos finais da apuração, Nikolas tinha 3.113.945 votos e Pavanato, 3.038.075. O resultado superou a votação de Eduardo Bolsonaro, de 1,84 milhão, em 2018, e de Enéas Carneiro em 2002, de 1,57 milhão.

Conforme as projeções iniciais, o PL garantiu a maior bancada da Câmara dos Deputados, com ao menos 120 deputados eleitos. Atualmente, a legenda tem 98 parlamentares. A perspectiva era de um avanço expressivo do principal partido de direita do Brasil, com um recuo das legendas de esquerda. A federação PCdoB, PT e PV deveria ficar com 78 cadeiras, dez a menos. A federação formada por PP e União, que reúne o núcleo duro do chamado Centrão, cairia de 98 para 69 cadeiras.

Ainda durante a apuração, Pavanato comemorou o resultado e disse que foi surpreendido com o próprio desempenho. "Nem de longe eu imaginei. Imaginei que no melhor dos cenários eu faria 1,3 milhão, 1,5 milhão. Mas Deus é maravilhoso", afirmou na calçada da Avenida Brigadeiro Luís Antônio na noite de ontem.

O candidato eleito disse que, na Câmara dos Deputados, vai lutar por uma "política forte" contra o crime organizado e disse não ter "pena de marginal". Também prometeu fazer frente a "autoridades que abusam do poder no Judiciário" e combater a agenda ideológica do que chamou de "extrema esquerda".

"O PT pode se preparar porque eles vão ter de passar a faixa. Porque agora nós vamos ter a Câmara, vamos ter o Senado e vamos ter mais parlamentares com coragem para dizer o que tem de ser dito", disse Pavanato. O vereador ainda agradeceu a Nikolas pelo apoio e disse que, juntos, eles elegeram "a maior bancada jovem de direita do País".

Essa foi a primeira vez que Lucas Pavanato concorreu a uma vaga de deputado federal. Há dois anos, nas eleições municipais de 2024, ele já havia sido o vereador eleito com a maior quantidade de votos da cidade de São Paulo, com 161 mil. Aos 28 anos, ele deixa o cargo para assumir seu posto na Câmara dos Deputados.

AVANÇO

Nikolas Ferreira, reeleito deputado federal como o mais votado do Brasil, teve mais que o dobro de votos neste ano do que em 2022, quando havia sido o mais votado, com 1,49 milhão. Aos 30 anos, ele vai para seu segundo mandato consecutivo.

A terceira candidata mais votada do País na disputa por vaga na Câmara dos Deputados em 2026 foi a deputada federal Erika Hilton (PSOL). A parlamentar reeleita costuma se envolver em enfrentamentos com Pavanato e Nikolas nas redes sociais.
 

voto útil

Juntos, candidatos da 'terceira via' não chegam a 8% dos votos

Augusto Cury chegou a pontuar com 11% das intenções de voto em agosto, mas nas urnas ficou com apenas 2,9%

05/10/2026 06h59

Ex-governador de MG, Romeu Zema, que utilizou celular na urna, obteve apenas 0,27 dos votos válidos neste domingo

Ex-governador de MG, Romeu Zema, que utilizou celular na urna, obteve apenas 0,27 dos votos válidos neste domingo

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Nenhum dos candidatos à Presidência da República que não avançaram para o segundo turno da eleição ultrapassou 3% dos votos válidos neste domingo. Com os resultados somados, Augusto Cury, (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) obtiveram 7,58% da preferência do eleitorado.

O candidato do Avante, que chegou a registrar 11% das intenções de voto em agosto e seguiu alcançando dois dígitos em levantamentos até o início de setembro, recebeu 2,9% dos votos válidos ontem.

Cury votou por volta das 11 horas, em Colina, no interior de São Paulo, afirmando esperar uma "surpresa positiva" na eleição. Com 99,88% das urnas apuradas, o escritor concentrava 3,4 milhões de votos.

Depois de votar, Cury afirmou a jornalistas que o cenário político atual gera preocupação entre os brasileiros em relação ao futuro do País.

Na noite de ontem, o candidato do Avante publicou uma nota em que declarou torcer para que o vencedor da eleição presidencial "governe pensando em um Brasil de esperança", mas não declarou se apoiará o candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, ou do PL, Flávio Bolsonaro, no segundo turno da eleição.

"Quem ganhar, torço para que governe pensando em um Brasil de esperança. Que considere as ideias e os projetos que apresentamos para construir um país mais justo, e que governe com inteligência e senso de justiça, tendo como prioridade as dores de mais de 210 milhões de brasileiros", escreveu. "Quero pacificar este País. Quero que um conservador consiga ouvir um progressista sem odiá-lo; que um progressista consiga conversar com um conservador sem desumanizá-lo; que possamos criticar ideias sem destruir pessoas", declarou.

Na nota, Cury cumprimentou "os dois candidatos que conquistaram, nas urnas, o direito de disputar o segundo turno".

RENAN

O candidato do Missão à Presidência obteve 2,25% da preferência do eleitorado, alcançando mais de 2,6 milhões de votos. Renan votou na manhã de ontem, na zona sul de São Paulo. Ele chegou à seção eleitoral, no bairro de Vila Friburgo, por volta das 10h30, acompanhado de apoiadores.

Ao chegar para votar, o candidato do Missão afirmou que a eleição de 2026 foi a mais "bizarra de todas". "Vocês estão presenciando a eleição mais estranha desde a redemocratização", disse o candidato. "É a pior eleição desde a redemocratização".

O candidato do Missão criticou a ausência de debates ao longo da campanha. "Foi uma eleição vazia, e ela foi construída para ser uma eleição vazia, porque as forças políticas que são majoritárias estão envolvidas em escândalos de corrupção gigantescos e não querem a discussão", afirmou. "Foi uma eleição em que os candidatos fingiram demência o tempo todo."

Após a definição dos resultados do primeiro turno, Renan elogiou o PL nas redes sociais. "Temos que reconhecer, foi um arraso o que o PL fez", afirmou. "Parabéns ao PL, mesmo com um péssimo candidato", disse Renan. O postulante do Missão à Presidência também afirmou que, em sua avaliação, "não há direita no Brasil sem Bolsonaro".

CAIADO

Após a consolidação do resultado da eleição, o ex-governador de Goiás e candidato do PSD afirmou que se manifestará sobre seu posicionamento no segundo turno apenas após se reunir com o presidente do seu partido, Gilberto Kassab (PSD). "Vou guardar a minha coerência. Não vou me pronunciar sem me reunir com Kassab", afirmou Caiado numa entrevista coletiva.

Caiado ficou em quinto lugar na disputa presidencial com mais de 2,6 milhões de votos (2,19%).

ZEMA

O presidenciável do Novo terminou a disputa ao Palácio do Planalto em sexto lugar, com pouco mais de 326 mil votos no primeiro turno (0,27%). O resultado, o pior de seu partido em uma corrida presidencial desde sua estreia, em 2018, significou uma derrota pessoal para o ex-governador de Minas.

Zema entrou na cabine de votação, em Araxá (MG), segurando um celular, o que é proibido. O Ministério Público Eleitoral (MPE) ingressou com uma ação contra o candidato após ele ser flagrado com o aparelho em mãos diante da urna.

O postulante do Novo ironizou a ação nas redes sociais. "Mas se eu tivesse roubado um celular e falasse que era pra comprar uma cervejinha estaria tudo bem. Mais um dia de Brasil", postou Zema no X.

Anteriormente, ele disse que não havia sido alertado pelos mesários sobre a proibição e negou ter feito fotografias ou registros durante o voto. O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) informou que o episódio será apurado. Na publicação online, Zema também questionou o fato de a Justiça Eleitoral disponibilizar ferramentas virtuais para auxiliar o eleitor antes da votação. "O TSE cria uma ferramenta chamada 'Colinha Virtual', a gente usa e o MPE ajuíza uma ação CRIMINAL contra mim porque usei o celular. (???)", afirmou.

O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral afirmou que intercorrências com celular são comuns e afirmou que a Justiça Eleitoral tomará providências.

Zema afirmou que não foi alertado sobre o veto ao uso do aparelho e disse que havia temas mais importantes para serem debatidos na eleição.

As regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proíbem que eleitores portem celulares, câmeras ou outros equipamentos capazes de comprometer o sigilo do voto dentro da cabine, mesmo desligados. Os aparelhos devem ser deixados em local indicado pela mesa receptora antes da votação. A Justiça Eleitoral permite que o eleitor leve uma "colinha", mas orienta que os números dos candidatos sejam anotados em papel.

Recorte

Advogados reclamam de 'muito baixa' previsibilidade de tribunais superiores

Resultados mostram que 36,2% avaliam como baixa ou muito baixa a previsibilidade das decisões

04/10/2026 23h00

TSE

TSE Reprodução/TSE

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Pesquisa da Associação dos Advogados (AASP) indica que grande parte dos advogados brasileiros está insatisfeita com a insegurança jurídica e a falta de previsibilidade nos tribunais superiores do País. O levantamento ouviu 754 profissionais para uma avaliação da rotina de práticas do Judiciário em suas mais altas instâncias.

Os resultados mostram que 36,2% avaliam como baixa ou muito baixa a previsibilidade das decisões; 82% dizem que mudanças de entendimento dos tribunais já afetaram significativamente a orientação de clientes e as estratégias processuais; 48,1% apontam o excesso de decisões monocráticas entre os fatores que mais afetam a segurança jurídica; e 40,1% afirmam que os julgamentos virtuais não preservam condições adequadas de participação da advocacia.

"Não estamos diante de uma insatisfação pontual da advocacia, mas de um alerta institucional que precisa ser ouvido", diz Paula Lima Hyppolito Oliveira, presidente da AASP, entidade fundada em 1943. Para ela, é alarmante o dado de que 82% dos profissionais consultados dizem que mudanças de entendimento das Cortes superiores já afetaram sua capacidade de definir estratégias de atuação. "Estamos falando de segurança jurídica e, em última instância, da confiança no próprio sistema de Justiça."

Paula Hyppolito assinala que "instituições fortes não são aquelas imunes a críticas, mas as que transformam a crítica em oportunidade de aperfeiçoamento". "A advocacia não quer um Judiciário menos independente, quer um Judiciário cada vez mais forte."

Previsibilidade

Em um outro mapeamento, realizado entre 17 e 24 de junho passado, os resultados já haviam indicado que a principal preocupação da classe não é o volume de processos ou a duração dos julgamentos, mas a previsibilidade das decisões, a estabilidade da jurisprudência e a preservação das condições efetivas de atuação da advocacia - 72% dos profissionais entrevistados naquele escrutínio exercem a advocacia há mais de 20 anos e apresentam atuação frequente perante as Cortes superiores, especialmente STJ (78%), STF (46,3%) e TST (36,2%).

O principal achado da pesquisa é a percepção de perda de previsibilidade das decisões, afirma Paula. "O resultado reforça que a segurança jurídica permanece como uma das maiores preocupações da advocacia." A pesquisa também revela uma preocupação consistente sobre o funcionamento dos tribunais superiores. Paula Hyppolito diz que o estudo demonstra que existe uma demanda consistente por maior previsibilidade institucional e fortalecimento da segurança jurídica.

Quando questionados sobre os fatores que mais comprometem a segurança jurídica, os advogados concentraram as respostas em grandes temas: excesso de decisões monocráticas (48,1%); mudanças frequentes de jurisprudência (42,7%); demora no julgamento dos processos (38,5%); dificuldades de acesso e interlocução com gabinetes (33,3%). Em outra face da pesquisa, as prioridades para aperfeiçoamento dos tribunais superiores convergem para medidas voltadas ao fortalecimento da segurança jurídica: maior estabilidade e coerência jurisprudencial (58,8%); regras mais claras para admissibilidade recursal (41,2%); fortalecimento da colegialidade (30,9%); adoção de códigos de ética (29,7%); ampliação das possibilidades de sustentação oral (27,2%); e maior transparência e fundamentação das decisões (25,7%).

Virtual 

Outro resultado relevante diz respeito aos julgamentos virtuais, segundo Paula. Os dados demonstram que permanece uma percepção importante de limitação ao exercício das prerrogativas profissionais nesse modelo de julgamento: 71% avaliam que não está plenamente garantida a participação efetiva da advocacia, sendo apenas parcialmente (30,8%) ou simplesmente não preservada (40,1%).

O mapeamento destaca a insatisfação quanto ao acesso institucional aos tribunais. Somando as respostas, 72,3% entendem que os procedimentos para solicitação de audiências, apresentação de memoriais e interlocução com gabinetes de ministros "não oferecem condições plenamente isonômicas de acesso à advocacia".

Na pergunta aberta surgiu um aspecto que merece atenção, segundo a AASP: a inteligência artificial foi, de longe, o tema espontâneo mais recorrente. Embora a pesquisa trate do funcionamento dos tribunais superiores, muitos advogados aproveitaram o espaço para defender maior uso de IA na gestão processual, organização de precedentes, triagem e apoio às atividades das Cortes. "Isso reforça que, para a advocacia, tecnologia e segurança jurídica deixaram de ser pautas separadas e passaram a ser percebidas como temas complementares na modernização do Judiciário", afirma Paula Hyppolito.

Ela entende que a tecnologia "pode tornar a Justiça mais eficiente, mas eficiência não pode significar menos participação". "Recuperar e fortalecer a confiança exige diálogo, estabilidade da jurisprudência, igualdade de acesso, ética e condições efetivas para que a advocacia exerça o papel que a Constituição lhe atribui."

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