Política

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Overdose cultural

Overdose cultural

Redação

26/04/2010 - 21h56
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OSCAR ROCHA

Com orçamento de cerca de R$ 1,5 milhão e uma programação ampla – música, artes plásticas, artesanato, literatura, artes cênicas, cinema –  o Festival América do Sul, que chega à sétima edição, inicia-se na quarta-feira e prossegue até domingo em Corumbá, procura ainda se impor como importante evento na integração cultural da América Latina. Desde o ano passado, a partir de convênio assinado pelo governo do Estado com o Memorial da América Latina, sediado em São Paulo, a curadoria passou a ser compartilhada. “O memorial nos ajuda nas escolhas das atrações, ele tem ‘feeling’, visão mais ampla do que é representativo na produção cultural atual do continente”, aponta o presidente da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul, Américo Calheiros.

Ao contrário dos primeiros anos, quando o festival oferecia farta programação de debates sobre questões pertinentes à realidade sul-americana, nas edições mais recentes a centralização ficou em torno de aspectos culturais. “Focamos no aspecto cultural; não abandonamos as discussões, procuramos ainda estabelecer o intercâmbio, o debate, os grupos de reflexões, mas todos nascem a partir da experiência em cultura”, ressalta Américo. Um dos aspectos que deverão ser reforçados neste ano é atenção concedida à cidade de Ladário. “Nos outros anos, algumas atrações do festival eram apresentadas por lá, mas a gente achava que muita gente de Ladário se deslocava até Corumbá também para assistir outras coisas, e era isso que acontecia. Então, consideramos importante levar mais atividades para aquela cidade”.  O evento é uma parceria do Governo do Estado com a Prefeitura Municipal de Corumbá.      
 
A programação musical sempre chama atenção, mas há outros atrativos que também despertam interesse dos visitantes. Um delas, com certeza, é a parte de artesanato, que é mostrada na  Praça Genoroso Ponce, onde é instalado o Pavilhão dos Países. Foram convidados 7 países, incluindo Argentina, Colômbia, Chile, Uruguai, Bolívia, Venezuela e Peru. Cada país terá dois representantes, sempre ligados a associações ou grupos de artesãos, que mostrarão vários produtos. A parte nacional será representada por Mato Grosso do Sul com a exposição de trabalhos de 80 artesãos, que produzem seus materiais com osso, cabaça, madeira, entre outros. No local, ainda funcionarão livrarias e loja de CD, especializada na produção local. A abertura do espaço será na quarta-feira às 20h. Ainda haverá exposição da produção artesanal corumbaense na Casa do Artesão.

Na programação do audiovisual, desde o ano passado, a curadoria busca destacar produções recentes de estados brasileiros. “No ano passado, mostramos coisas do Rio de Janeiro, Amazonas; agora, serão mostradas produções de Minas Gerais e Goiás. Também teremos a participação de realizadores destes lugares. São vários tipos de produções: documentários, ficções, curtas, médias e longas-metragens”, destaca a coordenadora de audiovisual do festival, Lidiane Lima. Os filmes originários de outros países foram selecionados pelo Memorial da América Latina. Além das exibições, o festival também contará com sessões de debates, sempre tendo como foco a realização e a exibição independente. Entre os temas destacados estão o cineclubismo e a produção de baixo orçamento. Uma novidade desta edição com relação ao cinema será a instalação de um grande telão na Praça Independência, no centro de Corumbá,  onde serão exibidos vários títulos, incluindo curtas e longas-metragens. “Serão noites glamourosas, com a projeção nesse grande telão, com a instalação de 300 lugares para público prestigiar aos filmes sentados. Ainda há possibilidade de um cineasta de Minas Gerais realizar um documentário sobre o evento”, diz Lidiane. As exibições  dos filmes e a realização dos debates acontecerão no Centro de Convenções do Pantanal.

A literatura ganha espaço  com o tradicional Quebra-Torto com Letras, quando palestras e leituras de textos acontecem ao lado de apreciação de pratos típicos da região. A atração acontecerá de quinta-feira a sábado, às 8h, no Moinho Cultural. “Participarão convidados locais e de outros estados. Os convidados de fora foram indicados pelo Memorial da América Latina. Os representantes locais são aqueles que lançaram recentemente seus trabalhos por meio do Fundo de Investimentos Culturais ou apresentaram obras importantes”, informa a coordenadora de Literatura do festival, Neusa Arashiro. Entre os indicados pelo Memorial da América Latina estão Zuza Homem de Mello, Hilton Viana,  Luciano Braz e Vicência Bretãs Tahan, filha da escritora goiana Cora Coralina. Outra presença literária do evento será o escritor paulista Ignácio de Loyola Brandão, que já participou de outra edição festival. A palestra dele acontece, às 15h, quinta-feira, no Centro de Convenções do Pantanal. No outro dia, na mesma hora e local, será a vez da responsável pela curadoria de várias festivais de teatro na América Latina, Gloria Lewy, falar sobre o movimento teatral no Mercosul.

O festival contará ainda com atrações de artes plásticas, destacando exposição com obras de Humberto Espíndola; artes cênicas, com a presença do Grupo Tapa, de São Paulo; oficinas e shows musicais – Simone, Diogo Nogueira, Monobloco, Frejat, Roberta Sá, entre outros. A entrada para todas as atrações é franca.

Parecer

STJ decide que planos de saúde não podem limitar sessões de tratamento de pacientes autistas

De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal

12/03/2026 14h00

Foto: Arquivo

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A 2ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu por unanimidade na quarta-feira, 11, que planos de saúde não podem limitar o número de sessões para tratamento de pacientes com transtorno do espectro autista (TEA).

A tese confirmada pelo STJ afirma que é abusiva a limitação de sessões de psicologia, fonoaudiologia, fisioterapia e terapia ocupacional prescritas a esses pacientes. De acordo com o relator, ministro Antonio Carlos Ferreira, restringir o tratamento é ilegal.

"Segundo a jurisprudência do STJ, é abusiva a limitação do número de sessões de terapia multidisciplinar aos beneficiários com diagnóstico de transtorno do espectro autista", disse ele.

O caso foi levado ao STJ para questionar uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, que limitou a 18 sessões anuais o tratamento de um paciente com autismo.

Ressalva sobre fraudes

Durante a análise do caso, os ministros divergiram em relação à necessidade de citar na ementa, que resume a decisão, uma ressalva quanto à ocorrência de fraudes na prescrição de tratamentos.

A sugestão de incluir esse ponto foi feita pelo ministro Raul Araújo, que destacou que o tema tem preocupado planos de saúde.

A ministra Daniela Teixeira, por sua vez, argumentou que a inclusão da ressalva no resumo da decisão poderia ser usada pelas operadoras para questionar sistematicamente a prescrição de tratamentos, prejudicando os pacientes.

A ministra defendeu que a corte tem de presumir a boa fé dos usuários e que, caso haja alguma fraude, o tema deve ser tratado na esfera criminal. "Vai caber ao plano de saúde comprovar que é uma fraude e não ao usuário", disse.

Por fim, a ementa original, sem a ressalva sobre fraudes, foi aprovada por 5 votos a 3.

Acesso ao cuidado

Famílias de pacientes autistas relatam com frequência batalhas judiciais com planos de saúde em busca de tratamento adequado. Reclamações relacionadas à falha na assistência cresceram significativamente nos últimos anos.

Em 2022, uma lei aprovada no Congresso definiu que os planos de saúde devem oferecer tratamentos fora do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) desde que haja comprovação científica

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) ampliou os requisitos para autorizar tratamentos fora do rol, como prescrição por médico ou dentista e registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Reação à decisão do STJ

As principais entidades representativas de operadoras de planos de saúde divulgaram nota sobre a decisão do STJ.

A FenaSaúde destacou que respeita a decisão do tribunal e que não defende a limitação de tratamento, "mas sim o combate a práticas excessivas ou irregulares, bem como a estrita observância de protocolos fundamentados na medicina baseada em evidências".

Já a Associação Brasileira de Planos de Saúde (Abramge) afirmou que aguarda a publicação do acórdão para analisar os parâmetros determinados pela Justiça.

"A entidade reforça que a análise detalhada do conteúdo será fundamental para avaliar os critérios definidos pelo STJ, bem como seus desdobramentos para a aplicação das regras de cobertura no âmbito da saúde suplementar", diz a nota.
 

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BRASIL

Simone Tebet confirma disputa ao Senado por São Paulo

Ministra afirmou que aceitou convite do presidente Lula após conversas políticas e decisão familiar

12/03/2026 10h58

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão Marcelo Victor

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A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, confirmou nesta quinta-feira (12) que pretende disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições de 2026. O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa concedida no XCVI Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento (Conseplan), realizado no Bioparque Pantanal.

Durante a conversa, a ministra afirmou que a decisão foi tomada após uma série de articulações políticas e conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Segundo Tebet, o convite para que disputasse o Senado pelo maior colégio eleitoral do país surgiu no início do ano.

“Essas conversas foram caminhando e, no dia 27 de janeiro, em uma viagem ao Panamá com o presidente Lula, discutimos política no Brasil…Na semana passada, em um encontro mais reservado em São Paulo, ele pediu claramente que eu pudesse ser candidata ao Senado por São Paulo”, relatou.

A ministra explicou que aguardava apenas uma conversa com a mãe antes de tornar pública a decisão. Segundo ela, o diálogo ocorreu na quarta-feira (11), quando recebeu o apoio da família para seguir com o projeto político.

“Depois de explicar a situação para minha mãe, ontem eu decidi cumprir a missão. Política é missão. Vou com muita tranquilidade disputar um processo eleitoral que considero muito importante para o Brasil”, afirmou.

Tebet também destacou a relação que mantém com São Paulo. De acordo com a ministra, foi no estado onde obteve a maior votação quando disputou a Presidência da República em 2022, além de possuir vínculos familiares e acadêmicos com a região.

“São Paulo é atravessar um rio, é atravessar uma ponte, é onde eu fiz meu mestrado, é onde eu tive uma projeção política, é onde eu vou sempre visitar as minhas filhas, tenho uma relação muito próxima de São Paulo, meu pai e meu marido são nascidos lá, meus avós vieram do Líbano e começaram a sua vida no interior de São Paulo também”.

Apesar da futura candidatura em São Paulo, a ministra ressaltou sua ligação com Mato Grosso do Sul, onde iniciou a trajetória política. Natural de Três Lagoas, ela lembrou que o estado foi responsável por projetar sua carreira em nível nacional.

“Mato Grosso do Sul me deu o privilégio de ser a primeira mulher prefeita da minha cidade, reeleita, deputada estadual, vice-governadora e senadora. É o estado que me levou ao cenário nacional”, disse.

Segundo Tebet, a definição sobre filiação partidária e outros detalhes da candidatura ainda devem ser discutidos nas próximas semanas, dentro do prazo da chamada janela partidária. Ela afirmou que a ida para São Paulo ocorrerá com apoio político de Alckmin.

“Agora começa uma nova etapa. Temos uma janela temos pelo menos até o dia 2 de abril, para tomar todas as outras decisões”, concluiu.

Na oportunidade, a ministra Tebet também anunciou que deixa o comando do Ministério do Planejamento e Orçamento no final deste mês de março.

Já nos bastidores, a movimentação política indica que Tebet pode deixar o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) para se filiar ao Partido Social Democrático (PSB). A possível mudança ocorre porque, em São Paulo, o MDB não deve integrar a base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026. 

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