O presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, Epaminondas Neto (PSDB), o Papy, informou, nesta terça-feira (20), que 12 vereadores demonstraram interesse em ocupar as cinco vagas da CPI do Tapa-buraco. A definição dos integrantes dependerá de negociações entre as bancadas e deverá respeitar a proporcionalidade dos partidos.
Os interessados são Ana Portela (PL), André Salineiro (PL), Rafael Tavares (PL), Dr. Lívio Leite (União Brasil), Luiza Ribeiro (PT), Wilson Lands (Avante), Leinha (Avante), Maicon Nogueira (PP), Beto Avelar (PP), Riverton de Souza (PP), Coringa (MDB) e Flávio Cabo Almi (PSDB).
O requerimento de abertura, apresentado por Luiza Ribeiro (PT), reuniu 24 assinaturas presenciais na sexta-feira (16) e mais cinco vereadores autorizaram acrescentar os nomes deles, totalizando 29 assinaturas, número mais do que suficiente para solicitar a investigação - são necessárias apenas 10.
A instalação da comissão aguarda a análise da Procuradoria Jurídica da Casa, responsável pela emissão de parecer técnico. Papy explicou que a quantidade de interessados exige mais tempo para organizar a composição. “Sei que existe uma expectativa da população sobre quem serão os membros”, afirmou, completando que “agora todo mundo quer”.
O presidente relacionou a mobilização dos parlamentares ao agravamento das condições das ruas e à insatisfação dos moradores. “Ninguém consegue andar pela cidade. Nos últimos dias, com o aumento das chuvas, ficou impossível transitar em alguns locais. A população chegou a um nível de indignação muito grande”, declarou.
Papy também defendeu que a investigação tenha como objetivo esclarecer os problemas e identificar responsabilidades. “A CPI não é uma caça às bruxas, mas uma forma de responsabilizar quem deve ser responsabilizado e, principalmente, esclarecer a população”, acrescentou.
No PL, os três integrantes da bancada — Ana Portela, André Salineiro e Rafael Tavares — estão entre os interessados. Na avaliação de Tavares, o partido terá direito a uma cadeira pelo critério da proporcionalidade, mas a indicação será discutida internamente.
“Vou conversar, logicamente, com os demais vereadores para a gente definir o nome. O meu nome está à disposição. Também vou conversar com o presidente para saber como será essa composição”, afirmou.
No Avante, Wilson Lands e Leinha também pretendem integrar a comissão. Lands informou que vai protocolar um ofício solicitando uma vaga e questionou a qualidade dos reparos e a fiscalização das empresas responsáveis pelos serviços.
O parlamentar relatou que visitou, ontem (19), um bairro onde os buracos permaneciam cerca de um mês após a realização de um mutirão. “Quem acompanha isso? Quem fiscaliza isso? Será que as empresas têm que ir lá refazer o serviço sem onerar os cofres públicos?”, questionou. “A gente não precisa mais de justificativas, não precisa mais de notas, precisa de solução.”
Maior bancada da Câmara, com cinco vereadores, o PSDB fará uma reunião para definir sua indicação. O líder do partido, Dr. Victor Rocha, afirmou que a escolha será coletiva. “A gente trabalha de maneira democrática, então vamos reunir a bancada, ver quem tem interesse e definir em conjunto quem vai ser o membro para compor a CPI”, disse.
No PP, que reúne quatro vereadores, Maicon Nogueira, Beto Avelar e Riverton de Souza estão entre os interessados. A indicação ainda será discutida internamente, conforme Beto, líder da bancada e da prefeita Adriane Lopes (PP).
Papy avalia que PSDB, PP, PT e PL deverão estar representados na comissão, considerando o tamanho das bancadas. A distribuição das cadeiras, porém, permanece indefinida. “A CPI, eu acho que é uma forma de fiscalização, está dentro das atribuições dos vereadores e é legítima, até mesmo pela condição a que Campo Grande chegou. Há um clamor popular pedindo que se resolva esse problema”, afirmou.
Além das vagas, a presidência da comissão já movimenta as articulações. O PT pretende indicar Luiza Ribeiro, autora do requerimento, e trabalha para que ela comande a investigação. Landmark Rios (PT) informou que não disputará uma cadeira e concentrará esforços no apoio à colega. “A bancada se reuniu e definiu como nosso foco, como nossa estratégia principal, que a vereadora Luiza seja a presidente da CPI do Tapa-buraco”, declarou.
A proposta estabelece prazo inicial de 120 dias para a investigação. Entre os pontos previstos estão possíveis irregularidades em contratos, a redução do orçamento para manutenção das vias nos últimos dois anos, especialmente dos recursos destinados a 2026, e o descumprimento dos prazos de resposta a pedidos de informação aprovados pelo plenário.
Capturas de tela das respostas do Corinthians, Palmeiras e Atlético Mineiro


