Política

MAGISTRATURA

PEC sobre fim da aposentadoria compulsória divide juristas de MS

O professor André Borges, se posiciona contra a extinção, enquanto o professor Sandro de Oliveira adotou uma visão mais favorável à proposta

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A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal aprovou, na última semana, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 3/2024, que proíbe o uso da aposentadoria compulsória como punição disciplinar para magistrados e membros do Ministério Público. 
 
A proposta, apresentada pelo ex-senador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, segue agora para análise do Plenário da Casa de Leis. Relatada pela senadora Eliziane Gama, a matéria estabelece que, em casos de falta grave que configure crime, deverá ser aplicada a perda do cargo ou demissão, conforme a legislação de cada carreira. 
 
O texto também prevê afastamento provisório e suspensão da remuneração durante o andamento da ação cível, além da perda definitiva do cargo em caso de condenação penal. Durante a tramitação, os senadores aprovaram emenda do Hamilton Mourão que retira os militares do alcance da proposta no que diz respeito à chamada “morte ficta” — mecanismo que garante pensão aos dependentes em casos de expulsão ou exclusão das Forças Armadas. 
 
Mourão argumentou que a retirada do benefício penalizaria indevidamente as famílias. A exclusão dos militares também foi defendida por parlamentares como Marcos Rogério e Carlos Portinho, que criticaram a inclusão da categoria no texto original.
 
Por outro lado, o senador Alessandro Vieira reconheceu que a sociedade há tempos questiona a aposentadoria compulsória como sanção, mas defendeu que o tema envolvendo militares seja tratado separadamente.
 
A relatora também acolheu parcialmente sugestões de parlamentares como Sérgio Moro, que manifestou apoio à proposta e afirmou que o texto não amplia de forma indiscriminada a perda do benefício. Eliziane Gama ressaltou ainda que a vitaliciedade foi preservada, por considerá-la essencial à independência da magistratura e do Ministério Público.
 
No campo jurídico, o debate tem dividido especialistas. O professor de Direito Constitucional da Faculdade Insted, André Borges, se posiciona contra a extinção da aposentadoria compulsória como punição. 
 
Para ele, magistrados e promotores exercem funções de alta relevância e já contribuem ao longo da carreira para garantir esse direito. Borges avalia que a mudança pode desestimular o ingresso nessas carreiras e critica o momento em que a proposta é discutida. “Estão tratando do projeto num cenário de forte divisão no país e com pouca prudência. Um tema dessa relevância exige mais diálogo e debate transparente”, afirmou.
 
O professor também destacou que a aposentadoria compulsória cumpre um papel institucional ao evitar demissões motivadas por pressões políticas ou decisões impopulares. “A perda do cargo ou da aposentadoria deve ocorrer apenas por decisão judicial definitiva, em casos graves. Não vejo sentido em alterar o modelo atual”, completou.
 
Já o professor-doutor da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Sandro de Oliveira, adotou uma visão mais favorável à proposta, embora com ressalvas. 
 
De acordo com ele, a PEC corrige uma distorção histórica ao eliminar a percepção de que agentes públicos podem ser punidos com afastamento, mas mantendo remuneração. “A proposta reafirma a necessidade de coerência entre conduta e consequência”, afirmou.
 
Do ponto de vista jurídico, Sandro de Oliveira considerou que a medida aproxima essas carreiras do regime geral do serviço público e fortalece o princípio da responsabilidade. No entanto, alerta para os riscos institucionais. “A vitaliciedade não é um privilégio pessoal, mas uma garantia da independência funcional. Qualquer alteração nesse equilíbrio exige cautela para evitar pressões indevidas ou instrumentalização política”, ponderou.
 
O professor também chamou a atenção para possíveis entraves práticos. “Apesar de endurecer as sanções, a PEC mantém a exigência de decisão judicial para a perda do cargo, o que pode tornar os processos mais demorados. Além disso, a retirada dos militares do texto evidencia dificuldades políticas e fragiliza a busca por tratamento isonômico entre carreiras”, pontuou.
 
Com posições divergentes entre especialistas e ajustes ainda em discussão, a proposta avança no Congresso Nacional em meio a um debate que envolve, ao mesmo tempo, a necessidade de maior rigor disciplinar e a preservação da independência institucional das carreiras jurídicas.

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stf

Gilmar Mendes propõe súmula para conter pautas-bomba no Congresso

Preocupação é com aprovação de matérias de grande impacto fiscal

18/06/2026 22h00

Ministro Gilmar Mendes

Ministro Gilmar Mendes Andressa Anholete/STF

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O ministro Gilmar Mendes enviou nesta quarta-feira (17) ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, uma proposta de súmula para fixar o entendimento da Corte sobre a aprovação de pautas-bomba pelo Congresso Nacional.

A proposta está baseada em julgamentos sobre o tema e pretende consolidar o entendimento de que leis que concedem benefícios fiscais sem compensação financeira são inconstitucionais.

A medida foi proposta após o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se reunir com os dois ministros para demonstrar preocupação com a aprovação de matérias grande impacto fiscal pelo Congresso.

A súmula é uma tese jurídica que deve nortear os julgamentos de ações em todo o país que tratam de aumento de gastos. O entendimento também deverá ser levado em conta em atos normativos dos Três Poderes nas esferas federal, estadual e municipal.

"O art. 113 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias aplicase à União, aos estados, ao Distrito Federal e aos municípios, sendo inconstitucional a lei ou ato normativo que crie ou altere despesa obrigatória, conceda benefício fiscal ou implique renúncia de receita sem prévia estimativa de impacto orçamentário e financeiro, bem como sem a indicação das respectivas medidas compensatórias, nos termos da Lei de Responsabilidade Fiscal”, diz o texto da súmula.

Caberá a Fachin marcar o julgamento da tese, que precisará ser avaliada pelos demais ministros da Corte e pode sofrer alterações.

Na semana passada, o Senado aprovou uma “pauta-bomba”, que pode ter grande impacto nas contas do governo federal.

Os senadores autorizaram a renegociação de dívidas de produtores rurais afetados por eventos climáticos e geopolíticos, como a guerra no Irã.

O impacto da aprovação pode chegar a R$ 140 bilhões em dez anos.

ELEIÇÕES 2026

Agenda de Lula em MS deve fortalecer projeto de Vander ao Senado

Presença do presidente em Ponta Porã amplia mobilização política no Estado e reforça articulação da chapa do PT para as eleições deste ano

18/06/2026 16h38

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o deputado federal Vander Loubet durante encontro político em Brasília (DF)

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o deputado federal Vander Loubet durante encontro político em Brasília (DF) Divulgação

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A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Mato Grosso do Sul, marcada para a próxima quinta-feira (25), deve impulsionar a pré-candidatura do deputado federal Vander Loubet (PT) ao Senado Federal. Lula estará em Ponta Porã para participar da entrega de 1.400 títulos de regularização fundiária no Assentamento Itamarati e, além dos compromissos oficiais, deverá se reunir com Vander e outras lideranças políticas do campo democrático.

Entre os aliados que estarão mobilizados para a agenda estão o ex-deputado federal Fábio Trad (PT), pré-candidato ao governo do Estado, e a senadora Soraya Thronicke (PSB), que buscará a reeleição. Ambos integram a articulação política da Federação Brasil da Esperança e dos partidos alinhados ao projeto liderado pelo presidente.

O apoio à candidatura de Vander figura entre as prioridades do presidente e da direção nacional do PT. A relação entre os dois é marcada por uma trajetória de proximidade política e atuação conjunta em movimentos sindicais e partidários. Atualmente em seu sexto mandato na Câmara dos Deputados, Vander é apontado como um dos principais articuladores da base de sustentação do governo federal e tem atuado na viabilização de investimentos e projetos destinados ao Governo do Estado e aos 79 municípios sul-mato-grossenses.[

Para Lula, a eleição deste ano terá papel estratégico na definição da composição do Congresso Nacional, especialmente do Senado. O presidente tem defendido a escolha de representantes comprometidos com pautas como a soberania nacional, a defesa do estado democrático de direito, o combate à fome e o desenvolvimento sustentável.

Em Mato Grosso do Sul, a chapa majoritária do campo democrático reúne, até o momento, PT, PCdoB, PV e PSB, além de manter expectativa de adesão do PDT e do Cidadania. A composição conta com Fábio Trad como pré-candidato ao governo, Gilda Gomes dos Santos para a vice-governadoria e Vander Loubet e Soraya Thronicke na disputa pelas vagas ao Senado.

Segundo Vander, a simples confirmação da presença do presidente já provoca ampla mobilização entre lideranças políticas e diversos segmentos da sociedade. “Só o anúncio da presença de Lula já movimenta vários setores e lideranças da sociedade. É uma mobilização espontânea e calorosa, que reforça a confiança de todo o campo democrático no avanço das nossas propostas e no desafio eleitoral que faremos”, afirmou.

Três Lagoas

Além da agenda já confirmada em Ponta Porã, existe a possibilidade de Lula incluir Três Lagoas em seu roteiro no Estado. A expectativa é que o presidente visite as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN3), da Petrobras, cuja retomada vem sendo acompanhada pelo governo federal.

De acordo com Vander, a presença de Lula no município ainda depende da definição final da programação.
“A vinda do presidente Lula está confirmada no dia 25. Mas falta bater o martelo sobre a programação. A informação que recebi hoje cedo é que há a possibilidade de ele passar em Três Lagoas primeiro, antes de ir para Ponta Porã. Em Três Lagoas, haveria a visita à obra da fábrica de fertilizantes. E lá em Ponta Porã teremos a entrega de títulos de regularização fundiária. Acredito que a Casa Civil deve fechar essa definição da programação em breve”, explicou o deputado.

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