Política

JUSTIÇA ELEITORAL

Por resolução de Alexandre de Moraes, PRTB afasta Capitão Contar e Iara Diniz

O ex-deputado estadual não prestou contas de sua campanha eleitoral para governador do Estado no ano passado

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Após a determinação do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, exigindo as prestações de contas de todos os diretórios estaduais do PRTB, a direção nacional do partido determinou o imediato afastamento das executivas que ainda não fizeram a demonstração do que foi feito com os recursos públicos e as doações que foram recebidas para a campanha eleitoral do ano passado.

Aprovada por unanimidade durante reunião extraordinária da executiva nacional do PRTB realizada no domingo, a decisão afetou em cheio o presidente do partido em Mato Grosso do Sul, o ex-deputado estadual Capitão Contar, que foi candidato a governador nas eleições gerais do ano passado.

Bem como os demais membros do diretório estadual, entre os quais a 1ª secretária estadual, a empresária Iara Diniz Contar, esposa do ex-parlamentar e que concorreu ao cargo de deputada estadual pela legenda.

Além de Capitão Contar e Iara Diniz, ainda foram afastados Helano Holanda de Almeida (1º vice-presidente), Antônio Abel Cardoso Martins (2º vice-presidente), Joseane Paz dos Santos (2ª secretária), Rogers Valério (1º tesoureiro) e Fabiane Cristine Lopes dos Santos (2ª tesoureira).

O 1º secretário da executiva nacional do PRTB, Cleber Teixeira, explicou ao Correio do Estado que o estatuto do partido estabelece que, antes de encaminhar aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), os dirigentes estaduais deveriam obrigatoriamente enviar as contas das campanhas eleitorais para análise do diretório nacional para verificar eventual erro que pudesse prejudicar o partido em nível nacional.

Ele explicou que o presidente do PRTB em Mato Grosso do Sul não fez a prestação de contas e, por isso, o diretório estadual é um dos incluídos no processo de intervenção até que sejam regularizadas as contas e sejam promovidas as defesas dos afastados. 

“A expectativa é de que até sexta-feira, dia 7 de julho, seja nomeado o interventor em Mato Grosso do Sul para fazer as devidas regularizações exigidas pelo ministro Alexandre de Moraes”, declarou.

Ainda de acordo com Cleber Teixeira, caso os dirigentes não sejam punidos, poderão retornar aos seus cargos, caso contrário, será eleita uma nova diretoria executiva estadual após o fim das apurações.

CONTESTAÇÃO

Por meio da assessoria de imprensa, o diretório estadual do PRTB divulgou nota informando que a decisão do ministro Alexandre de Moraes estaria relacionada com a disputa interna pela presidência nacional do partido. 

A Comissão da executiva nacional da legenda teria feito a reunião extraordinária de domingo, tendo como pauta a prestação de contas de todos os diretórios do Brasil, estaduais e municipais, e o envio de uma petição ao TSE com o pedido para que Júlio Fidelix seja reconduzido à presidência da sigla.

Ainda de acordo com a nota, o partido, fundado por Levy Fidelix, tem uma longa briga na Justiça pelo seu comando e isso tudo porque, após a morte do então presidente, sua viúva assumiu a presidência.

O irmão de Levy Fidelix entrou na Justiça, tomou o posto, se tornou o presidente da sigla e ambos seguem brigando pelo comando.

Conforme a nota, a decisão do PRTB nacional de analisar a conta de todos os diretórios atinge também Mato Grosso do Sul, apesar de não haver nenhum gasto de dinheiro público ou Fundo Eleitoral nas campanhas do Estado. 

Segundo contador consultado pelo PRTB nacional, Luiz Cláudio Silva de Azevedo, “ao verificar as documentações no sistema de divulgação de prestação de contas, vimos pendências nos últimos cinco anos e a não entrega no prazo devido da prestação de contas do exercício 2022. Todos esses fatos serão verificados por meio de uma auditoria em tempo hábil e levada à direção executiva deste partido”.

“As prestações de contas atualmente são públicas e por processo digital, podendo ser livremente fiscalizadas por todos, inclusive pela nacional. No caso de Mato Grosso do Sul, não houve nenhum repasse de verba para campanha ou manutenção do partido no Estado, de modo que a intervenção em contas zeradas é, resumidamente, sem efeito prático”, trouxe a nota.

À DISPOSIÇÃO

Em conversa com o Correio do Estado, Capitão Contar disse que está à disposição, pois não teve nenhum problema nas contas do partido. 

“Não utilizamos nem um centavo de verba pública ou Fundo Eleitoral e isso já foi devidamente informado, tanto para o partido quanto para a Justiça Eleitoral. Mas estamos à disposição para quaisquer esclarecimentos e vamos apresentar tudo o que for solicitado”, afirmou.

Ele também acrescentou à reportagem que o fato não foi uma questão pontual contra o diretório de Mato Grosso do Sul.

“A decisão é geral, para todos os diretórios do PRTB em todo o Brasil, tanto estaduais quanto municipais, sem exceção. É uma oportunidade para aqueles que tiverem quaisquer suspeitas de irregularidades ou precisem se adequar de alguma maneira prestem seus esclarecimentos seguindo o estatuto”, afirmou.

O ex-deputado estadual reforçou que, no caso de Mato Grosso do Sul, o PRTB não utilizou recursos públicos nem fundo partidário. 

“Não temos nenhuma prestação de contas a fazer nesse sentido, como pode ser que exista em outros estados. Entendemos que alguns veículos queiram levar a notícia para um lado tendencioso, como se fosse direcionado a nós”, argumentou, completando que a composição do diretório regional do PRTB continua com os membros conforme consulta ao site da Justiça Eleitoral.

DISCORDÂNCIA

Como a nota divulgada pela assessoria do PRTB em Mato Grosso do Sul e as declarações de Capitão Contar são conflitantes com o que foi informado mais cedo pelo 1º secretário da executiva nacional do PRTB, o Correio do Estado voltou a procurá-lo para comentar o posicionamento oficial da sigla no Estado e ele reforçou tudo o que já havia dito.

Segundo Cleber Teixeira, a nota oficial e o ex-deputado estadual Capitão Contar estão totalmente equivocados no ponto em que alegam que não precisam prestar contas porque não foram utilizados recursos públicos nem fundo partidário na campanha eleitoral do ano passado. 

“O fato de não ter utilizado recurso público ou Fundo Eleitoral na campanha não exime o partido de prestar contas. Como não usou esses recursos públicos, o PRTB de Mato Grosso do Sul precisou de doações e isso também precisa ser declarado à Justiça Eleitoral para não incorrer no crime de omissão”, alertou.

Afinal, conforme ele, o diretório montado pelo candidato na região mais nobre de Campo Grande não funcionou sem energia elétrica, sem água, sem telefone, sem internet e sem café. “Mesmo não tendo utilizado o Fundo, esses serviços custaram dinheiro e alguém pagou. Mesmo tendo sido doações, o partido tem de prestar contas”, ressaltou.

Sobre o fato de Capitão Contar alegar que a composição do diretório regional do PRTB continua com os membros conforme consulta ao site da Justiça Eleitoral, Cleber Teixeira frisou que a reunião extraordinária ocorreu no domingo e somente nesta semana a decisão de afastamento será comunicada ao TSE.

“Portanto, é uma questão de tempo para que a composição atual da executiva estadual do PRTB em Mato Grosso do Sul seja retirada do ar. A atualização do sistema do TSE demora um pouco, mas em breve os afastamentos serão efetivados e validados”, assegurou.

O 1º secretário da executiva nacional do PRTB também ironizou o fato de o ex-deputado estadual declarar que está à disposição para eventuais esclarecimentos para a Justiça Eleitoral.

“Mesmo tendo sido suspenso da presidência estadual do partido, Capitão Contar responde por tudo o que aconteceu na sua gestão”. 

Cleber Teixeira completou que, como presidente eleito para comandar o PRTB no Estado, Capitão Contar teria de regularizar as contas de anos anteriores que estavam irregulares, conforme trouxe a nota oficial. 

“Essa nota demonstrou uma total irresponsabilidade por parte do presidente estadual. Pelo pouco que veio à tona, o partido pode ser responsabilizado criminalmente por sonegação e isso refletirá na executiva nacional”, alertou.

Relatoria

Fux é sorteado relator de ação que busca acesso a visitas de esposa de Moraes ao Senado

Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso.

22/09/2026 13h30

Ministro Luiz Fux

Ministro Luiz Fux FABIO RODRIGUES-POZZEBOM/ AGÊNCIA BRASIL

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux foi sorteado relator do mandado de segurança que busca obrigar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a liberar informações sobre as entradas e saídas da mulher de Alexandre de Moraes, Viviane Barci de Moraes, e do banqueiro Daniel Vorcaro das dependências do Senado.

Moraes havia sido sorteado relator no dia 18, mas, na última segunda-feira, 21, ele se declarou suspeito para julgar o caso.

O pedido foi feito pelo vereador de Curitiba Guilherme Kilter (Novo), candidato a deputado federal, após ter um pedido com base na Lei de Acesso à Informação (LAI) negado pelo Senado.

O argumento da negativa foi que os dados de acesso de pessoas às dependências do Senado são informações de caráter pessoal.

Após a negativa do Senado, Kilter acionou a Justiça Federal do Paraná, que declarou sua incompetência para julgar o caso. A juíza Thais Sampaio da Silva Machado entendeu que apenas o Supremo pode julgar um mandado de segurança contra ação do presidente do Senado.

Eleições 2026

Eduardo Riedel deve vencer eleições a governador no 1.º turno

A 12 dias da eleição para governador, pesquisa mostra Eduardo Riedel com 64,15% e Fábio Trad com 18,70% dos votos válidos

22/09/2026 07h45

Marcelo Victor

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A 12 dias do primeiro turno das eleições, marcado para o dia 4 de outubro, o governador Eduardo Riedel (PP) aparece com 64,15% dos votos válidos na disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul e seria reeleito sem necessidade de segundo turno, aponta a nova rodada da pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Resultado (IPR) e Correio do Estado.

Ainda nesse recorte, que exclui eleitores indecisos e aqueles que declararam voto branco ou nulo, o ex-deputado federal Fábio Trad (PT) tem 18,70%, portanto, Riedel está acima dos 50% necessários para eliminar do pleito a realização de um segundo turno. Pelas regras eleitorais, só há segundo turno para governador quando nenhum candidato alcança maioria absoluta dos votos válidos. 

A conversão para votos válidos considera 583 das 784 entrevistas realizadas pelo instituto. Foram retiradas da conta as 143 respostas de indecisos e as 58 respostas de branco ou nulo, que juntas representam 25,64% da amostra. No resultado original da pesquisa estimulada, Riedel tem 47,70% das intenções de voto e Fábio Trad, 13,90%. 

Depois dos dois primeiros, aparecem o ex-senador Delcídio do Amaral (PRD), com 6,86% dos votos válidos, o deputado estadual João Henrique Catan (Novo), com 3,43%, e Lucien Rezende (Psol), com 3,09%. O indígena Daniel Lemes (PCO) e o Economista Renato Gomes (DC) têm 1,37% cada, enquanto o jornalista Jeferson Bezerra (Agir) registra 1,03%.

No resultado sobre o total de entrevistados, antes da exclusão dos indecisos, brancos e nulos, Delcídio soma 5,10%, Catan aparece com 2,55% e Lucien tem 2,30%. Daniel Lemes e Renato Gomes registram 1,02% cada, e Jeferson Bezerra, 0,77%.

A distância entre Riedel e Fábio Trad no cálculo dos votos válidos é de 45,45 pontos porcentuais. O recorte, porém, representa uma conversão matemática das respostas da pesquisa e não uma projeção do resultado das urnas.

Na comparação com a rodada de agosto, considerando os porcentuais sobre o total da amostra, Riedel passou de 44,77% para 47,70%, uma variação de 2,93 pontos porcentuais. Fábio Trad oscilou de 13,78% para 13,90%. Catan passou de 4,85% para 2,55%. 

ESPONTÂNEA

O domínio de Riedel também aparece quando são calculados os votos válidos da pesquisa espontânea, modalidade em que o entrevistador não apresenta uma lista de candidatos.

Fonte: IPR/Correio do Estado 

Nesse cenário, foram contabilizadas 224 respostas válidas entre os 784 entrevistados. Riedel concentra 77,68% dos votos válidos, seguido por Fábio Trad, com 12,95%, e Catan, com 4,02%.

Delcídio aparece com 1,79%, Renato Gomes com 1,34% e Lucien Rezende com 0,89%. Reinaldo Azambuja, Jeferson Bezerra e Tiago Botelho ficam com 0,45% cada.

A diferença entre o número de votos válidos e o total da amostra é explicada principalmente pelo elevado número de eleitores que ainda não citaram espontaneamente um candidato. Na pesquisa original, 69,64% se declararam indecisos e 1,79% responderam branco ou nulo. Riedel foi citado espontaneamente por 22,19% do total de entrevistados e Fábio Trad, por 3,70%.

REJEIÇÃO

A pesquisa também perguntou em quem o eleitor não votaria de jeito nenhum para governador. Fábio Trad é citado por 15,18%, seguido por Delcídio do Amaral, com 7,27%, e Eduardo Riedel, com 5,61%. 

João Henrique Catan aparece com 1,66%. Jeferson Bezerra e Lucien Rezende têm 1,28% cada, Daniel Lemes registra 0,64% e Renato Gomes, 0,38%.

Ao mesmo tempo, 50,13% afirmaram não rejeitar nenhum candidato. Outros 9,44% disseram rejeitar todos, 4,97% não souberam responder e 2,17% optaram por branco ou nulo.

DADOS

O levantamento foi realizado entre os dias 15 e 19 de setembro de 2026 e ouviu 784 eleitores com 16 anos ou mais em Mato Grosso do Sul. A margem de erro é de 3,5 pontos porcentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. 

A pesquisa IPR/Correio do Estado está registrada na Justiça Eleitoral sob os números BR-05239/2026 e MS-06794/2026.

O primeiro turno das eleições deste ano será realizado no dia 4 de outubro, enquanto um eventual segundo turno para governador está previsto para o dia 25 de outubro.

ANÁLISE

Para o diretor do IPR, Aruaque Fressato Barbosa, a sequência de pesquisas mostra que Eduardo Riedel chega aos últimos dias de campanha mantendo praticamente o mesmo patamar registrado no início do ano, enquanto os adversários não conseguiram avançar de forma consistente.

“Riedel chega à reta final com um eleitorado bastante estável. Nas cinco pesquisas, as oscilações ficaram dentro da margem de erro e, agora, ele volta praticamente ao mesmo porcentual registrado no começo da série”, afirmou Aruaque Barbosa.

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