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Presidente da OAB-SP pede investigação de ministros do STF que voam de jatinho

Leonardo Sica citou os sucessivos casos revelados pela imprensa de usos de aeronaves a particulares por ministros do Supremo bancados

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Representante de 380 mil advogados no Estado de São Paulo, Leonardo Sica, presidente da seccional paulista da OAB, defendeu nesta segunda-feira, 6, que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) que pegam caronas em jatinhos particulares devem ser "amplamente investigados". Para ele, a Procuradoria-Geral da República (PGR), responsável por conduzir eventuais apurações sobre os casos, está "silente" sobre a atuação dos magistrados da Corte.

"Eu acho que os fatos precisam ser investigados. Todos os fatos. Por exemplo, ministros recebem carona de jatos particulares. A gente tem que investigar amplamente isso", disse Sica, após reunião da Comissão de estudos para a reforma do Judiciário.

O presidente da OAB-SP citou os sucessivos casos revelados pela imprensa de usos de aeronaves a particulares por ministros do Supremo bancados por empresários e advogados com processos na Corte.

"A gente espera, e o Conselho Federal da OAB está tentando falar com o procurador-geral da República (Paulo Gonet), levar essa pauta adiante. Porque aí não é o ministro Edson Fachin, ele não pode dar início, como presidente do Supremo", disse Sica.

"Eu digo para os meus clientes, que às vezes estão preocupados em ter um processo, em ter uma investigação, a melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque te permite sair da suspeita", afirmou.

Como mostrou o Estadão, o ministro do STF Kassio Nunes Marques viajou de Brasília para Maceió com sua mulher em avião particular que pertence à empresa que administra os bens do banqueiro Daniel Vorcaro, a Prime You. O magistrado foi a uma festa de aniversário na capital alagoana a convite de uma advogada que atua judicialmente para o Banco Master e disse ser a responsável por arcar com os custos da viagem.

Procurado pelo Estadão, o ministro confirmou a viagem e afirmou que foi convidado para o aniversário da advogada Camilla Ewerton Ramos, mulher do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1).

"No dia 14/11/25, o ministro Nunes Marques e a esposa viajaram para festa de aniversário de Camilla, casada com o desembargador Newton Ramos, que foi colega do ministro no TRF-1. Camilla convidou o ministro e outros casais de amigos e ficou responsável pelo voo e detalhes da viagem", afirmou em nota.

O ministro Alexandre de Moraes e sua mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, também pegaram voos em aeronaves particulares de uma empresa ligada ao dono do Master. Documentos obtidos pelo Estadão mostram que o ministro voou em avião da empresa de Vorcaro na véspera de reunião com banqueiro.

O gabinete de Moraes classificou a informação como ilação e afirmou que o ministro "jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro ou em sua companhia e de Fabiano Zettel, a quem nem conhece". O escritório de Viviane afirmou em nota que contrata diversos serviços de táxi aéreo e que, entre eles, já foi contratada a empresa Prime Aviation, ligada a Vorcaro. Disse ainda que nem Vorcaro nem seu cunhado Fabiano Zettel estiveram presentes nos voos.

Documentos oficiais indicam que o ministro Dias Toffoli fez pelo menos três viagens de Brasília ao resort Tayayá, no Paraná, do qual foi sócio, usando aviões de empresários, após a venda do empreendimento, em 2025. Um deles era da Prime Aviation, empresa que tinha participação de Vorcaro.

Os outros dois eram de Paulo Humberto Barbosa, que comprou a parte de Toffoli no Tayayá, e de Luiz Osvaldo Pastore, empresário da mineração que levou o ministro a Lima, no Peru, para assistir à final da Libertadores entre Flamengo e Palmeiras, em novembro.

Procurado por meio da assessoria do tribunal e de interlocutores, o ministro não se manifestou.

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Disputa

Em carta, Marina Silva confirma disputa ao lado de Simone Tebet no Senado

Decisão ocorre após meses de especulação sobre uma possível saída de Marina da Rede, partido fundado por ela em 2013

06/04/2026 15h15

Foto 1: Diogo Zacarias/MF | Foto 2: Geraldo Magela/Agência Senado

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A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva anunciou neste final de semana que permanecerá filiada à Rede Sustentabilidade, legenda que fundou em 2013, e confirmou que está à disposição para disputar a segunda vaga ao Senado por São Paulo na chapa do ex-prefeito Fernando Haddad (PT), ao lado da ministra Simone Tebet (PSB), que trocou Mato Grosso do Sul a pedido de Lula. 

A decisão ocorre após meses de especulação sobre uma possível saída de Marina da Rede, especialmente depois de perder o comando do partido, em abril do ano passado, para o grupo liderado por Heloísa Helena, sua principal rival interna e opositora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mesmo diante do cenário interno adverso, Marina optou por permanecer na sigla e afirmou que pretende atuar para restaurar os princípios originais do partido, ao mesmo tempo em que reforça sua atuação no campo político alinhado ao governo Lula.

Leia a íntegra da carta de Marina Silva

“Diante do quadro político tão desafiador de nosso país e após cuidadosa e comprometida reflexão, tomei a decisão de continuar trabalhando pela restauração dos princípios e valores da REDE, claramente expressos em seu manifesto, programa e estatuto, quando de sua fundação. Permaneço assim no partido que, com dedicação e afinco, ajudei a fundar, e na federação liderada pelo PSOL, para atuar de forma conjunta, solidária e cooperativa pelo fortalecimento de partidos como PT, PSB, PSOL, REDE, PDT, PV e PCdoB, bem como de outros segmentos políticos e legendas que não se deixaram capturar pelo autoritarismo e pelo negacionismo.

Essa escolha é coerente com a visão que venho defendendo publicamente, segundo a qual o bioma da democracia brasileira, para aumentar sua capacidade de proteger-se dos constantes ataques autoritários, precisa se compor de ecossistemas partidários plurais e fortalecidos.

Decidi permanecer na REDE como uma forma de reafirmar meu compromisso com a construção de um campo democrático plural, diverso e dedicado a criar um novo ciclo de prosperidade, que seja capaz de promover justiça social, respeito à diversidade, à democracia e à sustentabilidade. Mesmo permanecendo na REDE, estarei ao lado de candidaturas do campo democrático popular e sustentabilista nos mais diferentes partidos da frente Lula Presidente e Fernando Haddad governador de São Paulo.

A REDE foi criada com base em princípios e valores democráticos, com o propósito de ser um espaço de pluralidade, diversidade, participação cidadã, inovação política e democracia interna. É com esse espírito que seguirei atuando, trabalhando para resgatar esses princípios e valores que lastreiam sua fundação, mas que vêm, de forma antidemocrática, sendo ilegitimamente subtraídos. Essa foi uma das razões que levaram lideranças importantes a deixar o partido, como o deputado federal Ricardo Galvão (SP), os deputados estaduais Marina Helou (SP), Ana Paula (MG) e Chió (PB), a vereadora Marina Bragante (SP), e a ex-deputada e ex-presidente da Funai Joenia Wapichana (RR), entre outras.

Assinalo que, diante da obstrução dos canais de autocorreção de posturas e práticas inadequadas ao convívio democrático, razão pela que tenho expressado significativas divergências com a formação política que hoje assumiu a direção da REDE, o segmento partidário Rede Vive, do qual faço parte, tem recorrido à Justiça para assegurar o respeito às regras democráticas internas do Partido. Felizmente a Justiça vem acolhendo os questionamentos realizados, chegando a anular o 5º Congresso Nacional do partido – que deu maioria ao grupo político que está comandando o partido. Continuaremos fazendo o bom combate da democracia e guardando a esperança de que a REDE retome a condição plural e democrática, como um espaço de coexistência legítima entre diferentes correntes de pensamento, que aliás foi a base de nossas relações nos primeiros anos de funcionamento partidário.

No cenário político-eleitoral de São Paulo, também pretendo intensificar ainda mais minha atuação no debate público, contribuindo para a construção de alternativas que assegurem o coeficiente civilizatório do país – um desafio no qual o Estado de São Paulo tem papel decisivo. Coloco, assim, meu nome à disposição do debate dentro do nosso campo político para representar a Federação liderada pelo PSOL, na segunda vaga para o Senado, ao lado de Simone Tebet, do PSB.

Agradeço e me sinto honrada com os convites feitos pelos partidos do campo democrático popular, como PT, PSB, PDT, PV, PCdoB e PSOL, partidos com os quais tenho constante conexão, por fazerem parte do grande campo da democracia, da justiça social, do respeito à diversidade, do enfrentamento da mudança climática, e com os esforços por um mundo mais justo e sustentável. Agradeço especialmente à militância da REDE, disposta a lutar de forma democrática e coletiva pelos valores e princípios do partido, e pela defesa das suas agendas fundantes.

A permanência na REDE, portanto, é uma decisão política que reafirma o compromisso pela reeleição do Presidente Lula e pela vitória importante para São Paulo de Fernando Haddad, e projeta uma atuação cada vez mais ativa no fortalecimento do imprescindível bioma democrático brasileiro”.

Cenário eleitoral em São Paulo

A disputa pelas duas vagas ao Senado em São Paulo segue acirrada. Segundo pesquisa Atlas/Estadão, Simone Tebet aparece numericamente à frente, com 22,6% das intenções de voto, seguida por Guilherme Derrite (PP), com 22%.

Marina Silva surge logo atrás, com 19,6%, empatada tecnicamente dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.

Na sequência, aparecem Ricardo Mello Araújo (PL), com 14,8%, e Ricardo Salles, com 11,1%. Outros nomes citados na disputa incluem Mário Frias, Marco Feliciano, Gil Diniz e Paulinho da Força, que registra 0,5%.

A pesquisa também indica 6,7% de votos brancos e nulos, além de 2,8% de eleitores indecisos.

A candidatura de Tebet em São Paulo foi definida após ela abrir mão de disputar em seu estado de origem, Mato Grosso do Sul, diante das dificuldades eleitorais da esquerda na região. A escolha também leva em conta seu desempenho na eleição presidencial de 2022, quando terminou em terceiro lugar.

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ELEIÇÕES 2026

Azambuja confirma que Flávio Bolsonaro vem a Campo Grande na quinta-feira

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro será o primeiro presidenciável a visitar Mato Grosso do Sul

06/04/2026 15h00

Pré-candidato a presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PL em Mato Grosso do Sul

Pré-candidato a presidente da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador Reinaldo Azambuja, presidente do PL em Mato Grosso do Sul Divulgação

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O senador Flávio Bolsonaro (RJ), filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro e pré-candidato à Presidência da República pelo PL, será o primeiro presidenciável a visitar Campo Grande (MS) nesta quinta-feira (9), quando deve participar da cerimônia de abertura da Expogrande 2026, no Parque de Exposições Laucídio Coelho.
 
A informação foi confirmada ao Correio do Estado pelo presidente do PL em Mato Grosso do Sul, o ex-governador Reinaldo Azambuja, explicando que, inicialmente, a visita estava prevista para o dia 14 de abril, mas o senador resolveu antecipar.
 
“Sim, o senador Flávio vem a Campo Grande na quinta-feira. Ele me confirmou por telefone e, além da abertura da Expogrande, teremos reuniões políticas”, declarou, completando que está preparando a agenda do presidenciável. 
 
O deputado estadual Coronel David, que é o secretário-geral do PL no Estado, explicou que a vinda do senador Flávio Bolsonaro a Campo Grande não é apenas uma visita política. “É um chamado à união de todos que acreditam no Brasil de verdade. E representa que Mato Grosso do Sul está inserido nesse grande projeto para o Brasil liderado pelo Flávio”, assegurou.
 
Ele acrescentou que receber o pré-candidato do PL à Presidência da República é um marco para o fortalecimento da direita em Mato Grosso do Sul. “É a prova de que estamos organizados, firmes e prontos para defender nossos valores e ajudar no projeto para fazer do Flávio o nosso presidente da República”, reforçou.
 
O Coronel David ainda destacou que se trata do momento de somar forças, de levantar a cabeça e de mostrar que a direita sul-mato-grossense está comprometida com o futuro do Brasil.

Escolha do vice

Flávio Bolsonaro vem a Campo Grande no momento em que está sendo articulada a definição sobre quem será o seu pré-candidato a vice-presidente, sendo que pessoas mais próximas ao senador resistem à indicação da senadora Tereza Cristina (PP-MS), nome defendido por lideranças do Centrão e já sugerido pelo presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto.
 
Esse grupo mais ideológico, considerado o “núcleo duro” da pré-campanha, avalia que o vice deve representar lealdade direta ao projeto político do senador, sem vínculos com blocos partidários robustos. 
 
Nos bastidores, aliados comparam o cenário à escolha de Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, quando teve José Alencar como vice, visto à época como um nome capaz de trazer estabilidade à chapa.
 
A discussão também é influenciada por experiências anteriores do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em 2018, ele escolheu Hamilton Mourão como vice, com quem teve divergências durante o mandato. Já em 2022, optou por Walter Braga Netto, considerado um aliado mais alinhado e sem base política própria.
 
Dentro dessa lógica, aliados de Flávio veem no ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), uma alternativa viável para a vice. Embora também seja pré-candidato à Presidência da República, Zema é apontado como um nome sem ligação direta com o Centrão e potencialmente mais alinhado ao bolsonarismo.
 
A resistência a Tereza Cristina, por outro lado, envolve dois fatores principais: sua proximidade com o Centrão e um episódio recente que gerou desconforto entre setores mais radicais, relacionado à sua participação em uma comitiva nos Estados Unidos. Nos bastidores, aliados indicam que Eduardo Bolsonaro atua contra a indicação da senadora.
 
Apesar disso, Tereza Cristina mantém força entre empresários e agentes do mercado financeiro, que a veem como um nome mais moderado e previsível. A escolha do vice, portanto, segue uma lógica pragmática: além de afinidade política, pesa na decisão o que cada nome pode agregar à chapa, como tempo de televisão, acesso a recursos do fundo eleitoral e apoio partidário. 
 
No caso de Zema, entra na equação o peso eleitoral de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, embora ainda haja dúvidas sobre sua capacidade de ampliar votos. Já Tereza Cristina surge como uma opção com forte respaldo político e econômico, especialmente junto a setores organizados da direita.

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