Política

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Pressão faz Coronel David desistir de concorrer à Primeira-Secretaria

O deputado estadual do PL anunciou o recuo da decisão de ser candidato na véspera da eleição para a Mesa Diretora

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Sofrendo forte pressão política desde o dia em que resolveu se lançar como candidato ao cargo de primeiro-secretário da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para o biênio 2025-2026, o deputado estadual Coronel David (PL) anunciou, na manhã de ontem, a desistência de concorrer no pleito marcado para hoje.

Nos bastidores, conforme apuração do Correio do Estado, até o governador Eduardo Riedel (PSDB) deixou subentendido que, para o momento, o melhor seria a continuidade do deputado estadual Paulo Corrêa como primeiro-secretário.

Além disso, ainda na sessão ordinária de ontem, o presidente da Casa de Leis, deputado estadual Gerson Claro (PP), voltou a reforçar a necessidade de uma chapa de consenso.

“Eu, como presidente deste biênio e já caminhando para o fim, quero primeiro agradecer a confiança que tive junto à Mesa Diretora e junto aos pares e dizer que nós caminhamos para o fim deste ano com o sentimento de que o nosso dever está sendo cumprido dentro daquilo que prevê o regimento interno, buscando fazer desta casa da democracia a casa do povo sul-mato-grossense, e de que esta Casa seja efetivamente a casa dos grandes debates de políticas públicas”, discursou.
 

Gerson Claro acrescentou que, para que isso aconteça mais uma vez, fazia um apelo para uma chapa de consenso para a Mesa Diretora, mantendo a atual formação em todos os cargos.

“Nós conversamos muito durante esses últimos dias e o nosso apelo é para que a gente possa efetivamente construir o consenso, continuar esse trabalho por Mato Grosso do Sul, discutindo as políticas públicas que interessam para o Estado. Então, como presidente deste biênio, volto aqui para dizer que é livre e é democrático que todo mundo possa se inscrever até amanhã [hoje] para disputar a eleição, mas eu queria fazer o apelo para que os deputados que até já manifestaram interesse façam uma reflexão e, quem sabe, hoje [ontem] a gente possa encerrar essa pauta, construindo consenso e fazendo do nosso parlamento o parlamento da maturidade e da democracia”, ressaltou.

Em razão de tamanha movimentação para que não prosseguisse com a candidatura ao cargo de primeiro-secretário, coube a Coronel David anunciar seu recuo.

“Eu me senti legitimado a lançar meu nome ao cargo de primeiro-secretário e a dizer aqui, meu presidente, que não foi uma questão pessoal, nunca foi, mas era uma aspiração. Ouvindo aqui os colegas, a quem eu rendo as minhas homenagens pelas palavras carinhosas, justamente ao deputado Paulo Duarte, e não seria da minha parte, que sempre fui um homem muito disciplinado e determinado nas minhas questões, mas a gente não pode enfrentar algo que a Casa sente que é a melhor alternativa neste momento”, assegurou o parlamentar, ao anunciar sua desistência.

Ele prosseguiu, dirigindo-se diretamente ao presidente da Alems.

“Então, eu me junto ao desejo de V. Exa., que sempre teve uma palavra corajosa e vem mudando o Legislativo de Mato Grosso do Sul. Por essa razão, por esse respeito muito grande e por entender aqui o carinho dos colegas deputados comigo, eu me junto ao desejo de V. Exa., de que nós possamos, então, neste momento, nos unir em torno do Legislativo estadual, e vou assinar com o senhor a chapa da manutenção da diretoria atual, porque sei que é o desejo da maioria dos deputados aqui e que, a partir de agora, vai contar também com o meu grande e restrito apoio”, afirmou.

Na prática, o deputado estadual do PL já tinha informações de que, se persistisse com a candidatura, sofreria uma grande derrota, pois os demais colegas de Casa de Leis teriam recebido recomendações de forças políticas superiores para votar no nome de Paulo Corrêa para continuar à frente da Primeira-Secretaria da Alems por mais dois anos. 

Para não enfrentar problemas maiores, coube a Coronel David abdicar de suas pretensões e aguardar oportunidades futuras pelo bem da “unidade” do Legislativo estadual e da “harmonia” com o Executivo. 

APOIO 

Mesmo assim, alguns colegas de parlamento fizeram uso da palavra para destacar o papel importante desempenhado por Coronel David de enfrentar forças políticas muito grandes, e esse foi o caso do deputado estadual Paulo Duarte (PSB).

“O doutor João Leite Schimidt falava uma frase que me acompanha pela vida: ‘Pato novo não mergulha fundo’. Como retornei a esta Casa neste ano e, portanto, sou o ‘pato novo’, gostaria de me manifestar, porque tenho uma relação muito boa e respeitosa com todos”, declarou.

Ele argumentou que, conforme o que ocorreu na Assembleia Legislativa nos últimos dias, algo precisava ser ressaltado. “Sem que houvesse nenhum tipo de agressão a ninguém, mas apenas a manifestação livre, democrática e normal de pessoas que eventualmente pretendem disputar os cargos mais relevantes e importantes da Mesa Diretora. E, antes de mais nada, eu queria, nessa manifestação singela e pessoal, embora não saibamos quem vai voltar aqui em 2027, ressaltar a forma diferente da Assembleia Legislativa, inclusive de agir, de se mostrar à população e de ser mais aberta”, pontuou.

Paulo Duarte acrescentou que, comentando como “pato novo”, considerava justa e legítima a discussão da renovação de nomes que querem e desejam ocupar cargos importantes na Casa de Leis.

“Porque, senão, chega a também a gente não conseguir fazer um processo natural que é da democracia, que é o processo de renovação, né? Mas eu quero falar aqui para uma pessoa que tenho um grande apreço, uma grande admiração e que trabalhou comigo no governo de Zeca do PT: o deputado Coronel David, um homem que respeito e que foi comandante da Polícia Militar”, ressaltou. 

Por isso, continuou o parlamentar, “peço, sem ter nenhuma interferência naquilo que o deputado vai fazer, essa reflexão, que a gente, neste momento tão importante para a Casa, trabalhe em um consenso, não para calar vozes, mas para que a gente consiga fortalecer o parlamento”.

“Que a gente brigue e discuta, mas é importante que a gente tenha coragem de defender o parlamento, essa instituição tão atacada às vezes, mas fundamental para a democracia. Em nome disso, e não em nome de calar, de impor, mas em nome de fortalecer. Que o Coronel David pudesse refletir que a gente caminha aqui dentro dessa unidade, mas já pensando lá para a frente, para chegar a hora da renovação”, projetou.

O deputado estadual Neno Razuk (PL) também usou a palavra para declarar voto ao colega de partido e cobrar mais espaço para a direita.
“Meu voto é do Coronel David, mas acredito que é hora de refletir, de governo refletir sobre a direita, e creio que a direita precisa ser mais valorizada, mais representada e ter mais espaço, mas tudo na sua hora. Tenho certeza de que em 2026 a direita vai mostrar muito mais força”, finalizou.

COMO FICA

Com a desistência de Coronel David, a eleição da Mesa Diretora da Alems hoje terá chapa de consenso, tendo Gerson Claro como presidente, Paulo Corrêa como primeiro-secretário, Renato Câmara (MDB) como primeiro-vice-presidente, Zé Teixeira (PSDB) como segundo-vice-presidente, Mara Caseiro (PSDB) como terceira-vice-presidente, Pedro Kemp (PT) como segundo-secretário e Lucas de Lima (sem partido) como terceiro-secretário.
Pelo regimento interno, a eleição dos membros da Mesa Diretora é feita por votação nominal e aberta, considerando-se eleita a chapa ou o candidato individual ou avulso que obtiver a maioria absoluta dos votos, a cumprir mandato de dois anos, permitida a reeleição.

Quando a eleição da Mesa Diretora é realizada no curso da legislatura, de acordo com o artigo 20 do regimento interno, o prazo para a eleição é até a antepenúltima sessão ordinária. Entre os requisitos para a realização da votação está a presença da maioria dos deputados estaduais. Na ocasião, os deputados estaduais elegerão o presidente da Mesa Diretora e o primeiro, o segundo e o terceiro-vice-presidentes, além do primeiro, do segundo e do terceiro-secretários.
 

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Eleições 2026

Eleitor tem até 3 de outubro para ativar e-Título antes das eleições

Aplicativo permite consultar local de votação e pode ser usado para identificação, mas primeiro acesso

21/09/2026 17h00

Antônio Cruz/Agência Brasil

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Quem pretende utilizar o e-Título nas Eleições 2026 precisa concluir o primeiro acesso e a validação do aplicativo até sábado (3), véspera do primeiro turno, marcado para domingo (4). A orientação é especialmente importante para quem ainda não acessou o aplicativo, já que o download e o primeiro acesso ficam indisponíveis no dia da votação.

Segundo o advogado especialista em Direito Eleitoral Newton Lins, o eleitor deve verificar antecipadamente se o aplicativo está funcionando e se os dados estão atualizados para evitar problemas no dia da eleição.

“O eleitor precisa entender que baixar o e-Título não significa que ele já estará pronto para ser utilizado. É necessário fazer o primeiro acesso e concluir a validação das informações. Deixar esse procedimento para o dia da eleição pode gerar uma dificuldade desnecessária justamente no momento em que o eleitor precisa estar com sua documentação regularizada”, afirma.

O e-Título também permite consultar o local de votação, a zona e a seção eleitoral. O serviço pode ser acessado pelo aplicativo e pelo Portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ferramenta pode ser utilizado como documento de identificação no momento da votação quando o aplicativo apresenta a fotografia do eleitor. Nesse caso, basta apresentar a tela do celular ou tablet com o documento digital.

Já quem possui e-Título sem fotografia precisa levar também um documento oficial de identificação com foto. Capturas de tela não substituem o aplicativo como documento de identificação.

Newton Lins orienta que essa conferência seja feita antes da eleição. “O uso do e-Título traz praticidade, mas também exige atenção às condições estabelecidas pela Justiça Eleitoral. O eleitor deve conferir previamente se a fotografia aparece no aplicativo e se os dados estão corretos. Caso não haja fotografia, é necessário levar um documento oficial com foto. O print também não substitui o aplicativo”, explica.

Além da identificação, o aplicativo reúne outros serviços eleitorais e permite consultar informações relacionadas à votação. A ferramenta utiliza mecanismos de segurança para validar a identidade do eleitor, incluindo recursos de validação facial.

Para o especialista, a conferência antecipada também deve incluir outras informações necessárias para o dia da votação. “A tecnologia facilita o acesso do cidadão aos serviços eleitorais, mas não elimina a necessidade de planejamento. Conferir o aplicativo, o local de votação e a documentação antes da eleição é uma forma de evitar imprevistos no dia do voto”, afirma.

O e-Título é gratuito e está disponível para celulares e tablets com sistemas Android e iOS. Para quem pretende utilizar a versão digital do título no primeiro turno, a recomendação é fazer o download, o primeiro acesso e a validação até 3 de outubro.

Manipulação de imagem

Justiça Eleitoral multa deputado por usar vídeo de 2018 com Bolsonaro como se fosse atual

Luiz Ovando (PP) distorceu gravação antiga para simular apoio recente do ex-presidente e foi condenado a pagar R$ 5 mil pelo TRE-MS

21/09/2026 14h58

Luiz Ovando (PP) foi multado pela Justiça Eleitoral

Luiz Ovando (PP) foi multado pela Justiça Eleitoral Reprodução

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O deputado federal Luiz Ovando (PP), candidato à reeleição, foi multado pela Justiça Eleitoral por tentar induzir o eleitor a erro, por meio de um vídeo de 2018, com o ex-presidente Jair Bolsonaro, veiculado como se fosse atual.

A condenação pela distorção foi proferida pelo relator do processo no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), desembargador Luiz Tadeu Barbosa Silva, ao julgar procedente a representação ajuizada pela Procuradoria Regional Eleitoral no estado. Com a decisão, o parlamentar foi condenado ao pagamento de multa no valor de R$ 5 mil.

Reedição e descontextualização temporal

A infração envolveu o impulsionamento pago de um vídeo gravado originalmente durante a campanha de 2018, no qual Jair Bolsonaro manifestava apoio político a Luiz Ovando. Para o pleito de 2026, a peça foi reeditada com a inserção do novo número de candidatura (1122), a sigla do seu atual partido (PP) e a legenda “ELEIÇÃO 2026”, sem apresentar nenhum aviso claro ou ostensivo sobre o ano original do registro.

De acordo com o TRE-MS, a alteração dos elementos visuais criou uma “grave descontextualização temporal”, levando o eleitor médio ao engano de supor que a declaração e o pedido de voto haviam sido renovados para a disputa eleitoral recente.

A decisão ressaltou ainda o descolamento da realidade provocado pela propaganda impulsionada. 
Jair Bolsonaro foi condenado em 2025 por tentativa de golpe de Estado e cumpre prisão domiciliar, estando sob proibição judicial expressa de utilizar redes sociais. 

Assim, a exibição do vídeo reformatado em 2026 gerava no eleitorado a falsa impressão de se tratar de uma manifestação recente e consentida, situação incompatível com as restrições impostas ao ex-presidente.

Argumentos da defesa e posicionamento do Tribunal

Em sua defesa, o deputado alegou que o registro continha uma declaração autêntica de apoio, sem alteração de áudio ou uso de “deepfake”. 

Luiz Ovando argumentou que as modificações nos elementos visuais serviram apenas para cumprir a obrigação legal de identificar o anunciante e a legenda atual, substituindo dados desatualizados do antigo partido (PSL).

O tribunal, contudo, rejeitou a tese defensiva. O relator fixou o entendimento de que o dever de identificar a candidatura responsável não autoriza a manipulação de mídia histórica sem esclarecer sua origem temporal ao público. 

A distorção configurou infração ao artigo 9º-C da Resolução TSE nº 23.610/2019, que proíbe o uso de conteúdos manipulados ou descontextualizados na propaganda eleitoral.

Ao aplicar a sanção prevista na Lei das Eleições, o relator ponderou que o investimento financeiro para impulsionar e distribuir conteúdo descontextualizado agrava o potencial lesivo ao pleito.

Contudo, considerando que o deputado não possuía reincidência e demonstrou postura colaborativa ao cumprir a ordem judicial de remoção do vídeo em menos de 24 horas, a multa foi estabelecida no patamar mínimo legal de R$ 5 mil.

Outro lado

O deputado federal, por sua vez, reclamou da decisão, por meio de sua assessoria de imprensa. Ele desprezou a justificativa da Justiça Eleitoral classificou como “censura” a decisão de desembargador. 

“História não se apaga. Eu apoio Jair Bolsonaro desde 2018. Esse apoio não foi inventado agora e não nasceu por causa de uma eleição. O vídeo é verdadeiro, o apoio existiu e faz parte da minha história. Mandar retirar essa imagem não muda os fatos. Na minha avaliação, isso é censura”, afirmou Dr. Luiz Ovando.

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