Política

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO

Procuradoria denuncia ex-prefeito e pede para que ele fique fora da política por 14 anos

Waldeli dos Santos, diz apelação, dono de imobiliária, enquanto prefeito criou loteamento sem cumprir regras, como asfaltamento, sinalização de vias e galerias para escoamento de água

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Ex-prefeito de Costa Rica, Waldeli dos Santos Rosa, do MDB, por quatro mandatos, foi denunciado pela procuradoria geral da cidade que fica a quase 400 km de Campo Grande, a indenizar em R$ 30 milhões o município, por uma suposta ilegalidade na criação de um loteamento na cidade. Waldeli é dono de imobiliária, segundo a apelação.

Contra o ex-prefeito a procuradoria moveu uma ação civil pública ao erário e ainda por improbidade administrativa, crime que, se punido judicialmente, pode torná-lo inelegível. E ele já anunciou na cidade que se pretende candidatar, de novo, a prefeito, ano que vem. Caso seguiu para o juízo da Fazenda Pública de Costa Rica.

Na apelação da prefeitura é dito que, em 2019, período que Waldeli comandava o município, a empresa dele, Paraná Imobiliária, Consultoria e Construção Civil Ltda, inaugurou o loteamento Jatobás I. Ocorre que, segundo a denúncia, o investidor só poderia criar o conjunto de lotes destinados a edificação, caso cumprisse alguns encargos determinados pela prefeitura, entre os quais: 

Pavimentação asfáltica, sinalização de vias e galerias para escoamento de águas pluviais para aprovação do loteamento. 

Além disso, instalar no local rede de energia elétrica pública com rebaixamento para ligações domiciliares e, ainda dispor de rede de abastecimento de água interligada ao sistema municipal. 

As exigências, diz a apelação, era uma determinação assinada pelo próprio prefeito, seis anos antes da criação do loteamento, em 2013. 

“Estranhamente, o cumprimento da norma mencionada escapava aos loteamentos oriundos da Paraná Imobiliária”, é trecho da acusação da procuradoria geral do município. 

SEM BENFEITORIAS

Diz, ainda a petição da prefeitura: “o modus operandi dos réus [ex-prefeito] era o seguinte, antes de cumprir com as obrigações de asfaltamento e escoamento de águas pluviais exigidos, a empresa ré doava as ruas sem nenhuma benfeitoria ao município, e este aceitava de “bom grado” a doação, enquanto as demais empresas só poderiam realizar a doação das vias, após a realização de todo asfaltamento e escoamento de águas pluviais e vistoria final”. 

Para a procuradoria, enquanto outras imobiliárias que atuam na cidade cumpriam as obrigações municipais, a empresa do ex-prefeito se beneficiava com o que chamou de "enriquecimento ilícito": 

“Cabe ainda destacar que o enriquecimento ilícito é vultoso, pois, enquanto os demais loteadores tinham de arcar com o asfaltamento, escoamento das águas pluviais, drenagem e sinalização das vias públicas do loteamento, a Paraná Imobiliária ‘ganhava’ essa benesse da administração pública municipal e revendia os lotes com ganhos estratosféricos comparado com os outros loteadores”.

No recurso que cobra o ex-prefeito, a procuradoria citou, ainda, em tom zombeteiro, que. 

“Menciona-se aqui, o famoso adágio popular: “aos amigos do rei tudo! Ao povo os rigores da lei!”. A prefeitura, à época, teria custeado a pavimentação no loteamento em questão, que seria uma tarefa da imobiliária, numa soma que girou em torno de R$ 5 milhões. 

Cálculos da prefeitura indicam que Waldeli teria causado prejuízo bem acima dos R$ 5 milhões com a falta do asfaltamento. 

“Além destes valores, temos que trazer à baila os gastos com pagamento de salário de todos os servidores envolvidos, luz, água, estrutura do paço municipal que foi utilizado para realizar algo que caberia a ré Paraná Imobiliária realizar entre o ano de 2019 a 2021, neste sentido, ante a impossibilidade de mensuração exata o mínimo imaginável é o dobro do valor despendido com o asfaltamento, escoamento das águas pluviais, drenagem e sinalização das vias públicas, ou seja, o prejuízo material efetivo é de R$ 10.077.467,20 (dez milhões, setenta e sete mil, quatrocentos e sessenta e sete reais e vinte centavos)”. 

OS CRIMES

A procuraria geral do município, depois de apontar o presumido rombo nos cofres públicos, citou os supostos crimes praticados pelo ex-prefeito. 

“Além do valor supracitado como devido, deve-se averiguar possíveis práticas ilícitas de i) improbidade administrativa; ii) locupletamento ilícito; iii) tráfico de influência; iv) advocacia administrativa; e v) formação de quadrilha a aplicação de multa prevista no art. 12, I, II §2º da Lei n. 8.429/92”. 

Ainda segundo a petição da procuradoria,  

“Diante da gravidade dos fatos, considerando o poder econômico dos réus com capital social milionário (doc.2), deve-se aplicar a multa no valor do dobro do dano ao erário, ou seja, no valor de R$ 20.154.934,50 (vinte milhões, cento e cinquenta e quatro mil, novecentos e trinta e quatro reais e cinquenta centavos), que somando ao débito perfaz a valor total requerido de R$ 30.232.401,70 (trinta milhões, duzentos e trinta e dois mil, quatrocentos e um reais e setenta centavos)”. 

Na apelação, a procuradoria pede que a justiça indisponibilize R$ 30 milhões em bens do ex-prefeito e também “a suspensão dos direitos políticos dos agentes ímprobos (pessoas físicas) pelo prazo de quatorze anos”. 

Até a publicação deste material, o jornal não tinha localizado o ex-prefeito. Assim que ele se manifestar, a reportagem será atualizada. 

 

Crise

Edson Fachin cancela sessão do STF em meio à crise entre Moraes e Mendonça

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros

09/09/2026 13h15

Presidente do STF, Edson Fachin

Presidente do STF, Edson Fachin Foto: Paulo Ribas

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O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão plenária que estava prevista para esta quarta-feira, 9. Não houve justificativa para a atitude. A decisão foi tomada logo depois que o ministro Flávio Dino revogou a decisão do colega André Mendonça de afastar Andrei Rodrigues do comando da Polícia Federal.

Nos bastidores da Corte, há expectativa que Fachin convoque reunião entre ministros, ou que tome alguma decisão relativa à guerra instalada no tribunal nos últimos dias.

A crise começou quando Mendonça divulgou um relatório da Polícia Federal (PF) com trocas de mensagens entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro. Na sequência, Moraes pediu a inclusão de Mendonça no inquérito das fake news como investigado.

Fachin, por sua vez, abriu prazo para todos os envolvidos se manifestarem. Enquanto os prazos corriam, Mendonça determinou na terça (8) a retirada de Rodrigues do cargo e, nesta quarta, Dino revogou a medida.

Havia expectativa que a sessão desta quarta fosse palco para a manifestação de ministros sobre a crise. Na terça, na Segunda Turma, que Mendonça integra, havia o mesmo risco. A sessão no colegiado também foi cancelada.

Entre os processos pautados para julgamento no plenário nesta quarta estava um que discute os poderes investigativos da Polícia Federal. Seria analisada a condução de investigações criminais por delegados de polícia, incluindo a possibilidade de requisição direta de perícias, informações, documentos e dados para a instrução de inquéritos.

transparência

OAB-MS defende afastamento de Alexandre de Moraes

Instituição defende a transparência plena e a preservação da credibilidade das instituições da República

09/09/2026 12h15

Sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8)

Sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8) DIVULGAÇÃO/OAB-MS

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Conselho da Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional Mato Grosso do Sul (OAB/MS), defendeu, por unanimidade, o afastamento cautelar do Ministro Alexandre de Moraes, durante sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (8), na sede da instituição, localizada na avenida Mato Grosso, número 4700, bairro Carandá Bosque, em Campo Grande.

Além disso, se manifestou sobre uma possível falta de imparcialidade do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, para atuação no caso.

O fato em questão se refere a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e o ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro.

A posição do Conselho será levada, nesta quarta-feira (9), à reunião do Colégio de Presidentes de Seccionais da OAB com a Diretoria do Conselho Federal, em Brasília (DF).

A instituição defende transparência pela e preservação da credibilidade das instituições da República. Além disso, pede a devida apuração dos fatos.

“A OAB/MS ressalta que a defesa do afastamento cautelar não representa antecipação de juízo de responsabilidade, mas medida destinada a assegurar que os fatos sejam apurados com independência, serenidade e absoluta transparência, resguardados o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa. A advocacia tem o dever histórico de defender as instituições democráticas. E defender as instituições também significa exigir respostas firmes quando fatos graves colocam em risco a confiança que a sociedade nelas deposita”, afirmou a instituição por meio de nota enviada à imprensa.

ESCÂNDALO

Investigação da Polícia Federal (PF) aponta que o empresário e ex-proprietário do Banco Master, Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes mantinham contato desde 2023, com encontros intermediados pelo ex-ministro Fábio Faria.

As mensagens também indicam que Vorcaro procurou Moraes em meio ao avanço de investigações envolvendo o Banco Master e teria pedido ajuda para obter informações ou retardar medidas contra ele.

Mensagens analisadas pela Polícia Federal indicam que Vorcaro tentou usar sua proximidade com o ministro para interferir nas investigações da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), às vésperas de ser preso em novembro de 2025.

Vorcaro pediu repetidamente a Moraes que interviesse junto ao diretor da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral Paulo Gonet, para atrasar ou evitar medidas judiciais contra ele. As mensagens sugerem que Moraes informava Vorcaro sobre o andamento da Operação Compliance Zero, incluindo detalhes confidenciais.

Os dados, extraídos do celular de Vorcaro, indicam que ele e Moraes se encontraram pelo menos seis vezes, com trocas de mensagens sobre almoços, jantares e encontros informais.

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