Política

SENADO

Projeto aprovado permite criação de mais de 200 municípios

Projeto aprovado permite criação de mais de 200 municípios

FOLHAPRESS

07/05/2014 - 20h34
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 O Senado aprovou hoje projeto que abre caminho para a criação de mais de 200 novos municípios do país. Os senadores ainda vão analisar emendas ao texto, mas as principais regras para a criação das novas cidades serão mantidas mesmo com eventuais mudanças ao texto principal.

O projeto determina que os municípios sejam criados preferencialmente nas regiões Norte e Nordeste - que têm menor densidade demográfica. O texto aumenta o tamanho da população mínima do município para que ele seja criado, desmembrado ou incorporado por outro em relação ao projeto do Congresso: 20 mil habitantes nas regiões Sudeste e Sul.

Em contrapartida, abaixou para 6 mil habitantes no Norte e Centro-Oeste. No Nordeste, a exigência mínima é de 12 mil habitantes. No projeto inicial, os números não beneficiavam as regiões menos populosas do país.

Apesar dos discursos de senadores de que o projeto limita a proliferação de novas cidades, o texto estimula fusões e incorporações ao permitir que cidades que se aglutinarem recebam o FPM (Fundo de Participação dos Municípios) até 12 anos depois de serem criadas.

Pelas regras do fundo, a aglutinação de dois municípios de, por exemplo, cinco mil habitantes cada um faria com que o novo município de dez mil habitantes recebesse menos do que a soma recebida pelos dois de cinco mil habitantes.

Relator do projeto, o senador Valdir Raupp (PMDB-RO) sugere uma "regra de transição" para que, a partir do 13º ano, os novos municípios tenham 10 anos para começarem a receber gradativamente a nova cota do FPM.

Pela nova proposta, a formação de novas cidades só será permitida após a realização de estudo de viabilidade municipal e de consulta prévia, mediante plebiscito, às populações envolvidas.

O texto ainda reduz de 10% para 3% da população dos municípios o número de assinaturas necessárias ao requerimento para dar início ao processo de fusão ou incorporação. Ele também deve ter arrecadação própria superior à média de 10% dos municípios do Estado.

"Não se abre a porteira para a criação de municípios, como era no passado. O menor município terá cinco ou seis mil habitantes. Temos dois limitadores para isso: o tamanho da população e sua área territorial", reagiu Raupp.

Emendas

Na semana que vem, o plenário do Senado deve aprovar emenda que estabelece os tamanhos mínimos de 100 km² e 200 km² para os novos municípios. Nas regiões Norte de Centro-Oeste, o menor tamanho deve ser de 200 km². O outro tamanho de extensão vale para as demais regiões do país.

A mudança está sendo negociada conjuntamente com a Câmara, que vai analisar o texto depois do Senado.

O projeto foi apresentado depois que a presidente Dilma Rousseff vetou outra proposta que tratava da criação, fusão e incorporação de novos municípios. O Congresso aprovou o projeto vetado integralmente pela presidente no ano passado.

A justificativa do Palácio do Planalto, na época, foram os impactos fiscais da criação dos novos municípios, estimados em R$ 9 bilhões. Com a nova versão, negociada com o Legislativo, o governo calcula que o rombo será um pouco menor, mas não estima valores.
A preocupação ocorre porque, em mais da metade dos municípios do país, as receitas próprias não chegam a 10% do Orçamento.

A versão original do projeto abria caminho para a criação de mais 269 cidades. Com a versão mais "enxuta", o cálculo passa para cerca de 200 municípios.

Em 1996, foi incluída na Constituição a exigência de uma lei que disciplinasse as regras para a emancipação de distritos com o objetivo de conter a multiplicação de municípios. Com o veto de Dilma, o país continua sem essa lei, até que o Congresso conclua a análise da proposta.

Eleições 2026

Eleitores podem consultar local de votação para o 2º turno neste domingo

E-Título reúne dados e pode ser usado como documento oficial, desde que tenha a fotografia do eleitor

23/10/2026 13h49

TRE-MS foi alvo de investigação do TCU, que depois passou a averiguar outros tribunais do País

TRE-MS foi alvo de investigação do TCU, que depois passou a averiguar outros tribunais do País Gerson Oliveira / Correio do Estado

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Os eleitores de Mato Grosso do Sul podem consultar informações sobre a votação pelo e-Título, aplicativo que também pode ser usado como documento de identificação no dia do segundo turno, neste domingo (25), desde que tenha a fotografia do eleitor.

Por isso, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) orienta que o aplicativo seja baixado com antecedência para que o eleitor confira seus dados. Caso a foto não apareça no e-Título, será necessário apresentar outro documento oficial com foto para votar.

Além disso, o aplicativo permite consultar o local de votação, verificar a situação eleitoral, emitir certidões, consultar eventuais débitos e acessar o histórico de justificativas.

Justificativa pelo celular

Quem deixar de votar poderá justificar a ausência pelo aplicativo no próprio dia da eleição. O recurso pode ser utilizado por eleitores que estiverem em município diferente daquele onde possuem domicílio eleitoral. O aplicativo utiliza a geolocalização para confirmar a localização do usuário e, nesse caso, não é necessário apresentar um documento que comprove a ausência.

O e-Título é gratuito e está disponível para aparelhos smartphones e tablets com sistemas Android e iOS.

votos em disputa

Cinco cidades de MS têm metade dos eleitores-chave no 2º turno

Campo Grande lidera número de eleitores que não escolheram Lula nem Flávio Bolsonaro no primeiro turno do pleito

23/10/2026 07h45

Foto: Divulgação/TRE-MS

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A dois dias do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para este domingo, Mato Grosso do Sul tem 634.224 eleitores que não votaram no presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nem no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no primeiro turno, realizado no dia 4. 

O contingente representa 31,3% do eleitorado estadual, acima da média nacional de 30,5%, e inclui quem escolheu outros candidatos, votou em branco, anulou o voto ou deixou de comparecer às urnas.

Quase metade desses eleitores está concentrada em apenas cinco municípios, liderados por Campo Grande, com 191.657 eleitores, seguida por Dourados (46.909), Três Lagoas (30.469), Ponta Porã (22.715) e Corumbá (20.703).

Juntas, essas cidades reúnem 312.453 eleitores que não escolheram nenhum dos dois finalistas. Desse total, 94,3 mil votos foram destinados a candidatos que ficaram de fora do segundo turno.

Levantamento do Correio do Estado, elaborado a partir dos resultados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e dos índices de transferência de votos da pesquisa da Quaest, registrada no TSE sob o número BR-08535/2026 e divulgada na quarta-feira, indica que Flávio Bolsonaro poderia conquistar aproximadamente 42,4 mil desses votos, enquanto Lula receberia cerca de 31,6 mil.

Entre os eleitores de Augusto Cury (Avante), terceiro colocado em Mato Grosso do Sul, o presidente leva vantagem: 48% declaram intenção de votar no petista, contra 33% no candidato do PL. Já os que escolheram Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) demonstram preferência majoritária pelo senador.

Se esse comportamento nacional se repetisse entre os eleitores sul-mato-grossenses, a vantagem de Flávio Bolsonaro no Estado, que foi de aproximadamente 356 mil votos no primeiro turno, subiria para cerca de 367 mil. 

A simulação aponta que a transferência dos votos dos três candidatos eliminados beneficiaria o senador no conjunto dos 79 municípios, sem alterar o vencedor em nenhuma cidade. Em Vicentina, por exemplo, onde Lula venceu por margem apertada, a diferença favorável ao petista cairia de 73 para apenas 46 votos.

O maior potencial de mudança, entretanto, está entre os eleitores que não compareceram às urnas. Em municípios como Vicentina, Taquarussu e Selvíria, onde a diferença entre Lula e Flávio foi pequena, o número de ausentes no primeiro turno é de 16 a 34 vezes superior à vantagem obtida pelo candidato vencedor. 

Os números mostram que, mais do que conquistar os votos deixados pelos adversários eliminados, a capacidade de mobilizar quem ficou em casa no dia 4 pode ter peso importante no resultado local da disputa presidencial.

MOBILIZAÇÃO 

De olho justamente nesse contingente, os presidentes estaduais do PL e do PT, senador eleito Reinaldo Azambuja e deputado federal Vander Loubet, respectivamente, intensificaram a mobilização de suas bases eleitorais na reta final do segundo turno. 

Apesar de atuarem em campos políticos opostos, ambos reconhecem a importância de convencer quem não votou no primeiro turno nem em Lula nem em Flávio a comparecer às urnas neste domingo e votar em um dos dois.

Azambuja informou que tem percorrido municípios do interior do Estado e ampliado a participação em programas de rádio e televisão para reforçar a campanha de Flávio Bolsonaro.

“Mobilizando tudo”, resumiu o senador eleito, ao relatar que concedeu quatro entrevistas em Três Lagoas, sendo três para emissoras de rádio e uma para televisão. 

Em Dourados, participou de outras duas entrevistas radiofônicas, com o objetivo de convencer os eleitores que não compareceram no primeiro turno a votar no candidato do PL.

O presidente estadual do PL também informou que pretendia passar ontem por Nova Andradina e Naviraí para reforçar as ações de campanha. Ele demonstrou ainda preocupação com o aumento das abstenções nas eleições brasileiras e acredita que o fenômeno poderá provocar uma nova discussão sobre a obrigatoriedade do voto.

“As abstenções estão aumentando em todo o Brasil, e não duvido que nas próximas eleições o debate do voto facultativo retorne para acabar com essa obrigatoriedade”, afirmou.

Outro fator apontado por Azambuja é a influência das condições climáticas sobre o comparecimento dos eleitores. Na avaliação dele, as chuvas registradas durante o primeiro turno contribuíram para que parte da população deixasse de votar.

“Se bem que no primeiro turno choveu muito, e isso fez com que muitos eleitores não comparecessem às urnas”, declarou o senador eleito, que também manifestou preocupação com a possibilidade de novas precipitações neste domingo.

“A meteorologista está prevendo chuva novamente para o este domingo. Vamos torcer para que não impeça os eleitores de irem votar”, completou.

APOSTA PETISTA

Do outro lado da disputa, o deputado federal Vander Loubet, presidente estadual do PT, afirmou que a campanha de Lula também está concentrando esforços para conquistar os eleitores que não votaram no presidente no primeiro turno. 

De acordo com ele, a mobilização conta com a participação de diferentes grupos, especialmente jovens e pessoas com mais de 60 anos.

“Nós trabalhamos nesta campanha de segundo turno exatamente para buscar convencer esses eleitores que não votaram no Lula no primeiro turno ou que nem compareceram às urnas. E estamos otimistas a respeito. Nossa juventude e nossos grupos com 60 anos ou mais estão nos ajudando muito nesta tarefa”, declarou.

O dirigente petista também demonstrou preocupação com as dificuldades de deslocamento enfrentadas por eleitores de comunidades indígenas e assentamentos rurais, especialmente em regiões atingidas pelas chuvas no dia 4.

Na avaliação do deputado, os problemas de transporte podem ter prejudicado o desempenho eleitoral de Lula nessas localidades, onde as condições das estradas e as distâncias até os locais de votação representam obstáculos adicionais ao comparecimento.

“Tem também a questão do transporte, que acredito que afetou nossos votos, principalmente nas aldeias e nos assentamentos, em função da chuva que prejudicou o deslocamento”, disse.

Vander revelou ainda que o partido tem procurado a Justiça Eleitoral para acompanhar a situação e assegurar condições de acesso às seções eleitorais no segundo turno. “Temos solicitado à Justiça Eleitoral um acompanhamento desta questão para que esses eleitores tenham garantido o seu direito de acessar as urnas para poderem votar”, acrescentou.

As declarações dos dois dirigentes partidários mostram que a abstenção passou a ocupar posição central nas estratégias eleitorais do PL e do PT em Mato Grosso do Sul. 

Enquanto Azambuja aposta na intensificação das atividades de campanha e na comunicação com os eleitores do interior, Vander destaca a mobilização das bases petistas e a necessidade de garantir o acesso às urnas em comunidades onde o deslocamento pode ser prejudicado pelas condições climáticas.

Com 483.210 eleitores ausentes no primeiro turno, equivalente a 23,87% do eleitorado, Mato Grosso do Sul registrou a maior taxa de abstenção do País. A dimensão desse contingente ajuda a explicar por que os dois partidos passaram a dedicar atenção especial à participação dos eleitores na votação.

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