Política

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Quase um garoto

Quase um garoto

Redação

04/04/2010 - 19h58
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Márcio Maio, TV Press

 

Ney Latorraca já soma 65 anos de idade, mas sua maturidade não foi capaz de apagar o moleque inquieto e travesso que parece viver dentro do ator. Tanto que, mesmo depois de quase meio século dedicado à profissão, a estreia da série "S.O.S. emergência", na qual interpreta o atrapalhado dr. Solano, ainda é capaz de mexer com sua ansiedade. Um "frio na barriga" que, em parte, pode ser justificado, ironicamente, em sua própria experiência. "Me sinto mais inseguro sim, até porque sou mais exigente agora", analisa, mostrando que sempre espera mais de si.

E isso não se resume ao campo artístico, mas também à vaidade pessoal. "Ontem separei a cueca, a meia, a camisa e a calça branca que usaria aqui. Queria estar bem para que seus leitores me vissem bem. Acho que é um lado meio criança que temos de ter para fazer comédia. Assim, colocamos a nossa criança brincando com a criança do público", filosofa.

Você é um ator com aparições mais espaçadas na tevê. O que o fez aceitar o convite para participar de "S.O.S. emergência"?

R - Estou há exatamente um ano sem fazer televisão, desde que acabou "Negócio da China". Completo, em 2010, 66 anos de idade, 46 de carreira e 36 de Globo. Sou dos poucos atores da emissora que teve a chance de fazer novelas, teatros adaptados, musicais – tive um programa, "A saudade não tem idade", que era exibido às sextas –, novelas, minisséries e ainda participei do "TV pirata". Quando o Mauro me chamou e me falou qual era o elenco e quem eram os autores, fiquei interessado. Todos os nomes envolvidos são do teatro e isso já é um grande passo para dar certo. É um detalhe que conta muito. Para me tirar de casa hoje em dia, tem de ser algo que realmente me dê prazer.

Você se diz seletivo na hora de escolher o que vai fazer. Ficou mais difícil aceitar integrar o elenco de um programa de humor depois de ter participado do "TV pirata", que até hoje faz sucesso na Internet, em DVD e que é referência na comédia brasileira?

R - Não funciona dessa forma. Acredito que a pessoa só se renova quando está cercada de novidades, de jovens. Aqui existem muitos atores que são novos e conseguem me trazer esse frescor. "TV pirata" foi um projeto inovador, até hoje as pessoas comentam e sentem falta, mas no "S.O.S emergência" também existe a novidade. São dois jovens autores, por exemplo. O mais importante é sempre investir no que pode ser surpreendente na tevê. Foi assim naquela época.

Na sua trajetória televisiva, muitos de seus papéis são voltados para a comédia. Você sente falta de explorar mais outros gêneros no veículo ou prefere mesmo se dedicar ao humor?

R - O que me agrada na televisão pode vir de grandes dramaturgos, não existe uma regra. O que acho importante destacar é que a comédia é o gênero mais nobre que existe. Fazer uma pessoa gargalhar no mundo em que a gente vive é uma vitória. E para você construir a comédia, a ação da graça, tem de ter uma base, estar estruturado. Sou formado pela escola de teatro da USP e trabalhei com profissionais com talento indiscutível, como o Bruno Barreto, o Walter Avancini e o Ruy Guerra. Tenho o direito de brincar porque tenho essa estrutura. E é daí que nasce a graça. No mundo inteiro, a palavra comediante é usada para o ator que faz drama e humor. No Brasil não, parece algo menor, o que é errado.

Em "S.O.S. emergência", seu personagem é um médico. E você já declarou ser hipocondríaco. Pensou em levar alguma história sua para o programa?

R - Ainda não aconteceu, mas é provável que sim. Sou totalmente hipocondríaco e, além disso, adoro médicos! Tenho meu grupo de médicos, um para cada função: pulmão, coração, ortopedia, enfim, uma equipe minha! Quando apareço na clínica, sai todo mundo correndo! (risos). Parei de fumar há sete anos e estou sempre ligando para o meu médico e perguntando se ele está satisfeito. Eu sou assim, é um jeito meu. Acho que as profissões mais nobres são ator e médico. Os médicos cuidam da saúde e nós, da alma. A diferença é que eles lidam com a morte e nós, com a vida.

Em 36 anos de Globo, suas aparições em novelas são bem espaçadas. É uma opção sua ou coincidência?

R - Para mim, o trabalho tem de ser um exercício. Por isso mesmo, gosto de mudar o gênero. Não tenho nada contra novelas. Mas dei sorte porque a emissora preferiu me aproveitar em outros tipos de produções também.

Negativa

Mulher de Moraes nega mensagem de Vorcaro

Viviane Barci de Moraes negou ter recebido mensagem de dono do Banco Master

09/03/2026 22h00

Viviane Barci ao lado do ministro Alexandre de Moraes, seu marido

Viviane Barci ao lado do ministro Alexandre de Moraes, seu marido Foto: Antônio Augusto / TSE

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A advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou ter recebido mensagem em que o dono do Banco Master, Daniel Vorcado, pergunta: "Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?". Com isso, ela enfraquece a versão do próprio marido, segundo quem os prints dos textos enviados pelo banqueiro a seus interlocutores foram armazenados em pastas junto com os contatos das pessoas que os receberam e, depois, entregues à CPI do INSS

No material sob custódia da CPI, essa anotação com o questionamento de Vorcaro é um arquivo armazenado numa pasta junto com o contato de Viviane. Na nota, ela disse que "não recebeu as referidas mensagens".

Assim, as versões de Moraes e da mulher são incompatíveis. A assessoria de comunicação do STF foi acionada sobre a afirmação de Viviane, mas não houve retorno.

O fato de dois arquivos estarem na mesma pasta criada pelo programa de processamento de dados usados pela PF e compartilhado com a CPI não indica automaticamente correlação entre eles. Apenas que as "impressões digitais" deles têm trechos iguais e, por isso, são armazenados juntos.

Moraes se posicionou após reportagem do jornal O Globo informar que a mensagem de Vorcaro, redigida no dia 17 de novembro de 2025, data de sua primeira prisão, teve como destinatário o magistrado.

'Sem Sentido'

Naquele dia, Vorcaro já sabia que seria alvo da PF e foi detido no Aeroporto de Guarulhos, na Grande São Paulo, enquanto embarcava para Dubai, nos Emirados Árabes. Ele afirma que a viagem tinha como objetivo tentar vender o banco para um grupo estrangeiro, após o Banco Central rejeitar uma oferta de compra feita pelo Banco de Brasília e, depois, pela Fictor.

Moraes, porém, nega ter se comunicado com Vorcaro. Segundo ele, uma das mensagens também teve como destinatário o senador Irajá (PSD-TO) que, em nota, disse não ter falado com Vorcaro e que a versão não tem sentido.

A própria estrutura das pastas dentro do programa IPED, desenvolvido há mais 10 anos pela PF para extração de dados e análise forenses de dispositivos eletrônicos, inviabiliza a versão de Moraes.

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Diálogo

Não acredito que Trump tenha interesse em interferir nas eleições brasileiras, diz Motta

declarações ocorreram nesta segunda-feira em entrevista à Rádio Metrópole

09/03/2026 21h00

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados Foto: Marina Ramos / Câmara dos Deputados

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou crer que não existe interesse do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em praticar interferências nas eleições brasileiras.

As declarações ocorreram nesta segunda-feira, 9, em entrevista à Rádio Metrópole, da Bahia. Na ocasião, Motta disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem implementado "bom diálogo" com o governo dos Estados Unidos.

"O presidente Trump, na minha avaliação, tem buscado muito mais defender as relações comerciais dos países onde ele tem interesse com os Estados Unidos. Com relação ao Brasil, o presidente Lula tem conseguido implementar um bom diálogo com o presidente Trump depois das tarifas que ele decidiu imputar ao Brasil", disse Motta.

O presidente da Câmara continuou: "E esse diálogo vem se dando de forma positiva, o Brasil demonstrou capacidade de diálogo, defendendo a sua soberania". Ele acrescentou: "O Brasil neste ponto está bem posicionado, e eu não acredito que o presidente Trump tenha interesse de interferir nas eleições brasileiras".

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