Política

GALINHA DOS OVOS DE OURO

Riedel apoia Lula para reforma tributária, mas teme que ela quebre MS

Somente a possível perda do ICMS do gás boliviano reduziria em cerca de 13% a receita com o imposto de Mato Grosso do Sul

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O governador Eduardo Riedel (PSDB) manifestou total apoio ao Governo Lula para votação da reforma tributária, que pode entrar na pauta de votação ainda neste ano. Porém, deixou claro que Mato Grosso do Sul corre sério risco de perder recursos se for aprovada a proposta que prevê mudança no local de tributação.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Riedel afirmou que “para a reforma tributária, Lula pode contar conosco. E aí precisamos discutir a reforma a ser feita. Mato Grosso do Sul não é um Estado consumidor. Tem 3 milhões de habitantes e é exportador de matéria-prima e industrializados. Uma mudança (do local de tributação) quebra o Estado”, afirmou Riedel. 

Somente o ICMS do gás natural da Bolívia, que entra no Brasil por Corumbá, garante a Mato Grosso do Sul em torno de R$ 100 milhões por mês. Isso ocorre porque atualmente o tributo é cobrado na origem, conforme decisão tomada em 2020 pelo Supremo Tribunal Federal. 

Se a reforma tributária estipular que o imposto deve ser cobra no destino, no local de consumo do gás, Mato Grosso do Sul vai perder a quase totalidade deste valor, já que aqui o consumo de gás boliviano é insignificante. Ao longo das últimas duas décadas, o Gasbol representou uma média de 13% do faturamento de ICMS de Mato Grosso do Sul.

E é justamente por isso que o governador Eduardo Riedel e sua equipe estão acompanhando de perto os debates sobre o modelo tributário a ser adotado no País. O temor é que estados com grande densidade populacional fiquem com ainda maior volume de recursos do que já acontece. Mesmo assim, afirma o governador “temos urgência em alguns temas no Brasil, como a reforma tributária. Qual é o modelo? PEC 45? ou a PEC 110?”. 

Em ambas as proposições, a alteração do Sistema Tributário Nacional tem como principal objetivo a simplificação e a racionalização da tributação sobre a produção e a comercialização de bens e a prestação de serviços, base tributável atualmente compartilhada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios.

Nesse sentido, ambas propõem a extinção de uma série de tributos, consolidando as bases tributáveis em dois novos impostos: Um imposto sobre bens e serviços (IBS), nos moldes dos impostos sobre valor agregado cobrados na maioria dos países desenvolvidos; E, um imposto específico sobre alguns bens e serviços (Imposto Seletivo).

Os debates sobre a reforma tributária ainda estão no começo, mas as alterações nas regras tributárias foram escolhidas como tema principal do Governo Lula neste ano e o apoio dos governadores está sendo considerado fundamental para tirar as proposta do papel. 


 

Santa Rita do Pardo

Insatisfeitos com resultado das urnas criam lista para boicotar comerciantes em MS

O objetivo seria forma de retaliação pela escolha nas urnas

28/10/2026 11h09

Eleitores foram às urnas em MS para escolher o presidente da República

Eleitores foram às urnas em MS para escolher o presidente da República Foto: Divulgação/TRE-MS

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Apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), do município de Santa Rita do Pardo, teriam criado uma lista de comerciantes identificados como eleitores do PT. O objetivo seria boicotá-los como forma de retaliação pela escolha nas urnas.

Segundo informações do Jornal Cenário MS, a conversa sobre boicote partiria de um grupo no whatsapp intitulado "Fim do PT". 

Moradores teriam reagido à situação destacando que incentivar as pessoas a não comprarem no comércio da cidade ultrapassa o campo político, ainda conforme divulgado pelo Jornal Cenário MS.

Desde o fim das eleições, as redes sociais têm sido tomadas por manifestação de quem não gostou do resultado do segundo turno. 

Há casos de servidores em conversa no whatsapp falando sobre envenenar água, prefeito que publicou imagens consideradas xenofóbicas e empresários falando em demissões por conta da escolha do voto.

Nesse caso, o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) informou que trabalhadores que sofreram ou presenciaram ameaças, intimidações e constragimentos podem denunciar as condutas à instituição.

Apuração

Prefeito diz que afastará servidor após áudio sobre envenenar água em Tacuru

Rogério Torquetti afirmou também que abriu um Processo Administrativo

28/10/2026 09h50

Prefeito publicou vídeo falando sobre afastamento de servidor

Prefeito publicou vídeo falando sobre afastamento de servidor Reprodução/Redes sociais

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O prefeito de Tacuru, município localizado a 416 quilômetros de Campo Grande, Rogério Torquetti (PSDB), informou, em vídeo publicado nas redes sociais, que abriu um procedimento para apurar a conduta de um servidor que, em conversa com um colega após o resultado das eleições de domingo (25), teria sugerido envenenar a água.

“De antemão, o nosso jurídico entendeu que um processo administrativo será aberto e que o servidor será afastado”, afirmou o prefeito, que disse não ter sido intimado por nenhuma esfera.

Antes de publicar o vídeo, Torquetti havia dito que os dois homens da conversa gravada são servidores do município e estavam “meio eufóricos, alcoolizados”, após o resultado da votação.

Na ocasião, também disse que eles não mencionaram, em nenhum momento, envenenar a água de comunidades indígenas. Apesar disso, o prefeito afirmou que proibiu os dois de irem às comunidades e que havia os repreendido pelo diálogo.

Na fala mais recente, classificou o funcionário afastado como um “excelente servidor”, mas reforçou que o jurídico do município orientou pela abertura de um Processo Administrativo (PAD).

Entenda a história

No áudio que começou a circular no domingo, os dois servidores lamentam o resultado das urnas e reclamam que as pessoas se “matam” de ajudar esses “capetas”, enquanto os “cães” fazem isso, em referência à vitória do presidente Lula (PT). Um deles diz no final do diálogo: “Mas fazer o quê? A gente não pode fazer nada. Eu já falei, tem que ‘ponhar’ veneno na água, matar essas pragas na água”.

O ministro dos Povos Indígenas, Luiz Eloy Terena, afirmou que tem recebido diversas denúncias de assédio e violência política em aldeias desde domingo e que medidas estão sendo tomadas. “Nós não admitiremos que as comunidades indígenas sejam assediadas, intimidadas ou violentadas nos seus direitos políticos”, declarou.

Outra situação de revolta com o resultado da eleição aconteceu em Chapadão do Sul. O prefeito Walter Schlatter (PP) compartilhou uma imagem considerada xenofóbica que associava a região Nordeste do Brasil à figura de um burro. Depois da repercussão, o chefe do Executivo pediu desculpas. 

 

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