Política

ELEIÇÕES 2026

Riedel diz respeitar resultado das urnas, mas defende direito de Flávio questionar

Governador afirma que decisões das instituições devem ser respeitadas

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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel (PP), afirmou que respeita o resultado das eleições presidenciais que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas considera legítimo que o candidato Flávio Bolsonaro questione o processo eleitoral pelos meios legais. A declaração foi dada nesta segunda-feira (26), durante coletiva, após ser questionado sobre a intenção do candidato de pedir a anulação do resultado.

Riedel destacou a solidez do sistema eleitoral brasileiro e defendeu que eventuais contestações sejam conduzidas dentro das instituições democráticas.

“O Brasil é uma democracia muito grande, talvez uma das maiores do mundo. A gente tem um processo eleitoral muito robusto. E é natural que, nessa democracia, candidatos tenham a legitimidade de questionar, de buscar respostas”, declarou.

O governador também mencionou a proclamação do resultado pelo presidente do TSE, ministro Nunes Marques, e reforçou seu posicionamento a respeito das decisões institucionais.

“Eu respeito muito as decisões que são dadas pelas nossas instituições. Mas isso não significa que o candidato Flávio não possa questionar e discutir dentro dos critérios legais do Judiciário tudo que se passou na eleição”, afirmou.

Segundo Riedel, a postura do governo estadual será de continuidade administrativa, considerando os resultados declarados pela Justiça Eleitoral.

Apesar das divergências políticas, Riedel afirmou que pretende manter o diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para viabilizar investimentos considerados prioritários para Mato Grosso do Sul.

O governador revelou que tentou entrar em contato com Lula na manhã desta segunda-feira, mas ainda não havia conseguido conversar com ele. Segundo Riedel, a intenção inicial era parabenizar o presidente.

Entre as demandas que pretende apresentar ao governo federal, destacou a conclusão do acesso à Rota Bioceânica, além de obras de infraestrutura rodoviária, como a duplicação da BR-060, entre Campo Grande e Sidrolândia, e melhorias no trecho entre Campo Grande e Aquidauana.

“Eu separo muito a discussão política da administrativa. O presidente foi eleito, respeito o presidente da República sempre, independentemente de quem seja, assim como quero respeito para Mato Grosso do Sul”, declarou.

Riedel acrescentou que a relação institucional não deve se limitar à figura do governador, mas considerar os interesses da população sul-mato-grossense.

Questionado sobre uma possível viagem a Brasília, afirmou que ainda não existe reunião agendada, mas que espera avanços nas articulações nas próximas semanas.

Riedel também associou os questionamentos eleitorais à necessidade de fortalecer a segurança jurídica e a confiança nas instituições, reiterando que eventuais dúvidas devem ser esclarecidas pelos caminhos institucionais.

Eleições 2026

Palco de morte após ato político, Bonito deu 63,24% dos votos a Flávio

Percentual supera média estadual, que registrou 59,60% para o senador

26/10/2026 10h39

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS)

Sede do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) Foto: Paulo Ribas/Correio do Estado

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Em Bonito, município localizado a cerca de 300 quilômetros de Campo Grande, o candidato à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL), que perdeu a eleição no domingo (25), recebeu 9.080 votos, o equivalente a 63,24% dos votos válidos.

O resultado segue a tendência registrada em Mato Grosso do Sul, onde Flávio recebeu 927.892 votos (59,60%), enquanto Lula (PT) teve 628.973 votos (40,40%).

O município ganhou repercussão nacional no fim de semana do segundo turno após a morte de Ewerton Rodrigues da Silva, de 35 anos, atingido por disparos de arma de fogo depois de uma briga no fim de uma carreata bolsonarista, no sábado (24).

Apesar de o episódio ter ocorrido durante uma manifestação política, a discussão não foi motivada por divergências políticas e Ewerton teria tentado separar a briga. Segundo o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS), o desentendimento entre os envolvidos ocorreu por motivos pessoais, “sem relação com questões político-partidárias”.

Caso em Bonito

A situação começou após o término da carreata, quando uma discussão de trânsito teria evoluído para xingamentos e agressões físicas generalizadas, com a participação de várias pessoas, de acordo com informações da Guarda Municipal, divulgadas pelo site Jardim MS News no dia da briga.

Ao perceber que o pai estava sendo agredido, um adolescente de 16 anos teria pegado uma arma que estava no veículo do homem e efetuado diversos disparos contra Ewerton e Alex Machado Leite. Ewerton foi atingido no abdômen, no tórax e na coxa direita. Alex, por sua vez, levou dois tiros na região do tórax, foi transferido para Campo Grande e segue internado. 

Já o pai e o adolescente apontado como autor dos disparos seguem foragidos. O pai e o filho apontados como envolvidos nos disparos seguem foragidos. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o pai tem passagem por crime ambiental, enquanto o adolescente poderá responder por atos infracionais análogos a homicídio e tentativa de homicídio.

Alex, que permanece hospitalizado, tem passagens por lesão corporal dolosa, contrabando, tráfico de drogas e violência doméstica. Já Ewerton não tinha antecedentes criminais e deixa a esposa grávida e dois filhos.

ELEIÇÃO CONTESTADA

Capitão Contar contesta eleição de Lula e critica prorrogação dos votos

Em vídeo, senador lembrou que Zanin foi advogado do presidente reeleito e colocou em dúvida a questão do atraso nos ônibus em Salvador

26/10/2026 10h30

Capitão Contar, eleito senador por Mato Grosso do Sul com 746.580 votos

Capitão Contar, eleito senador por Mato Grosso do Sul com 746.580 votos Divulgação

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Renan Contar, o Capitão Contar (PL), eleito senador por Mato Grosso do Sul, contestou a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e disse, em sua rede social, que esta foi a "eleição mais controversa da história do Brasil". Em vídeo publicado no fim da noite deste domingo (25), o parlamentar disse que as eleições deste ano foram "entupidas de aberrações jurídicas".

A revolta do senador é, principalmente, com a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a eleição até às 19h, nos locais em que a votação não havia sido encerrada às 17h. Contar lembra que Zanin foi advogado de Lula e coloca em dúvida a questão do atraso nos ônibus em Salvador.

Além disso, o senador questiona como que "todos os institutos de pesquisa erraram e Lula aparece com mais 10 milhões no 2º turno".

Após a apuração das urnas se encerrarem e Lula ser declarado, novamente, presidente do Brasil, Flávio Bolsonaro discursou para a imprensa e não reconheceu a eleição do adversário, alegando que Zanin mudou a "regra do jogo" e passou por cima da Justiça Eleitoral.

"É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Nós vamos usar o nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo, mais uma vez, pelos amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal. É inexplicável isso ter acontecido. As coisas acontecem do nada, a pedido de um ex-sócio, do próprio Zanin, e ele atende a um pedido e passa por cima da Justiça Eleitoral", disse Flávio Bolsonaro.

TSE reconhece vitória de Lula

Com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente da República. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar, com 59.826.041 votos (48,21%). O resultado foi anunciado neste domingo (25) pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.

Durante o pronunciamento, Kassio Nunes Marques ressaltou a participação popular no processo democrático. O 2º turno contou com mais de 158 milhões de eleitores aptos a votar, dos quais 128,2 milhões compareceram às urnas. A abstenção ficou em torno de 19,2%, abaixo dos 21,08% registrados no 1º turno. 

O acesso dos eleitores ao transporte coletivo gratuito nos dias de votação também foi abordado pelo ministro. A medida segue parâmetros estabelecidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 1.013 e previstos na Resolução-TSE nº 23.751/2026. 

Segundo Kassio Nunes Marques, os tribunais regionais eleitorais (TREs) foram orientados a fiscalizar a oferta do serviço em suas respectivas regiões. O cumprimento da medida também foi acompanhado pelo TSE e pela Corregedoria-Geral Eleitoral. 

“A eventual insuficiência de transporte sempre será apurada e enfrentada pela Justiça Eleitoral, instituição à qual nossa Constituição atribuiu a competência exclusiva de gerir o processo eleitoral”, afirmou o ministro. 

 

 

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