A tendência de desejar aquilo que ainda não temos pode nos fazer valorizar menos as conquistas e os bens que já fazem parte da nossa vida. Essa reflexão é associada ao filósofo alemão Arthur Schopenhauer e questiona por que a atenção costuma se voltar mais para a falta do que para o que já foi conquistado.
A frase que resume essa ideia é uma síntese popular de seu pensamento, e não necessariamente uma citação literal. O tema aparece em Aforismos para a sabedoria de vida, obra publicada em 1851 como parte de Parerga e Paralipomena.
O desejo constante e a insatisfação
Na visão de Schopenhauer, a satisfação obtida ao alcançar um objetivo pode durar pouco. Logo, surge um novo desejo, e aquilo que antes parecia importante perde parte do seu valor diante da próxima meta.
Esse movimento ajuda a explicar por que a busca contínua por mais pode alimentar a insatisfação. Quando a atenção permanece concentrada no que falta, as realizações presentes correm o risco de passar despercebidas.
O filósofo também descreveu a experiência humana como um movimento entre o sofrimento causado pela falta e o tédio que pode surgir quando um desejo é satisfeito. Assim, alcançar algo nem sempre produz uma felicidade duradoura.
Valorizar o que já faz parte da vida
Uma maneira de colocar essa reflexão em prática é imaginar como seria perder algo que hoje parece garantido. Ao considerar a ausência de uma pessoa, de uma condição ou de uma conquista, pode ser mais fácil reconhecer o valor que ela tem no presente.
A proposta não significa abandonar objetivos ou deixar de buscar mudanças. A ideia é evitar que a ambição impeça a percepção do que já foi conquistado e das coisas positivas que continuam presentes.
A gratidão também foi estudada pela psicologia. Uma pesquisa conduzida por Robert Emmons, da Universidade da Califórnia em Davis, acompanhou participantes durante dez semanas e observou resultados favoráveis entre aqueles que registravam motivos de gratidão, incluindo relatos de melhor humor e uma visão mais positiva da vida.
A reflexão atribuída a Schopenhauer, portanto, convida a equilibrar a busca por novas conquistas com a capacidade de reconhecer o que já temos. Em vez de esperar pela perda para perceber o valor das coisas, podemos dedicar mais atenção a elas enquanto fazem parte da nossa vida.



