Política

PACOTÃO

Riedel encaminhará à Assembleia ajuste fiscal e reforma administrativa

Governador reeleito estaria preparando os projetos para serem entregues em novembro e incluiria a separação da Sejusp

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O governador reeleito Eduardo Riedel (PP) prepara o encaminhamento de dois pacotes de medidas à Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) em novembro.

Um deles será voltado a ajustes fiscais nas contas estaduais, enquanto o outro tratará da reforma administrativa, que terá entre suas principais mudanças a divisão da atual Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) em duas pastas independentes, uma de Justiça e outra de Segurança Pública.

A informação foi obtida com exclusividade pelo Correio do Estado com integrantes do primeiro escalão do governo estadual.

Conforme essas fontes, as propostas fazem parte da estratégia do governador para reorganizar a máquina pública e preparar o Estado para os próximos quatro anos de gestão, a partir do dia 1º de janeiro de 2027.

Na área administrativa, uma das principais alterações será justamente o desmembramento da Sejusp, que atualmente reúne sob o mesmo comando as políticas de segurança pública e as atribuições relacionadas à Justiça e à administração penitenciária.

Com a mudança, o governo pretende estabelecer duas estruturas distintas, permitindo que cada secretaria tenha gestão própria e atuação concentrada em suas respectivas áreas.

A definição sobre a distribuição de órgãos, competências e cargos entre as futuras Pastas deverá constar do projeto encaminhado aos deputados estaduais.

A separação representa uma das mudanças mais significativas previstas para a estrutura do Executivo estadual no início do segundo mandato de Riedel, que pretende aproveitar o período de transição entre as duas gestões para promover uma reorganização administrativa.

Além da Sejusp, outras estruturas do governo poderão passar por ajustes, embora ainda não exista confirmação sobre quais pastas serão atingidas ou se haverá criação, extinção ou fusão de outros órgãos estaduais.

AJUSTE FISCAL

Paralelamente à reforma administrativa, Riedel encaminhará à Assembleia Legislativa um pacote de ajustes fiscais, com o objetivo de adequar as contas estaduais à realidade financeira projetada para os próximos exercícios.

Embora o conteúdo das medidas ainda seja mantido sob reserva, a discussão deverá envolver a necessidade de preservar o equilíbrio entre receitas e despesas, controlar os gastos de custeio e manter a capacidade de investimento do governo estadual.

Ainda não há confirmação sobre eventual revisão de benefícios fiscais, alterações tributárias ou medidas específicas de contenção de despesas. 

A movimentação ocorre justamente no momento em que os deputados estaduais começam a discutir a proposta da Lei Orçamentária Anual (LOA) para 2027, encaminhada pelo Executivo.

O projeto prevê um orçamento de R$ 27,99 bilhões para o próximo exercício financeiro, crescimento de apenas 2,95% em relação aos R$ 27,19 bilhões previstos para este ano.

Desse total, aproximadamente R$ 13,5 bilhões estão destinados a pessoal e encargos sociais, enquanto R$ 2,45 bilhões são reservados para investimentos.

O crescimento moderado da previsão orçamentária reforça a importância das discussões sobre o equilíbrio fiscal e a capacidade do Estado de manter investimentos em infraestrutura, saúde, educação e segurança pública.

NOVA ESTRUTURA

Na reforma administrativa, a separação das áreas de Justiça e Segurança Pública deverá exigir uma redefinição das atribuições atualmente concentradas na Sejusp.

A proposta de criação de uma secretaria específica para a Justiça abre espaço para uma gestão mais direcionada às políticas penitenciárias e a outras competências que venham a ser estabelecidas na nova legislação.

Por sua vez, a futura Secretaria de Segurança Pública deverá concentrar a coordenação das políticas de enfrentamento à criminalidade, prevenção da violência e integração das forças policiais.

A medida também poderá provocar mudanças na composição do primeiro escalão do governo, uma vez que a divisão da estrutura atual resultará em dois comandos administrativos independentes.

Entretanto, os nomes que poderão assumir as novas Pastas ainda não foram definidos. O governador já sinalizou que a definição do secretariado ocorrerá depois da avaliação sobre o funcionamento da estrutura administrativa, evitando que a distribuição de cargos anteceda a definição das necessidades de cada área.

ARTICULAÇÃO

O encaminhamento dos dois pacotes em novembro também exigirá articulação política do Executivo com a Assembleia Legislativa, uma vez que as mudanças dependerão da aprovação dos parlamentares, conforme a natureza de cada proposta.

A intenção é aproveitar os últimos meses da atual legislatura para discutir e, eventualmente, aprovar as alterações antes do início do novo mandato.

Reeleito em primeiro turno com 67,07% dos votos válidos, Riedel conta com uma base de apoio na Assembleia Legislativa, fator que poderá facilitar a tramitação das propostas, embora o conteúdo fiscal tenha potencial para provocar debates mais intensos entre os deputados.

Ao antecipar as mudanças para novembro, o governador busca iniciar seu segundo mandato com as diretrizes fiscais estabelecidas e uma nova configuração da máquina pública.

A divisão da Sejusp, por sua vez, deverá ser uma das principais marcas dessa reorganização, alterando a estrutura de uma das áreas mais estratégicas da administração estadual.

*SAIBA

Grupo de trabalho conclui diagnóstico

Criado por meio do Decreto nº 16.806, de 5 de outubro, o grupo de trabalho responsável por avaliar a estrutura das secretarias de Estado e preparar a implementação do plano de governo 2027-2030 concluiu suas atividades nesta semana.

A equipe de oito integrantes analisou questões administrativas, orçamentárias e operacionais, além de identificar dificuldades e necessidades de mudanças nos órgãos estaduais.

Embora o decreto tenha estabelecido o dia 4 de dezembro como prazo para apresentação do relatório final, a conclusão antecipada permite que Riedel encaminhe à Assembleia Legislativa as mudanças necessárias.

Críticas à Fuga

Vander Loubet chama fuga de Flávio Bolsonaro de "caso de polícia"

Presidente do PT-MS acusa senador de usar a política como "cortina de fumaça" e compara sua postura à de Lula diante da Justiça

27/10/2026 20h16

O deputado federal e presidente do PT-MS, Vander Loubet, classificou a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos como um

O deputado federal e presidente do PT-MS, Vander Loubet, classificou a fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos como um "caso de polícia". Foto: Marcelo Victor/Correio do Estado.

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O deputado federal Vander Loubet (PT-MS), presidente estadual do Partido dos Trabalhadores, criticou duramente a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para os Estados Unidos, nesta terça-feira (27), e afirmou que o episódio deve ser tratado como uma questão policial, e não como uma disputa política.

Para o parlamentar sul-mato-grossense, a decisão de deixar o país representa uma tentativa de escapar das investigações e utilizar o embate político para desviar a atenção das suspeitas que recaem sobre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A manifestação ocorre após a agência internacional Reuters divulgar que Flávio deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos, segundo informações de um aliado próximo e de uma fonte do governo norte-americano

O Departamento de Estado dos Estados Unidos também confirmou, nesta terça-feira (27), que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro e a seus familiares, permitindo a entrada deles em território norte-americano.

A informação foi repassada por uma autoridade do governo americano à correspondente da TV Globo Raquel Krähenbühl.

A autorização, no entanto, não significa que o parlamentar tenha recebido asilo político, procedimento que depende de uma análise específica das autoridades dos Estados Unidos..

A saída aconteceu dois dias depois de o senador ser derrotado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais e após descumprir determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para entregar seus passaportes à Polícia Federal.

Flávio é alvo de duas investigações no STF, que apuram suspeitas envolvendo crimes como lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas. O senador nega irregularidades e, na segunda-feira (26), havia declarado publicamente que não pretendia deixar o Brasil.

Ao comentar o episódio, Vander afirmou que as circunstâncias da saída do país levantam questionamentos sobre a disposição do senador de responder às investigações.

"A fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos é, antes de tudo, um caso de polícia, não da política", declarou.

O presidente do PT-MS também acusou o senador de tentar transformar as investigações criminais em um discurso de perseguição política.

Na avaliação do deputado, a decisão de deixar o território brasileiro seria uma demonstração de que Flávio procura evitar a responsabilização judicial.

"Uma decisão de fuga como essa, com ele sendo alvo de um inquérito que apura crimes como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, só se explica quando o sujeito tem a exata compreensão da sua culpa e tenta buscar na política uma cortina de fumaça para esconder seus atos", afirmou.

Vander compara postura de Flávio à de Lula

Na manifestação, o deputado também estabeleceu um paralelo entre a saída de Flávio Bolsonaro do país e a trajetória judicial do presidente Lula, que permaneceu preso por 580 dias, entre 2018 e 2019, após condenações na Operação Lava Jato, posteriormente anuladas pelo STF.

Para Vander, a comparação evidencia diferenças na maneira como os dois políticos reagiram às acusações e decisões judiciais.

"Essa fuga também expõe de forma muito cristalina porque a reeleição de Lula para presidente foi o melhor caminho para o nosso país", afirmou.

O parlamentar sustentou que Lula enfrentou as acusações sem deixar o Brasil, mesmo durante o período em que esteve preso, e classificou o processo judicial contra o presidente como marcado por perseguição e falta de imparcialidade.

Segundo Vander, Lula "jamais cogitou fugir do Brasil, justamente por entender que comprovaria sua inocência, como restou comprovado".

Ao encerrar sua manifestação, o presidente estadual do PT voltou a criticar a família Bolsonaro e afirmou que a postura adotada pelo senador contrasta com a de Lula diante da Justiça.

"Uma coragem que falta aos membros da família Bolsonaro", concluiu.

Apesar das declarações do deputado, as investigações contra Flávio Bolsonaro seguem em andamento, sem condenação nos casos mencionados. Até o momento, também não há mandado de prisão contra o senador.

Virada

Lula cresce nos 79 municípios e soma mais 112 mil votos no 2° turno em MS; veja

Em votação recorde, crescimento foi de 21% em todo o estado entre os turnos

27/10/2026 19h00

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante discurso de reeleição, São Paulo

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante discurso de reeleição, São Paulo Foto: Ricardo Stuckert / PR

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Apesar da ampla base nordestina, reduto histórico da base petista, Lula seduziu 112 mil sul-mato-grossenses entre os turnos e em três semanas, saltou de 516.855 votos para 628.973 no último domingo (25), crescimento percentual de 21% e ampliação do número de votos em todas as 79 cidades do Estado.

Apesar da predileção pelo senador Flávio Bolsonaro (PL), o petista que havia vencido apenas em seis municípios na primeira rodada de votação, conseguiu se aproximar e "roubar" a preferência do eleitorado em outros quatro municípios no 2° turno. Ao todo, crescimento foi de 112.118 mil votos. 

Lula havia vencido apenas em Miranda, Dois Irmãos de Buriti, Vicentina, Japorã, Tacuru, Paranhos, contudo, conseguiu virar nas cidades de Corumbá, Taquarussu, Selvíria e Itaquiraí. 

Em níumeros totais, o petista ampliou os votos nos cinco maiores colégios eleitorais do Estado. Em Campo Grande, o salto foi de 159 mil para 199 mil, quase 40 mil eleitores; Em Dourados, segundo maior colégio eleitoral sul-mato-grossense, o crescimento foi de 10 mil votos; Três Lagoas 6,2 mil; Ponta Porã 4,1 mil e Corumbá 2,8 mil. 

Apesar da ampla votação, em alguns municípios, o avanço no número de votos foi pouco expressivo em algumas cidades, casos de Corguinho (+91); Rio Negro (+96); Figueirão (+98), Jateí (+100), Caracol (+110). Em relação ao crescimento percentual no número de eleitores entre os turnos, o índice foi maior nas cidades de Amambai, Três Lagoas, Naviraí, Laguna Carapã, Ivinhema e Santa Rita do Pardo.

Além do amplo crescimento em Mato Grosso do Sul, os estados onde Lula mais cresceu em pontos percetuais entre os turnos foram Goiás (+9,28 p.p); São Paulo (+7,95 p.p) e Distrito Federal (+7,61 p.p). 

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante discurso de reeleição, São Paulo

Arte gerada por IA com dados do Tribunal Superior Eleitoral*
Município 1° turno 2° turno Diferença
Campo Grande 159856 199121 +39265
Dourados 40477 50587 +10110
Três Lagoas 21347 27645 +6298
Ponta Porã 15824 19932 +4108
Corumbá 22332 25229 +2897
Sidrolândia 9542 11719 +2177
Naviraí 8020 10195 +2175
Amambai 6943 9040 +2097
Nova Andradina 8442 10502 +2060
Paranaíba 8030 9623 +1593
Aquidauana 11058 12614 +1556
Rio Brilhante 6397 7874 +1477
Caarapó 5160 6490 +1330
Ivinhema 4696 5944 +1248
Maracaju 5356 6508 +1152
Bataguassu 5075 6211 +1136
Aparecida do Taboado 4599 5718 +1119
Coxim 7119 8162 +1043
Itaquiraí 4474 5507 +1033
Costa Rica 4613 5645 +1032
Miranda 7626 8590 +964
Nova Alvorada do Sul 4003 4943 +940
São Gabriel do Oeste 4130 5044 +914
Chapadão do Sul 3860 4769 +909
Fátima do Sul 4939 5836 +897
Paranhos 3192 4088 +896
Bonito 4388 5279 +891
Ribas do Rio Pardo 3970 4858 +888
Jardim 4191 5043 +852
Anastácio 5052 5874 +822
Cassilândia 2961 3717 +756
Itaporã 3349 4090 +741
Mundo Novo 3461 4199 +738
Bela Vista 4235 4953 +718
Água Clara 2865 3553 +688
Terenos 4404 5072 +668
Tacuru 2596 3189 +593
Deodápolis 3048 3618 +570
Sonora 3066 3586 +520
Iguatemi 2452 2970 +518
Ladário 4451 4967 +516
Brasilândia 2019 2530 +511
Angélica 2453 2957 +504
Rio Verde de Mato Grosso 3583 4058 +475
Coronel Sapucaia 4295 4758 +463
Antônio João 2031 2483 +452
Batayporã 2360 2810 +450
Eldorado 2021 2458 +437
Camapuã 2725 3154 +429
Nioaque 3297 3700 +403
Sete Quedas 1694 2094 +400
Juti 1873 2257 +384
Glória de Dourados 2278 2652 +374
Laguna Carapã 1358 1723 +365
Japorã 3273 3632 +359
Guia Lopes da Laguna 2092 2450 +358
Aral Moreira 2504 2843 +339
Anaurilândia 1933 2267 +334
Santa Rita do Pardo 1219 1540 +321
Selvíria 2305 2625 +320
Vicentina 2237 2554 +317
Dois Irmãos do Buriti 3579 3886 +307
Bandeirantes 1734 2038 +304
Bodoquena 1943 2231 +288
Rochedo 1229 1468 +239
Inocência 1514 1748 +234
Jaraguari 1870 2082 +212
Porto Murtinho 2441 2647 +206
Pedro Gomes 1784 1981 +197
Douradina 1358 1522 +164
Alcinópolis 1092 1254 +162
Taquarussu 1381 1522 +141
Novo Horizonte do Sul 1177 1313 +136
Paraíso das Águas 701 834 +133
Caracol 1241 1351 +110
Jateí 1368 1468 +100
Figueirão 792 890 +98
Rio Negro 1215 1311 +96
Corguinho 1287 1378 +91
Dados TSE 

Nacional 

Entre os brasileiros que compareceram neste domingo (25) às urnas no segundo turno das Eleições de 2026, 64.256.232 escolheram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O total representa 10,3 milhões de votos a mais que os que Lula recebeu no primeiro turno, quando foram registrados quase 53,9 milhões. O crescimento de votos se deu em todos os 26 estados e no Distrito Federal, com destaque para Minas Gerais. 

Flávio Bolsonaro também cresceu na maior parte dos estados, mas com menor diferença entre os dois turnos. Em seis estados, o candidato recuou mais de 52,3 mil votos. São eles: Maranhão, Acre, Amapá, Roraima, Amazonas e Tocantins. 

Em termos absolutos, São Paulo foi o estado onde Lula abriu a maior margem de diferença entre os dois turnos, com crescimento de 2,6 milhões de votos.

O segundo foi Minas Gerais, com mais de 1,1 milhão conquistados em menos de um mês. Minas também foi o único estado em que Lula virou o resultado, uma vez que Flávio Bolsonaro tinha terminado o primeiro turno à frente, com 5,7 milhões de votos contra 5,1 milhões de votos para o petista. No segundo turno, Lula avançou para 6,3 milhões de votos no estado, contra 6,2 milhões de votos de Flávio. 

O crescimento de Lula no Rio de Janeiro, reduto político de Flávio Bolsonaro, também chama a atenção. Entre os dois turnos, o candidato do PT cresceu mais de 872 mil votos, enquanto Flávio Bolsonaro avançou pouco mais de 202 mil votos.

Os estados onde o petista cresceu menos, em números absolutos, foram Roraima, Acre e Amapá, onde o presidente somou, respectivamente, pouco mais de 9 mil votos, 9,7 mil e 10,4 mil.
 

*Com informações de Agência Brasil 

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