Política

taxa do lixo

Sete vereadores que foram contra a tarifa agora estão "indecisos"

No dia 12, 20 parlamentares votaram para anular o reajuste, mas a prefeita vetou e o projeto retorna à Casa

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A Câmara Municipal de Campo Grande retoma, na terça-feira, os trabalhos legislativos e a pauta da primeira sessão ordinária do ano será a votação do veto da prefeita Adriane Lopes (PP) ao Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, que suspende os efeitos do Decreto nº 16.402/2025 e impede o aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares para este ano.

O Correio do Estado procurou os 29 parlamentares da Casa de Leis para verificar como eles pretendem votar e constatou que, dos 20 vereadores que, no dia 12, aprovaram o respectivo projeto de lei complementar, 7 estão “indecisos”, ou seja, mesmo tendo participado da polêmica aprovação, agora estão propensos a serem favoráveis ao veto do Executivo.

Com isso, conforme consulta feita pela reportagem, dos 29 vereadores, 14 se posicionaram contra o veto, um a menos do número necessário para derrubá-lo, 10 não se posicionaram e 4 ainda não definiram, e o 29º seria o presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Vicente Silva Neto (PSDB), o Papy, que só precisa participar da votação em caso de empate. 

Os sete vereadores que votaram pela aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26 e agora não tomaram partido são Carlos Augusto Borges (PSB), o Carlão, Clodoilson Pires (Podemos), Dr. Jamal Salem (MDB), Dr. Lívio Leite (União Brasil), Veterinário Francisco (União Brasil), Herculano Borges (Republicanos), Otávio Trad (PSD), e três deles – Carlão, Jamal e Clodoilson – estão indecisos, enquanto os outros quatro não se posicionaram.

Ao Correio do Estado, Carlão disse que “ainda não viu as razões para o veto da prefeita” e, por isso, está indeciso, enquanto Jamal está indeciso e, em razão disso, vai ouvir o partido antes de tomar uma decisão.
Já o Wilson Lands, que na sessão de 12 deste mês não estava presente e por isso não votou, disse que está indeciso porque também não analisou ainda os motivos do veto. “Vou analisá-lo com responsabilidade e, dentro da legalidade, considerar todos os aspectos antes de me posicionar”, declarou.
 
CONTRÁRIOS AO VETO

Dos 14 vereadores que já se declararam contrários ao veto da chefe do Executivo, o vereador Júnior Coringa (MDB) disse que vai votar contra o veto. “Da mesma forma que votei pela aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, ou seja, a favor do povo”, afirmou.

O vereador Marquinhos Trad (PDT) disse que manteria a sua coerência e ratificaria a sua posição de rejeição ao veto. “Até porque, o veto parte de uma premissa fática falsa – existência de corte de receita – e de uma aplicação indevida da LRF [Lei de Responsabilidade Fiscal], além de tentar corrigir falhas de planejamento orçamentário com aumento tributário”, declarou.

No caso do vereador André Salineiro (PL), ele disse que vai lutar pela derrubada do veto. “Farei de tudo também para poder convencer os outros vereadores a também irem pela derrubada porque, afinal de contas, precisamos de 15 votos”, lembrou.

O vereador Flávio Cabo Almi (PSDB) garantiu que seu voto não poderia ser diferente, ou seja, pela derrubada do veto. “Eu sou um vereador eleito pelo povo, pelo voto democrático, pelo legado do meu pai Cabo Almi, que sempre esteve do lado do povo, morando perto do povo e respeitando o povo. O vereador que votar a favor do veto está desrespeitando a população”, criticou, acrescentando que, por ele, já tinha votado no outro dia após o veto ser publicado.
 
ENTENDA

O Projeto de Lei Complementar nº 1.016/26, que suspende os efeitos do Decreto nº 16.402/2025 e impede o aumento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares para 2026, reflete diretamente nos valores dos carnês do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), que surpreenderam os contribuintes diante de aumentos. 

Conforme os vereadores, essa alta nos valores ocorreu em decorrência da majoração da taxa do lixo e da redução do desconto para pagamento à vista, medidas adotadas de forma unilateral pela prefeitura.

“Ficou deliberado junto com o coletivo dos vereadores que nós já vamos apreciar o veto imediatamente quando começarem as sessões. E aí os vereadores terão a oportunidade de se manifestarem mais uma vez sobre a questão da taxa do lixo, que foi aumentada abruptamente, sem diálogo com a população principalmente, com os segmentos, e todos que foram drasticamente afetados pelo aumento nos seus carnês referente à taxa do lixo”, afirmou o presidente Papy. 

Ele salientou que a Câmara Municipal reagiu criando comissão para acompanhar o caso e convocando a sessão extraordinária durante o recesso parlamentar, representando os interesses da população. 
“A Casa de Leis se manifestou pró-contribuinte, nada mais distante ou diferente daquilo que é o nosso trabalho. A comissão foi muito eficiente, conseguindo a dilatação do prazo, agora, para o dia 12 de fevereiro, conseguiu também o prazo para aqueles que pagam de forma parcelada, mas, infelizmente, não conseguimos avançar na questão dos 20% de desconto”, afirmou.

O presidente lembrou que o Executivo tem insistido de todas as formas para manter o aumento da taxa de lixo, estabelecido no Decreto nº 16.402/2025, com reformulação do Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário. 

Com objetivo de trazer mais esclarecimentos à população, a Câmara Municipal detalhou que as definições quanto ao IPTU e a taxa do lixo decorrem de dois decretos municipais, que são de responsabilidade do Executivo, e em nenhum deles há referência a legislações ou alterações de leis de 2025.

Eles se baseiam apenas em normas anteriores e as próprias publicações no Diário Oficial de Campo Grande (Diogrande), desta forma, reforçam que não houve participação da Câmara. 

Um deles, o Decreto nº 16.422, de 23 de outubro de 2025, dispõe sobre o critério para a fixação de base de cálculo do valor venal dos imóveis do município de Campo Grande (MS), para fins de lançamento do IPTU, em que a prefeitura apresenta como referências a Lei Municipal nº 5.405/2014, o IPCA-E calculado pelo IBGE e a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Já o Decreto nº 16.402, de 30 de setembro de 2025, que dispõe sobre a forma de lançamento e pagamento da Taxa de Coleta, Remoção e Destinação de Resíduos Sólidos Domiciliares para o exercício de 2026, traz o Mapa do Perfil Socioeconômico Imobiliário de Campo Grande, previsto na Lei Complementar nº 318/2017. 
Este decreto, cabe lembrar, foi justamente o que os vereadores suspenderam durante sessão extraordinária em janeiro, cujo veto será avaliado no dia 3 de fevereiro.

Em agosto do ano passado, a Câmara Municipal aprovou um projeto de lei complementar, de autoria do Executivo, relacionado à alteração na Lei nº 1.466/1973, o Código Tributário Municipal de Campo Grande. 
No entanto, essa mudança se refere à aplicação de alíquotas do imposto a imóveis não edificados situados em loteamentos fechados urbanos (categoria L3).

Seguindo norma federal, o projeto do Executivo estabelece no art. 148-D que a base de cálculo do IPTU será atualizada anualmente por ato do Poder Executivo, observados os critérios da Lei nº 5.405, de 2014.

A atualização linear precisa ser feita com base na correção da inflação, caso contrário precisaria passar pela aprovação da Câmara, algo que não ocorreu.

Emenda de autoria da Câmara acrescentou ainda que atualização anual deverá ser acompanhada de relatório técnico, contendo a metodologia aplicada, os índices utilizados e a estimativa de impacto médio sobre o valor venal dos imóveis, tendo como foco a justiça tributária.

Ainda, o relatório técnico deve ser apresentado, de forma prévia e formal, pelo Poder Executivo perante o Poder Legislativo para fins de esclarecimento e transparência, quanto aos critérios técnicos adotados e aos impactos decorrentes da atualização. Neste ano, a prefeitura não encaminhou documentação prévia à Câmara.
Cabe ressaltar que essa atualização da base de cálculo do IPTU é feita todos os anos por ato do Executivo, com base na correção da inflação. Não houve alteração em relação ao que já ocorre todos os anos. 

O Decreto nº 16.422 apresenta apenas a correção da inflação, como pode ser confirmado ao comparar a tabela da página 15 (anexo II) da edição do Diogrande do dia 24 de outubro de 2025, com a tabela da página 7 do Diogrande do dia 7 de novembro de 2024, tendo como base o Decreto nº 16.074. 

A majoração do imposto para este ano, portanto, ocorreu unicamente após aplicação do índice inflacionário, podendo haver, em alguns casos, maior aumento pontual para alguns contribuintes, em função da alteração cadastral proveniente de acréscimo de área edificada ou melhoria do imóvel, cuja avaliação é feita exclusivamente pelo Executivo municipal, por meio de procedimentos administrativos internos.

O principal aumento na cobrança total ocorreu na taxa do lixo, cuja atualização é feita exclusivamente pela prefeitura, além da redução de 20% para 10% de desconto para pagamento à vista, que também decorre apenas de decisão da administração municipal.

Registro

Alvo das operações Omertà e Armagedon, Jerson Domingos pode ter candidatura barrada

Ex-presidente do Tribunal de Contas disputa cadeira na Assembleia Legislativa

18/08/2026 17h15

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado

Jerson Domingos, ex-presidente do Tribunal de Contas do Estado Foto: Arquivo Correio do Estado

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Alvo de duas denúncias apresentadas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), o ex-conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso do Sul e candidato a deputado estadual Jerson Domingos (União Brasil) pode ser barrado de disputar as eleições de 2026.

A impugnação apresentada pela Procuradoria Regional Eleitoral sustenta que ele estaria inapto a disputar uma vaga na Alems em razão da causa de inelegibilidade prevista no artigo 17, § 4º, da Constituição Federal, dispositivo que veda aos partidos políticos a utilização de organização paramilitar.

Ele é apontado como integrante de um núcleo responsável por providenciar armas e a logística necessária para ações criminosas. Segundo a acusação, Jerson, que é cunhado de Jamil Name e tio de Jamilson Name, teria recebido, juntamente com Cinthya Name Belli, ordens para adotar providências relacionadas à aquisição de armas, veículos e contratação de executores. 

Jerson foi denunciado na segunda fase da Omertà por supostamente praticar o crime de impedimento ou embaraço à investigação de infração penal envolvendo organização criminosa. 

Já na terceira fase da operação, a Armagedon, foi denunciado por integrar organização criminosa armada e por tráfico de armas de fogo. 

As investigações também resultaram em apreensões de armas e munições em quatro imóveis ligados a Jerson durante a segunda fase da Operação Omertà, deflagrada em março de 2020. 

A Procuradoria também recupera episódios anteriores da trajetória política de Jerson Domingos para sustentar a impugnação.

Entre eles está uma ocorrência registrada em dezembro de 2009, quando o programa Fantástico, da TV Globo, exibiu imagens de um cambista ligado ao jogo do bicho circulando nas dependências da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) com um crachá de visitante emitido em nome do ex-presidente do TCE. 

À época, Jerson afirmou desconhecer a situação e disse que tomaria providências. O episódio posteriormente deu origem a uma ação penal por contravenção relacionada ao jogo do bicho. 

Diferentemente do sobrinho Jamilson Name condenado a oito anos pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro, Jerson não possui condenação definitiva.

Em abril de 2024, a 1ª Vara Criminal de Campo Grande determinou o desmembramento dos processos em relação a ele e encaminhou cópias ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), diante do entendimento de que conselheiros de tribunais de contas possuem prerrogativa de foro.

Os casos passaram a tramitar na Corte Especial do STJ, sob relatoria do ministro Luis Felipe Salomão. Ele deixou a corte em novembro de 2025 ao atingir a idade limite de 75 anos, aposentando-se compulsoriamente. 

Na impugnação, a Procuradoria pede que, caso os requeridos não apresentem defesa em sete dias, seja realizado o julgamento antecipado do mérito, com o consequente indeferimento do registro de candidatura de Jerson Domingos.

Impugnação

Procuradoria eleitoral quer barrar candidatura de dono de faculdade paraguaia

Doação irregular realizada em 2020 pode impedir Carlos Bernardo de disputar cadeira no Congresso pela 2ª vez

18/08/2026 15h30

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara

Pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara Foto: Reprodução / União Brasil

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Pela segunda vez em quatro anos, a Procuradoria Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul pode barrar a candidatura de Carlos Bernardo (União Brasil), candidato a deputado federal e fundador da Faculdade de Medicina da Universidade Central do Paraguai em Pedro Juan Caballero, cidade fronteiriça a Ponta Porã, interior do Estado. 

O pedido de impugnação sobre a candidatura tem como base uma doação irregular de R$ 90 mil realizada por Carlos Bernardo à campanha de Rogério Rezende Silva, candidato a prefeitura de Itumbiara-GO em 2020. Em decisão colegiada, a Justiça determinou à época que o repasse ultrapassou o limite legal de 10% dos rendimentos brutos auferidos pelo doador em 2019.

Com base na declaração de imposto de renda, Carlos Bernardo poderia doar até R$ 20.767,55, contudo, o repasse ultrapassou em R$ 69.223,45 o limite permitido. 

Na ocasião, ele foi apontado como o maior doador da campanha de Rogério Rezende, valor que correspondeu a 26,58% da arrecadação total do candidato e 300% do que ele poderia doar.

Conforme a alegação do procurador Silvio Pettengill Neto, a doação "não deveria existir na realidade da
campanha eleitoral do beneficiário, de modo que a sua simples existência na conta bancária de candidato ou partido beneficiado, por óbvio, acarretou o desequilíbrio entre os candidatos em disputa."

De acordo com o Portal DivulgaCandContas, da Justiça Eleitoral, a doação aconteceu às vésperas do primeiro turno, 13 de novembro, dois dias antes do pleito. Rogério Rezende foi derrotado nas urnas. 

Desse modo, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul reconheceu a irregularidade, ratificou a sentença do juízo da 52ª zona eleitoral e impediu Carlos Bernardo de disputar as eleições há quatro anos, quando lançou-se candidato a deputado federal pelo MDB. 

"A Lei Complementar n. 64/1990, ao regulamentar as hipóteses de inelegibilidade infraconstitucionais, estabelece no art. 1º, inc. I, al. p, que 'são inelegíveis (...) para qualquer cargo (...) a pessoa física e os dirigentes de pessoas jurídicas responsáveis por doações eleitorais tidas por ilegais por decisão transitada em julgado ou proferida por órgão colegiado da Justiça Eleitoral, pelo prazo de 8 (oito) anos após a decisão, observando-se o procedimento previsto no art. 22'”.

Apesar da decisão colegiada impedir a candidatura de Carlos Bernardo por oito anos, ele disputou a prefeitura de Ponta Porã em 2024.

Na ocasião, a Justiça entendeu que a doação irregular realizada por ele ao candidato goiano não impactaria diretamente a disputa pela prefeitura ponta-poranense. Cabe recurso.

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