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STF derruba aplicação do voto impresso nas eleições de 2014

STF derruba aplicação do voto impresso nas eleições de 2014

Terra

06/11/2013 - 18h35
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O Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou nesta quarta-feira, por unanimidade, a exigência da impressão automática de votos das urnas eletrônicas a partir das eleições do ano que vem. A regra estava prevista em uma lei de 2009, mas foi suspensa pelo próprio STF em 2011 após o Ministério Público se mostrar contrário à sua adoção por comprometer o sigilo e inviolabilidade do voto.

Ao votar pela suspensão do voto impresso, a ministra Cármen Lúcia, relatora e também presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), considerou o uso desse recurso como um "novo foco de vulnerabilidades" ao sigilo do voto. Para a magistrada, conceder qualquer tipo de comprovante submeteria o eleitor a pressões de grupos políticos que cobrariam a prova de participação no pleito em troca de favores, dinheiro ou presentes.

"O segredo do voto constitui conquista destinada a garantir a inviolabilidade do querer democrático do eleitor e a intangibilidade do seu direito por qualquer forma de pressão. Não é livre para votar quem pode ser chamado a prestar contas sobre o seu voto", justificou a ministra.

Cármen Lúcia rebateu os argumentos de que faltaria auditoria aos votos computados nas urnas eletrônicas. Segundo a ministra, o processo adotado no Brasil não dispensa controle ou auditoria, uma vez que é feito o Registro Digital de Voto (RDV). Isso quer dizer que todos os votos são contabilizados de acordo com a assinatura digital de cada urna, embaralhados e auditados por um sistema eletrônico sem prejuízo ao sigilo do voto.

"Não é verdade que aquilo (o processo eleitoral) não tem controle. Essa auditoria não só pode como é feita. Mas, ao contrário do papel, ela fica em sistemas completamente inatacáveis por quem quer que seja. A urna eletrônica atualmente utilizada permite que o resultado seja transmitido às centrais sem a identificação do eleitor e com alteração sequencial dos eleitores de cada seção, o que garante o segredo do voto e a confiabilidade do sistema", acrescentou.

Fraude
A ministra lembrou que a introdução de impressoras para cada uma das urnas potencializaria falhas e atrasaria o trabalho nas mais de 400 mil seções e zonas eleitorais do País. Além disso, destacou que "a porta de conexão do módulo impressor, além de apresentar problemas de impressão, abre-se a fraudes que podem comprometer a eficiência do processo eleitoral".

Cármen Lúcia também destacou que o voto impresso poderia causar uma demora significativa na divulgação dos resultados da eleição. Segundo ela, a média do tempo de votação na urna eletrônica é de um minuto e meio por eleitor, e, na ocasião dos testes do voto impresso ocorridos nas eleições de 2002 em alguns municípios, essa média subiu para até 10 minutos por eleitor.

O voto impresso já ocorreu no Brasil durante as eleições de 2002 em todas as seções eleitorais de Sergipe e do Distrito Federal e em mais 73 municípios de todas as unidades da Federação. Cerca de 7 milhões de eleitores votaram em urnas com impressão do voto, mas a experiência não foi positiva, segundo o TSE.

Exemplo
Ao final do seu voto, a ministra destacou que o sistema utilizado atualmente pela Justiça Eleitoral vem se mostrando seguro e eficiente e que o aperfeiçoamento é permanente. Ao rebater críticas de que países como Alemanha e Índia instituiriam a impressão do voto, Cármen Lúcia defendeu o modelo brasileiro e acrescentou que o TSE recebe uma média de oito a dez pedidos de visita por mês de países interessados na urna eletrônica.

"Cada povo escolhe seu modelo de democracia e de eleições. Não tem aritmética de certo e errado. O que se tem é uma Constituição que garante princípios. Se (a urna eletrônica) tivesse tantas falhas, talvez não fossemos tão buscados e copiados. O nosso sistema é reconhecido como superiormente adequado à garantia da moralidade e da eficiência das votações, sendo modelo brasileiro de votação eletrônica sem contestação", afirmou.

Impressão
O voto impresso foi aprovado pelo Congresso Nacional em setembro de 2009, na chamada minirreforma eleitoral. De acordo com o texto contido na Lei nº 12.034, a urna eletrônica deveria exibir as telas referentes aos votos digitados e, após a confirmação do eleitor, a máquina imprimiria um número único de identificação do voto associado à sua própria assinatura digital.

A mesma regra também previa que esse documento impresso seria depositado de forma automática, sem contato manual do eleitor, em uma urna previamente lacrada. Segundo a norma, após o fim da votação, a Justiça Eleitoral realizaria, através de audiência pública, uma auditoria independente nos softwares de 2% das urnas eletrônicas de cada Zona Eleitoral, escolhidas por sorteio, para comparar o resultado apresentado na urna eletrônica com o resultado dos votos impressos.

SUCESSÃO

Com apoio de Riedel, Caravina entra na disputa pela presidência da Assembleia

Deputado estadual do PSDB surge como nome da base governista para o comando da Casa e pode dificultar plano do PL

07/10/2026 08h05

O deputado estadual reeleito Pedro Caravina (PSDB) pretende disputar a presidência da Casa

O deputado estadual reeleito Pedro Caravina (PSDB) pretende disputar a presidência da Casa Foto: Luciana Nassar/Agência Alems

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Com o apoio do governador reeleito Eduardo Riedel (PP), o deputado estadual reeleito Pedro Caravina (PSDB) decidiu entrar nas articulações pela presidência da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) e surge como uma alternativa da base governista para impedir que o PL transforme a maior bancada da próxima legislatura em controle da Mesa Diretora.

Caravina confirmou ontem ao Correio do Estado que avalia formalizar sua candidatura ao comando da Casa de Leis. A movimentação ocorre justamente quando o PL tenta construir consenso em torno de um dos três deputados estaduais reeleitos que já demonstraram interesse no cargo: Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Coronel David.

“Estou avaliando colocar meu nome à disposição dos colegas, apostando na necessidade de equilíbrio na gestão da Alems, considerando o ambiente político polarizado”, afirmou Caravina.

A entrada do deputado estadual na disputa muda o cenário da sucessão porque coloca frente a frente a maior bancada da próxima legislatura e o grupo político do governador, que também terá força suficiente para influenciar diretamente a escolha do próximo presidente.

Reeleito no primeiro turno, Riedel terá uma base numerosa na Assembleia Legislativa. Além de Caravina, o PSDB reelegeu Paulo Duarte e conquistou uma cadeira com o ex-prefeito de Três Lagoas Angelo Guerreiro. 
Pelo PP, foram reeleitos Gerson Claro e Londres Machado e eleito Hélio Peluffo, ex-prefeito de Ponta Porã.

O decano da Alems, Londres Machado, inclusive também foi cotado para disputar a presidência da Casa de Leis, porém, ao ser questionado ontem pelo Correio do Estado, refutou essa afirmação.

O parlamentar descartou entrar na disputa pelo comando da Assembleia Legislativa. Com longa trajetória no parlamento estadual e experiência à frente do Legislativo, ele afirmou que não pretende voltar a ocupar o cargo de presidente no próximo biênio. “Não é o meu projeto”, resumiu.

A articulação governista ainda alcança parlamentares de outras legendas, tornando o apoio do governador um dos principais ativos na disputa pela presidência.

FORÇA DA BANCADA

O PL elegeu nove deputados estaduais e pretende usar a condição de maior bancada como argumento para reivindicar o comando da Alems. 
Antes, porém, terá de resolver uma disputa interna entre três nomes. 

O senador eleito Reinaldo Azambuja, presidente estadual do partido, afirmou ao Correio do Estado que Zé Teixeira, Paulo Corrêa e Coronel David estão credenciados para participar da discussão, mas advertiu que a legenda terá de apresentar apenas um candidato.

“Temos de construir um consenso interno para lá na frente chegar com apenas um nome. Depois vamos precisar agregar os votos de outros partidos, pois só nove deputados não elegem ninguém, precisamos de pelo menos 14 votos”, declarou.

Azambuja reconheceu que uma divisão entre os próprios integrantes do PL pode inviabilizar o projeto de conquistar a presidência.

“Quem tem três não tem ninguém. Se você começa dividido dentro de casa, não ganha nada. Primeiro precisamos ter consenso dentro do PL. Porém, acredito que ainda temos tempo para tratar da eleição para a presidência da Assembleia Legislativa”, afirmou.

O plano inicial do partido era, depois de escolher seu candidato, procurar justamente os deputados ligados a Riedel para construir a maioria necessária. 

A disposição de Caravina de disputar o cargo com o respaldo do governador, porém, pode transformar os aliados do Executivo de possíveis eleitores do PL em adversários na sucessão.

APOIO DE RIEDEL

A influência do governador na eleição é reconhecida até mesmo entre os pré-candidatos do PL.
Zé Teixeira afirmou que uma candidatura dificilmente prosperará sem o aval de Riedel e defendeu que as negociações não fiquem restritas aos nove integrantes da bancada do partido.

“Outra coisa é que essa eleição depende muito do governador Eduardo Riedel, sem o apoio dele não será possível”, declarou.

Segundo o parlamentar, a disputa precisa envolver todos os integrantes da Assembleia.

“Para se eleger um presidente da Assembleia Legislativa precisa de no mínimo 13 votos. Não adianta conversar entre nove, pois nove não elegem um presidente”, disse.

Zé Teixeira acrescentou que nenhum partido poderá simplesmente reivindicar o posto sem construir uma maioria.

“Por isso, não discuto eleição para a presidência da Assembleia Legislativa com nove deputados estaduais, eu discuto com 24. Não existe você exigir ser candidato, você tem de colocar o nome à disposição e conquistar os votos necessários”, afirmou.
O deputado também colocou sua experiência na Mesa Diretora como credencial. Ele ocupou durante oito anos a primeira-secretaria da Assembleia e afirmou estar disposto a construir apoios.

“Tenho a experiência de oito anos atuando como primeiro-secretário da Casa, período em que acredito ter realizado um excelente trabalho. Entendo perfeitamente a ideia defendida pelo senador Reinaldo Azambuja, considerando que o PL tem a maior bancada eleita”.

DISPUTA INTERNA

Além de Zé Teixeira, Coronel David confirmou interesse no posto, embora tenha condicionado sua candidatura a um entendimento interno. “Tenho interesse, desde que haja um consenso dentro do partido”.

Paulo Corrêa também assumiu a condição de pré-candidato e afirmou que trabalhará para conquistar o apoio dos colegas de legenda.

“Primeiro temos de obedecer à decisão do presidente do partido e, como o Reinaldo falou, o PL, com a maior bancada, é normal que reivindique a presidência da Assembleia Legislativa. Diante disso, posso dizer que, neste momento, sou pré-candidato ao cargo e vou trabalhar dentro da legenda para ser o escolhido e, se Deus quiser, conseguir ser o próximo presidente da Casa de Leis”, declarou.

Azambuja, entretanto, pretende deixar a definição para depois do segundo turno da eleição presidencial. Segundo ele, a prioridade imediata da legenda é trabalhar pela eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República.

“Primeiro, como presidente estadual do PL, é ajudar na eleição do Flávio como presidente do Brasil, depois vamos pensar no comando da Assembleia Legislativa. O mais importante agora é a eleição do Flávio no segundo turno, depois vamos discutir as outras eleições”, afirmou.

A entrada de Caravina antecipa uma disputa que tende a se intensificar após o segundo turno. 

O PL aposta no peso dos nove deputados eleitos para reivindicar a presidência, enquanto a base governista passa a ter um nome próprio, com respaldo de Riedel, para tentar manter o comando do Legislativo alinhado ao Palácio do Parque dos Poderes.

coronelismo

Com derrota de Roseana, família Sarney fica sem mandato pela 1ª vez em 72 anos

Roseana foi a terceira na disputa pelo Senado. André Fufuca (PP), com 21,43% dos votos, e Lahesio Bonfim (Novo), que conquistou 20,65% dos votos

07/10/2026 07h25

O pai de Rosenana Sarney, o ex-presidente José Sarney entrou na política ainda nos anos 50 do século passado

O pai de Rosenana Sarney, o ex-presidente José Sarney entrou na política ainda nos anos 50 do século passado

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A partir de 2027, a família Sarney ficará sem nenhum representante em mandato eletivo pela primeira vez em 72 anos. O cenário ocorre depois da derrota de Roseana Sarney (MDB-MA), filha do ex-presidente José Sarney, na disputa pelo Senado Federal.

Roseana foi eleita deputada federal pelo Maranhão em 2022, mas o mandato acaba em janeiro de 2027 e nenhum outro membro da família estará em algum mandato.

Roseana foi a terceira colocada na disputa pelo Senado Federal no Estado. André Fufuca (PP), com 21,43% dos votos, e Lahesio Bonfim (Novo), que conquistou 20,65% dos votos, conseguiram as duas vagas em disputa.

A derrota de Roseana encerra um ciclo político que remonta aos anos 50, quando seu pai assumiu o cargo de deputado federal. Sarney exerceu o cargo por três mandatos, até 1965.

Em 1966, foi eleito governador do Maranhão. Em seguida, foi para o Senado Federal pela primeira vez, onde ficou até 1985. Foi presidente entre 1985 e 1990. Depois, voltou ao Senado mais uma vez, onde ficou até 2015, cumprindo três mandatos consecutivos.

Roseana seguiu a trajetória política do pai e se elegeu como deputada federal, pela primeira vez em 1990, e ficou no cargo até 1994, quando foi eleita governadora do Maranhão.

Ela ficou no cargo por dois mandatos consecutivos, até 2002. Roseana também foi senadora da República, ficando no cargo até 2009 e mais uma vez voltou ao governo do estado, onde ficou até 2014.

Foi eleita novamente para deputada federal em 2022; seu mandato acaba em 2027.

Seu irmão, José Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney (PV) foi deputado estadual pelo Maranhão entre 1979 e 1983 e deputado federal pelo mesmo Estado por nove mandatos, entre 1983 e 2019. Ele também assumiu como ministro do Meio Ambiente nas gestões de Fernando Henrique Cardoso, de 1999 a 2002, e Michel Temer, de 2016 a 2018.

Adriano Sarney, neto de Sarney, é o membro da terceira geração a ocupar cargo político. Ele foi deputado estadual pelo Maranhão, por dois mandatos, entre 2015 e 2023. Ele tentou se reeleger nas eleições de 2022, mas não obteve votos o suficiente.

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