Política

Eleições 2026

TRE-MS condena Camila Jara e Tiago Botelho por propaganda eleitoral antecipada

Deputada federal e pré-candidato a deputado estadual foram multados em R$ 5 mil cada após a Justiça entender que discurso com pedido explícito de votos ocorreu antes do período permitido pela legislação eleitoral.

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A Justiça Eleitoral condenou a deputada federal e pré-candidata à reeleição para a Câmara dos Deputados, Camila Jara (PT), e o pré-candidato a deputado estadual Tiago Resende Botelho (PT) por prática de propaganda eleitoral antecipada durante um evento político realizado em Naviraí.

A decisão, publicada no Diário da Justiça Eletrônico do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) nesta sexta-feira (31), impôs multa de R$ 5 mil para cada um após reconhecer que houve pedido explícito de voto antes do início oficial da campanha eleitoral.

A representação foi ajuizada pela Procuradoria Regional Eleitoral. Segundo os autos, Tiago Botelho, então superintendente do Patrimônio da União em Mato Grosso do Sul, publicou em novembro de 2025 um vídeo em suas redes sociais no qual discursava durante um evento político e anunciava sua intenção de disputar uma vaga na Assembleia Legislativa nas eleições de 2026.

Na ocasião, a deputada federal e pré-candidata à reeleição, Camila Jara (PT), participou do ato e acompanhou a manifestação. Conforme a decisão, a presença da parlamentar ocorreu no mesmo evento em que foi registrado o discurso considerado pela Justiça Eleitoral como propaganda eleitoral antecipada.

Na decisão, a juíza Mariel Cavalin dos Santos entendeu que o discurso ultrapassou os limites permitidos para a pré-campanha ao utilizar expressões que, conforme a jurisprudência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), possuem carga semântica equivalente ao pedido explícito de voto.

Entre as frases destacadas estão referências à necessidade de "reeleger o presidente Lula", "eleger Vander Loubet senador", além da afirmação de que Tiago Botelho se colocaria "à disposição de ser deputado estadual". A magistrada concluiu que tais manifestações configuram propaganda eleitoral antecipada. 

Em relação à deputada federal, a sentença destaca que Camila Jara não apenas esteve presente no evento, mas também foi citada durante o discurso e, conforme registrado pela magistrada, demonstrou concordância com a fala ao aplaudir o pronunciamento.

Para a Justiça Eleitoral, essa conduta caracteriza anuência à propaganda considerada irregular, afastando a tese apresentada pela defesa de que sua participação teria sido apenas institucional ou restrita ao ambiente partidário. 

As defesas dos representados sustentaram que o encontro teria ocorrido em um evento interno do Partido dos Trabalhadores, destinado a filiados, e que o vídeo permaneceu disponível apenas por 24 horas na ferramenta "stories", alcançando número reduzido de visualizações.

Também argumentaram que não houve pedido de votos, mas apenas manifestação política e defesa de pautas ideológicas.

A magistrada, contudo, rejeitou esses argumentos. Segundo a decisão, não ficou comprovado que o evento era fechado ao público, além de considerar que a limitação temporal da publicação nas redes sociais não descaracteriza a infração eleitoral.

Para a juíza, basta que o conteúdo tenha sido disponibilizado ao público em período vedado para configurar a irregularidade prevista na legislação. 

Outro ponto destacado na sentença é que Tiago Botelho utilizou seu cargo público para relacionar promessas envolvendo a reforma agrária ao sucesso eleitoral de candidatos do Partido dos Trabalhadores, circunstância considerada incompatível com a igualdade de condições entre futuros concorrentes nas eleições. 

Ao final, a juíza julgou procedente a representação proposta pelo Ministério Público Eleitoral e condenou Tiago Resende Botelho e Camila Bazachi Jara Marzochi ao pagamento de multa individual de R$ 5 mil, com fundamento no artigo 36-A da Lei das Eleições e no artigo 2º da Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral. 

A decisão ainda é passível de recurso perante o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul. Até a publicação desta reportagem, a defesa de Camila Jara e de Tiago Botelho não havia se manifestado sobre a condenação. 

Declaração

Lula diz que Palácio da Alvorada é 'desumano' para morar

Para Lula, a arquitetura do palácio também não é adequada à realidade da maioria dos presidentes

31/07/2026 12h45

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse nesta quinta-feira, 30, que a estrutura ampla do Palácio da Alvorada, residência oficial dos chefes do Executivo federal, é desagradável e até "desumana".

"A cozinha fica numa ponta, o quarto fica na outra. Se você tiver que pedir café, o café chega frio. Se você pedir uma cerveja, ela chega quente", afirmou o presidente após ser questionado pelo entrevistador Rogério Vilela, no podcast Inteligência Ltda, sobre o espaço do Palácio da Alvorada

Segundo o presidente, o imóvel tem ao todo oito quartos, mas a distância entre eles atrapalha a rotina. "É muito belo para tirar fotografia. Agora, para morar, é muito desumano. Não é aconchegante", disse Lula que recebeu o entrevistador na residência oficial.

Para Lula, a arquitetura do palácio também não é adequada à realidade da maioria dos presidentes que ocuparam o imóvel. "Porque quase todos os presidentes que vêm aqui não têm uma penca de filhos. O cara vem para cá já com uma certa idade, com 50, 60 anos, já tem os filhos criados", disse.

Lula ainda citou a piscina do Alvorada. De acordo com ele, os pedidos feitos no espaço de convivência demoram a chegar por causa da distância até a cozinha. "O cara já chega cansado", afirmou.

O Palácio da Alvorada foi construída na década de 1950, a partir de projeto de Oscar Niemeyer. As obras ocorreram junto à construção de Brasília, a capital federal idealizada por Juscelino Kubitschek.
 

Eleições 2026

Tereza Cristina não será a vice de Flávio Bolsonaro

Progressistas barrou chapa de Flávio com Tereza, para manter a neutralidade no partido

31/07/2026 10h05

Flávio Bolsonaro e Tereza Cristina

Flávio Bolsonaro e Tereza Cristina Foto: divulgação

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Senadora da República por Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (PP) não será a vice do candidato a presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL).

Ela havia aceitado o convite para ser candidata a vice-presidente do Brasil e, até então, as negociações estavam avançando. Mas, o Progressistas (PP) barrou sua chapa com Flávio.

Em nota, o partido afirmou que adotará neutralidade nas eleições de 2026, o que descarta a candidatura de Tereza.

“O Progressistas, após consulta aos seus diretórios estaduais, decidiu, por maioria, permanecer neutro no processo eleitoral. Diante disso, reiteramos a posição de não convocar Convenção Nacional. A decisão já foi comunicada e acatada pela nossa líder no Senado Federal, senadora Tereza Cristina”.

A decisão encerra as especulações de que a senadora poderia ser vice do filho de Bolsonaro.

Vale ressaltar que Flávio afirmou nesta sexta-feira (31), antes da divulgação da nota do PP, que Tereza aceitou o convite para ser vice em sua chapa, embora ela tenha negado em outros momentos.

Presidente da sigla, Ciro Nogueira, teria dificultado a definição de Tereza como vice, pois, ele defende que a sigla mantenha a neutralidade no pleito presidencial.

Além disso, a motivação de vetar a candidatura da senadora como vice teria partido da bancada no Nordeste.

No Ceará, a cúpula nacional da federação validou o apoio à candidatura de Ciro Gomes (PSDB) ao Governo do Estado e o nome de Roberto Cláudio (União) como vice, além de Capitão Wagner ao Senado. No entanto, diretórios estaduais do PP e do União acionaram a Justiça para tentar garantir apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas (PT). Em Pernambuco, o partido agendou sua Convenção Estadual para o dia 1º de agosto de 2026 para oficializar as apostas proporcionais e a movimentação do deputado federal Eduardo da Fonte na corrida ao Senado dentro do xadrez político local. No Piauí e Alagoas, o grupo de oposição articula o nome da ex-deputada Margarete Coelho (PP) ao governo e a forte presença do senador Ciro Nogueira (PP). Em Alagoas, o partido atua como principal polo oposicionista ao grupo governista liderado por Renan Calheiros, sob a forte influência política de Arthur Lira.

Com isso, a vaga de vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro está aberta e segue indefinida.

Flávio tem preferência por uma mulher para o posto de vice. O nome de Tereza Cristina já foi defendido publicamente pelo presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto.

Também são cogitadas a ex-presidente da Caixa Daniella Marques e as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC), Simone Marquetto (PP-SP) e Clarissa Técio (PP-SP).

Os partidos têm até quarta-feira (5) para definir os candidatos aos cargos em disputa neste ano e até dia 15 de agosto para registrar os nomes escolhidos na Justiça Eleitoral.

NEGOCIAÇÕES

O pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL), afirmou nesta sexta-feira (31), antes da divulgação da nota do PP, que a senadora Tereza Cristina (PP-MS) aceitou o convite para ser vice em sua chapa, embora ela tenha negado em outros momentos.

“Tereza Cristina é um caso excepcional. Foi ministra do presidente Bolsonaro, é uma referência em várias áreas, em especial no agro. É respeitadíssima dentro da política, dentro do país e fora do país. Então o convite foi feito, ela aceitou, e agora vamos para as conversas para saber se o partido vai avançar ou não”, disse.

Mas, Tereza negou qualquer decisão sobre ser vice de Flávio.

“Nada foi decidido, porque qualquer composição de chapa depende de avaliações políticas e pessoais, além de consultas e acertos partidários”, afirmou a senadora em suas redes sociais.

O PL tem até dia 5 de agosto para definir quem será o candidato a vice-presidência do Brasil nas eleições de 2026.

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