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Vargas: "não vou e jamais pensei em renunciar"

Vargas: "não vou e jamais pensei em renunciar"

brasil247.com

09/04/2014 - 10h45
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Alvo de um processo que será iniciado nesta quarta-feira 9 no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, o deputado licenciado André Vargas (PT-PR) defende-se, em entrevista ao 247, das acusações que tem recebido sobre envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, preso na operação Lava Jato, da Polícia Federal, e de quem alugou um jatinho para voar com sua família de Londrina (PR) para João Pessoa (PB). "Estão querendo transformar uma relação estritamente pessoal em crime", diz o 1º vice-presidente da Câmara.

O deputado, que pediu uma licença não-remunerada de 60 dias alegando "interesses particulares" depois das acusações, afirma que não sabia que Youssef era um doleiro. "Na minha visão, ele não era um doleiro, era uma pessoa reabilitada pela Justiça, já havia pago por seus eventuais crimes, era dono do maior hotel da minha cidade (Londrina) e, até novembro do ano passado, colaborador do Ministério Público. A imagem que eu tinha dele era de um cidadão normal, como qualquer outro", explica.

Vargas admite ter sido "imprudente" no caso do voo, mas ressalta não ter cometido qualquer crime. "Conheço o Youssef há vários anos, várias vezes me encontrei com ele no hotel [de propriedade dele], pedi um favor, que foi o voo. Fui imprudente e respondo por essa imprudência. Mas não cometi crime algum, jamais tive com ele qualquer relação comercial", detalha ainda o parlamentar.

No dia 19 de setembro do ano passado, o deputado e o doleiro conversaram sobre um contrato em estudo no Ministério da Saúde para a produção de medicamentos com o fabricante de genéricos EMS e o laboratório Labogen. Segundo a PF, o doleiro é um dos donos do Labogen, uma empresa de fachada, que estaria no nome de um laranja. Youssef disse a Vargas, em mensagem: "Cara, estou trabalhando, fica tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer... Tua independência financeira e nossa também, é claro...".

Ao 247, ele explica o episódio, alegando que esse era um negócio de interesse para o País. "A Labogen é uma empresa que tem 31 patentes, que já existe há décadas, os remédios que seriam produzidos aqui no Brasil (para pressão pulmonar) são todos importados da China e da Índia. Para que eles fossem produzidos aqui, era preciso passar pelos trâmites legais no ministério da Saúde", diz. A denúncia é que Vargas teria ido até o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para falar sobre o laboratório. Segundo o deputado, o assunto foi comentado com Padilha "num encontro fortuito". "Não fiz advocacia administrativa, jamais fui até o ministro [para isso]".

Questionado sobre a mensagem que cita a "independência financeira" do petista, André Vargas afirma que isso "pode ter sido uma bravata de Alberto Youssef". O parlamentar reforça que sua prioridade absoluta não são as eleições, mas a defesa de sua honra. "Minha prioridade não é a eleição, se fosse assim, poderia ter renunciado para poder ser eleito novamente. Minha prioridade absoluta é a defesa da minha honra". Segundo o colunista Fernando Rodrigues, porém, Vargas já teria perdido o prazo para renunciar, uma vez que, com a Lei da Ficha Limpa, o prazo se esgota na apresentação do pedido de abertura de processo.

"Estou sendo vítima de um julgamento sumário pela mídia e espero ter no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados a minha primeira oportunidade de defesa. Lá, pretendo levar, inclusive, os autos do processo enviados ao Supremo Tribunal Federal, aos quais ainda não tive acesso", prossegue André Vargas. O deputado ressalta que o próprio juiz do Paraná que enviou parte da investigação Lava Jato ao STF – a que cita as mensagens do doleiro a Vargas – não apontou qualquer indício de crime relacionado a ele.

O parlamentar ressalta que completa 14 anos consecutivos de mandato, é bem avaliado pela população do Paraná e possui patrimônio avaliado hoje em R$ 800 mil, "absolutamente compatível com os meus rendimentos". "Não vou renunciar, nunca quis, porque a prioridade é a honra, espero poder me defender de coisas que venho sendo acusado injustamente", completa.

Política

Aumentam agressões políticas em mês de luta contra violência à mulher

Data marca luta por conquista de direitos

10/10/2026 21h00

Marcelo Camargo/Agência Brasil

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Tanto organizações sociais quanto fontes governamentais registraram aumento no número de casos de agressões políticas de gênero neste mês em que é lembrado o Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que esses ataques aumentaram 11 vezes entre 2022 e 2026, de 15 para 177 processos.

A data, comemorada neste sábado (10), foi instituída para marcar o ato histórico, em 1980, quando mulheres se reuniram nas escadarias do Teatro Municipal de São Paulo para contestar o aumento dos crimes de gênero em todo o país. 

Em meio ao atual contexto eleitoral brasileiro, levantamento divulgado pelas organizações de direitos humanos Terra de Direitos e Justiça Global mostra que houve 134 casos de violência política durante a campanha até o primeiro turno das eleições, no último domingo (4), o que representou um caso a cada nove horas. Ao todo, 70 tiveram mulheres como vítimas (52,2%). 

Dos 102 episódios dirigidos apenas a pessoas candidatas, 60 tiveram mulheres como vítimas (58,8%). Embora representem cerca de um terço das candidaturas, as mulheres foram alvos em mais da metade dos episódios de violência.

Dados da Central de Atendimento à Mulher, o Disque 180, mostram que o número de denúncias de violência política registradas contra elas alcançou a marca de 1.564 denúncias, entre janeiro e agosto de 2026.

Mulheres pretas e pardas são as principais vítimas. Das 1.564 denúncias registradas, mais de 53% (842) são de violência política sofridas por elas, seguidas por 590 (37,72%) denúncias de violências sofridas por mulheres brancas. As demais 132 (8,44%) foram denúncias com impacto em mulheres de outras raças.

No final de setembro, organizações da sociedade civil entregaram ao TSE documento com diversas denúncias de agressões contra mulheres candidatas nas eleições de 2026. Os casos incluem violência física e verbal, além de ataques e ameaças de morte e estupro.

Caso concreto

As ameaças de morte e de violência sexual denunciadas, esta semana, pela deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) ilustram o cenário de violência política pelo qual passa o Brasil durante o pleito de 2026. Ela denunciou à Polícia Civil ameaças de morte e violência sexual que recebeu no período da campanha.

Segundo a parlamentar, as mensagens incluem ataques machistas, racistas e ameaças de estupro. Além disso, ela conta que dados pessoais como o endereço residencial, número de telefone e documentos foram expostos. Por esse motivo, o partido contratou segurança armada para protegê-la.

Ana Elisa recebeu 524.219 votos nas eleições para deputada federal em 2026, o que lhe garantiu o posto de 2ª mais votada em Minas Gerais para o cargo, atrás apenas de Nikolas Ferreira (PL).

Ela se tornou também a mulher mais votada na história de Minas Gerais para a Câmara dos Deputados e a deputada federal mais jovem já eleita no Brasil.

Ministério da Mulher

A secretária Nacional de Articulação Intersetorial e Interfederativa e Participação Política do Ministério das Mulheres, Sandra Kennedy, conecta a violência política contra as mulheres a um fenômeno mais amplo, caracterizado pela exacerbação da misoginia (ódio contra as mulheres e meninas), da violência doméstica e do feminicídio na sociedade patriarcal.

“É assustador porque as violências políticas são, no fundo, questões estruturais, sejam elas no limite da ameaça à vida, sejam essas violências cotidianas e veladas que tentam desestimular a participação da mulher na política.”

Outros casos

A Agência Brasil relembra casos em que a ameaça às mulheres ultrapassou o desestímulo à carreira política e chegou ao risco real e iminente à vida e aos corpos das mulheres que ocupam espaços de poder.

O assassinato a tiros da vereadora Marielle Franco (Psol-SP) mulher negra e LGBTQIA+, em março de 2018, em via pública do Rio de Janeiro.

A deputada estadual de São Paulo Isa Penna (Psol-SP), apalpada na região do seio pelo também deputado Fernando Cury, durante sessão na Assembleia Legislativa paulista (Alesp), em dezembro de 2020. O ex-deputado foi condenado por importunação sexual.

A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), em 2014, ouviu do então deputado federal Jair Bolsonaro, no Salão Verde da Câmara dos Deputados, que a parlamentar não mereceria ser estuprada por ser “muito feia” e que não fazia seu “tipo”. 

A retirada da escolta armada da deputada federal Talíria Petrone (PSol-RJ), em julho deste ano, mesmo sob ameaça de milicianos.

As interrupções sistemáticas das falas denunciadas pelas senadoras Simone Tebet (PSB-MS) e Soraya Thronicke (PSB-MS) e rótulo de “nervosas” dado durante as sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito] da covid-19, em 2021, no Senado Federal.

Orientações e denúncias

Mulheres em situação de violência política e qualquer outra pessoa que tenha conhecimento da ocorrência deste crime contra uma mulher pode comunicar o fato em diferentes canais institucionais do poder Executivo, Ministério Público Eleitoral, Justiça Eleitoral, autoridade policial. Entre eles estão:

  • Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180: atendimento gratuito, humanizado e sigiloso, 24 horas por dia, todos os dias da semana. As denúncias podem ser feitas pelo telefone 180, pelo WhatsApp (61) 9610-0180, pelo e-mail [email protected] e por videochamada em Libras;
  • Ouvidoria das Mulheres do Conselho Nacional do Ministério Público;
  • Procuradoria-Geral Eleitoral, por meio da Sala de Atendimento ao Cidadão do Ministério Público Federal;
  • Ouvidoria Nacional da Mulher do Conselho Nacional de Justiça (CNJ);
  • Polícia Federal, por meio do canal Comunica PF e nas delegacias de Polícia nos estados;
  • Grupo de Trabalho Mulheres da Defensoria Pública da União (DPU), para assistência e orientação jurídica.
  • Em casos de emergência, deve ser acionada a Polícia Militar, por meio do telefone 190.

Eleições 2026

Aldeia de MS declara apoio a Lula e veta campanha de Flávio Bolsonaro

Vice-cacique Ester Salina afirma que decisão foi tomada pela comunidade para defender direitos indígenas e o território

10/10/2026 16h15

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

Aldeia Pirajuí, em Paranhos Arquivo Pessoal

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A comunidade indígena da Aldeia Pirajuí, em Paranhos, localizada a 465 km de Campo Grande, decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 e orientou apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) a não entrarem na reserva para fazer campanha eleitoral. Segundo a vice-cacique Ester Salina, a decisão foi tomada pelos próprios moradores, com o objetivo de defender os direitos dos povos indígenas e o território tradicional.

“Primeiramente, nós, povos indígenas, entendemos perfeitamente que a Constituição está em risco, ao distinguir os nossos direitos dos artigos 231 e 232. Sendo assim, a nossa comunidade entendeu muito bem quais riscos estamos correndo se os nossos direitos forem engolidos”, afirmou Ester em entrevista ao Correio do Estado, neste sábado (10).

A vice-cacique disse que a posição da comunidade também considera propostas associadas ao candidato da direita e os possíveis impactos sobre os direitos indígenas, caso ele seja eleito. Ela, porém, não detalhou quais propostas motivaram a preocupação.

Em comunicado divulgado pela comunidade, a Aldeia Pirajuí declara estar “fechada com o Lula no 2º turno” e pede que pessoas interessadas em fazer campanha para Flávio Bolsonaro evitem entrar na reserva.

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

“Em respeito à decisão soberana da comunidade e pela segurança das pessoas que queiram fazer campanha para o 22, orientamos que evitem entrar na Reserva Indígena Aldeia Pirajuí”, diz o texto, que também solicita respeito à decisão dos moradores.

Ester ressaltou que o posicionamento não foi imposto pelas lideranças nem resultado de interferência de grupos ligados aos dois lados da disputa política. Segundo ela, a comunidade deliberou sobre o apoio e as lideranças tiveram de respeitar a escolha.

“Essa decisão foi colocada pela comunidade de Pirajuí. E nós, como liderança, tivemos que acatar a decisão da comunidade”, declarou.

A vice-cacique também negou influência externa na definição do posicionamento eleitoral. “A comunidade tem autonomia suficiente para decidirmos sem intervenção de ninguém dos dois lados. Não teve influência de ninguém, nem da direita nem da esquerda. Só estamos defendendo o nosso direito e território”, afirmou.

A orientação divulgada pela aldeia é direcionada à entrada de pessoas que pretendam fazer campanha para o candidato do PL. O comunicado não detalha como a medida será aplicada nem menciona eventuais episódios anteriores envolvendo representantes de campanhas eleitorais.

Ester acrescentou que a localização da aldeia na fronteira seca e a falta de segurança também influenciaram a decisão. Segundo ela, moradores indígenas enfrentam ameaças e intimidações durante os períodos eleitorais.

“E mais um fato importante que também influenciou a comunidade a tomar essa decisão: nossa aldeia está localizada na fronteira seca, onde não temos segurança suficiente. Nós sabemos o perigo que nossos eleitores correm a cada eleição, por meio de ameaças e intimidações dos não indígenas”, finalizou.

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