Política

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(Visão de futuro* – Carta escrita em 2002)

(Visão de futuro* – Carta escrita em 2002)

Redação

24/04/2010 - 06h16
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Taunay, 19 de abril de 2010

Excelentíssimo leitor:

Estou em Taunay, terra de índio bom. O lugar é paradisíaco. Portal do Pantanal, coração verde do planeta, recanto dos encantos sul-mato-grossenses.
Aqui, a grande Nação Terena se restabeleceu, reencontrando seu nicho sagrado, plantando em terra fértil sua cultura tantas vezes ameaçada de extinção. Tornou-se o primeiro município indígena do Brasil, não apenas para resgatar sua dignidade pátria afligida desde as “entradas e bandeiras”, mas para ajudar o país a reconhecer o índio como um primogênito. Um filho herói que lutou contra invasores e demarcou com o próprio sangue o território nacional.

Há um ano (em 2009), Taunay empunhou sua lança e bradou ao mundo sua liberdade, lutando, com arco e flechas de sabedoria e sob a égide democrática, para se tornar independente, emancipando-se de Aquidauana do qual era um acanhado distrito, pobre e submisso, discriminado às vezes pela cultura de alguns segmentos não-índios. Agora, imponente, promissor e maior centro de atração turística do Estado, Taunay é o município mais visitado do Brasil, por diversas comunidades do mundo. Sem desfigurar as características nativas das aldeias, algumas universidades, juntamente com órgãos governamentais e não-governamentais e organizações internacionais ligadas ao meio ambiente e aos direitos humanos, transformaram Taunay num verdadeiro laboratório de turismo e de pesquisa sobre a origem do homem na terra.

A sede do município terena está em festa, por que hoje, 19/04/2010 (segunda-feira), se comemora o seu primeiro aniversário de emancipação político-administrativa. Crianças, jovens e adultos, trajando tangas de puro algodão, com adorno de sementes naturais e penas de ema, trabalham na decoração do Centro de Tradições Terenas (CTT); anciãs produzem quitutes de mandioca e uma infinidade de iguarias típicas; flautas e tambores são afinados para acompanhar as danças, entre as quais a tradicional dança-do-bate-pau. Um cocar gigante enfeita a entrada principal da cidade. Logo adiante uma enorme estátua, talhada em madeira, aguarda para ser descerrada. É um busto do Visconde de Taunay que se inaugura junto com a praça do mesmo nome, em homenagem ao consagrado escritor carioca que passou por aqui, escreveu “A retirada da Laguna” e “Inocência” e que levou, pela primeira vez ao mundo, através da França, a literatura brasileira e as belezas do Pantanal.

As aldeias de Limão Verde, Córrego Seco, Água Branca, Bananal, Ipegue, Lagoinha, Embiruçu, São José, Morrinho e Colônia Nova, todas estão representadas na câmara legislativa de Taunay e, hoje, prontas para demonstrarem, na festa de aniversário, sua alegria, sua cultura, suas artes, sua produção agrícola. O município é forte produtor agropecuário e tem a maior indústria de peixes de cativeiro do Estado. Mas é, além de tudo, um pólo turístico rico em artesanato, trilhas ecológicas, monumentos históricos e, ainda, sede das grandes olimpíadas indígenas do país. O povo de Taunay, em torno de doze mil habitantes, é um povo feliz. Não há sequer analfabetos (todos os índios frequentam escolas e falam terena e português, com exceção dos guias turísticos, que são poliglotas).

Aqui existe o verdadeiro exemplo de desenvolvimento sustentável. A economia é abundante e aplicada com justiça social entre dez aldeias, suprindo todas as necessidades básicas da comunidade. A preservação do meio ambiente é palavra de ordem. As casas têm características próprias, rústicas e aconchegantes. As ruas são de chão batido, mas totalmente saneadas. A urbanização é bem diferente das cidades comuns, dando-nos a ideia de uma grande maloca, com muito conforto e bem-estar.

Este é o município de Taunay, um modelo de desenvolvimento e valorização sociocultural, que veio contrariar o pensamento e os interesses daqueles que não acreditam na liberdade, na inclusão social, na força e na cultura próprias de um povo.
Lamento ter que encerrar esta carta, mas o cheiro desses quitutes toneenses está irresistível, e o prefeito terena (que insiste em ser chamado de cacique) já está na praça do centro cultural, diante do povo e ao lado das demais lideranças indígenas, autoridades brasileiras e francesas, inaugurando a estátua de Taunay.

* (Visão de futuro é a projeção de um cenário futurista pensado a partir de uma ideia real presente, que se imagina daqui a algum tempo – técnica utilizada principalmente nos estudos de planejamento empresarial ou urbano.  O presente artigo foi escrito por José Pedro Frazão em 2002, antevendo uma possível criação do município de Taunay [na imaginação do escritor], cenário que não se concretizou neste ano, mas que continua alimentando o sonho terena. Para que uma visão de futuro se torne realidade é preciso uma ação equivalente, pois o próprio autor diz que “sonho sem ação é utopia”).

José Pedro Frazão

PEDIDO

Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber assessor do governo Trump na Papudinha

A defesa solicitou autorização excepcional ao ministro para que a visita ocorra no dia 16 de março

10/03/2026 19h00

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses

Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e 3 meses Divulgação/UOL

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O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta terça, 10, ao ministro Alexandre de Moraes autorização para receber, na Papudinha, a visita de Darren Beattie, recém-empossado como assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil.

"O visitante cumprirá agenda oficial no Brasil e estará em Brasília por curto período, circunstância que acaba por inviabilizar a realização da visita nas datas ordinárias atualmente previstas para visitação (quartas-feiras e sábados)", alega a defesa do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A defesa solicitou autorização excepcional ao ministro para que a visita ocorra no dia 16 de março, no período da tarde, ou no dia 17 de março, pela manhã ou no início da tarde, "observadas todas as regras de segurança e controle do estabelecimento prisional".

"Diante do exposto, requer-se a autorização excepcional da visita do Sr. Darren Beattie nos períodos acima indicados, bem como a autorização para que o visitante esteja acompanhado de intérprete, a fim de viabilizar a adequada comunicação durante a visita, considerando que o Peticionário não possui plena fluência na língua inglesa", descreve o pedido dos advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser.

No dia 2 de março, ao negar o pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente, Moraes afirmou que Jair Bolsonaro "tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, o que comprova intensa atividade política e reforça os atestados médicos que apontam sua boa condição de saúde física e mental".

Segundo o perfil de Darren no site do Departamento de Estado dos EUA, o assessor é "apaixonado por promover ativamente a liberdade de expressão como ferramenta diplomática e por utilizar as conquistas culturais excepcionais dos Estados Unidos nas artes, música e academia para promover a segurança, a força e a prosperidade do povo americano".

Nomeado no mês passado para o cargo, Darren é responsável por conduzir as políticas e ações de Washington em relação a Brasília. O assessor é um crítico do governo Lula e da atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo sobre a trama golpista.

Além da função ligada ao Brasil, ele também é chefe interino do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais, e também é presidente do Instituto de Paz dos EUA, entidade nacional financiada pelo Congresso e encarregada de atuar na resolução de conflitos globais.

Em julho de 2025, Darren afirmou nas redes sociais que Moraes é "o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra Bolsonaro". Á época, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para explicar os comentários.

Alternativa da direita

"Mais louco do Brasil" articula candidatura em 2026 e renúncia entra no radar

Juliano Ferro não confirmou se renunciará ao mandato de prefeito de Ivinhema, mas confirmou que articula participação nas eleições de outubro

10/03/2026 16h56

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciar Reprodução

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O prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro (PL), pode embaralhar os planos de muitos pré-candidatos do campo da direita que estão se programando para disputar as eleições de outubro. Sem confirmar se vai renunciar ou não ao mandato, que tem validade até o fim de 2028, o autoproclamado “prefeito mais louco do Brasil” articula disputar as eleições, conforme disse ao Correio do Estado.

“Estou articulando”, disse o prefeito de Ivinhema ao ser perguntado pelo Correio do Estado se ele participaria das eleições de outubro. Pela manhã, uma carta de renúncia, com o timbre da Prefeitura de Ivinhema, vazou e provocou frisson em alguns grupos da direita.

Juliano Ferro, contudo, não diz que a carta é falsa; apenas foi direto: “Não publiquei e nem assinei”, comentou o prefeito “mais louco do Brasil”.

Várias possibilidades foram cogitadas sobre a participação de Juliano Ferro nas próximas eleições. A mais recente o colocou como eventual vice-governador em uma chapa liderada pelo deputado estadual João Henrique Catan, que recentemente deixou o PL e passou para o Partido Novo.

O Correio do Estado, contudo, apurou que Juliano Ferro deixar a prefeitura para ser vice é uma possibilidade remota. O prefeito de Ivinhema enxerga espaço mesmo é para ser candidato a deputado federal.

A seu favor, ele tem um “canhão” nas redes sociais. Atualmente, ele é o influencer que ostenta os maiores números de Mato Grosso do Sul. Tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram e um alto engajamento, com alguns vídeos alcançando mais de 20 milhões de visualizações.

No ano passado, em entrevista ao Correio do Estado, Juliano Ferro não descartou nem mesmo se candidatar a governador. Na ocasião, só descartou concorrer para deputado estadual e senador para não atrapalhar seus padrinhos: Zé Teixeira e Reinaldo Azambuja, ambos do PL.

Nesta terça-feira (10), Ferro está em Brasília (DF), em périplo pelos gabinetes do Congresso Nacional em busca de emendas parlamentares e verbas para o município que administra.

A carta

Na carta, que vazou na manhã de hoje e é endereçada ao presidente da Câmara Municipal, o prefeito comunica sua saída “irretratável e irrevogável”.

O documento, timbrado pela prefeitura e assinado por Ferro, cita oficialmente que o ato é motivado por “razões de ordem estritamente pessoal e política”.

Ele agradeceu a todos os vereadores, servidores, população e colaboradores pelo apoio durante o período de mandato, que seria até 2028.

A carta termina com um agradecimento e uma reafirmação do compromisso de Ferro com o bem-estar do município, mesmo fora da função executiva. Ele se colocou à disposição para os procedimentos necessários à efetivação da renúncia, incluindo a prestação de contas.

Prefeito de Ivinhema, Juliano Ferro, cogita renunciarCarta de renúncia de Juliano Ferro, que vazou nesta terça-feira (10)

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