Política

ATOS BOLSONARISTAS

Zeca do PT denuncia Capitão Contar, João Henrique e Sandro Benites ao MPF

Deputado eleito pede para procuradoria investigar parlamentares bolsonaristas por atentarem contra o regime democrático

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O deputado estadual eleito José Orcírio Miranda dos Santos, o Zeca do PT, irá apresentar ao Ministério Público Federal (MPF) notícia crime contra os deputados bolsonaristas Capitão Contar, do PRTB e João Henrique Cantan, do PL, além do vereador de Campo Grande, Sandro Benites, do Patriota.

No documento, Zeca pede abertura de inquérito policial para investigar a prática de crimes contra a Democracia por parte destes parlamentares.

Com a medida, o ex-governador e deputado estadual eleito também espera que os parlamentares sejam punidos por seus pares por, no mínimo, quebra de decoro. 

Segundo a justificativa enviada ao Correio do Estado pelo petista, os atos contra o resultado das urnas atenta contra o Estado Democrático de Direito e suas instituições.

"Desde a divulgação do resultado da eleição, o candidato e ex-presidente, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na disputa democrática com o atual presidente, Jair Messias Bolsonaro (PL), iniciou-se uma série de manifestações, em diversas localidades do território brasileiro, por apoiadores extremistas daquele, que inconformados com sua derrota nas urnas, invadiram estradas bloqueando o trânsito e se instalaram em frente a sedes de comandos militares das Forças Armadas, bradando palavras de ordem que atentam contra o Estado Democrático de Direto e suas instituições, de cunho em tese fascista, xenofóbico e de ódio contra o candidato eleito."

No documento encaminhado constam fotos de manifestantes exigindo a intervenção militar, bem como a destituição do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), além de pedirem a prisão de Ministros e do candidato eleito.

De acordo com o petista é importante ressaltar que "a convocação dos manifestantes se deu a partir de massiva divulgação de informações falsas, por meio das redes sociais, alimentando a esperança de apoiadores/eleitores extremistas, com a falsa ideia de que o alto comando das Forças Armadas iria anular as eleições."

Em Campo Grande, os parlamentares que participam ativamente dos protestos dos grupos que esetão na frente do Comando Militar do Oeste (CMO), junto ao deputado federal eleito Marcos Pollon, do PL, que apoia os atos.

"Não apenas participaram das manigestações em Campo Grande, como tomaram liderança, discursando à plateia alucinada em frente ao Comando Militar do Oeste (CMO), estimulando os atos antidemocráticos e alimentando falsas esperanças da concretização de um golpe militar", diz o documento.

Discursos

Capitão Contar discursou na frente do Comando no meio dos manifestantes na semana passada. Na ocasião, ele pediu para que todos permenecessem vigilantes. 

"Esse é o caminho, ficar em casa não muda nada. Então, muito obrigado pela acolhida, fiz questão de estar com vocês", disse Contar, que foi derrotado no segundo turno das últimas eleições para o governo de Mato Grosso do Sul, para Eduardo Riedel.

Na última quarta-feira (2), em cima de um trio elétrico estacionado em frente ao CMO, o vereador Sandro Benites usou o microfone e mandou um recado para o general do Exército.

"Nós, campo-grandeses, patriotas, humildemente pedimos socorro. Nos livre desse mal, e juntos não aceitamos ser governados por um ladrão, por um narcotraficante. Nos ajude general! É o que pedimos hoje, em nome da Pátria. Brasil acima de tudo e Deus acima de todos", disse na ocasião.

O representado João Henrique Catan, além de participar ativamente das manifestações, patrocinou alimentação para quem está acampando em frente ao Comando Militar, com o objetivo de garantir a participação dos manifestantes, aderindo e estimulando, inclusive, os bloqueios de estradas, apesar de considerados ilegais pela Justiça Federal e pelo STF.

Catan disse ao Correio do Estado que acredita que o protesto é legítimo e representa a indignação do povo. 

"Estou em todas as manifestações, com os caminhoneiros, com quem está acampando no CMO, queria me dividir em vários e estar em todos os locais ao mesmo tempo", disse.

Constituição

Em sua fundamentação, Zeca do PT cita cita o art. 1º da Constituição Federal, em que constitui-se em Estado Democrático de Direto e tem como fundamentos a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.

Por sua vez, também é citado o art. 14, que estabelece que a soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos.

Nesse contexto, é de se observar que a Constituição Federal, no referido art. 1º, ao estabelecer a Democracia, veda a intervenção militar.

A Lei nº 1.802/1953, que define os crimes contra o Estado e a Ordem Política e Social, e dá outras providências, tipifica como crime a tentativa de subverter, por meios violentos, a ordem política e social com o fim de estabelecer ditadura de classe social, de grupo e ou de indivíduo.

 Art. 2º Tentar: IV - subverter, por meios violentos, a ordem política e social, com o fim de estabelecer ditadura de classe social, de grupo ou de indivíduo;

 Art. 5º Tentar, diretamente e por fato, mudar, por meios violentos, a Constituição, no todo ou em parte, ou a forma de govêrno por ela estabelecida.  Pena: - reclusão de 3 a 10 anos aos cabeças e de 2 a 6 anos, aos demais agentes, quando não couber pena mais grave.

Art. 6º Atentar contra a vida, a incolumidade e a liberdade:

    a) do Presidente da República, de quem eventualmente o substituir ou no território nacional, de Chefe de Estado estrangeiro.

    Pena: - reclusão de 10 a 20 anos aos cabeças e de 6 a 15 anos aos demais agentes.

    b) do Vice-Presidente da República, Ministros de Estados, Chefes do Estado Maior Geral, Chefes do Estado Maior do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, Presidente do Supremo Tribunal Federal e da Câmara dos Deputados, Chefe do Departamento Federal de Segurança Pública, Governadores de Estados ou de Territórios, comandantes de unidades militares, federais ou estaduais, ou da Polícia Militar do Distrito Federal, bem como, no território nacional, de representante diplomático, ou especial, de Estado estrangeiro com o fim de facilitar insurreição armada.

    Pena: - reclusão de 8 a 15 anos aos cabeças, e de 6 a 10 anos aos demais agentes, se o fato não constituir crime mais grave; reclusão de 12 a 30 anos aos cabeças, e de 8 a 15 anos aos demais agentes, se o atentado resultar a morte.

Art. 7º Concertarem-se ou associarem-se mais de três pessoas para a prática de qualquer dos crimes definidos nos artigos anteriores.
    Pena: - reclusão de 1 a 4 anos.

Art. 13. Instigar, preparar, dirigir ou ajudar a paralisação de serviços públicos ou de abastecimento da cidade.
    Pena: - reclusão de 2 a 5 anos.


Art. 17. Instigar, pùblicamente, desobediência coletiva ao cumprimento da lei de ordem pública.
    Pena: - detenção de seis meses a 2 anos.
 

Manifestações

No dia 31 de outubro eleitores insatisfeitos com a vitória do Lula para a presidência da República, se dirigiram ao CMO, onde permanecem acampados em protesto contra o resultado das urnas.

No dia 02 de novembro, no mesmo local, fizeram uma manifestação para pedirem intervenção federal.

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Eleições 2026

Aldeia de MS declara apoio a Lula e veta campanha de Flávio Bolsonaro

Vice-cacique Ester Salina afirma que decisão foi tomada pela comunidade para defender direitos indígenas e o território

10/10/2026 16h15

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

Aldeia Pirajuí, em Paranhos Arquivo Pessoal

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A comunidade indígena da Aldeia Pirajuí, em Paranhos, localizada a 465 km de Campo Grande, decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026 e orientou apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) a não entrarem na reserva para fazer campanha eleitoral. Segundo a vice-cacique Ester Salina, a decisão foi tomada pelos próprios moradores, com o objetivo de defender os direitos dos povos indígenas e o território tradicional.

“Primeiramente, nós, povos indígenas, entendemos perfeitamente que a Constituição está em risco, ao distinguir os nossos direitos dos artigos 231 e 232. Sendo assim, a nossa comunidade entendeu muito bem quais riscos estamos correndo se os nossos direitos forem engolidos”, afirmou Ester em entrevista ao Correio do Estado, neste sábado (10).

A vice-cacique disse que a posição da comunidade também considera propostas associadas ao candidato da direita e os possíveis impactos sobre os direitos indígenas, caso ele seja eleito. Ela, porém, não detalhou quais propostas motivaram a preocupação.

Em comunicado divulgado pela comunidade, a Aldeia Pirajuí declara estar “fechada com o Lula no 2º turno” e pede que pessoas interessadas em fazer campanha para Flávio Bolsonaro evitem entrar na reserva.

Aldeia  Pirajuí, em Paranhos

“Em respeito à decisão soberana da comunidade e pela segurança das pessoas que queiram fazer campanha para o 22, orientamos que evitem entrar na Reserva Indígena Aldeia Pirajuí”, diz o texto, que também solicita respeito à decisão dos moradores.

Ester ressaltou que o posicionamento não foi imposto pelas lideranças nem resultado de interferência de grupos ligados aos dois lados da disputa política. Segundo ela, a comunidade deliberou sobre o apoio e as lideranças tiveram de respeitar a escolha.

“Essa decisão foi colocada pela comunidade de Pirajuí. E nós, como liderança, tivemos que acatar a decisão da comunidade”, declarou.

A vice-cacique também negou influência externa na definição do posicionamento eleitoral. “A comunidade tem autonomia suficiente para decidirmos sem intervenção de ninguém dos dois lados. Não teve influência de ninguém, nem da direita nem da esquerda. Só estamos defendendo o nosso direito e território”, afirmou.

A orientação divulgada pela aldeia é direcionada à entrada de pessoas que pretendam fazer campanha para o candidato do PL. O comunicado não detalha como a medida será aplicada nem menciona eventuais episódios anteriores envolvendo representantes de campanhas eleitorais.

Ester acrescentou que a localização da aldeia na fronteira seca e a falta de segurança também influenciaram a decisão. Segundo ela, moradores indígenas enfrentam ameaças e intimidações durante os períodos eleitorais.

“E mais um fato importante que também influenciou a comunidade a tomar essa decisão: nossa aldeia está localizada na fronteira seca, onde não temos segurança suficiente. Nós sabemos o perigo que nossos eleitores correm a cada eleição, por meio de ameaças e intimidações dos não indígenas”, finalizou.

IMPASSE ELEITORAL

Disputas judiciais podem gerar alteração em três cadeiras da Assembleia Legislativa

Jamilson tenta validar votos no TSE, enquanto as situações de Guerreiro e Lidio podem provocar outras mudanças

10/10/2026 08h00

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A composição da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (Alems) para a legislatura de 2027 a 2030 ainda pode sofrer alterações, em razão de questões judiciais envolvendo o deputado estadual Jamilson Name (PP), o deputado estadual eleito Ângelo Guerreiro (PSDB) e o deputado estadual reeleito Lidio Lopes (Avante).

Conforme apuração do Correio do Estado, até esta sexta-feira ainda não havia decisões que efetivassem as substituições projetadas após a eleição de domingo, porém, as disputas judiciais que podem alterar três cadeiras da Casa de Leis podem se estender além da diplomação e da posse dos deputados eleitos e reeleitos. 

Os possíveis beneficiados, porém, evitam comentar a perspectiva de assumir um mandato por decisão judicial. O vereador campo-grandense Silvio Pitu (PSDB), apontado como possível substituto de Guerreiro, afirmou que não acompanha a questão.

Já o deputado estadual Junior Mochi (MDB), que poderia conquistar uma cadeira em um cenário de anulação dos votos de Lidio por suposta compra de votos, também preferiu não se manifestar.

RECURSO NO TSE

A movimentação judicial mais concreta envolve Jamilson Name, que recebeu 35.211 votos, atualmente sub judice. Sua defesa apresentou agravo interno contra a decisão do ministro Sebastião Reis Júnior, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que indeferiu o registro de candidatura após recurso do Ministério Público Eleitoral (MPE).

Os advogados pediram urgência na análise pelo plenário, o restabelecimento do registro e o aproveitamento dos votos, além das providências necessárias para retotalização, diplomação e exercício do mandato.

A defesa sustenta que a votação obtida reforça a necessidade de uma definição do colegiado, embora não substitua o exame jurídico da candidatura.

No recurso, os advogados também contestam a fundamentação utilizada para barrar o registro. Argumentam que não foi demonstrada a integração da estrutura econômica atribuída ao parlamentar à organização armada investigada em outro processo nem interferência concreta dessa estrutura nas eleições.

Se os votos de Jamilson forem validados, a projeção aponta sua entrada na lista de eleitos e a passagem do deputado estadual reeleito Marcio Fernandes (PL) à suplência.

Nesse cenário, o PL cairia de nove para oito deputados, enquanto a Federação União Progressista, formada por PP e União Brasil, ampliaria a bancada de quatro para cinco parlamentares.

Marcio, por sua vez, afirmou na terça-feira que considera sua eleição confirmada pelo resultado divulgado e aguarda a definição judicial. “Eu estou eleito, cabe à Justiça definir o que vai acontecer para a frente, só Deus sabe. Eu estou eleito”, declarou.

GUERREIRO E PITU

Ex-prefeito de Três Lagoas, Ângelo Guerreiro permanece com o registro de candidatura apresentado como deferido na atualização consultada.

A discussão envolve os possíveis efeitos eleitorais da condenação por improbidade administrativa relacionada a contratos de coleta de lixo durante sua gestão na prefeitura municipal.

Em setembro, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul (TRE-MS) rejeitou um pedido de suspensão da candidatura, mas não resolveu o mérito de eventual inelegibilidade decorrente da condenação.

A defesa anunciou recursos contra o julgamento na Justiça estadual, alegando nulidades processuais e buscando a reforma da decisão.

A possível entrada de Pitu depende de Guerreiro ser impedido de ocupar a cadeira e de seus votos permanecerem válidos para a Federação PSDB-Cidadania. Se houver anulação da votação, os efeitos poderão alcançar a distribuição de vagas entre as legendas, exigindo outro cálculo.

Procurado para comentar o cenário, Pitu destacou o desempenho eleitoral do correligionário e lamentou que a federação não tenha conquistado mais uma cadeira. “O Ângelo Guerreiro foi muito bem votado. Não estou acompanhando isso. Prefiro não comentar. Lamento muitíssimo o PSDB não ter eleito quatro”, afirmou.

LIDIO E MOCHI

No caso de Lidio Lopes, a possibilidade de mudança está relacionada à suspeita de compra de votos envolvendo um assessor de sua equipe. O deputado negou participação e atribuiu o episódio a uma ação isolada do funcionário.

ão há decisão de cassação ou anulação de votos confirmada nas informações reunidas.

A projeção apresentada à reportagem considera que uma eventual cassação acompanhada da anulação dos votos de Lidio poderia beneficiar Junior Mochi. Nessa hipótese, o Avante perderia sua única cadeira e o MDB passaria de um para dois representantes.

A vaga, entretanto, não seria transferida automaticamente. A retirada dos votos exigiria nova totalização e recálculo da distribuição das cadeiras entre partidos e federações. Mochi evitou avaliar a possibilidade de retornar à Assembleia por esse caminho. “Não quero comentar. Essa questão cabe ao Judiciário”, disse.

PRAZOS

A diplomação e a posse não encerram, por si só, as possibilidades de mudança na Assembleia Legislativa. A legislação estabelece prazos para apresentar as contestações, mas o julgamento de uma ação proposta dentro do período permitido pode ocorrer já no mandato.

Ações de investigação judicial eleitoral por abuso de poder e representações por compra de votos podem ser apresentadas até a diplomação.

O recurso contra expedição de diploma, restrito às hipóteses legais de inelegibilidade e falta de condição de elegibilidade, tem prazo, em regra, de três dias contados da diplomação.

Já a ação de impugnação de mandato eletivo, fundamentada em abuso de poder econômico, corrupção ou fraude, pode ser proposta até 15 dias depois da diplomação. Esses prazos não representam uma data obrigatória para conclusão dos processos.

No caso de Jamilson, a discussão sobre o registro já está em andamento no TSE. Nos demais cenários, eventual alteração dependerá das medidas cabíveis, das provas e dos efeitos das decisões.

Assim, os deputados podem tomar posse e ainda enfrentar questionamentos capazes de modificar a composição da Casa ao longo da legislatura.

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