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CORONAVÍRUS

Contágio real e imediato

Entidades do setor automotivo brasileiro tentam encontrar saída para a crise provocada pela pandemia do Covid-19
13/04/2020 06:00 - Daniel Dias/AutoMotrix


 

O tombo previsto inicialmente em abril pelo setor automotivo brasileiro por conta da pandemia do novo coronavírus, com a maior parte das fabricantes com paralisação ou férias coletivas na produção de veículos no Brasil, veio mais cedo. Nos números apresentados pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), todos estavam em vermelho, ou seja, negativos no terceiro mês do ano. Um panorama muito mais sombrio está por vir em abril, se um milagre da ciência global não frear o avanço da gripe Covid-19. 

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou no dia 6 de abril os resultados da indústria em março, já com forte contaminação da crise do Covid-19 nas últimas duas semanas do mês. Depois da primeira quinzena de forte atividade no mercado interno, que apontava para um crescimento, a paralisação gradativa do comércio e das fábricas na segunda parte do mês resultou em queda de quase 90% nas atividades do setor. “Tivemos dois momentos bem distintos em março. Até o começo da segunda quinzena, as vendas estavam em alta, com crescimento de 9% no acumulado do ano, em relação a 2019. Mas o avanço da pandemia em nosso país foi provocando a interrupção das atividades nas fábricas e nas concessionárias, fazendo com que fechássemos o mês com queda de 8% no acumulado do ano”, contabiliza Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea.

Nos dois segmentos com o maior número de vendas sobre quatro rodas – carros e comerciais leves –, foram emplacadas 155.810 unidades, representando quedas de 21,91% em comparação ao mesmo mês de 2019 e de 19,11% ante as de fevereiro deste ano. No acumulado do primeiro trimestre, houve um recuo de 8,18% sobre igual intervalo de 2019, com 532.549 unidades comercializadas em 2020. O otimismo inicial quanto às vendas de março era em função de que a produção para o mês pudesse já estar garantida antes das paralisações. No entanto, houve um impacto também nas concessionárias, assim como em quase todo o comércio e a indústria no país e no mundo. Observando março de 2020 como um todo, o recuo em comparação ao mesmo mês de 2019 foi de cerca de 21% para produção, licenciamentos e exportação, coincidentemente.

As pequenas e médias empresas do setor estão alarmadas para tentar fechar as contas enquanto o consumo continua estagnado. A situação das grandes empresas, que empregam milhares de pessoas e contratam fornecedores, é semelhante. Como nenhum veículo automotivo está sendo produzido no Brasil e como o cenário pós-quarentena ainda é nebuloso, as entidades representativas do setor automotivo do país estão levando a situação do fluxo de caixa do setor para o governo federal, na tentativa de evitar uma catástrofe. Para a Fenabrave, a antecipação das férias e o uso de banco de horas para empregados das concessionárias, muitas ainda fechadas devido aos decretos estaduais e municipais, não se sustentarão por muito tempo. “Sabemos que a prioridade é a saúde da população. Porém, a continuar como está, mais um mês de estagnação pode comprometer 20% dos empregos em nossa atividade”, prevê Alarico Assumpção Júnior, presidente da Fenabrave.

O mais preocupante é verificar que as vendas despencaram quase 90% das primeiras semanas para as duas últimas, projetando um resultado altamente preocupante para abril. “O momento é de priorizar a saúde da população, e todas as nossas associadas estão dando sua contribuição no combate ao coronavírus, seja reparando respiradores, seja produzindo e doando máscaras ou mesmo cedendo suas frotas para as mais diversas finalidades. Entretanto, também é hora de uma conscientização de todas as esferas do governo, dos bancos e da sociedade para criar mecanismos que permitam à cadeia automotiva atravessar esse período de retração com a preservação das empresas e dos empregos”, alerta o presidente da Anfavea. 

Atividades alternativas

A força-tarefa de conserto de respiradores no Brasil promovida pelo Ministério da Economia junto à indústria automotiva deu início nesta semana aos reparos e rapidamente já conseguirá entregar os aparelhos em funcionamento para os hospitais do país. Apenas nas cinco instalações da General Motors que estão fazendo os consertos, foram recebidos noventa e um respiradores, e trinta e sete foram consertados e devem seguir para os hospitais de origem nos próximos dias, após a calibragem. “Estamos fazendo os reparos nas nossas instalações em Gravataí (RS), Joinville (SC), São Caetano do Sul (SP), São José dos Campos (SP) e Indaiatuba (SP). Mais de sessenta e cinco empregados da GM voluntários estão envolvidos no processo e mais serão convidados a se juntar ao grupo conforme a demanda crescer”, afirma Carlos Sakuramoto, gerente de Inovação da General Motors.

A Volkswagen do Brasil, em parceria com a Associação Brasileira de Distribuidores Volkswagen (Assobrav), oferecerá até o dia 30 de junho serviços de reparo em suas concessionárias para veículos da marca da Secretaria da Saúde dos Estados de São Paulo e do Paraná, locais onde a empresa tem fábrica, que estão sendo usadas no combate ao coronavírus. A mão de obra dos serviços é gratuita, com todos os cuidados de segurança e higiene dos profissionais das concessionárias. Para agendar reparos e saber quais são as concessionárias com atendimento nos dois Estados, os clientes devem entrar em contato por meio do telefone (11) 4435-1006. “Esta parceria com a Assobrav de reforma da Volkswagen está mobilizando toda a sua equipe e a força de sua rede de concessionárias para apoiar uma sociedade em combate ao Covid-19, com o objetivo de ajudar a salvar vidas”, comentou Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen América Latina.

A FCA está montando um hospital de campanha totalmente equipado para o atendimento de casos de coronavírus no município de Goiana e região, na Zona da Mata pernambucana, onde está instalada a fábrica que produz os Jeep Renegade e Compass. Um dos prédios do complexo está em fase de adequação para abrigar cem leitos, dos quais três em sala vermelha (para os casos mais graves, que demandem estabilização até o deslocamento para uma UTI) e outros noventa e sete em enfermaria. Dez consultórios e uma sala de triagem para o atendimento da população serão fornecidos no local. “Nosso programa está baseado em uma estratégia coordenada e multidisciplinar, que abrange desde doações às autoridades da Saúde até o aproveitamento dos conhecimentos e habilidades de nossos profissionais em áreas como Engenharia, Manufatura, Design, Finanças, Compras, Logística e Direito para auxiliar em diversas frentes no combate aos efeitos da pandemia no Brasil”, diz Antonio Filosa, presidente da FCA para a América Latina.

Com o objetivo de ajudar no combate à pandemia de coronavírus, a Ford anunciou que produzirá inicialmente 50 mil máscaras de proteção facial em suas instalações de Camaçari, na Bahia, e de Pacheco, na Argentina, para equipar os profissionais da saúde locados na linha de frente para tratar pacientes contaminados pela doença. As máscaras, fabricadas com lâmina de acetato e peças de suporte, fazem parte dos itens de proteção individual mais requisitados por esses profissionais no momento. A distribuição nos pontos de serviço será coordenada por meio das Secretarias de Saúde e da Cruz Vermelha. Já a Renault do Brasil e sua rede de concessionárias iniciaram um trabalho de recuperação e manutenção de ambulâncias do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência do Corpo de Bombeiros do Estado do Paraná (Siate). Das trinta e quatro ambulâncias do Siate, a Renault se comprometeu a recuperar onze que estão fora de operação e também a fazer a manutenção nas demais. 

Felpuda


Alguns pré-candidatos que estão de olho em uma cadeira de vereador vêm apostando apenas nas redes sociais, esperançosos na conquistados votos suficientes para se elegerem. A maioria pede apoio financeiro para continuar mantendo suas respectivas páginas, frisando que não aceita dinheiro público ou de político, fazendo com que alguns se lembrem daquela famosa marchinha de carnaval: “Ei, você aí, me dá um dinheiro aí, me dá um dinheiro aí...”. Como diria vovó: “Essa gente perdeu o rumo e o prumo”.