A cidade de Corumbá, desde sexta-feira, conta com com uma escola de circo. A proposta é oferecer ao público a oportunidade de, através da magia e ludicidade do ambiente circense, uma atividade que coloque em movimento o corpo. A escola de circo Cia. da Lona surgiu do somatório de esforços de três artistas circenses: Branka Batista, Flávio Bertini e Marcos Tiaen.
Os dois primeiros oriundos da escola de circo Quiprocó no início dos anos 2000, que, posteriormente, deu origem a Cia da Lona, trupe que se instalou na Casa de Cultura Luiz de Albuquerque (ILA) e fez várias apresentações pela cidade ao longo dos anos. Marcos Tiaen, que também é professor de Educação Física, se juntou ao grupo.
Há três anos, a Cia. da Lona desenvolvia suas atividades numa academia da cidade, mas a vontade de possuir um espaço próprio era antiga como contou Branka ao Diário. "A gente idealizou um dia, mas parecia muito longe. Nós sempre procuramos um espaço, sempre quisemos esse lugar, a casa da companhia. O Marcos apareceu nessa hora e botou pilha, falando que havia achado um lugar e desde então estávamos trabalhando nele, na reforma", explicou ao contabilizar cinco meses até a inauguração do espaço.
"Foi tudo no ritmo circense mesmo com a mão na massa. A gente que manuseou cada pedacinho desse espaço, isso tem muito valor", explicou a artista. Marcos Tiaen ressalta que o local foi concebido para o ensino e prática de todas as modalidades circenses.
Numa sala ficará concentrada a maioria das atividades como acrobacias de solo, malabares, equilibrismo, monociclo, perna de pau, pirofagia e palhaços. Outra sala foi especialmente reservada e preparada para os "aéreos", exercícios que se realizam com trapézio, lira e tecidos.
Democrático
Se engana quem pensa que as aulas de circo se limitam a tipos físicos. Segundo Marcos Tiaen, os exercícios são bastante democráticos. "Nós definimos uma idade inicial, a partir dos cinco anos, mas o limite não existe. Se sua capacidade física, no momento, não te dá condições de subir num tecido, você pode jogar um malabares, você pode andar num monociclo, você pode fazer uma aula de maquiagem de palhaço. Então, quer dizer, dentro desse mundo, a capacidade física não é fator limitante", explicou ao destacar que aos alunos serão aplicadas avaliações físicas e cobrados atestados médicos.
Branka Batista lembra também que, para quem busca uma atividade física, que mostre rápidos resultados quanto à estética do corpo, as atividades circenses são bastante indicadas, pois trabalham todos os grupos musculares. Numa aula, é possível queimar até 300 calorias.
Ambiente mágico
De acordo com Branka, a diferença entre a prática das atividades circenses e as tradicionais aplicadas em academias está no ambiente lúdico que é inerente ao próprio circo. "É uma atividade física, mas é tão lúdica que você nem percebe o esforço. O riso faz muito bem à saúde, as pessoas se divertem muito na aula, sempre tem aquela vontade de quero mais. Hoje, no cotidiano que a gente tem, é muito importante", comenta.
"A gente vira criança nesse espaço porque tudo é permitido. A gente se permite numa aula de circo, nela todos somos iguais, ri da gente mesmo, não existe competição, a gente ri muito, troca muita informação", afirma Branka. Marcos, por sua vez, diz que mais do que exercitar o corpo, a arte circense fornece aos seus praticantes, a possibilidade de se libertarem temporariamente de dissabores do cotidiano. "A gente quer fazer com que aqui seja um lugar mágico. Desejamos que a partir do momento que as pessoas entrem pela porta, esqueçam os problemas, e deem uma oportunidade para o corpo, por isso criamos esse ambiente com fotos, som, cores", explica.
Fonte: Diário de Corumbá