Cidades

Judiciário em xeque

Polícia Federal fecha balcão de negócios e afasta cúpula da Justiça de MS

STJ afastou atual presidente e futura gestão do TJMS e expõe esquema de venda de sentenças no alto escalão do Judiciário local, que advogados chegaram a chamar de "leilão"

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A Operação Ultima Ratio, da Polícia Federal (PF), com o apoio da Receita Federal, ontem fechou um imenso balcão de negócios que funcionava no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS), envolvendo desembargadores, juízes de primeira instância, advogados (muitos deles filhos dos desembargadores), conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS) e empresários que podem ter se beneficiado do esquema de venda de sentenças.

O ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Francisco Falcão determinou o afastamento de cinco desembargadores de suas funções: o presidente da Corte, Sérgio Fernandes Martins; o presidente eleito da Corte, Sideni Soncini Pimentel; o vice-presidente eleito, Vladimir Abreu da Silva; e Marcos José de Brito Rodrigues e Alexandre Bastos. Todos eles estão proibidos de se comunicar entre si e de retornar ao TJMS e deverão utilizar tornozeleira eletrônica.

Também estão afastados de seus cargos, com uso de tornozeleira eletrônica e impedidos de se comunicar com outros investigados, o conselheiro do TCE-MS Osmar Domingues Jeronymo e seu sobrinho Danillo Moya Jeronymo, servidor comissionado do TJMS.

Na Corte de Contas, prédio vizinho ao TJMS, o estrago é ainda maior, pois Jeronymo se junta a Waldir Neves, Iran Coelho das Neves e Ronaldo Chadid, conselheiros já afastados. Dos sete conselheiros da Corte de Contas, apenas três estão aptos a trabalhar.

A operação da Polícia Federal também afeta a Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Mato Grosso do Sul (OAB-MS). A advogada Camila Bastos, vice-presidente da OAB-MS e filha do desembargador Alexandre Bastos, foi um dos alvos da operação.

Quanto ao afastamento dos desembargadores, conselheiro do TCE-MS e servidor do TJMS, a decisão do ministro do STJ Francisco Falcão não atendeu ao pedido da Polícia Federal.

Os agentes queriam, na verdade, a prisão de alguns dos envolvidos, como o já citado Osmar Jeronymo, além do desembargador aposentado e atualmente advogado Júlio Roberto Siqueira Cardoso, o advogado Felix Jayme Nunes da Cunha, Diego Moya Jeronymo, Everton Barcelos de Souza e Percival Henrique de Souza Fernandes. Felix Jayme e Diego, segundo apuração da PF, eram grandes operadores do esquema, lidando com os pagamentos feitos aos desembargadores.

O balcão

As vendas de decisões, popularmente conhecidas como vendas de sentenças, ocorriam de diversas formas e em vários processos. Um caso emblemático envolve desembargadores do TJMS, que aceitaram decisões baseadas em uma escritura falsa, lavrada no estado do Paraná, para transferir a propriedade de uma fazenda em Maracaju.

Policiais federais apreenderam cofre no Tribunal de Justiça de MS/Marcelo Victor

Outro caso envolve o desembargador Marco José Brito Rodrigues, que ajudou um colega do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS): o procurador de Justiça Marco Antônio Sottoriva, que havia feito um mau negócio na compra de uma fazenda. Sottoriva queria desistir da compra e enfrentava um contencioso de R$ 5 milhões na Justiça com a outra parte.

Brito Rodrigues decidiu sem ler o processo, delegando ao seu assessor a elaboração da decisão, e atendeu ao pedido do amigo. Posteriormente, Sottoriva conseguiu um acordo para se livrar de pagar parcelas, aluguéis e lucros cessantes no desfazimento do negócio. Sottoriva agradeceu a Brito pela decisão favorável: “Graças a Deus e a seu trabalho”.

Há também o caso do ex-prefeito de Bodoquena, Jun Iti Hada, que pediu para parcelar a compra de uma decisão (para rescindir uma sentença em que ele havia sido condenado) em duas vezes, além de decisões favoráveis para soltar traficantes.

“Leilão danado”

Em alguns casos, Felix Jayme tinha plena confiança nas vitórias que obtinha. Em algumas sessões muito acirradas nas câmaras cíveis, Jayme chegou a chamar o processo de “leilão danado”.


Ele comentou:

“Tô tikado num julgamento que sairá às 14h de hoje. Vou faturar por 3 x 2”, escreveu, em diálogo por WhatsApp com Danillo Jeronymo.

Depois, o colega riu, digitando “kkkk”, e Felix Jayme continuou:

“Pqp, leilão danado! kkkkk”.

Danillo Jeronymo riu novamente e acrescentou, referindo-se aos desembargadores: “Cada um quer mais que o outro”.

De fato, Felix Jayme ganhou. Votaram com ele o presidente do TJMS, Sérgio Martins, Marcos Brito (que ele chamou de Marcão) e Divoncir Schreiner Maran. Votaram contra João Maria Lós e Marcelo Rasslan.

“Apresentamos os fundamentos que nos levaram à conclusão de que, diante do posicionamento dos desembargadores Sérgio Fernandes Martins, Divoncir Schreiner Maran e Marcos José de Brito Rodrigues em revogar a decisão de outros três desembargadores com base em fundamento formal, restaurando decisão na qual outros três desembargadores verificaram erro no mérito da causa, somado às mensagens de Felix Jayme, no sentido de que tal decisão foi obtida por meio de corrupção, entendemos haver fortes indícios de que tal decisão, proferida em 6/4/2021 pelos citados desembargadores, foi fruto de corrupção por parte deles”, afirmou a Polícia Federal na representação contra os investigados enviada ao STJ.

 

Quam são os envolvidos?

Afastados dos cargos e com tornozeleira eletrônica:

  • Sérgio Fernandes Martins - presidente do TJMS
  • Sideni Soncini Pimentel - presidente eleito do TJMS (tomaria posse em 2025)
  • Vladimir Abreu da Silva - desembargador do TJMS
  • Marcos José de Brito Rodrigues - desembargador do TJMS
  • Alexandre Bastos - desembargador do TJMS
  • Osmar Domingues Jeronymo - conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso do Sul (TCE-MS)
  • Danilo Moya Jerônimo - servidor do TJMS

Alvos dos mandados de busca e apreensão:

  • Vladimir de Abreu da Silva - desembargador
  • Marcus Vinicius Machado Abreu da Silva - advogada, filha do desembargador Vladimir de Abreu
  • Ana Carolina Machado Abreu da Silva - advogado, filho do desembargador Vladimir de Abreu
  • Julio Roberto Siqueira Cardoso - advogado e desembargador aposentado
  • Natacha Neves de Jonas Bastos - servidora do TJMS e ex-assessora do desembargador Julio Siqueira
  • Alexandre Aguiar Bastos - desembargador
  • Camila Bastos - advogada, filha do desembargador Alexandre Bastos, vice-presidente da OAB-MS
  • Sideni Soncini Pimentel - desembargador, futuro presidente do TJMS
  • Rodrigo Gonçalves Pimentel - advogado, filho do desembargador Sideni Pimentel
  • Renata Gonçalves Pimentel - advogada, filha do desembargador Sideni Pimentel
  • Sérgio Fernandes Martins - desembargador, presidente do TJMS
  • Divoncir Schreinner Maran - advogado, desembargador aposentado
  • Divoncir Schreinner Maran Jr. - advogado, filho de Divoncir Maran
  • Diogo Ferreira Rodrigues - advogado, filho do desembargador Marcos José de Brito Rodrigues
  • Osmar Domingues Jeronymo - conselheiro do TCE-MS
  • Felix Jayme Nunes da Cunha - advogado, apontado como um dos pagadores de propina para os desembargadores
  • Everton Barcelos de Souza - sócio de empresa usada em fazenda supostamente “tomada” em esquema de venda de sentenças
  • Diego Moya Jerônimo - empresário, envolvido no esquema de venda de sentenças, sobrinho do conselheiro do TCE-MS, Osmar Jeronymo
  • Danilo Moya Jerônimo - servidor comissionado do TJMS, sobrinho do conselheiro do TCE-MS, Osmar Jeronymo
  • Percival Henrique de Souza Fernandes - médico infectologista, supostamente beneficiado no esquema
  • Paulo Afonso de Oliveira - juiz de primeira instância
  • Fábio Castro Leandro - advogado e filho do desembargador aposentado Paschoal Carmelo Leandro
  • Andreson de Oliveira Gonçalves - lobista, suspeito de ser o elo de esquema de venda de sentenças em MS e cortes em Brasília
  • Florais Táxi Aéreo - empresa em Cuiabá
  • Mauro Boer - empresário
  • Marcos Antônio Martins Sottoriva - procurador de Justiça

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BURAQUEIRA

Em Ivinhema, forte chuva causa estrago e abre cratera em avenida

Prefeito Juliano Ferro publicou um vídeo, onde mostra que a rede de esgoto foi mal instalada por uma empresa terceirizada da Sanesul

05/10/2026 11h30

Cratera abriu depois de forte chuva no município de Ivinhema

Cratera abriu depois de forte chuva no município de Ivinhema Reprodução: Ivinotícias

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A forte chuva que atingiu o município de Ivinhema, neste domingo (4), abriu uma cratera no cruzamento das avenidas Antônio Travain e Fermino Alves de Souza, no bairro Piravevê. O prefeito Juliano Ferro (PL), o "Mais Louco do Brasil", visitou o local e explicou a causa do problema. 

Em vídeo divulgado nas suas redes sociais, o 'Mais Louco' diz que uma empresa, contratada pela Sanesul para prestar serviço de implantação de esgoto na cidade, passou o cano da rede por dentro do tubo de água da chuva e não fechou de maneira adequada o buraco. Com isso, o volume acumulado da precipitação passou por debaixo do asfalto e causou o estrago, abrindo a cratera na avenida.

O prefeito disse que o trecho será interditado e acionou a Sanesul, a qual informou ao gestor que enviará uma equipe de Campo Grande para resolver o problema.

Segundo a Defesa Civil, o município recebeu cerca de 55 milímetros de chuva durante a madrugada de sábado (3) para domingo (4), com ventos de aproximadamente 90 km/h.

O temporal também causou danos em Nova Andradina, onde árvores, outdoors e placas foram derrubados. Houve destelhamentos em diferentes regiões da cidade e interrupções no fornecimento de energia, problema registrado também em Batayporã.

Tabus quebrados

Vitória de Azambuja no Senado põe fim a tabu de 40 anos

Última eleição que um ex-governador do Estado conseguiu chegar ao Senado foi em 1986; MS também quebrou tabu de 16 anos com vitória de Riedel em primeiro turno para Governador

05/10/2026 11h10

Azambuja quebra tabu de 40 anos com eleição ao Senado sendo um ex-governador do Estado

Azambuja quebra tabu de 40 anos com eleição ao Senado sendo um ex-governador do Estado Paulo Ribas / Correio do Estado

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Após 40 anos, Reinaldo Azambuja (PL) conseguiu quebrar o tabu de um ex-governador de Mato Grosso do Sul conseguir chegar ao Senado. A última vez em que o fato ocorreu foi em 1986, quando o então governador do Estado, o advogado Wilson Barbosa Martins, do PMDB conseguiu uma vaga no Congresso.

Na ocasião, Wilson Martins se candidatou à vaga quando ainda exercia o último ano de seu mandato como governador de Mato Grosso do Sul, em 1986. Ao abrir mão do cargo para tentar o Senado em 14 de maio daquele ano, o seu vice, Ramez Tebet também do PMDB, assumiu o Governo do Estado, durante os 10 meses restantes do mandato.

Com o feito conquistado, o advogado ficou apenas um mandato no Senado, de 15 de março de 1987 a 1º de janeiro de 1995. Após isso, Wilson Martins retornou ao Governo de MS, com seu último mandato político de 1995 a 1999.

Agora Senador, Azambuja conseguiu quebrar o tabu de 40 anos de um ex-governador conseguir se eleger senador, isso porque outros dois governadores eleitos pelo voto direto, também tentaram a alteração do cargo político, mas sem sucesso.

Pedro Pedrossian (PTB) e Zeca do PT, tentaram, em 2002 e 2018, respectivamente. O primeiro foi derrotado por Delcídio do Amaral, que na época assumiu durante dois mandatos consecutivos de 2003 a 2011 e 2011 a 2019, sendo candidato do PT.

Já Zeca do PT não conseguiu se eleger por ter sua candidatura ao Senado impugnada a pedido da Procuradoria Regional Eleitoral do Estado, em agosto de 2018, devido a uma condenação em segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) por improbidade administrativa em 2017.

Atualmente, Zeca do PT foi eleito deputado estadual nas Eleições 2026, por estar absolvido pela Justiça por unanimidade do caso de improbidade, de 2017.

Porém, na época, o deputado perdeu seus direitos políticos e ficou inelegível, o que resultou no mandato de Nelsinho Trad (PSD), e da advogada Soraya Thronicke, pelo Podemos, apoiada pelo ex-presidente condenado por tentativa de golpe Jair Bolsonaro, quando houve a chamada "Onda Bolsonarista", em que candidatos apoiados por ele assumiram cargos no Congresso.

Depois do finado Wilson Martins, que faleceu aos 100 anos de idade em 13 de fevereiro de 2018, Reinaldo Azambuja repete o feito. Governador pelo Estado de 2015 a 2022, agora, representando o Estado pelos próximos oito anos no Senado, Azambuja foi eleito ontem (04) para a primeira vaga de Mato Grosso do Sul, com 34,64% dos votos.

A segunda vaga ficou com o também candidato do PL, Capitão Contar, com 32,82% dos votos.

Quebra de tabus

Mato Grosso do Sul também pôs fim a mais um tabu de eleições. Após 16 anos, o cargo de Governador do Estado foi definido ainda no primeiro turno. Com 17 pontos percentuais a mais do que o necessário para se eleger no primeiro turno, Eduardo Riedel (PP) teve 67,07% de votos válidos.

O último candidato que conseguiu o mesmo feito foi em 2010, quando André Puccinelli ganhou sua reeleição no primeiro turno, com 55,99% dos votos válidos, sendo 704.407 votantes nele. O segundo colocado foi Zeca do PT, com 42,49%, com a diferença de 169.806 votos entre os dois candidatos.

A diferença entre Riedel e o segundo colocado desta eleição é ainda mais expressivo. Foram 914.323 votos para o candidato eleito, e 322.807 votos para Fábio Trad, concorrente ao Governo pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que não chegou à 25% dos votos válidos.

Entre 2010 a 2026, todas as disputas governamentais foram para o segundo turno. Em 2014, Reinaldo Azambuja (PSDB) conseguiu elerger-se contra Delcídio do Amaral (PT), com 55,34%.

Na eleição seguinte, em 2018, Azambuja conquistou sua reeleição no segundo turno, em disputa com o juiz Odilon de Oliveira (PDT), com 52,35%.

E em 2022, novamente o cargo do Governo foi definido no segundo turno. Na ocasião, os dois candidatos agora parceiros e apoiadores políticos um do outro, Eduardo Riedel e Capitão Contar disputaram a eleição, ganhando o atual Governador, com 56,90%.

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